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2.4. Motivasyon ve Başarı Motivasyonu

2.4.5. Sporda başarı motivasyonu

CRÍTICA(1) 29ª BIENAL DE ARTES

Bienal volta a ser epicentro das artes plásticas52

Apesar de contradições entre obras, mostra reúne trabalhos excelentes

FABIO CYPRIANO53

52 CYPRIANO, Fábio. Bienal volta a ser epicentro das artes plásticas. Folha de S. Paulo. 2/10/2010,

Ilustrada.

53 Crítico da Folha de S. Paulo. Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui

Mestrado e Doutorado em Comunicação e Semiótica, obtidos na mesma instituição na qual leciona. Fonte: http://lattes.cnpq.br/0863440167458855 (consulta em 6/07/2011)

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DE SÃO PAULO

"Há sempre um copo de mar para um homem navegar." A 29ª Bienal de São Paulo revela-se uma mostra polifônica e aí reside sua força, e também sua fraqueza (3). Em torno de arte e política – questão historicamente relevante, mas que sem um foco torna-se ampla demais – coexistem obras e propostas bastante diversas, com nexos difíceis de se compreender (4).

Numa exposição da dimensão do pavilhão da Bienal é compreensível que a curadoria, coordenada por Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos, opte por criar distintos eixos, mas podem-se constatar algumas contradições entre as obras, o que provoca enfraquecimento do tema (5).

Ocorre, por exemplo, na discrepância entre o que se pode chamar de artistas "históricos" e contemporâneos. As ações radicais, em sua maioria dos anos 60 e 70, dos argentinos Alberto Greco e do Grupo de Artistas de Vanguarda, de Paulo Bruscky, Lygia Pape e Hélio Oiticica, entre outros, reduz a produção atual, com algumas exceções, a um esteticismo pueril.

FORA DE CONTEXTO

Afinal, como se pode entender nesse contexto obras de artistas como Marcelo Silveira, David Cury ou Fernando Lindote, entre outros? Essa abrangência, por demais generosa, não só enfraquece o tema como põe em xeque a produção contemporânea (6), o que não parece ser a intenção dos curadores (7).

Contudo, essa Bienal, quando consegue realizar diálogos autênticos entre passado e presente, atesta sua pertinência.

Foi assim com leitura livre do "Bailado do Deus Morto", de Flávio de Carvalho, um dos artistas-chave da mostra, com 50 atores do Teatro Oficina, no último domingo.

Quando Zé Celso, que dirigiu a ação, vestiu uma versão do traje "New Look de Verão", de Carvalho, e esbravejou impropérios como metralhadora giratória, enquanto seu grupo movia-se praticamente desnudo, ele injetou um espírito anárquico e politicamente incorreto na Bienal, comportada demais.

Mas, felizmente, ele não é exceção e, graças à polifonia da mostra, há trabalhos excelentes e, por conta dos terreiros, especialmente os da performance, da literatura e do cinema, há uma energia vibrante no pavilhão.

Assim, apesar de conceitualmente a Bienal ser muito frágil, sua complexidade e diversidade compensam a falta de organicidade e tornam, novamente, o pavilhão da Bienal o epicentro do pensamento artístico no pais (12).

QUANDO sáb. à qua., das 9h às 19h, qui. e sex., das 9h as 22h; até 12/12 ONDE pavilhão da Bienal (parque Ibirapuera, portão 3, tel. 0/xx/ 11/5576-7600) QUANTO grátis

AVALIAÇÃO (2) bom CRÍTICA(1) PARALELA

Conservadora e superficial (8), Paralela 10 tornou-se vítima do circuito que a criou54

DE SÃO PAULO

Quando surgiu, há oito anos, a Paralela, mostra organizada por galerias de arte da cidade, funcionava como uma das poucas vitrines para a arte contemporânea brasileira durante a Bienal de São Paulo.

