5. TARTIġMA
5.3 Sosyodemografik Özellikler, ÇalıĢanların Fikir ve Algıları Ġle Kas ve Ġskelet
Fonte: Setor administrativo da empresa
Os cargos de diretor presidente e o de diretoria financeira são ocupados por parentes proprietários da empresa. Os demais cargos são ocupados por pessoas selecionadas para o cargo. Os motoristas estão lotados no departamento de tráfego, que
é subordinado diretamente à diretoria de operações. O setor de recursos humanos se reporta a gerência administrativa que se encontra no mesmo nível hierárquico do departamento de tráfego, porém, se reporta a diretoria financeira, enquanto que, o departamento de tráfego se reporta a diretoria de operações.
A empresa possui um efetivo médio de 388 (trezentos e oitenta oito) funcionários, destes 297 (duzentos e noventa e sete) lotados no setor de operações sendo 159 (cento e cinqüenta e nove) motoristas, 115 (cento e quinze) cobradores e 23 (vinte e três) fiscais e despachantes; 25 (vinte e cinco) funcionários na administração e 66 (sessenta e seis) na manutenção. Da totalidade de motoristas em escala apenas 124 (cento e vinte e quatro) trabalham diretamente na operação do serviço de transporte coletivo já que 35 (trinta e cinco) deles realizam outros serviços internos da empresa, cobrem férias, estão afastados pelo INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social, à disposição do sindicato dos motoristas, da junta de conciliação prévia na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego – SRTE/RN e no carro de socorro aos ônibus que quebram em operação.
Ela opera em 11(onze) linhas, cada linha tem uma numeração que identifica seu destino, tem tempo de viagem estabelecido para cada percurso completo, número de veículos operante na linha e número de motorista escalado em cada uma delas, conforme quadro 2:
Quadro 2 - Linhas, destino, veículos por linha, nº de motoristas e duração da viagem Nº da Linha Destino Nº de veículos Nº de motorista Tempo de viagem (min) 50 Serrambi/Santa Catarina 12 24 118
51 Rocas/Pirangi (via Praça) 10 20 95 a 100
52 Rocas/Pirangi (via Alecrim) 10 16 95 a 100
7461/7462 Circular Ponta Negra/N. Parnamirim
2 4 40
65 Serrambi/Quintas (via praça) 7 14 90 a 105
85 Soledade/Petrópolis (via ponte de todos)
2 4 80 104/105 Eucaliptos/Ribeira (via praça) 11 21 95 a 110
739 N. Parnamirim/Ribeira
(via M. Lacerda)
8 15 95 a 110
106/107 N. Parnamirim/Ribeira (via Abel Cabral)
3 6 95 a 110
Fonte - Setor de tráfego da empresa
e 52 o terminal das Rocas, a linha 85 o terminal de Soledade e as linhas 7461/7462, 104/105, 739 e 106/ 107 o terminal de Cidade Verde.
No período de 2003 a 2007 a empresa diz ter passado por um período conturbado quando vivenciou uma crise financeira que a impediu de renovar a frota, tendo esta chegado a atingir uma idade média superior a 8 anos. Ainda neste período, a empresa teve seu tamanho reduzido, pois, vendeu a concessão das linhas que operava no bairro de Ponta Negra.
A partir de setembro de 2007, através de reajustes tarifários, da implantação da bilhetagem eletrônica e de um termo de ajustamento de conduta – TAC celebrado entre Ministério Público, STTU – Secretaria de Transporte e Trânsito Urbano (atual SEMOB), SETURN – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano do Rio Grande do Norte e as empresas operadoras do transporte urbano de Natal a referida empresa renovou sua frota em aproximadamente 45% ao adquirir 36 (trinta e seis) ônibus novos em 2009.
A empresa pesquisada transporta em torno de 1.100.000 (um milhão e cem mil) passageiros/mês e roda uma quilometragem na ordem de 530.000 km/mês. A queda no número de passageiros transportado ocorre em períodos chuvosos e de férias escolares. Em alguns horários, chamados horários de pico, há uma grande demanda de passageiros por viagem enquanto que em outros horários, no mesmo dia, chega a haver escassez de passageiros. Quanto ao dia da semana, há queda na demanda de passageiros nos finais de semana e feriados.
