Tentei recuperar as experiências das mulheres pobres, trabalhadoras em domicílio, “dos imensos ares de condescendência da posteridade” (Thompson). Busquei compreender
como essas mulheres construíram suas trajetórias, suas relações familiares, de trabalho, sua participação em movimentos sociais.
A discussão sobre o trabalho em domicílio, teve como objetivo tornar visíveis na historiografia e na sociedade, as experiências das mulheres entrevistadas, contextuais e específicas, mas enraizadas socialmente, apresentando dimensões importantes, das experiências da maioria das mulheres do Brasil. O estudo buscou, no campo da História Social, contribuir para a construção de uma perspectiva do conhecimento histórico, na qual todas as pessoas e grupos sociais se reconheçam, afirmando a vitalidade do conhecimento histórico e a importância da compreensão dos modos de vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, como elemento fundamental para a construção das mudanças sociais que almejamos.
Em um contexto de precarização das relações de trabalho, de ênfase na flexibilidade contratos de trabalho, desemprego e desigualdade social, as entrevistadas se movimentam e chamam a atenção para suas condições de vida, demandando reconhecimento social pelo que realizam e a ampliação de direitos.
Ao recuperar as falas de mulheres, rurais, urbanas, migrantes e não-migrantes, casadas, solteiras, em geral, mulheres pobres, de tradição oral e baixa escolaridade, interessou-nos, sobretudo, compreender como essas mulheres experimentaram as mudanças e as imbricações em termos de valores, identidades, costumes. Observamos que, face à globalização e as novas tecnologias, os meios de comunicação de massa, as entrevistadas não se adaptaram a todas as novidades, mas acomodaram e resistiram. Por um lado, notamos que o individualismo não foi a tônica de suas narrativas. Recordam experiências vividas, festas comunitárias. Apoiadas nessas experiências reafirmam costumes, valores como a solidariedade e justiça social. Participam de projetos de ajuda humanitária nas Igrejas, construção de creches comunitárias, associações profissionais e outros movimentos e buscam afirmar seus direitos. Por outro lado, essas mudanças sociais têm influência na vida doméstica e observamos também uma perda de independência do domicílio em relação ao mercado, ocorrida com a urbanização. Dessa maneira, as donas-de-casa e trabalhadoras domésticas se tornaram mais dependentes do dinheiro para abastecer suas casas.
Pensamos a globalização não tem o poder de destruir os costumes locais, mas faz circular informações e influenciar pessoas. Mas em momentos de transformação social, o apego às práticas costumeiras pode significar resistência, como defendeu Thompson. É nesse sentido que compreendemos a resistência de Dona Fia ao uso do óleo de soja na cozinha,
mantendo o costume de usar banha de porco, como elemento de resistência a padrões externos, a partir de argumentos de cientificidade, que interessam aos grupos dominantes.
A pesquisa questiona o fato do trabalho doméstico não ser considerado trabalho e a imbricação entre trabalho e afeto, que, muitas vezes, contribui para maior exploração das mulheres, especialmente as mais velhas, mães, avós, tias, sejam elas trabalhadoras domésticas ou donas-de-casa. Constatamos que as mulheres, especialmente de baixa renda e escolarização, continuam responsáveis pelo trabalho doméstico, e uma tendência de concentração desse trabalho, pela crescente desvalorização social do mesmo. Apesar das mudanças no trabalho doméstico, vimos que o mesmo não foi substituído nem por eletrodomésticos, nem equipamentos sociais ou privados, demandando grande carga de trabalho de mulheres, donas-de-casa e trabalhadoras domésticas. Assim, observamos que o cuidado com a casa, crianças, lavação e passação de roupas, preparo das refeições sofreu grandes alterações no período estudado, tornou mais fácil algumas tarefas, algumas foram eliminadas e outras foram criadas. As mudanças ocorreram inclusive nos utensílios e equipamentos utilizados, e especialmente nos ritmos e tempos do trabalho. De modo geral, o trabalho doméstico, continuou exigindo grande esforço das mulheres que o realizam, inclusive gerando problemas de saúde específicos, seja pelo peso do trabalho, seja pelas condições, como a temperatura do ferro e da cozinha.