Naquela época, nem tão distante, o circuito de arte não era mobilizado como agora e a Paralela fazia sentido. Em 2004, quando Moacir dos Anjos foi seu curador, a mostra chegou a ser considerada superior à Bienal, então organizada por Alfons Hug.

54 CYPRIANO, Fábio. Conservadora e superficial, Paralela 10 tornou-se vítima do circuito que a criou.

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Em 2010, com uma extensa e excelente agenda de mostras paralelas e uma Bienal renovada, a exposição das galerias tem seu sentido enfraquecido.

E, para ficar ainda pior, o curador Paulo Reis optou por não repetir artistas da mostra do Ibirapuera, que tem nada menos que 59 brasileiros, o que tornou a sua uma espécie de salão dos recusados.

Se ainda a exposição agregasse conteúdo, ela teria validade, mas nem assim (9). DEPARTAMENTOS

Intitulada "A Contemplação do Mundo", a exposição divide-se como uma loja de departamentos, por conta do formalismo das leituras de seu curador (10).

Há a sessão de plantas e jardins, com os trabalhos de Mauro Piva, Brígida Baltar e Rosana Palazyan, todos abordando essa temática, ou o departamento de segurança, onde artistas usam o revólver como elemento constitutivo de seus trabalhos.

Se essas áreas totalmente literais da mostra não fossem suficientes, Reis ainda ocupa um dos lados do belo galpão do Liceu só com pinturas de grandes formatos, outra leitura formal, que reduz tais trabalhos à entediante temática do suporte, em pleno século 21. Conservadora, óbvia e reunindo superficialmente artistas de todas as galerias que a patrocinam, a Paralela tornou-se hoje vítima do próprio circuito que a criou (11). (FABIO CYPRIANO)55

PARALELA 10

ONDE Liceu de Artes e Ofícios (r. Jorge de Miranda, 676, tel. 0/ xx/ 11/3229-9389) QUANDO ter. a sex., 12h às 18h; sáb. e dom., 10h às 18h; até 28/11

QUANTO grátis AVALIAÇÃO(2) ruim

As críticas 02 e 03 serão analisadas em conjunto, de forma a facilitar uma confrontação entre as duas. Publicadas no mesmo dia e assinadas pelo jornalista e crítico Fábio Cypriano, os dois textos ilustram a forma como duas instituições artísticas da cidade são abordadas pela crítica.

Ambas estão caracterizadas explicitamente: há chapéus indicativos do gênero (1) e atribuição de notas (2) aos eventos, o que permite a qualquer leitor, mesmo os mais leigos, compreender tratar-se de crítica de arte. O estilo opinativo dos textos, marcados pela tomada de posição do autor amparada por argumentação, reforçam a tipologia.

A primeira se detém na 29ª Bienal de Artes. Fábio Cypriano se propõe fazer um balanço da mostra e, para tanto, lança um olhar abrangente que identifica erros e acertos (3). O crítico menciona problemas (4), mas evita a menção direta aos curadores. Quando o faz (5), relativiza as contradições como se fossem efeitos colaterais inevitáveis da opção dos curadores por “distintos eixos”. De qualquer forma, nas palavras do crítico, a contradição se limita a “enfraquecer o tema”. A curadoria é criticada sim, mas pela “generosidade” que a levou a ampliar demasiadamente o tema da mostra. A mostra põe

55 Crítico da Folha de S. Paulo. Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui

Mestrado e Doutorado em Comunicação e Semiótica, obtidos na mesma instituição na qual leciona. Fonte: http://lattes.cnpq.br/0863440167458855 (consulta em 6/07/2011)

64 em xeque a produção contemporânea, mas não parece ter sido esta a intenção dos curadores (7), afirma.

O que se observa na primeira parte da crítica à Bienal é descrito por FAIRCLOUGH (2008:203) como um discurso de polidez, recurso que consiste na adoção de estratégias linguísticas que visam mitigar atos de fala potencialmente ameaçadores a quem se fala ou a si próprio. Os recursos de polidez são particularmente úteis para caracterizar as relações sociais e de poder existentes entre os participantes do discurso.

