1.4. Feminizm Çeşitleri
1.4.1. Feminizm İçindeki Temel Gelenekler
1.4.1.2. Sosyalist Feminizm
“A coisa mais cruel da crueldade, escreve Janine Bauman (apud BAUMAN, 1998, p.237), é que ela desumaniza suas vítimas antes de destruí-las. E o mais duro das lutas é continuar humano em condições inumanas”. Para Todorov64, a despersonalização é um meio de transformar os indivíduos em componentes de um projeto que os transcende. É o processo que conduz à submissão dócil das vítimas reduzindo-as à mera peça de uma imensa máquina que as leva a abdicar do exercício do julgamento e da própria vontade. A transformação das “pessoas em não-pessoas, em seres animados, mas não humanos”, requer uma série de técnicas de despersonalização destinadas a esquecer a humanidade do outro.
64Em face do extremo, 1995.
Na sua grande maioria, os funcionários que administravam os campos eram burocratas, funcionários zelosos e disciplinados, encarnação da simples “banalidade do mal”. Tanto Eichmann, quanto Hoess ou Speer eram verdadeiros tecnocratas que tinham em comum o triunfo do pensamento instrumental. Como observa Hilberg (2003, p.1024): “deve-se ter em mente que a maioria dos participantes do genocídio não atirou em crianças, nem despejou gás em câmara de gás (...). A maioria dos burocratas compôs memorandos, redigiu planos, falou ao telefone e participou de conferências. Podiam destruir todo um povo sentado em suas escrivaninhas”.
Assim, para Hoess, comandante de Auschwitz, só interessava o desempenho da sua ‘fábrica’, ele não questionava o produto final. Quanto à Speer, o seu principal problema consistia em produzir o máximo de armas e da melhor qualidade. A preocupação era somente com a sua “produção”, e não com a sua utilização, nem com a mão-de-obra escrava. Toda consideração humanitária era eliminada, com a tradicional distinção entre consciência privada e dever público. “Dou-me conta de que a visão do sofrimento dos homens teve uma influência sobre os meus sentimentos, mas não sobre minha conduta. No plano afetivo, não tive senão reações marcadas de sentimentalismo; no nível das decisões, ao contrário, os princípios de finalidade racional continuavam a me dominar”, escreveu Speer (apud TODOROV, 1995, p.217).
Esse quadro frio de morte instrumentalizada precisa de uma linguagem apropriada, cuidadosamente codificada, técnica e impessoal, à altura de um crime perpetrado, sine ira et studio, metodicamente, com a satisfação do trabalho bem cumprido. O objeto das operações burocráticas passa a ser expresso em termos puramente técnicos, eticamente neutros. Assim, segundo as “regras de linguagem politicamente corretas”, o genocídio se torna o endlössung ou Solução final; as operações de matança por gás de “tratamentos especiais”; as câmaras de gás de “instalações especiais”; os detentos encarregados da matança de
sonderkommandos ou comandos especiais; e o assassinato, pela expressão
“cumprimento de uma morte misericordiosa”. Para os SS encarregados da liquidação em massa:
O judeu se tornou apenas uma figura de museu, um figuren algo para olhar com curiosidade, um fantástico animal fóssil com uma estrela amarela no peito, uma testemunha de tempos idos, mas não pertencentes ao [tempo] presente. Algo que deveríamos viajar para bem longe, se quiséssemos ver (KERSHAW apud BAUMAN, 1998, p.219).
Por outro lado, a linguagem da moralidade adquire um novo vocabulário, repleto de conceitos como dever, lealdade - como a divisa dos SS: “A minha honra é a minha lealdade” -, disciplina, todos apontando para os superiores como supremo objeto de preocupação moral. Bauman observa que “essa linguagem codificada, ao mesmo tempo em que disfarçava o crime, revela um dos seus aspectos mais notáveis: a sua dimensão burocrática, elo indispensável entre a violência rotinizada e a morte instrumentalizada”.
