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2. KAYNAK ÖZETLERİ

2.7. Önceki Çalışmalar

As análises feitas sobre o individualismo e o respeito pela autonomia pessoal na cultura americana poderiam ser traduzidas, metaforicamente, como uma questão de espaço pessoal, bastante marcado nessa cultura.

Edward Hall (1914-2009) foi um antropólogo que se interessou pela questão do espaço e como ela pode se manifestar em diferentes culturas (HALL, 2005 [1966]).

‘Proxêmica’ é um termo cunhado por ele que se refere ao estudo do uso que o homem faz do

espaço. O estudioso se interessa pelo espaço que as pessoas mantêm em relação aos seus próximos e pelo espaço que elas constroem ao redor de si, como residências, escritórios e cidades (HALL, 2005). Para ele, a experiência espacial é altamente moldada pela cultura, ou seja, “pessoas de culturas diferentes não apenas falam línguas diferentes, mas (...) habitam

mundos sensoriais diferentes” (HALL, 2005, p. 3). Ele argumenta, ainda, que o senso de

espaço do ser humano é muito próximo de seu senso de self, que está intimamente ligado à sua interação com o ambiente.

Edward Hall (2005) relata que grande parte do constrangimento físico relatado por americanos, em contatos interculturais, provém de desconfortos relativos à distância íntima. Esses desconfortos são, muitas vezes, expressados como uma distorção do sistema visual. Ele cita alguns relatos de seus entrevistados americanos com relação a conversações

interculturais: “Esse pessoal chega tão perto que se fica vesgo. Isso realmente me deixa nervoso. Eles chegam tão perto com o rosto que se tem a impressão de que entraram na gente” (HALL, 2005, p. 146). As expressões “get your face out of mine” e “he shook his fist in my face” (HALL, 1966, p. 118) parecem corroborar o desconforto experimentado por

americanos, em interações com estrangeiros, quando sentem que seu espaço pessoal foi invadido. Hall (2005) relata, também, que, nos Estados Unidos, o uso da distância íntima é bastante inapropriado em público. Logo, há uma fronteira invisível que separa dois interlocutores e que confere privacidade a ambos.

Para Edward Hall (2005), determinados povos têm grande proporção de envolvimento. A cultura brasileira, por exemplo, prevê essa maior aproximação entre os indivíduos, haja vista a distância que as pessoas geralmente guardam umas das outras em filas ou mesmo no trânsito. Schröder (2011, p. 162), ao comparar a utilização do espaço físico na Alemanha e no Brasil, relata, por exemplo, que, no Brasil, o espaço entre mesas e cadeiras em restaurantes é

menor e, em escritórios brasileiros, é comum que as pessoas trabalhem com as portas abertas.62

Em pesquisa-piloto, conduzida em 2010, foi realizada a filmagem de uma aula de inglês em uma turma de adultos cuja proficiência na língua é considerada intermediária, em um curso livre na cidade de Belo Horizonte - MG. A atividade na qual os alunos se engajaram foi um debate que deveria girar em torno de suas opiniões sobre questões polêmicas, como consumo de cigarros, de álcool, prostituição, testes nucleares, etc.. A análise da filmagem foi feita por nós e por uma colaboradora americana e teve por objetivo identificar situações que poderiam ocasionar mal-entendidos, caso os alunos estivessem interagindo com um(a) americano(a). Depois da análise, chegamos a três pistas de contextualização não-verbais que poderiam ser foco de mal-entendidos interculturais.

Na gravação analisada, o uso do gesto thumbs up (polegar para cima) por um dos interlocutores demonstra que ele concorda com algo que um de seus colegas havia acabado de dizer. É um sinal de aprovação das palavras do outro. Segundo nossa colaboradora americana, em seu país, esse gesto também assume a conotação de aprovação, mas ele não seria usado nesse tipo de contexto de conversa entre colegas adultos. Ele teria, nos Estados Unidos, uma conotação mais infantil de aprovação e de reforço a uma ação positiva de uma criança. Logo, caso os alunos brasileiros estivessem interagindo com falantes americanos, esse gesto poderia levar a um mal-entendido. Talvez, um potencial ouvinte americano pudesse interpretar que o falante brasileiro estivesse assumindo uma hierarquia – em termos dos papéis que os interlocutores estão representando na situação da conversa – e se colocando, assim, em posição superior à daquele que o ouve. Levando-se em conta as dimensões de poder e solidariedade (BROWN & GILMAN, 1972 apud FOLEY, 1997, p. 314),63 para que um gesto desse tipo fosse considerado pragmaticamente adequado na cultura americana, o interlocutor que o utilizasse deveria estar em uma posição de maior poder do que aquele a quem o gesto se dirige. Além disso, pressupõe-se, também, que o primeiro não se mostre solidário com relação ao segundo. Na interação analisada, havia, ao contrário, uma relação simétrica de poder e solidariedade. O thumbs up, inclusive, reforça que um interlocutor estava sendo solidário com o outro.