A definição de polidez do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930–2002), para quem “as concessões de polidez são sempre concessões políticas”, é citada por FAIRCLOUGH: (2008:204)

o domínio prático do que chamamos regras de polidez e, particularmente, a arte de ajustar cada uma das fórmulas disponíveis... às diferentes classes de receptores possíveis pressupõem o domínio implícito, logo o reconhecimento, de um conjunto de oposições que constituem a axiomática implícita de uma ordem política determinada. [Destaque acrescentado]

Tendo isso em vista, FAIRCLOUGH afirma: (Idem)

as convenções de polidez particulares incorporam, e seu uso implicitamente reconhece relações sociais e de poder particulares (ver Kress e Hodge, 1979), e, na medida em que se recorre a elas, devem contribuir para reproduzir essas relações. Um corolário é que investigar as convenções de polidez de um dado gênero ou tipo de discurso é um modo de obter percepção das relações sociais dentro das práticas e dos domínios institucionais, aos quais esse gênero está associado. [Destaque acrescentado]

Nitidamente, Cypriano procura mitigar a ameaça à face dos curadores que a censura contundente representaria. Adota, por exemplo, o verbo parecer na forma intransitiva parece ao apontar as consequências de um possível deslize dos curadores (7), remetendo a questão para o campo das possibilidades. Em momento algum o autor adota a assertividade que normalmente caracteriza a crítica de arte.

Passemos à crítica nº 03: a contundência está presente desde o título. As escolhas vocabulares não são feitas ao acaso. Adjetivar uma mostra de arte contemporânea como “conservadora” e “superficial” equivale a dizer que ela é inócua, desnecessária, pois a arte visa justamente romper com o conservadorismo e a superficialidade da sociedade contemporânea. A percepção de nulidade da mostra pelo crítico é reafirmada no fim da primeira parte da crítica (9): “Se ainda a exposição agregasse conteúdo, ela teria validade, mas nem assim”.

65 Partindo da tese inicial na primeira parte do texto, o crítico dedica a segunda parte à argumentação. O curador é acusado de “formalismo” e a mostra é comparada a “loja de departamentos” (10).

Sob os aspectos formais, ambos os textos são ótimas críticas de arte. No segundo, especificamente, Cypriano indica claramente ao leitor que a mostra Paralela 10 é ruim e justifica sua opinião com argumentação adequada. Na crítica à 29ª Bienal, é mais comedido e procura relativizar. O desejo de se equilibrar entre elogio e censura o leva a produzir a “pérola” do último parágrafo (12), no qual a Bienal “conceitualmente frágil” é apontada como “epicentro do pensamento artístico no país”. A despeito da dubiedade, constitui-se também em importante referencial para o público-leitor.

As questões que se colocam a partir do confronto dos dois textos têm como fulcro aspectos institucionais que nitidamente permeiam o fazer crítico. Vale lembrar o alerta da professora e linguista Eni P. ORLANDI (2007:9), 56 para quem mesmo o uso mais cotidiano dos signos é carregado de intenções e significados – perspectiva que põe em pauta o por quê do uso intenso de polidez na crítica à Bienal, comentado anteriormente, e da ausência total desta estratégia na crítica à mostra Paralela 10. Não há, na segunda crítica, atos da fala mitigadores do discurso. Conforme também comentado, desde o título (8) até o último parágrafo (11), o crítico censura a mostra de forma contundente.

Obviamente espera-se do profissional da crítica que esteja bem informado quanto à produção que pretende avaliar e que seja fiel às suas convicções estéticas. Entretanto, quando o crítico, vendo incoerências em ambas as mostras, por um lado procura mitigar a censura à poderosa Bienal de São Paulo, e por outro condena a mostra Paralela sem qualquer estratégia de polidez, o questionamento quanto à pertinência das críticas ganha consistência. A questão que se coloca vai na direção da possibilidade de a influência política da Fundação Bienal, bem como o peso de sua tradição, exercerem influência sobre o texto da crítica.