Por fim, Milgram revelou que a disposição de agir contra a própria consciência é função da exposição a uma fonte clara, inequívoca e monolítica de autoridade. Segundo ele, “só quando se tem uma autoridade que opera num campo livre, sem nenhuma pressão contrária, além dos protestos da vítima, é que se consegue a resposta mais pura à autoridade”. No contexto do genocídio, essa fonte clara de autoridade era o regime totalitário nacional-socialista, personificado pelo führer, o qual teve o cuidado de destruir desde o início, todo vestígio de pluralismo político para deslanchar o seu funesto projeto.
Hannah Arendt (apud BAUMAN, 1998, p.194) observa que a recíproca também é verdadeira: o pluralismo político constitui o melhor antídoto contra pessoas moralmente anormais e “a voz da consciência individual é mais bem ouvida no tumulto da discórdia política e social.”
CONCLUSÃO
A experiência democrática da República de Weimar foi uma das matrizes do totalitarismo na Alemanha nacional-socialista. Se muitos fatores contribuíram para a manifestação do surto totalitária na Alemanha nacional-socialista, a sua origem tem se sua base principal nas ambigüidades e nas imperfeições da democracia, como tentou demonstrar neste trabalho.
A pesquisa começou com o estudo da matriz totalitária e trilhou os meandros do labirinto totalitário para identificar os fatores desencadeantes da dinâmica totalitária tal como se manifestou na Alemanha. O desafio maior da pesquisa foi tentar compreender como um regime eleito democraticamente, referendado em várias ocasiões, com ampla maioria, herdeiro de uma das culturas mais desenvolvidas da Europa, pôde ter aderido a tal projeto.
O estudo da matriz totalitária abordou três grandes aspectos: cultural, social e político. Dos três aspectos estudados foi justamente na matriz política que encontramos as explicações mais convincentes para o surgimento do totalitarismo. Todavia, vale salientar que a indeterminação democrática e a politização da vida são dois temas reveladores e interessantes, devido ao alcance das explicações de Lefort e Agamben.
No que tange a matriz cultural, a “Revolução conservadora” representou um excepcional laboratório de idéias sobre a temática da modernidade e do “desencantamento do mundo”, na qual o regime nacional-socialista encontrou uma importante fonte de inspiração. Graças aos trabalhos pioneiros de Louis Dupeux, os historiadores contemporâneos dão um maior destaque a esse fermento intelectual e a esse potencial de violência que encobria uma sociedade cujas estruturas jurídicas ainda não estavam consolidadas e que formou o discurso ideológico do nacional- socialismo.
Já na matriz social destaca-se a brutalização da sociedade. Para G. Mosse, o período de descivilização marcado pela guerra 1914-1918 anunciou as brutalizações
totalitárias dos períodos subseqüentes. Após o término dos combates, toda a cultura
da guerra influenciaria a sociedade civil alemã. O “ideal militar” era presente em toda
parte. Hitler, nostálgico e prisioneiro daquilo que Mosse denominou o “mito da grande guerra” aspirou a uma “sociedade de combatentes”. Após 1918, o campo de batalha havia se transferido para o front interior, no seio da sociedade civil.
O advento da era tecnicista, anunciada por Yünger, teve amplas repercussões no período entre as duas Grandes Guerras, tornando o combatente uma mera peça mecânica. A mecanização dos indivíduos e das relações humanas não se limitou à própria guerra, mas afetou os tempos de paz com as concepções e os ideais herdados do conflito.
No que tange a essência da matriz política do poder totalitário, alguns autores foram destacados. Em primeiro lugar, Claude Lefort, para quem o totalitarismo é uma tentativa desesperada e contraditória de anular a incerteza indissociável da experiência democrática moderna, e de procurar no quadro protetor uma sociedade fechada, a defesa dos valores e das antigas certezas que sempre tem regulado a vida comunitária.
A maior contribuição de Lefort foi a de ter ido além de uma mera denúncia da opressão totalitária, e ter procurado revelar a sua matriz, bem como o seu mecanismo. A originalidade da sua obra está em ter contribuído para elucidar o enigma do surgimento do totalitarismo. Para Lefort, a gênese do totalitarismo pode ser compreendida somente a partir das ambigüidades da própria democracia. Isso significa que na essência da democracia, como já foi exposto, existe uma indeterminação, isto é, uma insuperável incerteza.
