2.4. Motivasyon ve Başarı Motivasyonu
2.4.1. Motivasyonunun tanımı
CRÍTICA(1) ARTES VISUAIS
Inhotim apresenta curadoria eficaz 44
Com espaços para Miguel Rio Branco e Cosmococas, centro mostra arte brasileira de forma correta
FABIO CYPRIANO45
ENVIADO ESPECIAL A BRUMADINHO
Na última quinta, mais duas galerias abriram em Inhotim – Centro de Arte Contemporânea, do colecionador mineiro Bernardo Paz, ambas fora do núcleo inicial. Os novos pavilhões foram projetados por Alexandre Brasil Garcia e Carlos Alberto Maciel, do escritório Arquitetos Associados, e configuram-se como inserções monumentais em meio à paisagem, mas distintos.
A galeria do artista Miguel Rio Branco é caracterizada pelo contraste: uma imensa caixa de aço em meio à floresta. O edifício, com dois pavimentos, reúne 12 obras do fotógrafo, de um extenso período: 1976 a 2004.
Polípticos (fotos apresentadas em conjuntos)(3), instalações e filmes dão conta da complexidade de Rio Branco na criação de imagens.
Algumas obras são documentais, caso da radical “Nada Levarei Quando Morrer, Aqueles que Me Devem Cobrarei no Inferno” (1985), que também está em exibição na 29ª Bienal de São Paulo, enquanto outras são exercícios mais livres e poéticos, como “Entre os Olhos o Deserto” (1997), que mescla os gêneros retrato e paisagem.
Ao apresentar de forma extensiva a obra de Rio Branco, Inhotim, assim como fez com Cildo Meireles, cumpre um papel que instituições de arte brasileiras não conseguem dar conta: apresentar a produção nacional contemporânea de forma adequada(4).
Essa missão também é vista na outra galeria nova, com as cinco Cosmococas de Hélio Oiticica e Neville d'Almeida, de 1973. A construção elegante é coberta com uma pedra mineira escura, que mimetiza seu entorno. Por dentro, todas as obras convergem para um mesmo espaço, o que não hierarquiza a visita.
ESPAÇOS GENEROSOS
As Cosmococas, que foram vistas na Pinacoteca em 2003, são uma das obras fundamentais de Oiticica e parecia absurdo que elas podiam estar em mostras permanentes de museus estrangeiros e só temporariamente no país.
A apresentação de todas elas – Trashiscapes, Onobject, Maileryn, Nocagions e Hendrix- War – em espaços generosos reforça ainda mais o caráter de Inhotim como local único para se conhecer a produção nacional (5).
Outras duas obras foram ainda inauguradas em espaços abertos de Inhotim: "Desert Park", de Dominique Gonzalez-Foerster, e "Palm Pavilion", de Rirkrit Tiravanija.
44 CYPRIANO, Fábio. Inhotim apresenta curadoria eficaz. Folha de S. Paulo. São Paulo, 27/set/2011,
Ilustrada.
45 Crítico da Folha de S. Paulo. Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui
Mestrado e Doutorado em Comunicação e Semiótica, obtidos na mesma instituição na qual leciona. Fonte: http://lattes.cnpq.br/0863440167458855 (consulta em 6/07/21011)
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Ambos, com projeção internacional, apresentam trabalhos que lidam com questões brasileiras.
O primeiro insere na paisagem simulações de proteções em pontos de ônibus, em debate sobre o modernismo nacional, enquanto o segundo, presente na 27ª Bienal (2006), é outra simulação, agora das casas projetadas pelo arquiteto Jean Prouvé para as colônias francesas.
São ótimas escolhas curatoriais, pois atestam que Inhotim pode apresentar certa originalidade em relação aos demais centros internacionais de arte (6).
ONDE: Rua B, 20, Brumadinho, Minas Gerais. Tel. 0/xx/31/3227-0001 QUANDO: Qui. e sex (9h30 às 16h30), sáb. e dom. (9h30 às 17h30) QUANTO: R$ 16
AVALIAÇÃO: (2) Ótimo
O texto de Fábio Cypriano publicado no caderno Ilustrada em 27/09/2011, a propósito da inauguração de novas galerias no Centro de Arte Contemporânea de Inhotim, MG, não apenas contém todas as características de crítica, como é devidamente precedido por chapéu (1) indicativo do gênero. No pé do texto, a atribuição de nota (2) completa as marcas explícitas do gênero crítica de arte. A identificação é reforçada pelo caráter autoral do texto, com manifestação explícita da opinião do autor.