A eficiência da operação do serviço é verificada pela SEMOB através da análise do número de viagens previstas que foram cumpridas. Ainda com a finalidade de aferir a eficiência operacional, a SEMOB disponibiliza um telefone 0800 para que os usuários do serviço de transporte possam fazer suas reclamações ou elogios. A empresa, embora não disponha de uma linha exclusiva para o cliente, também recebe ligações com reclamações ou sugestões dos clientes.
3.2.1 População de trabalhadores
Na empresa pesquisada o recrutamento de pessoal ocorre de modo diferenciado entre os cargos: o recrutamento para o cargo de motorista ocorre de forma contínua e os
demais cargos apenas quando há vacância. No caso dos motoristas, os candidatos tanto podem enviar currículo via internet como ir até a empresa e entregar seu currículo em mãos, nas terças e quintas-feiras.
Para participar do processo seletivo de motorista são considerados como requisitos básicos: possuir mais de 2 (dois) anos de experiência comprovada na condução de veículo de grande porte (caminhão ou ônibus), idade mínima de 25 (vinte e cinco) e máxima de 45 (quarenta e cinco) anos, ser alfabetizado e ter o curso de Condutor de Veículo de Transporte Coletivo de Passageiros. Atendendo a estes requisitos, o processo segue algumas etapas. A primeira é a um cadastro de solicitação de emprego que é feito todas as terças e quintas às 10:00 horas na empresa. O candidato apresenta a sua carteira profissional e após a análise lhe é fornecida uma ficha de solicitação de emprego que deverá ser entregue novamente na empresa na próxima terça ou quinta-feira. A ficha é analisada pelo Gerente Administrativo que observa se o candidato atende aos requisitos acima descritos. É marcado uma entrevista com os candidatos que tiveram as fichas aprovadas.
A segunda etapa é a entrevista, já eliminatória, na qual é observado onde mora (análise do tempo de deslocamento de casa para o trabalho), a estrutura familiar (ajustamento), os hábitos sociais (bebida, lazer), a vida profissional anterior (se for possível, busca informações na empresa anterior) e a aparência.
A terceira etapa é o teste de volante, também eliminatório, que verifica a habilidade do motorista ao dirigir o ônibus. Os itens avaliados na prática são: a forma como dar a saída com o veículo, trocas de marchas e reduções, marcha ré e baliza, a utilização dos instrumentos de comando localizados no painel do veículo, inclusive a rotação do motor; a adequação da velocidade para a via, o grau de domínio do veículo na via, como realiza ultrapassagem, como faz a mudança de direção, o uso do espelho retrovisor, como dar a preferência aos outros veículos, o respeito a sinalização horizontal e vertical da via. Estes itens são avaliados como bom, regular ou insatisfatório, sendo indicado o resultado como habilitado, habilitado com restrições e inabilitado a depender do número de itens que apresentou resultado regular ou insatisfatório.
Sendo considerado habilitado no teste de volante o candidato segue para um teste escrito de sinalização de trânsito, este não eliminatório, porém, os que obtiverem um índice de acertos inferior a 70% deverão estudar e retornar para fazer um reteste.
A fase seguinte é uma reunião informativa. Os candidatos aptos até o momento do processo seletivo se reúnem com o gerente administrativo que lhes informará sobre a atividade do motorista: responsabilidades, consequências das ações, acidentes, justiça do trabalho, relacionamento profissional.
Estando cientes das informações prestadas os candidatos são encaminhados para realizar exame médico com o médico do trabalho contratado pela empresa que pode fornecer parecer desfavorável a admissão de algum candidato. Se julgar necessário, o médico solicita exames complementares. Aptos no exame médico são orientados a providenciar toda a documentação necessária.
Ainda sem estar registrado como funcionário, recebe orientação operacional com o setor de Trafego sobre o regulamento interno da empresa, sobre as exigências e fiscalização da SEMOB e sobre multas de trânsito.
A próxima etapa é “correr linhas”. Eles devem percorrer todas as linhas operadas pela empresa, acompanhando um motorista de cada linha, para conhecer os itinerários e pontos de parada.
Por último, permanece por um dia no setor de manutenção para receber orientação sobre como pedir socorro, como ler o painel do veículo, aprender noções de mecânica do veículo e de borracharia.