É notória a sobrecarga das mulheres no trabalho doméstico, e as entrevistadas nos falaram sobre como vivenciam essa situação. Assim, do ponto de vista da justiça e equidade entre gêneros e gerações, torna-se importante a maior distribuição do trabalho doméstico, situação que em geral não ocorre nem entre as elites nem entre as classes populares, sobrevivendo a primeira do trabalho das últimas e essa do salário recebido - uma vez que o salário da trabalhadora doméstica, garante a sobrevivência de milhões de brasileiros(as).
O emprego doméstico tem persistido como a principal ocupação de mulheres no Brasil, empregando quase 6 milhões de trabalhadoras. Ao refletir sobre as condições de trabalho dessas mulheres, percebemos alterações na natureza do trabalho nas décadas em estudo.
Por um lado, observamos uma tendência de construção de uma relação mais profissional, fundamentada na legislação que passa a vigorar a partir dos anos 70. Entretanto essa mudança é lenta e há resistências a ela. Horário para trabalhadoras domésticas estudarem, casa própria para doméstica, repouso semanal remunerado, não condizem com a tradição das elites de serem servidas em tempo integral. Ma esse movimento é perceptível nas últimas décadas. Mesmo com a afirmação dos direitos sociais, que tem na Constituição de 1988 seu
grande momento, as trabalhadoras domésticas ainda não conseguiram inscrever, no ordenamento jurídico, o direito a uma jornada de trabalho fixada em lei. Continuam sem amparo legal para fixar o horário de trabalho. Contra essa lacuna, inventam elas mesmas alternativas, negociações, táticas e estratégias variadas para, na prática, garantir seus interesses. Nesse sentido, são importantes as negociações que fazem, para garantir uma jornada de trabalho adequada às suas necessidades, e a luta que empreendem as trabalhadoras domésticas para controlar tempos e ritmos de trabalho. Por sua vez, as patroas, também inventam suas estratégias de maior controle do trabalho e do ritmo da trabalhadora doméstica, algumas bem planejadas, como Valéria nos contou.
Por outro lado, há um apelo na sociedade, nos depoimentos para a importância da boa relação entre trabalhadoras e trabalhadoras. Tentativas variadas de camuflar o caráter de emprego doméstico, como podemos notar na idéia da trabalhadora como pessoa da família, “secretária do lar”, “ajudante”, entre tantas outras nomenclaturas utilizadas para negar a relação de emprego. A importância de ser bem tratada, presente, especialmente nos depoimentos de trabalhadoras domésticas, pode ser compreendida como negação de práticas existentes de maus tratos, humilhações, agressões, prática não condenada no passado e que começa a sofrer alterações.
O estudo nos permitiu compreender a magnitude das mudanças ocorridas no período. Dentre elas, profundas alterações nos valores em relação à vida doméstica. O domicílio deixa de ser o destino natural das mulheres, para disputá-las com o mercado de trabalho, a escola e outros espaços e valores da vida moderna. As mulheres mais velhas vêem essas mudanças com ceticismo. Algumas, como Márcia, aponta as dificuldades de se adequarem ao novo momento. Seus conhecimentos, seu repertório, parecem ser insuficientes para dar respostas às exigências desse novo tempo. A “boa doméstica” e a “boa patroa” são históricas e contextuais. O momento atual é de invenção dessas mulheres.
As depoentes procuram se organizar nesse novo momento, aproveitando as possibilidades abertas às mulheres no contexto atual, como estudar, conforme nos contou nossa entrevistada Ordália. Em contextos de rápidas mudanças, pensamos ser importante a reflexão sobre a questão das identidades. Se os valores sociais se referenciam na fluidez, no efêmero, algumas entrevistadas se reportaram às suas experiências passadas, para continuarem defendendo sólidos valores em relação aos filhos, à moral, ao casamento etc. Mas não estão imunes as interferências do momento e do meio, demandando esforço para compreensão e enfrentamento dos desafios atuais. Nesse sentido, parece ser mais difícil no momento afirmar a identidade de dona-de-casa em tempo integral do que de trabalhadora
doméstica remunerada. Enquanto que as primeiras são instadas a darem grandes explicações sobre suas escolhas, as últimas têm encontrado maior aceitação de seu trabalho e, arriscaria, diminuição do preconceito em relação à sua profissão. É interessante observar, entretanto, que neste contexto de dificuldade em relação a ser dona-de-casa, as mulheres pobres do Brasil, têm tecido sua identidade como donas-de-casa e marchado na busca de direitos e reconhecimento social. A luta dessas mulheres demonstra para nós a imprevisibilidade da ação humana e sua capacidade de construção de novas formas de organização da sociedade, como dizia Paulo Freire “o futuro não nos faz. Nós é que nos fazemos na luta por fazê-lo” (FREIRE, 2000).