Cypriano demonstra habilidade na construção do texto. Adotando elaboração simples e vocabulário acessível a leigos, sem abrir mão da norma culta da língua, apresenta uma crítica livre de dificuldades interpretativas para a maioria dos leitores. Atento à estrutura argumentativa da crítica de arte, ao longo do texto procura apresentar argumentos que sustentem a tese inicial expressa no título – a eficácia da curadoria do Centro de Arte Contemporânea de Inhotim. Jornalista da Folha de S. Paulo desde o ano 2000, o crítico demonstra observância ao Manual de Redação da empresa, que alerta para o cuidado a ser tomado na preparação de textos especializados. Consta na edição do Manual publicado em 1992 a seguinte recomendação, repetida em edição posterior, de 1996:
O profissional da Folha deve estar atento para o risco maior da especialização, que é o de distanciar-se do leitor. O texto do jornal deve permanecer claro o suficiente para ser entendido pelo leigo e profundo o bastante para ser útil ao especialista. (1992:17)46 Mais que obediência ao Manual da Folha, a clareza do texto de Cypriano representa um serviço ao leitor e às artes visuais, por favorecer a aproximação entre ambos. Cumpre, desta forma, o “relevante papel” mencionado por OSÓRIO (2005:36), que consiste em abrir “outras possibilidades de ressonância, deslocando e disseminando
57 formas de sentido que são negociadas entre o público, a história e a arte”. O crítico precisa ter sempre em vista o objetivo final de seu trabalho, que é comunicar para um público o mais amplo possível. “... o exercício crítico deve pensar por si mesmo mas saber se colocar na posição dos outros”, afirma o professor OSÓRIO. (Idem)
No texto de Cypriano observa-se apenas uma expressão técnica que representa potencial dificuldade para o leitor. Trata-se da expressão polípticos (3), que o autor tem o cuidado de logo explicar, entre parênteses. Entretanto, a sequência como a expressão técnica e a explicação aparecem no texto indica um autor mais atento ao público especializado do que ao leigo. Não seria o caso de inverter a ordem da oração: primeiro, a forma acessível a qualquer leitor, seguida do termo técnico? Como bem alerta ORLANDI (2007:90), as marcas formais do texto permitem um nível de compreensão que deve ser ampliado pelo analista quando este leva em consideração sentidos que permanecem ocultos à leitura superficial. No caso específico, a posição da expressão técnica (polípticos) antes da explicação claramente mostra um autor que dialoga prioritariamente com seus pares (leitores especializados), enquanto aos leigos faz declarações e concessões explicativas. Esta linha interpretativa conduz à classificação do texto como discurso conservador, que remete à identidade social do autor – crítico de arte, indivíduo intelectualmente superior –, e a reforça. Percebe-se, desta forma, que apesar do empenho nítido do autor de apresentar um texto acessível a qualquer nível de leitor, a instituição (crítica de arte) a partir da qual o discurso é produzido atua sobre o texto para garantir o status quo. Como bem alerta FAIRCLOUGH (2008:93), “... a constituição discursiva da sociedade não emana de um livre jogo de ideias nas cabeças das pessoas, mas de uma prática social que está firmemente enraizada em estruturas sociais materiais, concretas, orientando-se para elas”.
A leitura atenta da crítica de Fábio Cypriano revela uma interessante ocorrência de intertextualidade que merece ser destacada de outras possíveis.
Por intertextualidade entende-se a concorrência de textos variados na constituição de determinado discurso. Os linguistas consideram que todos os textos – enunciados orais ou escritos – são uma trama de outros textos às vezes claramente identificados, condição em que se tem a intertextualidade manifesta (citações entre aspas, por exemplo), enquanto outras vezes, embora presentes, são assumidos de tal forma pelo orador/autor, que dificilmente são identificados – condição em que se tem a intertextualidade constitutiva ou interdiscursividade. Citado por FAIRCLOUGH (2008:134), BAKHTIN afirma que
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nossa fala é... preenchida com palavras de outros, variáveis graus de alteridade e variáveis graus do que é de nós próprios, variáveis graus de consciência e de afastamento. Essas palavras de outros carregam com elas suas próprias expressões, seu próprio tom avaliativo, o qual nós assimilamos, retrabalhamos e reacentuamos.
