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2.4. Personel Motivasyon Araçları

2.4.1. Sosyo-Ekonomik Araçlar

A educação institucionalizada para crianças de zero a seis anos não é uma novidade para a realidade brasileira, entretanto, apresenta um percurso ainda recente, que vem conquistando cada vez mais reconhecimento no cenário da educação.

O atendimento à criança de zero a seis anos, no Brasil traz na sua história marcas de um trabalho assistencial dirigido às crianças vindas de famílias pobres e trabalhadoras. Historicamente, o assistencialismo visava proporcionar à criança as condições que supunha lhe faltassem no lar.Segundo Nascimento (2008), as creches foram instituídas no Brasil na segunda metade do século 19, com o objetivo de acolher os filhos de trabalhadoras domésticas e operárias e acabaram sendo marcadas pela desvalorização devido a sua finalidade: alternativa ao abandono de crianças. Dessa maneira, as crianças frequentadoras das creches recebiam um tratamento precário, numa espécie de instituição provisória, sem caráter educacional.

Contudo, é somente com a introdução dos dispositivos apresentados na Constituição brasileira de 1988 e, mais recentemente, da Lei de Diretrizes e Bases da

Educação nacional de 1996 (Lei 9.394/96), que introduziu a creche (crianças de zero a três anos) como primeira etapa da educação básica com a pré-escola (crianças de quatro a seis anos), que podemos encontrar outros significados para essa instituição, que deixou de ser vista como uma espécie de "'segundo lar' para tornar-se espaço de educação e cuidado para todas as crianças" (Ferrari & Freller, 2008, p. 12). A finalidade da educação infantil é o desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, dividindo o atendimento em creche para crianças de zero a três anos e em pré-escola para crianças de quatro a seis anos. O reconhecimento da criança como um ser humano com direitos no presente, e não apenas no futuro, aponta para um novo paradigma na concepção de infância, com consequências sobre as práticas sociais e pedagógicas voltadas para as crianças pequenas. Com tais resoluções, o objetivo do trabalho passou a ser o de proporcionar o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade.

A partir de então, cunhou-se a expressão Educação Infantil para designar todas as instituições de educação para crianças de zero a seis anos. Esse percurso aponta que a criança pequena passou a ter um espaço próprio e de relativa importância dentro da educação.

De acordo com o Plano Nacional de Educação (PNE):

Se a inteligência se forma a partir do nascimento e se há "janelas de oportunidade" na infância quando um determinado estímulo ou experiência exerce maior influência sobre a inteligência do que em qualquer outra época da vida, descuidar desse período significa desperdiçar um imenso potencial humano" (Brasil, 2001, p. 36).

Ainda segundo este documento (2001):

A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. Ela estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional, da socialização. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. (...) As ciências que se debruçaram sobre a criança nos últimos cinquenta anos, investigando como se processa o seu desenvolvimento, coincidem em afirmar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento e aprendizagem posteriores. (...) A educação infantil inaugura a educação da pessoa. Essa educação se dá na família, na comunidade e nas instituições. As instituições de educação infantil vêm se tornando cada vez mais necessárias, como complementares à ação da família, o que já foi afirmado pelo mais importante documento internacional de educação deste século, a Declaração Mundial de Educação para Todos (Jomtien, Tailândia, 1990)." (Brasil, 2001, p. 40).

No entanto, essa situação modificou-se a partir da lei n. 11.274 de 6 de fevereiro de 2006, que alterou a redação dos artigos 29, 30, 32 e 87 da LDB de 1996,

dispondo sobre a duração de nove anos para o Ensino Fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade a partir da qual estados e municípios tiveram até o ano de 2010 para instituir o novo modelo de ensino. Conforme o PNE, a determinação legal (Lei no 10.172/2001) de implantar progressivamente o Ensino Fundamental de nove anos, pela inclusão das crianças de seis anos de idade, teve duas intenções:

A primeira:

oferecer maiores oportunidades de aprendizagem no período da escolarização obrigatória e assegurar que, ingressando mais cedo no sistema de ensino, as crianças prossigam nos estudos, alcançando maior nível de escolaridade (Brasil, 2004, p. 13).

E a segunda:

a adoção de um ensino obrigatório de nove anos iniciando aos seis anos de idade pode contribuir para uma mudança na estrutura e na cultura escolar" (Brasil, 2004, p. 16).

Essas alterações na legislação ocorridas nos últimos anos promoveram novos direitos à criança, como o asseguramento da educação desde o nascimento. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990) enfatiza a condição da criança como cidadã que deve ser respeitada como um ser em desenvolvimento com necessidades e direitos específicos.

Contudo, tais mudanças no sistema de ensino brasileiro não invalidam a proposta de investigação dos processos inclusivos na educação infantil que passa, a partir do ano de 2010, a ocupar-se das crianças de zero a cinco anos.

A educação infantil abarca instituições de origens diversas: jardins da infância, creches, pré-escola etc. Cada qual com suas concepções de infância e educação que podem variar de instituições assistencialistas, às propostas construtivistas e suas derivações. Muitas delas tendo como base o Referencial Curricular Nacional — RCN, para a Educação Infantil que, segundo Souza (1998):

"foi concebido de maneira a servir como um guia de reflexão de cunho educacional sobre objetivos, conteúdos e orientações didáticas para os profissionais que atuam diretamente com crianças de zero a seis anos, respeitando seus estilos pedagógicos e a diversidade cultural brasileira" (Souza, 1998, p. 5).

O RCN propõe alguns eixos de trabalho orientados para a construção das diferentes linguagens pelas crianças e para as relações que estabelecem com os

objetos de conhecimento: Movimento, Música, Artes Visuais, Linguagem Oral e Escrita, Natureza e Sociedade e Matemática.

Para além dos argumentos encontrados nos Referenciais Curriculares Nacionais, temos também outros fatores que partem do viés psicanalítico e contribuem para a valorização da educação infantil como um espaço rico e propício para pesquisas em Psicanálise e em Educação.

Benzer Belgeler