Nesse mesmo sentido quero ressaltar a experiência de um grupo de mulheres pobres em Monte Carmelo. Essa foi sem dúvida uma das mais significativas experiências de organização das mulheres deste país, pela capacidade demonstrada de planejar, de resistir às pressões para se adequarem. Com a experiência das creches, das comunidades eclesiais, do Sindicato de Trabalhadores Rurais, a Associação de Colaboradoras do Lar e a Lavanderia Comunitária, mostraram a viabilidade da luta, daqueles que desejam construir um futuro melhor para todos e todas, no qual a justiça, a igualdade, o respeito ao direito de todos e todas sejam os principais valores. Dessa maneira, a experiência de Monte Carmelo traz para a História a reafirmação na possibilidade da mudança, a partir da invenção de novos caminhos.
Tentei recuperar as experiências das mulheres pobres, trabalhadoras em domicílio, “dos imensos ares de condescendência da posteridade” (Thompson). Busquei compreender
como essas mulheres construíram suas trajetórias, suas relações familiares, de trabalho, sua participação em movimentos sociais.
A discussão sobre o trabalho em domicílio, teve como objetivo tornar visíveis na historiografia e na sociedade, as experiências das mulheres entrevistadas, contextuais e específicas, mas enraizadas socialmente, apresentando dimensões importantes, das experiências da maioria das mulheres do Brasil. O estudo buscou, no campo da História Social, contribuir para a construção de uma perspectiva do conhecimento histórico, na qual todas as pessoas e grupos sociais se reconheçam, afirmando a vitalidade do conhecimento histórico e a importância da compreensão dos modos de vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, como elemento fundamental para a construção das mudanças sociais que almejamos.
Em um contexto de precarização das relações de trabalho, de ênfase na flexibilidade contratos de trabalho, desemprego e desigualdade social, as entrevistadas se movimentam e chamam a atenção para suas condições de vida, demandando reconhecimento social pelo que realizam e a ampliação de direitos.
Ao recuperar as falas de mulheres, rurais, urbanas, migrantes e não-migrantes, casadas, solteiras, em geral, mulheres pobres, de tradição oral e baixa escolaridade, interessou-nos, sobretudo, compreender como essas mulheres experimentaram as mudanças e as imbricações em termos de valores, identidades, costumes. Observamos que, face à globalização e as novas tecnologias, os meios de comunicação de massa, as entrevistadas não se adaptaram a todas as novidades, mas acomodaram e resistiram. Por um lado, notamos que o individualismo não foi a tônica de suas narrativas. Recordam experiências vividas, festas comunitárias. Apoiadas nessas experiências reafirmam costumes, valores como a solidariedade e justiça social. Participam de projetos de ajuda humanitária nas Igrejas, construção de creches comunitárias, associações profissionais e outros movimentos e buscam afirmar seus direitos. Por outro lado, essas mudanças sociais têm influência na vida doméstica e observamos também uma perda de independência do domicílio em relação ao mercado, ocorrida com a urbanização. Dessa maneira, as donas-de-casa e trabalhadoras domésticas se tornaram mais dependentes do dinheiro para abastecer suas casas.
Pensamos a globalização não tem o poder de destruir os costumes locais, mas faz circular informações e influenciar pessoas. Mas em momentos de transformação social, o apego às práticas costumeiras pode significar resistência, como defendeu Thompson. É nesse sentido que compreendemos a resistência de Dona Fia ao uso do óleo de soja na cozinha,
mantendo o costume de usar banha de porco, como elemento de resistência a padrões externos, a partir de argumentos de cientificidade, que interessam aos grupos dominantes.