Cumpridas todas as etapas anteriores o candidato é admitido com um contrato de experiência de 45 mais 45 dias. Nestes 90 dias é acompanhado quanto à falta ao trabalho, atraso, colisão, reclamação de passageiros, entre outros itens de desempenho não formal, sendo tudo anotado na ficha funcional. Ao término dos 90 dias a ficha funcional é avaliada pelo responsável do setor de tráfego e sendo seu desempenho considerado adequado o contrato de trabalho passa a vigorar por tempo indeterminado.
A carga horária de trabalho é de 44 h semanal, carga horária diária de 07h20min com intervalo variando de 1:00 a 2:00h, folga de um dia na semana para a grande maioria dos motoristas, sendo que pelo menos uma folga mensal é no domingo. Alguns motoristas que trabalham nos chamados carros direto, têm carga horária diária de 08h40min, com intervalo de 2:00 h e folga no sábado e domingo. A concessão de férias anual é planejada para ser gozada no prazo máximo permitido pela CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, observando as necessidades do departamento de operações.
Os fatos que motivam os desligamentos dependem da reincidência e gravidade das falhas: falta, reclamação de passageiros, excesso de atestado médico, acidente de trânsito, multas de trânsito e operação inadequada do veículo. O chefe de tráfego vai
chamando o motorista infrator e punindo com advertência verbal, advertência por escrito, anotação na ficha, suspensão de acordo com art. 482 da CLT e inquérito se a pessoa for portadora de estabilidade (membro da CIPA ou do sindicato, está em retorno de acidente de trabalho, por exemplo).
A qualificação profissional é ofertada sem regularidade estabelecida, sendo as palestras e orientações com participação voluntária. Esporadicamente alguns cursos são ofertados a um grupo com perfil julgado inadequado como reincidência de envolvimento em pequenas colisões, reincidência em reclamações de passageiros. Quando há cursos eles ocorrem após a jornada de trabalho, sem hora remunerada.
Quanto à remuneração, o salário pago ao motorista é o regulamentado pela convenção coletiva de trabalho 2010/2011 celebrada entre o SINTRO - Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Rio Grande do Norte e o SETURN - Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município de Natal, no valor de R$ 1.192,08 (mil cento e noventa e dois reais e oito centavos). Os benefícios são os determinados pela convenção coletiva de trabalho. É opcional a adesão a convênios, através do SINTRO, a serem descontados diretamente de seu contracheque como plano de saúde, vale supermercado, farmácia, ótica e empréstimos a empresas de crédito consignado.
3.2.2 A atividade prescrita do motorista
A tarefa do motorista, ou seja, o trabalho prescrito para o motorista pela empresa para atingir seus objetivos está no quadro 3. Na ficha de funções estão descritas as atribuições e responsabilidades do motorista e como ele deve agir em determinadas situações, a sequência em que as tarefas devem ser realizadas durante uma jornada de trabalho e o perfil desejado do seu ocupante.
Quadro 3 - Ficha de funções do motorista de ônibus urbano FICHA DE FUNÇÕES
Função do Cargo de Motorista
Transportar os clientes da Empresa em seus veículos, através dos itinerários determinados pelo órgão gestor, obedecendo às normas definidas através do regulamento da SEMOB (Decreto 2.812/83) e do DER/RN.