Quais as implicações para o leitor? Na medida em que as relações de poder têm a possibilidade de se impor sobre a avaliação orientada unicamente por convicções estéticas, é subtraída ao público a opinião livre de interesses institucionais.

É interessante observar que na crítica à mostra Paralela 10 o autor não analisa nenhuma obra especificamente. Menciona alguns artistas, ignora as obras e foca toda a

56 ORLANDI, Eni P. Análise do discurso: princípios e procedimentos. 7ª edição, Campinas, Ed. Pontes,

66 atenção no aspecto curatorial da mostra. (Curiosamente, na Bienal procura exatamente em obras específicas virtudes que compensem o “nexo difícil” (4) e o “enfraquecimento do tema” (5) resultantes das escolhas dos curadores).

A esta altura, vale a pena um registro sobre a crítica publicada na edição 159 (novembro/2010) da revista Bravo, produzida pela jornalista e crítica Thais Rivitti57 também sobre a mostra Paralela 10. A transcrição de alguns trechos é suficiente para revelar interessante contraste de abordagem:

Garimpo no saco de gatos58

(...)

A primeira coisa que se precisa saber sobre um evento como esse é que o trabalho do curador fica um pouco comprometido, já que os interesses das galerias estão naturalmente em primeiro plano. A necessidade de contemplar um grande número de artistas impede o aprofundamento em um tema muito específico (12).

(...)

Em um canto do galpão do Liceu de Artes e Ofícios, em São Paulo, estão dois artistas que apresentam pinturas. Duas laranjas, tela feita neste ano por Rodrigo Bivar, revela a habilidade do artista em criar jogos cromáticos intensos, em que as texturas se sobressaem. Marcelo Amorim, por sua vez, participa com a série Iniciação, de 2010, baseadas em imagens antigas tiradas de salas de aula. Sua pintura é bastante simplificada – ele geralmente se restringe a apenas duas cores e as figuras surgem por contraste (14).

(...)

... E é assim, lado a lado, que essas diferenças e aproximações aparecem. Mesmo sob um tema tão vago. E mesmo sob a pressão das galerias (13).

A crítica de Rivitti contextualiza o evento, revelando ao leitor os interesses sob os quais é organizado (12), expõe o efeito dos referidos interesses sobre a curadoria (13), mas nem por isso deixa de se deter sobre as obras. Consegue, desta forma, fornecer ao leitor uma visão bem mais completa sobre a mostra e cumprir com maior efetividade a mediação entre esta e o público.

Prática discursiva

Produtor textual: O texto está devidamente por Fábio Cypriano,

reconhecido tanto pelo público leitor, como pelo cenário artístico, como jornalista e crítico de artes da Folha de S. Paulo.

57 É mestre em História, Crítica e Teoria da Arte pela Universidade de São Paulo, graduada em

Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2000) e em Filosofia pela Universidade de São Paulo (2004). Atualmente exerce as funções de curadora, critica de arte e jornalista na área cultural. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em arte contemporânea brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: arte brasileira, artistas jovens, filosofia, crítica e história da arte. É membro do Centro de Pesquisas em Arte Brasileira da ECA-USP. Fonte:

http://lattes.cnpq.br/6161253149660112 Consulta em 20/07/2011.

67 Seguindo a recomendação de FAIRCLOUGH (2007:107) de

“desconstrução” do produtor, é possível identificar:

a) Animador: O jornalista e crítico Fábio Cypriano, da Folha de S. Paulo. b) Autor: O mesmo animado, que a assina o texto.

c) Principal: O fato de a crítica ser publicada nas páginas da Folha de S.

Paulo coloca a publicação na condição de participante de sua autoria. A Fundação Bienal, organizadora das Bienais de Arte, também pode atuar como “Produtora Principal”, ainda que indiretamente, em função de sua influência sobre a sobre a cobertura jornalística do evento, exercida por meio de assessorias de Comunicação.

Benzer Belgeler