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2. KAYNAK ÖZETLERİ

2.1. Testisler

2.1.3. Testis Histolojisi

2.1.3.4. Spermiyumun Ultrstrüktürel Yapısı

Quando da discussão do evento de fala ‘She left Arcelor’, B.T. aponta, ele mesmo,

para uma análise sociológica, quando se refere à sociedade brasileira como coletivista, em contraste com a sociedade individualista americana. O assunto emergiu da discussão a respeito da concordância das alunas com relação ao professor, mesmo antes que o mal- entendido presente no evento de fala tivesse sido solucionado.

Apontamos, em seguida, para perspectivas clássicas com relação ao individualismo e ao coletivismo com o intuito de apresentar o pano de fundo sociológico e antropológico para abordagens pragmalinguísticas mais recentes, que serão apresentadas posteriormente.

Alexis de Tocqueville (1805-1859), depois de uma estadia nos Estados Unidos, nos anos de 1831 e 1832, foi o primeiro a escrever, no clássico livro Democracy in America (1835, 1840) sobre o individualismo (no nível social) e o igualitarismo (no nível político) dos Estados Unidos. A respeito do individualismo, ele afirma que os indivíduos dessa sociedade

“não devem nada a ninguém, não esperam, por assim dizer, nada de ninguém, acostumam-se a

se considerar sempre isoladamente e imaginam de bom grado que seu destino inteiro está em

suas mãos” (TOCQUEVILLE, 2004 [1840], p. 121).

Em contraste, em nota introdutória de Raízes do Brasil, originalmente publicado em 1936, de Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Cândido aponta que o povo brasileiro se apoia, socialmente, em “relações de simpatia”, e, devido a isso, não acha agradáveis as relações impessoais, características do Estado, e procura sempre reduzi-las ao padrão pessoal e afetivo. A formação social básica é a família, sobretudo em seu molde tradicional, e isso dificulta a formação de uma sociedade urbana nos moldes modernos (HOLANDA, 1995 [1936], p. 17).

Uma comparação da relação ‘indivíduo / sociedade’ nas perspectivas americana e brasileira é feita pelo antropólogo brasileiro Roberto DaMatta:

[n]os Estados Unidos a ideia de comunidade está fundada na igualdade e homogeneidade de todos os seus membros, aqui concebidos como cidadãos. Quer dizer: a comunidade pode ser concebida como igualitária porque não seria feita de famílias, parentelas e facções que objetiva e efetivamente têm propriedades, estilos, tamanhos e interesses diferentes, mas de indivíduos e cidadãos. No Brasil, por contraste, a comunidade é necessariamente heterogênea, complementar e hierarquizada. Sua unidade básica não está baseada em indivíduos (ou cidadãos), mas em relações e pessoas, famílias e grupos de parentes e amigos. Sendo assim, nos Estados Unidos, o indivíduo isolado conta como uma unidade positiva do ponto de vista moral e político; mas no Brasil o indivíduo isolado e sem relações, a entidade política indivisa, é algo considerado altamente negativo, revelando apenas a solidão de um ser humano marginal em relação aos outros membros da comunidade (DAMATTA, 1997, p. 78).

O excerto acima aponta para a importância da manutenção de boas relações interpessoais no Brasil. Assim, na dicotomia apresentada no subtítulo desta seção (individualismo X coletivismo), o Brasil é mais tradicionalmente identificado, como apontado por B.T. na entrevista, como uma sociedade coletivista, uma vez que seus membros emprestam grande importância às relações interpessoais. No nível pragmalinguístico, existem constatações desse fenômeno em interações verbais, como, por exemplo, a construção coletiva de turnos.51

Entretanto, a despeito de perspectivas tradicionais e dicotômicas com relação ao coletivismo e individualismo, existem críticos que buscam apontar variáveis culturais que transformam as categorias bipolares em construtos multifatoriais. Logo, uma sociedade ou uma cultura pode mostrar aspectos relativos ao individualismo e ao coletivismo que dependem do contexto. É, portanto, a situação imediata que vai definir o estilo mais adequado de comportamento dos membros de um grupo (TRIANDIS, 1995 apud GOUVEIA et al., 2003, p. 204).

No campo pragmalinguístico, Wierzbicka (2003, p. 88) critica o fato de que conceitos culturais-chave sejam citados na literatura da Comunicação Intercultural como autoexplicativos. O coletivismo, no Brasil, certamente assume contornos muito diferentes do coletivismo em sociedades orientais – como na Índia, com seu sistema de castas, por exemplo. Além disso, Ting-Toomey & Oetzel (2007, p. 123) argumentam que é possível encontrarmos indivíduos com orientações coletivistas em sociedades essencialmente individualistas, e vice- versa.