Descrição das Tarefas
1. Vistoriar o veículo na garagem ou no terminal da linha, antes do início da utilização do mesmo, informando ao pessoal do plantão ou despachante, as avarias nele existentes;
2. Conferir toda a documentação do veículo antes do início da sua jornada de trabalho, informando ao plantonista/despachante a ausência das mesmas;
3. Conferir toda a estrutura de segurança do veículo como, triângulo, extintor, etc. informando ao plantonista/despachante a ausência de qualquer um desses equipamentos;
4. Verificar os níveis de óleo e água do veículo antes do início da operação com o mesmo;
5. No turno da manhã, antes do início de sua operação, conduzir o veículo ao terminal de origem de suas viagens;
6. Realizar todas as viagens definidas no Quadro de Horário de sua linha, transportando todos os clientes da Empresa, através dos itinerários determinados pelo órgão gestor, atendendo aos sinais de embarque e desembarque de todos os usuários que se encontrarem fora e dentro do ônibus, nas paradas já pré-determinadas (apresentar-se corretamente uniformizado e identificado; prestar as informações necessárias aos usuários; colaborar com a fiscalização do órgão gerencial e dos demais órgãos incumbidos de fiscalizar o transporte; dirigir o veículo de modo a não prejudicar a segurança e o conforto dos usuários; manter velocidade compatível com o estado das vias, respeitados os limites legais; evitar freadas bruscas e outras situações propícias a acidentes; não movimentar o veículo, sem que estejam fechadas as portas; não fumar, quando na direção; não ingerir bebidas alcoólicas em serviço, nos intervalos da jornada ou antes de assumir a direção; comunicar à garagem quando ocorrerem indícios de defeito mecânico que possa pôr em risco a segurança dos usuários recolhendo o veículo quando autorizado; diligenciar a obtenção de transporte para os usuários, em caso de avaria e interrupção da viagem; prestar socorro aos usuários feridos em caso de sinistro; respeitar os horários programados para a linha; dirigir com cautela especial à noite e em dias de chuva ou de pouca visibilidade; atender aos sinais de parada nos pontos estabelecidos; não embarcar ou desembarcar passageiros fora dos pontos estabelecidos; recusar o transporte de animais, plantas de médio e grande porte, material inflamável ou corrosivo e outros materiais que possam comprometer a segurança ou o conforto dos usuários; respeitar as normas disciplinares da empresa e as determinações da fiscalização; quando necessário, poderá solicitar a intervenção da autoridade policial para retirar do veículo o usuário faltoso);
7. Após sua jornada de trabalho, entregar o veículo ao plantonista/despachante nas mesmas condições do seu recebimento;
8. No turno da tarde, após sua jornada de trabalho, recolher o veículo a garagem; 9. Obedecer às normas da Empresa;
10.Assinar a guia de serviço no início de sua jornada de trabalho. Perfil Indispensável ao Cargo
- Carteira de Habilitação Tipo “D”;
- Ter no mínimo 2 (dois) anos de experiência comprovada nas atividades de transporte coletivo ou caminhão.
Perfil Desejável ao Cargo
- Idade entre 25 a 45 anos;
- Morar nas proximidades da Garagem;
- 2. º grau completo; Formação Necessária
- Curso de Condutores de Veículos de Transporte Coletivo de Passageiros (resolução n° 168 do CONTRAN)
anos, na renovação da CNH
Fonte - Elaborada pelo autor, a partir da cartilha regulamento interno da empresa.
Estabelecidas as atribuições e responsabilidades do motorista de ônibus pela empresa a questão é: existem fatores como cargas e riscos de trabalho, aspectos físico- ambientais, individuais e coletivos que influenciam para que o motorista não cumpra o que foi prescrito pela empresa? Na opinião dos motoristas, que fatores são esses?
Através do motorista que executa as tarefas pode-se obter a descrição do trabalho tal como acontece realmente e se conhecer se há interferências.
4 METODOLOGIA
Neste capítulo faremos o detalhamento da pesquisa. Descreveremos os caminhos que foram percorridos para chegar aos objetivos propostos, como foi selecionada a amostra e o percentual em relação à população estudada, o instrumento de pesquisa utilizado e como os dados foram tratados e analisados.
Acreditando numa provável relação entre os índices de absenteísmo e de acidentes de trânsito com a situação de trabalho do motorista e considerando que poderia se tratar de uma realidade comum às empresas de transporte urbano da cidade de Natal, já que todas operam em ambiente semelhante ou comum, decidimos procurar uma empresa e propor a realização desta pesquisa. Nosso pedido foi aceito pela empresa e o projeto da pesquisa foi submetido e aceito com parecer favorável pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFRN número 313/2008.
O presente estudo compreende uma abordagem descritiva e exploratória, que buscou correlacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los, através de um estudo de caso. Para tanto, estudamos de forma amostral em uma das sete empresas de ônibus urbano da cidade de Natal/RN a situação de trabalho do motorista para identificarmos junto a eles quais os problemas em sua atividade durante sua execução.
O estudo de caso é um estudo de natureza empírica que investiga um determinado fenômeno, geralmente contemporâneo, dentro de um contexto real de vida, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto em que ele se insere não são claramente definidas. Trata-se de uma análise aprofundada de um ou mais objetos (casos), para que permita seu amplo e detalhado conhecimento (GIL, 1996).