A pesquisa questiona o fato do trabalho doméstico não ser considerado trabalho e a imbricação entre trabalho e afeto, que, muitas vezes, contribui para maior exploração das mulheres, especialmente as mais velhas, mães, avós, tias, sejam elas trabalhadoras domésticas ou donas-de-casa. Constatamos que as mulheres, especialmente de baixa renda e escolarização, continuam responsáveis pelo trabalho doméstico, e uma tendência de concentração desse trabalho, pela crescente desvalorização social do mesmo. Apesar das mudanças no trabalho doméstico, vimos que o mesmo não foi substituído nem por eletrodomésticos, nem equipamentos sociais ou privados, demandando grande carga de trabalho de mulheres, donas-de-casa e trabalhadoras domésticas. Assim, observamos que o cuidado com a casa, crianças, lavação e passação de roupas, preparo das refeições sofreu grandes alterações no período estudado, tornou mais fácil algumas tarefas, algumas foram eliminadas e outras foram criadas. As mudanças ocorreram inclusive nos utensílios e equipamentos utilizados, e especialmente nos ritmos e tempos do trabalho. De modo geral, o trabalho doméstico, continuou exigindo grande esforço das mulheres que o realizam, inclusive gerando problemas de saúde específicos, seja pelo peso do trabalho, seja pelas condições, como a temperatura do ferro e da cozinha.
É notória a sobrecarga das mulheres no trabalho doméstico, e as entrevistadas nos falaram sobre como vivenciam essa situação. Assim, do ponto de vista da justiça e equidade entre gêneros e gerações, torna-se importante a maior distribuição do trabalho doméstico, situação que em geral não ocorre nem entre as elites nem entre as classes populares, sobrevivendo a primeira do trabalho das últimas e essa do salário recebido - uma vez que o salário da trabalhadora doméstica, garante a sobrevivência de milhões de brasileiros(as).
O emprego doméstico tem persistido como a principal ocupação de mulheres no Brasil, empregando quase 6 milhões de trabalhadoras. Ao refletir sobre as condições de trabalho dessas mulheres, percebemos alterações na natureza do trabalho nas décadas em estudo.
Por um lado, observamos uma tendência de construção de uma relação mais profissional, fundamentada na legislação que passa a vigorar a partir dos anos 70. Entretanto essa mudança é lenta e há resistências a ela. Horário para trabalhadoras domésticas estudarem, casa própria para doméstica, repouso semanal remunerado, não condizem com a tradição das elites de serem servidas em tempo integral. Ma esse movimento é perceptível nas últimas décadas. Mesmo com a afirmação dos direitos sociais, que tem na Constituição de 1988 seu
grande momento, as trabalhadoras domésticas ainda não conseguiram inscrever, no ordenamento jurídico, o direito a uma jornada de trabalho fixada em lei. Continuam sem amparo legal para fixar o horário de trabalho. Contra essa lacuna, inventam elas mesmas alternativas, negociações, táticas e estratégias variadas para, na prática, garantir seus interesses. Nesse sentido, são importantes as negociações que fazem, para garantir uma jornada de trabalho adequada às suas necessidades, e a luta que empreendem as trabalhadoras domésticas para controlar tempos e ritmos de trabalho. Por sua vez, as patroas, também inventam suas estratégias de maior controle do trabalho e do ritmo da trabalhadora doméstica, algumas bem planejadas, como Valéria nos contou.
Por outro lado, há um apelo na sociedade, nos depoimentos para a importância da boa relação entre trabalhadoras e trabalhadoras. Tentativas variadas de camuflar o caráter de emprego doméstico, como podemos notar na idéia da trabalhadora como pessoa da família, “secretária do lar”, “ajudante”, entre tantas outras nomenclaturas utilizadas para negar a relação de emprego. A importância de ser bem tratada, presente, especialmente nos depoimentos de trabalhadoras domésticas, pode ser compreendida como negação de práticas existentes de maus tratos, humilhações, agressões, prática não condenada no passado e que começa a sofrer alterações.
O estudo nos permitiu compreender a magnitude das mudanças ocorridas no período. Dentre elas, profundas alterações nos valores em relação à vida doméstica. O domicílio deixa de ser o destino natural das mulheres, para disputá-las com o mercado de trabalho, a escola e outros espaços e valores da vida moderna. As mulheres mais velhas vêem essas mudanças com ceticismo. Algumas, como Márcia, aponta as dificuldades de se adequarem ao novo momento. Seus conhecimentos, seu repertório, parecem ser insuficientes para dar respostas às exigências desse novo tempo. A “boa doméstica” e a “boa patroa” são históricas e contextuais. O momento atual é de invenção dessas mulheres.
