1.2. Amatör ve Profesyonel Spor
1.2.7. Sportmenlik
Analisando os resultados do estudo dos danos da arborização em dois bairros de Cataguases-MG, realizado em junho de 2002, verifica-se que no bairro com arbori- zação participativa, do total de 766 árvores inventariadas, 186 delas encontravam-se com danos, enquanto, no bairro com arborização convencional, das 361 árvores que fazem parte da arborização, foram detectadas 66 com danos. Esses dados revelam que a incidência de danos no bairro com experiência participativa foi um pouco maior (24%) em relação ao de arborização convencional (18%), conforme Figura 1. No Anexo 3 encontra-se a lista de espécimes arbóreos com danos, por bairros pesquisados.
0 20 40 60 80 100
Arb. Participativa Arb. Convencional Bairros
% de danos
C/ danos S/ danos
Figura 1 – Ocorrência de danos na arborização em dois bairros de Cataguases-MG.
A incidência de danos antrópicos nas árvores urbanas pode estar relacionada com o nível socioeconômico e cultural das comunidades locais, bem como com os fatores psicossociais, não sendo, estes últimos, alvo de enfoque neste estudo.
No caso dos bairros estudados, ambos encontram-se no mesmo nível socioeco- nômico e cultural (classe média-baixa a classe baixa) e apresentaram índices de danos relativamente baixos, comparados ao que LIRA FILHO (2001) encontrou em estudo comparativo sobre a incidência de danos na arborização em dois bairros de Viçosa-MG. De acordo com o referido autor, no bairro mais carente (mesmo nível pesquisado em Cataguases), a incidência de danos foi de 62% em relação ao bairro de classe média alta (50%).
Outras constatações no que se refere à influência dos níveis socioeconômicos e culturais foram verificadas em Curitiba e Recife. Nesse contexto, NUNES e AUER (1990), ao pesquisarem a arborização em Curitiba, concluíram que, nas espécies situa- das em área residencial de bom nível socioeconômico, houve menor número de indivíduos danificados por vandalismo. No entanto, BIONDI (1985) afirma não haver diferença significativa entre os danos das árvores em bairros com diferentes níveis, na cidade de Recife-PE. Esta autora enuncia que as maiores percentagens de danos ocor- reram em dois bairros, sendo um com predominância da classe média e baixa, enquanto no outro predominam as classes média e alta.
Especificamente em relação aos bairros pesquisados, a princípio, surpreende o fato de aquele que experimentou um processo participativo na arborização ter atingido índices um pouco mais elevados de danos do que na arborização convencional. Entre- tanto, por ser um bairro recém-formado (aproximadamente 10 anos), verificou-se que grande parte das residências (padrão popular) encontra-se em processo de reforma, cujas operações provavelmente tenham influenciado na incidência de danos, sobretudo pela presença de materiais de construção na área de crescimento. Por outro lado, é bem pro- vável que o abandono do programa de arborização participativa pela atual gestão do Poder Municipal tenha influenciado os resultados. Além disso, tais injúrias nas árvores podem ter decorrido da construção recente dos passeios nas ruas, durante a implantação do asfalto na infra-estrutura viária do bairro.
Ao se analisarem os danos sob a ótica do estádio de desenvolvimento das árvores urbanas (Tabela 2), as constatações anteriores são ratificadas, verificando-se que a incidência de danos pode ocorrer tanto na fase jovem (incluindo as mudas) quanto na fase adulta.
Pelo exposto na Tabela 2, acredita-se que a variável idade das árvores não deverá ter influência nos resultados. Isso se deve ao fato de que, a priori, todas as árvo- res urbanas estão propensas às incidências de danos, sejam eles de origem antrópica ou
não. O que as torna vulneráveis são outros fatores, como o local em que a árvore foi plantada e as condições deste.
Tabela 2 – Incidência de danos nas árvores, por estádio de desenvolvimento destas, em dois bairros de Cataguases-MG
Tipo de arborização Estádio de desenvolvimento
da árvore Árvore em danos (%) Árvores com danos (%)
Muda 88 12 Arborização participativa Jovem/adulta 66 34 Muda 92 08 Arborização convencional Jovem/adulta 76 24
Estudos realizados por LIRA FILHO (2001), em dois bairros de Viçosa-MG, comprovaram que há incidência de danos nas árvores independentemente do estádio de desenvolvimento das mesmas e que tais índices são elevados, sobretudo nos estádios de muda e adulta.
Independentemente do porte das árvores, a incidência de injúrias na arborização urbana tem ocorrido com freqüência nas cidades brasileiras. Segundo MILANO e DALCIN (2000), as árvores urbanas estão sujeitas a grandes lesões, decor- rentes da poda de galhos grossos executada impropriamente, da ocorrência de acidentes ou de atos de vandalismo da população, que deixam severas injúrias no tronco das árvores.
Conforme MILANO (1993), as árvores de maior porte e adultas apresentam maior atração estética ao público. Portanto, pelo fato de se encontrarem mais expostas ao público, talvez aumentem a sua probabilidade de serem injuriadas. Por outro lado, vale salientar que a presença de equipamentos de proteção nas árvores jovens atua como uma barreira física que, provavelmente, inibirá a ação dos possíveis agressores. Todavia, estudos realizados em Viçosa-MG comprovaram que nem mesmo tais equipa- mentos de arborização estão imunes aos danos antrópicos (LIRA FILHO, 2001).
No que concerne às árvores jovens, alguns dados citados em literatura especia- lizada têm demonstrado que elas também são alvos de severos danos. Segundo BIONDI (1995), as mudas plantadas nas ruas e avenidas têm facilidade de depredação por vanda- lismo. Em Melbourne, YAU (1982) aponta o vandalismo como o primeiro problema da arborização a afetar o estabelecimento de árvores jovens nas ruas. Isso também foi
constatado por meio de estudos realizados em São Paulo, em 282 municípios do Estado, onde ocorreram depredações em 52,54% dos plantios realizados nas sedes desses municípios (WINTERS, 1997).