O modelo de pesquisa foi pesquisa-ação, que de acordo com Bendassolli e Soboll (2011, p. 5) “visa a produção de conhecimento–ação vinculados às situações reais de trabalho e as vivências do sujeito pesquisado”. Segundo Barbier (1985, p. 136 apud OLIVEIRA, M., 2007, p. 74), a pesquisa ação “é uma atividade de compreensão e de explicação da práxis dos grupos sociais por eles mesmos, com ou sem especialistas em ciências humanas e sociais práticas, com fim de melhorar essa práxis”.
A pesquisa ação para LHUILIER (2006 apud BENDASSOLLI; SOBOLL, 2011), permite o desenvolvimento do conhecimento e possibilita a conscientização e o “empoderamento” dos sujeitos, objeto da pesquisa, na situação de trabalho.
Para Wisner (1987) todas as atividades que não se desenvolvem de maneira satisfatória devem ser objeto de uma verdadeira análise do trabalho. A análise do trabalho é entendida como a descrição do trabalho tal como acontece realmente e é feita com a finalidade de se conhecerem as razões da diferença entre as tarefas prescritas e as tarefas reais e aplicar as melhorias. A análise do trabalho é realizada através da análise da atividade que pode ser feita pelo dispositivo técnico e pelas instruções escritas e orais destinadas ao trabalhador, pela observação cuidadosa da atividade e pela descrição do seu trabalho pelo operador, de preferência no posto de trabalho.
Quanto a forma de obter as informações sobre o trabalho o referido autor diz que não se pode analisar o trabalho sem ir para o campo e analisar in loco o que os trabalhadores fazem. Que devemos dar importância ás condições de trabalho, tudo que influencia o próprio trabalho, e a participação dos trabalhadores no estudo das condições de trabalho.
Também de acordo com Wisner (1987), ao longo da história do trabalho os trabalhadores não são solicitados a contribuir para a própria observação, se não de maneira passiva, eles são objeto e não sujeito de seu próprio estudo. Cabe aos outros, médicos, gerentes, psicólogos, etc., dizer o que é que vai mal. Na verdade, o autor enfatiza que o que o operador diz sobre seu trabalho é de importância considerável na análise da atividade e que ele, o trabalhador, ao descrever seu trabalho pode contribuir na descrição dos efeitos negativos do trabalho.
A definição e escolha da amostra foi não-probalística, intencional e por acessibilidade. A quantidade da amostra foi de 40% da população de motoristas da empresa pesquisada que correspondeu a 50 dos 124 motoristas em atividade. Iniciamos a coleta de informações e dados em janeiro de 2010 através de entrevistas com gerentes e funcionários administrativos no escritório da empresa. Estas entrevistas foram realizadas com base em roteiros de perguntas pré-estabelecidas pelo pesquisador as quais os entrevistados respondiam, o pesquisador anotava as respostas e solicitava aos mesmos documentos que continham as informações em referência, quando era pertinente.
Para calcular o índice de absenteísmo e identificar os tipos de doença que causaram os afastamentos dos motoristas do trabalho foram analisados os relatórios com a quantidade de atestados apresentado pelos motoristas durante os anos de 2009 e 2010, o número de dias de afastamento e o CID – Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, informado pelo médico que deu o
diagnóstico e emitiu o atestado. A análise dos acidentes de trânsito foi feita pelos dados dos laudos periciais emitidos quando ocorreram os acidentes. A rotatividade foi calculada a partir das guias da CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do ano em referência na qual são informadas pela empresa ao Ministério do Trabalho e Emprego as entradas e saídas de funcionários.
Após haver tomado conhecimento do quadro de linhas e horários da empresa e com uma autorização por escrito da direção de empresa para a realização da pesquisa fomos aos quatro terminais de linha onde a empresa opera e fizemos as observações, registros e a aplicação de uma entrevista com os motoristas. Os motoristas responderam as entrevistas em seu horário de descanso que tinha a duração aproximada de 1:00 h. A preferência por realizar a entrevista durante o intervalo de trabalho e não antes ou depois da jornada se deu em função da imprecisão do tempo de duração da entrevista interferir no horário de início da jornada ou dificultar a volta do motorista para casa.