As depoentes procuram se organizar nesse novo momento, aproveitando as possibilidades abertas às mulheres no contexto atual, como estudar, conforme nos contou nossa entrevistada Ordália. Em contextos de rápidas mudanças, pensamos ser importante a reflexão sobre a questão das identidades. Se os valores sociais se referenciam na fluidez, no efêmero, algumas entrevistadas se reportaram às suas experiências passadas, para continuarem defendendo sólidos valores em relação aos filhos, à moral, ao casamento etc. Mas não estão imunes as interferências do momento e do meio, demandando esforço para compreensão e enfrentamento dos desafios atuais. Nesse sentido, parece ser mais difícil no momento afirmar a identidade de dona-de-casa em tempo integral do que de trabalhadora
doméstica remunerada. Enquanto que as primeiras são instadas a darem grandes explicações sobre suas escolhas, as últimas têm encontrado maior aceitação de seu trabalho e, arriscaria, diminuição do preconceito em relação à sua profissão. É interessante observar, entretanto, que neste contexto de dificuldade em relação a ser dona-de-casa, as mulheres pobres do Brasil, têm tecido sua identidade como donas-de-casa e marchado na busca de direitos e reconhecimento social. A luta dessas mulheres demonstra para nós a imprevisibilidade da ação humana e sua capacidade de construção de novas formas de organização da sociedade, como dizia Paulo Freire “o futuro não nos faz. Nós é que nos fazemos na luta por fazê-lo” (FREIRE, 2000).
Nesse mesmo sentido quero ressaltar a experiência de um grupo de mulheres pobres em Monte Carmelo. Essa foi sem dúvida uma das mais significativas experiências de organização das mulheres deste país, pela capacidade demonstrada de planejar, de resistir às pressões para se adequarem. Com a experiência das creches, das comunidades eclesiais, do Sindicato de Trabalhadores Rurais, a Associação de Colaboradoras do Lar e a Lavanderia Comunitária, mostraram a viabilidade da luta, daqueles que desejam construir um futuro melhor para todos e todas, no qual a justiça, a igualdade, o respeito ao direito de todos e todas sejam os principais valores. Dessa maneira, a experiência de Monte Carmelo traz para a História a reafirmação na possibilidade da mudança, a partir da invenção de novos caminhos.
F
ONTES1)PERFIL DAS ENTREVISTADAS
1.1.ENTREVISTAS REALIZADAS NO DOUTORADO
Amália Pasin é missionária, branca, solteira. Nasceu na Itália e veio para o Brasil há mais de trinta anos, tendo se naturalizado brasileira. É pioneira na organização de trabalhadores rurais e mulheres na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com destaque para o município de Monte Carmelo, onde iniciou nos anos 70 trabalho de base, com inspiração na Teologia da Libertação. Em seu trabalho missionário destaca-se também a defesa dos direitos das crianças, tendo fundado diversas creches, em Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, segundo ela, quando ainda não estava na pauta brasileira a defesa dos direitos das crianças. Participou de congressos nacionais de trabalhadoras domésticas, Associação de
Colaboradoras do Lar (Coalfa) de Monte Carmelo, uma das mais antigas organizações de mulheres pobres com continuidade na região. Amália foi entrevistada em função dessa experiência de organização comunitária de mulheres.
Carmem é dona de casa, branca, casada, mãe de Lucas (13 anos) e Fernanda (17 anos). Nasceu em Araguari em 18 de dezembro de 1960 e mudou-se para Uberlândia há quase 20 anos. Mora em um apartamento no centro de Uberlândia. Antes do casamento era bancária, e parou de trabalhar fora de casa quando se casou. Mesmo tendo empregadas domésticas Carmem quis cuidar pessoalmente dos filhos. Considera que o fato de ter parado de trabalhar fora de casa possibilitou uma boa educação para os filhos e está satisfeita com o resultado. Disse ainda que pode curti-los e acompanhar de perto seu desenvolvimento, o que talvez não