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Schröder (2011, p. 163), entretanto, ressalta que há fenômenos que se opõem às tendências geralmente esperadas. Temos, no Brasil, por exemplo, uma “delimitação hermética” da propriedade, já que os carros geralmente têm alarme e os condomínios têm muros altos. Para essa pesquisadora, isso se deve a uma alta taxa de criminalidade e a uma maior aceitação da diferença de classes.

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Segundo Foley (1997, p. 314), uma pessoa tem poder sobre outra na medida em que ela pode controlar ou influenciar o comportamento da outra. A solidariedade se refere a uma situação de proximidade e de interesses comuns entre os interlocutores.

Outro gesto frequentemente reproduzido na gravação da pesquisa-piloto é o de apontar o dedo indicador em direção a um dos interlocutores, como recurso para chamar a sua atenção. Esse gesto aconteceu tanto no começo, quanto no meio de turnos. O papel que ele parecia desempenhar é aquele de mostrar ao falante da vez que há outra pessoa – no caso aquela que aponta – que quer iniciar um turno ou chamar a atenção. Quando o gesto acontece no meio do turno, o falante aparentemente busca chamar a atenção de um ouvinte para algo importante que ele está a ponto de dizer. Nos Estados Unidos, o uso desse gesto pode ser considerado bastante impertinente, já que, em conversas entre adultos, ele é geralmente usado para colocar a culpa por algo em alguém (no caso, a pessoa que é apontada) ou para demonstrar uma assimetria nas dimensões de poder e solidariedade entre interlocutores (BROWN & GILMAN, 1972 apud FOLEY, 1997, p. 314).

É interessante que, no evento de fala ‘Strange Landings’, parte do corpus da

pesquisa principal, foi registrado o uso do mesmo gesto (quando o professor chamava a atenção de um dos alunos para a definição da palavra ‘naturalist’), mas, nesse caso, ele foi realizado por um professor americano e foi direcionado a seu aluno. Portanto, a relação hierárquica aqui (professor – aluno) é distinta daquela estabelecida na pesquisa piloto (aluno – aluno), ou seja, há, nesse caso, uma assimetria nas dimensões de poder e solidariedade, o que torna o gesto pragmaticamente aceitável na cultura americana. No momento do uso do gesto, o professor está chamando a atenção do aluno para algo, a seu ver, bastante importante e se utiliza do gesto de apontar o dedo indicador para enfatizar isso.

Outra pista de contextualização não verbal identificada se refere a amplos movimentos com os braços feitos por um falante brasileiro na gravação. O aluno que se utiliza desse movimento eleva os braços e os deixa cair repentinamente, em sinal de discordância com a fala do outro. Esse gesto, segundo a colaboradora americana, poderia ser interpretado como ato que tem o intuito de distrair o ouvinte; ou seja, um ouvinte americano poderia interpretar que um brasileiro, realizando amplos movimentos com os braços durante a sua fala, tem por objetivo mudar o foco da atenção do ouvinte, talvez porque ele não está muito certo daquilo que tem a dizer. Outra possibilidade, segundo a americana, seria que esse tipo de movimento fosse considerado um tanto quanto ameaçador, porque o falante acaba por interferir no espaço do ouvinte.

Metaforicamente, podemos pensar essa questão de ‘invasão do espaço do outro’

como representativa de várias questões analisadas neste capítulo. A orientação individualista

da sociedade americana faz com que o “indivíduo isolado”, mencionado por DaMatta (1997,

opiniões, mesmo que elas difiram das demais; e respeito pelo direito que o outro também tem em expressar suas ideias. Uma potencial transgressão do espaço do outro – como, por exemplo, um pedido (Could you open the window, please?) – deve ser acompanhada de um reconhecimento verbal explícito de que a autonomia desse outro está sendo respeitada e que ele tem, em consequência, a possibilidade de se recusar a atender ao pedido. A interrupção, seguindo essa mesma lógica, tende a não ser feita sem a sinalização explícita de que o falante tem consciência de que o espaço do ouvinte está sendo invadido.

Na cultura brasileira, ao contrário, o espaço pessoal parece ser menos delimitado. Conforme aponta Holanda (1995, p. 147),

[n]o “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em conviver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que, no brasileiro (...) tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.

Assim, parece haver menor preocupação com a preservação do espaço pessoal e uma busca por boas relações dentro da sociedade, que está, ao contrário do que acontece na sociedade americana, acima dos indivíduos. Logo, é geralmente esperado que os indivíduos se orientem muito mais pelo grupo do que por si sós, o que faz com que o espaço pessoal ceda lugar a um espaço de natureza mais social. Isso pode fazer com que a autonomia, tão cultuada na cultura americana, perca importância. É justamente por causa dessa orientação pelo grupo que as conversações, em geral, têm caráter muito mais coletivo, o que parece conferir aos interlocutores uma licença para se absterem da polidez resultante de fórmulas linguísticas

prontas e para adentrar aquilo que, na cultura americana, seria considerado ‘o espaço pessoal do outro’.

Benzer Belgeler