Entretanto, acreditamos que, para a análise que nos propomos fazer em seguida, pensar a sociedade americana como mais individualista, em comparação com a sociedade

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brasileira, mais coletivista, pode nos ajudar a entender alguns aspectos gerais dos contextos comunicativos aqui enfatizados.

Ting-Toomey & Otzel (2007, p. 123) chamam a atenção para o fato de que, quando se comunicam, indivíduos com um forte senso de self (característicos de culturas individualistas) tendem a expressar opiniões pessoais assertivamente. Wierzbicka52 (2003, p. 91) propõe a seguinte fórmula para descrever como a orientação individualista do povo americano se reflete no estilo da fala:

I think: I can say: ‘I want this’, ‘I think this’

I know: other people don’t have to want the same/think the same

Ou seja, um dos desdobramentos do individualismo na cultura americana é que o indivíduo geralmente se sente habilitado a falar o que pensa, porque ele, muito embora seja parte integrante da sociedade, encontra-se, na verdade, acima dela. Ele é soberano e tem licença para se expressar livremente.

Para os entrevistados, a escolha por não se expressar livre e soberanamente pode acabar sendo vista como passividade, por nativos americanos, como aconteceu no evento de

fala ‘The Carrier Pidgeon’, neste trabalho. A pista de contextualização de abaixamento de

volume, por exemplo, é interpretada, pelos entrevistados, como sinal de complacência. O

mesmo aconteceu no evento de fala ‘She left Arcelor’, em que as alunas, apesar de terem

respondido afirmativamente a uma pergunta do professor, o fizeram com volume bem baixo, o que, na visão dos entrevistados, é indicativo de que elas concordaram, apesar de não terem certeza de que o mal-entendido estaria solucionado. C.C. aponta que, nos Estados Unidos, em contexto escolar, desde crianças, os alunos americanos são ensinados a se posicionar. Ela se

utiliza da expressão “students should stand for themselves”, que enfatiza o posicionamento

individualista incentivado na sociedade americana.

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Wierzbicka (2003), numa tentativa de resolver o problema da parcialidade em descrições de conceitos provenientes de outras culturas (que, como Schütz (2010[1944]) aponta, são sempre vistos sob a perspectiva da nossa cultura de origem), propõe que o façamos por meio dos primitivos linguísticos, que são termos universais que independem da cultura. Exemplos desses termos seriam os verbos ‘want’, ‘think’, ‘say’ e os adjetivos ‘good’ e ‘bad’. Contudo, a nosso ver, nem mesmo essas palavras estão livres de influências culturais, o que significa, em última instância, que devemos reconhecer que até as escolhas linguísticas mais simples podem estar atreladas a aspectos culturais. Entretanto, admitimos que o empreendimento teórico feito pela linguista não deve ser desprezado. A descrição de conceitos por meio de primitivos linguísticos é uma tentativa bastante interessante e, certamente, mais independente de influências culturais do que aquelas que não reconhecem sequer a existência da relatividade linguística e cultural e fazem julgamentos acerca de aspectos culturais sempre a partir da perspectiva de uma única cultura. O mérito de Wierzbicka é, portanto, reconhecer a parcialidade das descrições interculturais e tentar minimizá-la ao máximo.

É possível que os alunos brasileiros sejam vistos como ‘passivos’, por professores americanos, justamente por preferirem a manutenção da harmonia do grupo, em detrimento de

posicionamentos fortes que ameacem a face dos outros. Como até mesmo respostas como ‘é claro’ ou ‘é obvio’, como apontado por J.M. (na parte da entrevista relativa ao evento de fala

Strange Landings), podem ser vistas como FTAs na cultura brasileira, perguntas excessivas

também podem. Elas podem ameaçar a face positiva do interlocutor a quem as perguntas se dirigem (no caso, o professor, que pode, na visão do aluno que faz as perguntas, não ter explicado conceitos de forma suficientemente clara, por exemplo) ou de quem as profere (que pode ser visto como alguém que nunca consegue entender o que o professor diz).

Logo, muito embora a dicotomia individualismo versus coletivismo, apontada na seção anterior, não seja tão evidente em vários contextos comunicativos, pode ser interessante se partir dela para uma definição sobre a análise do trabalho de face em diferentes culturas.53

A passividade, na análise dos americanos, é também relacionada, por J.M., à

indirectness ou àquilo que ele chama de “caráter implícito da cultura brasileira”.

Relacionamos, em seguida, o “caráter implítico da cultura brasileira”, ao qual J.M. se refere, à

questão da orientação indireta (em constraste com a orientação mais direta da cultura americana) assumida por falantes em diferentes contextos comunicativos.

Benzer Belgeler