Visto sob esta perspectiva, o texto em análise revela a presença de um texto que beira o discurso institucional do Centro de Arte Contemporânea de Inhotim. Os trechos em destaque, nos quais se lê que Inhotim “cumpre um papel que instituições de arte brasileiras não conseguem dar conta: apresentar a produção nacional contemporânea de forma adequada”(4), que trata-se de “local único para se conhecer a produção nacional”(5), equiparado inclusive a importantes centros internacionais da arte (6), poderiam figurar com naturalidade em folhetos de divulgação, em websites institucionais e/ou em material promocional do Centro. Em muitos aspectos, os trechos destacados e o contexto em que são publicados assemelham-se ao discurso próprio de Relações Públicas, área da Comunicação Social definida pelos teóricos e professores BELTRÃO e QUIRINO (1986:161)47 nos seguintes termos:
Por meio de métodos e técnicas muito semelhantes às educacionais, as instituições procuram dar-se a conhecer, dizer dos seus fins sociais, identificar-se com seus usuários e com a sociedade em que atuam de modo a ser consideradas como parcelas úteis desta. Ou seja, cada instituição social aspira a ser considerada (e sê-lo realmente) uma boa cidadã.
O apontamento ganha relevância na medida em que se sabe que o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), descrita pela Lei Federal 9.790, de 23/03/199948 como “pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei”. Trata-se de uma organização de direito privado que, por seus objetivos sociais, tem autorização legal para captar recursos por meio de doações feitas por pessoas físicas ou jurídicas ou por meio de parcerias com o Poder Público, entre outras formas de financiamento, conforme é explicado no fascículo eletrônico “Cultura da Cooperação” 49 publicado pelo SEBRAE/MG – divisão mineira do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas:
47 BELTRÃO, Luiz; QUIRINO, Newton de Oliveira. Subsídios para uma teoria da comunicação de
massa. 2ª edição, São Paulo, Ed. Summus, 1986.
48 BRASIL. Lei Nº 9.790, de 23 de março de 1999. Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para
Assuntos Jurídicos. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9790.htm#art4. Consulta realizada em 18/07/2011 às 20h16.
49 SEBRAE. Cultura da cooperação. O que é OSCIP. Disponível em
http://www.sebraemg.com.br/culturadacooperacao/oscip/03.htm. Consulta realizada em 18/07/2011 às 20h31.
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8. RESULTADOS FINANCEIROS
· Os recursos financeiros necessários à manutenção da instituição [OSCIP] poderão ser obtidos por:
I – Termo de Parceria, Convênios e Contratos firmados com o Poder Púbico pra financiamento de projetos na sua área de atuação.
II- Contratos e acordos firmados com empresas e agências nacionais e internacionais. III- Doações, legados e heranças.
IV – Rendimentos de aplicações de seus ativos financeiros e outros, pertinentes ao patrimônio sob a sua administração.
V- Contribuição dos associados.
VI – Recebimento de direitos autorais etc.
Ora, sabe-se que as doações e os convênios obtidos por essas instituições tendem a ser proporcionais ao sucesso que obtêm na consecução de seus objetivos sociais. Sabe- se, também, que não basta às organizações realizar bons resultados: é necessário dar publicidade a estas informações, de modo a serem bem vistas pela sociedade.
Reforçando ainda mais o papel que a Comunicação Social cumpre a serviço das organizações, recorro mais uma vez a BELTRÃO e QUIRINO: (1986:163)
Não há dúvida de que as Relações Públicas utilizam as técnicas de persuasão, como a Propaganda, mas dela se diferenciam em pelo menos dois aspectos fundamentais: a) não
se aplicam à promoção de indivíduos ou à de produtos específicos, destinando-se tão-só a instituições ou quadros que envolvem o interesse público, sobreposto ao interesse particular da organização. (...) b) são uma atividade comunicacional desinteressada por
tudo quanto represente personalismo, imposição, competição comercial. Poder-se-ia dizer que seu objeto é sempre transcendente, está sempre posto em causas maiores, as causas que, em dado momento, interessam vivamente à comunidade como um todo.
No caso específico, a “causa transcendente” a que os professores se referem é o interesse (legítimo) de Inhotim de ser reconhecido como um centro de excelência em arte contemporânea, o que o credencia a receber doações de verbas públicas e privadas.
Não se pode censurar uma OSCIP, ou outra organização de qualquer natureza, por procurar divulgar seus trabalhos por meios legítimos visando obter maior apoio financeiro e institucional. (A questão é tratada com franqueza no website do Centro):50
Formas de apoio
Pela transversalidade de sua atuação nos campos da arte contemporânea, meio ambiente, inclusão e cidadania e educação, Inhotim está apto a estabelecer diversas parcerias com a iniciativa privada, poder público e outras instituições.