A indeterminação democrática é apontada pelo autor como sendo a principal ambigüidade da democracia que tem servido de alavanca para a aventura totalitária. Lefort não hesita em afirmar que a liberdade política só pode ser preservada enquanto existir a proibição de se apropriar do poder (no sentido de posse ou de confisco) pelos depositários da autoridade pública, enquanto permanecer vazio,
Apenas a autoridade do poder para um exercício limitado do poder pode ser conquistada, e não o poder em si, a posse do poder. A impossibilidade de se apossar do poder é indissociável do reconhecimento da legitimidade da competição política. Para ser efetiva, uma redistribuição periódica das cartas do poder pressupõe uma abertura efetiva da competição política para todos aqueles que julguem ter o direito ao seu exercício.
Por outro lado, a legitimidade de uma competição política pressupõe também legitimar a existência do conflito, ou pelo menos da sua expressão. Com efeito, se os postulantes ao poder não tivessem a liberdade de defender as suas convicções, quaisquer que fossem, isso significaria que existiria, em algum lugar, um outro poder, um verdadeiro poder, guardião da doxa, a qual todos devem subscrever. Defender a idéia de um poder vazio, inapropriável tem como principal conseqüência a instauração de um espaço público num âmbito onde as relações entre os homens são subtraídas à autoridade do poder.
Para Lefort, as raízes do totalitarismo se encontram precisamente na própria democracia, quando desaparece a base transcendental do social. O regime totalitário constitui uma exata inversão do modelo democrático. Enquanto neste, a alternância regular do poder marca a separação do poder com a sociedade, possibilitando assim a autonomia do espaço social em relação aos depositários do poder, naquele, em contraste, a identificação total do poder com a sociedade tem por efeito que em direito, a sociedade não goza de nenhuma autonomia, que ela representa para ele apenas um mero espaço privado. Juridicamente, não existe nada que aconteça na sociedade que não diz respeito ao Poder. E para caracterizö- de-regra, nenhum tipo de comunicação, nenhuma forma de expressão do pensamento e da opinião, pode fugir ao controle do poder.
Em vez do fantasma totalitário, a sociedade democrática corresponderia a uma vontade de unificar uma sociedade sem abolir as suas divisões, pois longe de enfraquecê-la, os conflitos alimentam a vida comum. Tal é o paradoxo da democracia: uma encenação política, dentro da qual se produz uma competição que deixa transparecer a divisão, sendo essa mesma divisão constitutiva da própria unidade social. Lefort condena a pretensão totalitária de estabelecer uma sociedade
sem classe, ou homogênea sob o aspecto racial (völkisch), a qual todos os indivíduos seriam idênticos, sublinhando assim a natureza conflitante de toda democracia.
O regime democrático é marcado pelo selo da indeterminação, pela ausência de certeza, e ele se situa nesse aspecto numa perspectiva de história aberta: a democracia caracteriza-se assim como ‘a’ sociedade histórica por excelência, sociedade que, na sua forma acolhe e preserva a indeterminação, em contraste notável com o totalitarismo que, se revelando sob o signo da criação de um homem novo, se edifica na realidade contra essa indeterminação.
A democracia implica numa redistribuição periódica das “cartas do poder” e a constituição de um espaço público de discussão, “sem precondição, nem avalista”, acrescenta o autor. Na ausência desses dois elementos, o debate seria inevitavelmente viciado e um conflito não deixaria de surgir entre o caráter indeterminado desse regime político e a pretensão do poder instituído de arrogar-se o poder em benefício próprio.
A sociedade democrática é indeterminada, na sua essência. Essa indeterminação se traduz por sua vez, pela constituição de um espaço público onde todos podem defender suas idéias sobre uma ordem social justa. Isso implica o reconhecimento da legitimidade do debate e do conflito. Desse modo, a unidade da democracia é inseparável do reconhecimento das suas divisões.
