• Sonuç bulunamadı

2.4. Personel Motivasyon Araçları

2.4.3. Örgütsel ve Yönetsel Araçlar

Antes de apresentar a definição do campo da pesquisa, é necessário fazer uma digressão a respeito da escolha das instituições e seus desdobramentos decorrentes.

A escolha da primeira instituição pesquisada não foi uma tarefa simples. Isso porque, ao decidir realizar a pesquisa, tive que me deparar com a minha dupla relação: professora de apoio de inclusão da instituição pesquisada e pesquisadora pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. E ocupar essas duas funções, simultaneamente, não foi uma fácil empreitada, já que precisei manter alguma distância nos momentos certos, momentos dedicados à pesquisa, ao tomar a instituição como objeto da investigação. Esse movimento implicou em questões éticas que acredito serem fundamentais para o desenvolvimento desta dissertação.

Dentro da instituição, eu continuava a desempenhar a minha função como professora de apoio de inclusão,cargo a que fui incumbida de criar e desenvolver, em 2010. Coordenadora, com o objetivo de efetivar a socialização dos processos inclusivos em todas as suas instâncias: coordenação, equipe de professores, professores auxiliares, acompanhantes pedagógicos, além de promover o alinhamento do passado com o presente da prática através da documentação e da relação dos procedimentos com os conceitos. Ao mesmo tempo, precisei manter certa distância dos acontecimentos internos para realizar a tarefa de refletir sobre o trabalho desenvolvido pela escola,no qual me via totalmente envolvida.

Sabe-se que Freud era contra a idéia de um analista tratar de seus parentes “Com referência ao tratamento de seus parentes, tenho de confessar-me inteiramente perplexo” (Freud, 1912, p. 133). E essa posição não dizia respeito apenas à neutralidade absoluta do analista como também, à dificuldade de o paciente, diante de um parente, sentir-se confortável para lhe revelar “caixa preta” e falar tudo o que lhe “viesse à cabeça”. A presença de um conhecido acabava por cercear o espaço para que as coisas pudessem circular livremente.

No entanto, conhecer a primeira instituição a fundo como eu tive a orportunidade de conhecer, devido aos doze anos de trabalho contínuo como professora, contribuiu para o mergulho nas imensas teias de significados que ali eram tecidos e enredavam as relações sociais ali estabelecidas. Entretanto, para conhecer a instituição através dos olhos de pesquisadora teria que me posicionar para olhá-la pelo avesso. Ao mencionar o olhar pelo avesso, autorizo-me a tomar emprestado a expressão empregada e desenvolvida por Lacan (1969/1970) em “O Seminário 17”, O avesso da psicanálise, na qual a referência ao avesso seria o outro lado de um mesmo tecido. A junção das duas maneiras de olhar: o afetivo de funcionária há mais de uma

década e o de pesquisadora crítica, contribuiu para atingir a diversa rede de significados para analisá-los de acordo com os objetivos propostos na pesquisa.

Contudo, existe uma séria discussão a respeito das possibilidades e pertinências de um pesquisador utilizar como campo de pesquisa a instituição na qual trabalha. Uma das particularidades desta discussão versa sobre a questão da ética, como se questiona Lerner (2008):

"(...) em que medida é ético que um profissional encarregado de algum tipo de atendimento use dessa condição para pesquisar algum aspecto ligado a ele?" (Lerner, 2008, p. 223).

Desse modo, afirma que uma das tarefas mais difíceis de tomar como objeto de pesquisa a instituição na qual se trabalha é adotar a necessária distância para realizar a análise das condições de constituição dos lugares em ação:

É necessário um afastamento para adotar um estranhamento forçado dessa realidade durante a fase de análises. (Lerner, 2008, p. 234).

Desenvolver uma pesquisa nessas condições implica, necessariamente, em desenvolver uma diferença de olhar, em assumir um distanciamento que possibilite o questionamento do campo que se constitui a fim de promover uma posição crítica em relação à instituição, sem se deixar englobar ou massificar, além de ter claro o objetivo que norteia o trabalho.

A escolha da segunda instituição não aconteceu por acaso. Ela foi escolhida justamente por apresentar um bom trabalho no que tange à educação inclusiva. Dado que a amostra da primeira instituição havia se esgotado, fez-se pertinente buscar uma nova amostra, pertencente a uma instituição distinta, que viesse complementar a amostragem por saturação (Fontanella et al., 2008), sobre a qual falaremos mais adiante.

Uma das diferenças que marcam as duas insituições, e que tomaremos aqui como fio condutor para a discussão da ética na presente pesquisa, encontra-se no fato de que na primeira instituição a pesquisadora pertencia ao quadro de funcionários, ao passo que na segunda, era uma pessoa de fora. Uma estrangeira. Mas, em ambas, era uma pesquisadora com objetivos definidos que seriam colhidos através da fala, dos discursos enunciados pelos sujeitos da pesquisa.

Tomando como ponto central a análise de entrevistas e, por conseguinte, dos discursos, é preciso levar em conta que as particularidades do usufruto da língua revelam que o sujeito age sobre a sua falação: atribui nuances, significados e sentidos, ultrapassando o arbitrado. Neste sentido, há uma operação que se faz presente: que o dizer está para além do enunciado, está do lado do falante. A formulação lacaniana dos quatro discursos faz-de particularmente interessante para construir reflexões acerca desta questão, que se encontra implicada com o sujeito. Ao se referir sobre um sujeito que fala, há, sobretudo, que se considerar a quem se fala, quem fala e, sobretudo, de que lugar se fala. Algo se opera diferentemente dependendo destes contingentes, adquirindo um movimento especial entre o falante e seu interlocutor.

Dessa maneira, a presença da pesquisadora como entrevistadora em ambos locais de pesquisa produziu, inevitavelmente, efeitos na fala dos sujeitos entrevistados. Efeitos que não podem ser controlados, uma vez que dizem respeito somente ao sujeito que fala.

Todavia, é preciso considerar que na primeira instituição pesquisada, o fato de ser pesquisadora e também compartilhar o espaço profissional com as entrevistadas e sermos, portanto, colegas de trabalho, inevitavelmente produziu efeitos sobre as falas enunciadas nas entrevistas. Efeitos que, pela sutileza, não permitem uma mensuração. Desse modo, o que é possível extrair desta situação é que, na primeira instituição, os discursos possivelmente sofreram efeitos pelo fato de a pesquisadora ser conhecida e exercer um cargo hierárquico na instituição no que diz respeito ao tema da inclusão.

Entrementes, na segunda instituição, a pesquisadora era uma pessoa de fora da instituição, o que possivelmente não gerou efeitos decorrentes dos papéis hierárquicos. Mas não podemos deixar de levar em conta que, mesmo sendo de fora da instituição, alguns efeitos se produziram sobre os discursos das educadoras. Efeitos que veremos mais claramente na discussão dos dados

Benzer Belgeler