São inúmeras as possibilidades de apoiar e ser parceiro de Inhotim. Algumas das principais formas de parceria são:
- Patrocínio com recursos diretos; - Convênios;
- Investimento com benefício fiscal, por meio das Leis de Incentivo à Cultura; - Doações;
- Parcerias institucionais.
Entre em contato conosco para saber mais sobre como ser parceiro de Inhotim.
50 Disponível em http://www.inhotim.org.br/index.php/p/v/214-482. Página consultada em 18/07/2011, às
60 O que há de incoerente e inadequado é a crítica de arte apresentar características de discurso institucional dando oportunidade à suposição de interferência – consciente ou não – do próprio Centro sobre o conteúdo. A hipótese de interferência, de difícil comprovação, não é descabida. O professor José Salvador FARO, docente do programa de pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), discute a questão num artigo intitulado “Jornalismo cultural: informação e crítica, mais que entretenimento”, no qual afirma:
Visto em suas origens como um espaço autêntico de veiculação de ideias, em especial pelo papel que a crítica literária adquiriu em sua formulação ao longo do tempo, o jornalismo cultural teria perdido suas características em razão de uma decorrência quase lógica da preeminência que o valor de troca imprimiu à produção cultural, passando a incorporar a forma definitiva geral (ainda que não exclusiva) que tudo adquire sob o capitalismo, a forma da mercadoria.
Obedecendo a regras de mercado e com os olhos voltados para o consumo dos bens culturais em todas as suas manifestações, a produção jornalística que cobre as atividades nessa área não escapou nem às regras gerais que ditam o comportamento da imprensa nem às regras particulares que o movimentam no âmbito de complexos interesses empresariais voltados para a comercialização dos bens simbólicos. O que era antes espaço de atuação livre de vanguardas, de intelectuais e de críticos que marcavam sua presença nas páginas dos suplementos com intepretações de larga repercussão pública (guardadas as restrições que devem ser feitas às dimensões do público de cada época), agora não é mais que espaço de serviços voltado para o entretenimento.51
Se confirmada a hipótese, as implicações negativas para o leitor são óbvias: ao invés de ter acesso a um olhar perscrutador e reflexivo através da crítica, obtém tão- somente uma versão bem acabada do press release distribuído pela Assessoria de Comunicação do centro, que evidentemente não é capaz de produzir uma crítica independente em relação ao assessorado.
Um dispositivo da Análise Crítica do Discurso (ACD) favorece esse tipo de interpretação. GOFFMAN é citado por FAIRCLOUGH (2008:107) devido à sua proposta de “desconstrução” do produtor do texto em diversas “posições”, que podem ser ocupadas pela mesma pessoa ou por várias, como recurso facilitador para a identificação dos discursos nele contidos. As posições mais comuns são o animador, que é o responsável pelo som ou pelas marcas gráficas da mensagem; o autor, que é quem reúne as palavras e assume a responsabilidade pelo texto; e o principal, que é a posição cujos interesses são representados pelas palavras. Nesta perspectiva, temos:
51 FARO, José Salvador. Jornalismo cultural: informação e crítica, mais que entretenimento. PósCom:
Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Disponível em http://www.metodista.br/poscom/cientifico/publicacoes/docentes/artigos/artigo-0057. Consulta realizada em 19/07/2011 a 0h16.
61 a) Animador: o jornalista e crítico de arte Fábio Cypriano, que assina o
texto;
b) Autor: considerado o caráter autoral da crítica, não há razão para duvidar de que tenha sido redigida pelo próprio jornalista, que a assina;
c) Principal: a Folha de S. Paulo e o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim ocupam o lugar da(s) pessoa(s), organização(ões) e/ou instituição(ões) cujos interesses são representados pelas palavras do texto. O jornal, por oferecer ao animador o espaço, a infraestrutura, o respaldo editorial, jurídico e administrativo, e o status profissional que lhe legitimam a atuação e lhe conferem uma identidade social. O Centro de Arte Contemporânea, pelo fato de a crítica ir ao encontro de seus interesses.
Texto
• Ethos: As identidades sociais são bem demarcadas no texto:
a) Fábio Cypriano, que assina o texto, é identificado como crítico de arte –
ethos que mobiliza o estereótipo do profissional autorizado a julgar obras de arte, sendo para tanto dotado de qualificação intelectual diferenciada e superior à média dos leitores.
b) O leitor assinante ou ocasional da Folha de S. Paulo, na média, pouco familiarizado com o cenário das artes visuais.
c) Leitores especializados, entre os quais artistas, curadores, críticos e historiadores da arte, gestores das instituições de arte.