Quando predomina o sentimento de que a democracia não representa nada mais do que a destruição da coesão social e, a exemplo da República de Weimar, ela se torna não a solução, mas a principal causa da desordem social, os indivíduos podem ser levados a abraçar um projeto de restauração de uma Sociedade–Una, afinada consigo mesma e que possa acabar com todos os conflitos decorrentes da divisão social. A representação de uma Sociedade–Una marca uma ruptura radical com o modelo democrático, uma vez que almeja acabar, com o lugar vazio do poder, com a luta incessante pelo poder e finalmente com os conflitos sociais.
O sentido da mutação que provoca o desmoronamento da sociedade democrática e o advento simultâneo do totalitarismo se encontra nesse labirinto inextricável onde os indivíduos são impelidos por uma sociedade inapreensível segundo a expressão de Lefort, uma sociedade sempre em busca de uma saída, de uma definição às suas contradições e às suas divisões. Em outros termos, a aventura totalitária é baseada sobre um modelo de sociedade livre de conflitos e, desse modo, livre do problema da indeterminação. Ela se fundamenta na recusa do reconhecimento de que a divisão social é o resultado inelutável da sociedade como tal.
Para Lefort, essa aspiração totalitária de restaurar a coesão social, num corpo social orgânico unido em torno do mesmo desígnio e senhor de seu próprio destino, só pode ser compreendido à luz do desejo de superar esse vazio que a destruição do poder tradicional cavou na substância da própria comunidade. O totalitarismo é uma tentativa desesperada e contraditória de anular a incerteza indissociável da experiência democrática moderna, e de procurar, no quadro protetor uma sociedade fechada, preservar os valores e as antigas certezas que sempre regularam a vida comunitária.
Na visão de Lefort, para explicar o destino da liberdade, não basta afirmar que a representação do Povo – Uno é inseparável do terror. É preciso ir além e desvelar que é precisamente no âmago da democracia e em razão das suas próprias contradições, que nasce a tentação do Uno totalitário. Defender a liberdade é inseparável de uma crítica à tentação do Uno. Tal seria a missão da filosofia política: relembrar que a defesa da democracia e das liberdades exige que os homens estejam preparados a resistir ao fantasma do Uno.
Com as ambigüidades decorrentes da indeterminação democrática, devemos a Tocqueville o grande mérito de ter apontado um outro perigo para o regime democrático: a tirania da maioria que decorre do exercício do poder. Para Tocqueville, o risco existe quando uma maioria de indivíduos que pretendem ser iguais se apóia nessa mesma maioria para fazer prevalecer uma vontade, que pode ser a de exclusão de todos aqueles que ela julga diferentes.
A tirania da maioria pode ser exercida contra a minoria. No exemplo do regime nacional-socialista, ela pode declarar a vida de certos grupos minoritários como indigna de ser vivida e desse modo rejeitá-la da comunidade, a mercê de uma decisão arbitrária do Poder soberano. Contra as minorias, é sempre possível exercer uma certa violência, que pode tomar várias expressões: ela pode se manifestar quer pela recusa de conceder a certos indivíduos o conjunto de seus direitos, quer pela desigualdade, quer pela manifestação de certo menosprezo a determinados indivíduos, por causa de sua diferença. A maioria pode também adotar uma dimensão agonal do exercício do poder, onde passa a existir uma oposição fundamental entre o idêntico fundador da maioria e o diferente característico das minorias. A tirania da maioria é uma situação onde a maioria possui todos os direitos e todos os instrumentos do poder, e onde as minorias, que se opõe a ela, correm o risco de se encontrar na incapacidade de fazer prevalecer os seus direitos, inclusive os direitos à vida. Desse modo, a democracia, quando existe o exercício da tirania da maioria, pode revelar outra de suas imperfeições: um regime em que reina o poder, sem qualquer restrição, e que pode vir a se tornar uma ameaça à vida das minorias.
Existe um terceiro perigo no exercício do poder democrático, quando este focaliza a vida dos indivíduos, ou mais precisamente o potencial vital de uma comunidade, que Foucault denominou de “biopolítica”. Perigo que aparece com o crescente envolvimento da vida natural do homem nos mecanismos e nos cálculos do poder. Nesse contexto, o poder nacional-socialista tentou legitimar a eutanásia com a justificativa que havia vidas sem valor “que não mereciam ser vividas” (lebensunwert) em oposição à “vida digna de ser vivida”.
O objeto do Estado soberano, segundo um dos maiores estudioso do biopoder da atualidade, Giorgio Agamben, passa a ser a vida nua do homo sacer, exposta, sem mediação, ao exercício biológico de uma força de correção, de encarceramento e de morte. O campo surge como a outra face da relação de exceção: Vida nua versus Poder Soberano, onde se exerce esse poder. É o espaço que se abre quando o estado de exceção se torna tanto a regra quanto “o regulador oculto da inscrição da vida no ordenamento político”. Para Agamben, o campo constitui o paradigma que marca de forma decisiva, a realidade biopolítica moderna. O campo
constitui então um espaço de exceção onde a lei é integralmente suspensa, onde realidade e direito se confundem sem resíduos, e onde “tudo é possível”. O campo não foi apenas “a sociedade a mais totalitária jamais realizada”, como apontou Rousset, mas também o modelo social perfeito para o domínio total do poder soberano. Um poder total, conseguido sem exceção, sobre todos os homens, em todos os aspectos das suas vidas.
Para o biopoder, existe sempre a tentação de transformar não apenas o mundo exterior, mas a própria natureza humana. Uma figura representa essa vida nua, a figura do homo sacer descrita por Agamben, uma vida a mercê de uma provável expulsão para fora dos limites do ban de um mundo ordeiro.
A revolução nacional-socialista desejou fazer apelo às forças que tendem a exclusão dos fatores de degeneração biológica e à manutenção da saúde hereditária do povo. Ela almejou fortalecer a saúde do conjunto da nacao e eliminar as influências que prejudicam o seu desenvolvimento biológico. Esta nova política encontra sua legitimidade na assunção de uma suposta missão biopolítica do
Estado, de acordo com a concepção do “vir-a-ser” (dasein), na qual vida e política se
identificavam com a idéia de “dar forma à vida de um povo”. O indivíduo só tem lugar e valor na medida em que contribui para o bom funcionamento da Comunidade orgânica, em que desempenha de maneira satisfatória o seu papel, a sua função.
Para o regime nacional-socialista, o valor do indivíduo é estimado em função da sua capacidade contributiva (leistungsfähigkeit), isto é, da sua aptidão em cumprir com êxito um leistung, uma tarefa em prol da comunidade e do Estado. Um indivíduo só aceito, incentivado, promovido, alimentado na medida em que possa trabalhar para o seu Estado e para a sua raça, quando a sua capacidade contributiva (leistung) e o seu ‘sacrifício’ excedem generosamente aquilo que a comunidade vai lhe retribuir. Do contrário, quando a vida de um indivíduo representa uma perda líquida para a comunidade (leistungsunfähig), a pessoa é declarada indigna de viver (lebensunwert). Uma vida indigna de ser vivida (lebensunwertes leben) será então interrompida pela morte como a dos doentes mentais, submetidos a uma ação de eutanásia no quadro da Operação T4 ou de judeus. Um indivíduo leistungsunfähig
se torna um ônus para a comunidade, um peso morto que atrasa a marcha da raça e do Estado.
Essa máquina individual deve produzir, exercendo uma atividade produtiva (produzir leistung), o que significa também produzir filhos. A procriação se torna um imperativo político que é incentivado pelo Estado e pela propaganda. É imperativo produzir braços para a indústria e para a guerra. A expressão utilizada pela propaganda nazista é: produzir crianças (kinder zeugen) do mesmo modo que numa fábrica, uma máquina produz (erzeugt) mercadorias (erzeugnisse).
No regime nacional-socialista, o indivíduo era considerado como um material humano (menschenmaterial), uma matéria-prima a trabalhar, a aperfeiçoar, a esculpir, a construir. Seguindo o modelo tradicional prussiano, o III Reich ambicionou se tornar uma sociedade alinhada (gleichgschaltet), regida pela capacidade contributiva (leistungsprinzip) do seu material humano (menschenmaterial)”; aspirando a se “tornar uma máquina regulando toda a atividade mecânica e