1.5. Yapılandırmacı Öğrenme Yaklaşımı
1.5.1. Yapılandırmacılığın Türleri
1.5.1.2. Sosyal Yapılandırmacılık
Como mencionado anteriormente, a partir de 2007, a equipe do Núcleo de Pesquisas e Estudos em Arqueologia (NPEA) da UFPA iniciou uma parceria com a pesquisadora norte americana Anna Roosevelt para as escavações no sítio Porto de Santarém, sendo que em 2009 foi estabelecido um convênio entre a UFPA e a Companhia Docas do Pará, Cargil Agrícola S/A, e a partir de 2010, todo o projeto de salvamento foi assumido pelo NPEA (SCHAAN, LIMA 2012). A área onde as atividades de salvamento arqueológico foram realizadas foi dividida pelo em 10 setores (Figura 2) conforme suas características e a necessidade de liberação dos espaços para o empreendedor. As atividades de campo ocorreram ao longo de cinco anos (2009-2013) ao longo dos quais foram utilizados diferentes métodos de investigação, como prospecção geofísica, tradagens sistemáticas, decapagem mecânica, escavações pontuais e em grandes superfícies. As escavações normalmente começavam com uma unidade de 1x1m, ou mais se já na superfície era observado a necessidade de ampliação, e eram ampliadas conforme o contexto observado durante a escavação. O material coletado ficou sob a guarda do Laboratório de Arqueologia Curt Nimuendajú, localizado nos estabelecimentos da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), no município de Santarém, e no Laboratório de Arqueologia da Universidade Federal do Pará, no município de Belém (SCHAAN 2010, 2012, 2014).
Figura 2 - Áreas escavadas no sítio Porto de Santarém23
A estratigrafia no sítio representa um e abriga vários testemunhos das atividades e ocupações que ocorreram nesta parte de Santarém. As camadas entretanto, não guardam as memórias em ordem sequencial e lacradas, visto que tanto atividades humanas quanto bióticas foram responsáveis por alterações nos depósitos culturais. O espaço do sítio Porto foi reservado para a ocupação portuária em 1988, antes disso fora utilizado como espaço residencial e comercial (LOPES 2015). O espaço foi aterrado pela Companhia Docas do Pará, o que foi possível observar nos primeiros centímetros escavados de todas as áreas. Ao longo dos anos, vários setores do sítio foram utilizados para diferentes atividades, como campo de futebol, estacionamento, depósito de lixo, pista de treino por auto-escolas, etc. Essas alterações na estratigrafia ocorreram continuamente ao longo dos anos, visto que camadas mais profundas de aterros foram
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A nomenclatura e delimitação das subáreas do sítio Porto segue as já existentes, utilizadas pela Companhia Docas do Pará
observadas em áreas anteriormente escavadas24. Bioturbações causadas por raízes, minhocas e insetos também causaram deslocamento de material arqueológico e de solo.
A área mais "degradada" em termos arqueológicos, devido à retirada de camadas culturais, se localiza na parte central do sítio Porto (Área 2), visto que a camada de terra preta era inexistente nesse setor, à despeito disso, ainda havia 80cm de camada cultural com solo de coloração mais clara. Os setores com menor pacote cultural estavam na parte sudoeste (10A-2) e centro-leste (4A). A primeira apresentava 20cm de aterro com lixo recente misturado com material arqueológico, além da presença de um piso de cimento em superfície, sua camada cultural apresentou espessura máxima de 60cm, sendo que 25 a 45cm era de terra preta. Enquanto a parte centro-leste tinha 70cm de camada cultura, da qual 25 a 35cm era de terra preta, mas sobre as quais havia 1,1m de aterro (Quadro 1).
Os setores com camada cultural mais profunda majoritariamente estão na parte norte do sítio (10A-3, 10A-4 e 10A-5), onde foi observado um metro ou mais de camada cultural. Entretanto havia variações internas em cada um desses setores. Por exemplo em uma das áreas localizadas a noroeste (10A-3), a camada de terra preta vaiou entre 10 a 75cm de profundidade. Uma das quadrículas escavadas na parte oeste deste setor era totalmente formada por material recente misturado com poucos fragmentos arqueológicos antigos, enquanto outra quadrícula na parte sudeste, apresentou 35cm de aterro formado por blocos de tijolos com cimento, além de vidro, sandália plástica, fio elétrico, etc.
Área Perturbações Profundidade TPA
(excluindo feições)
Camada cultural (profundidade máxima)
10-1 Aterro e lixo 20 a 60cm 70cm
10A-2 Piso de cimento; 20cm de aterro 25 a 45cm 60cm
10A-3 10 a 35cm de aterro 10 a 75cm 100
10A-4 10 a 30cm de aterro; intensa
atividade biótica 15 a 60cm 133
24 Em um setor da parte central do sítio (Área 4A), anteriormente, em 2009, os vestígios da ocupação
mais antiga estavam entre 32 a 55cm abaixo de uma camada de aterro composta por lixo recente misturado com material arqueológico antigo; quatro anos depois, nas escavações foi verificado que a camada de aterro apresentava 1,1m de espessura. As mudanças na estratigrafia entretanto parecem ter sido no sentido de apenas agregar novos pacotes de aterro, visto que a espessura da camada de TPA, assim como a camada cultural apresentaram valores similares aos observados anteriormente (25 a 35cm de TPA e 70cm de camada cultural em 2009; 30cm de TPA e 60cm de camada cultural em 2013)
10A-5 10 a 20cm de aterro 108
1Sul 10cm de aterro 15 a 65cm 90
2 Retirada da camada de TPA Ausente 80
4A 32cm a 1,1m de aterro 25 a 35cm 70
2A
20 a 40cm de aterro; retirada da camada de TPA; intensa
atividade biótica
0 a 20cm 80
4B 10cm de aterro no primeiro nível e entre duas camadas de TPA
1º camada: 26 a 34cm;
2º: 60cm 140
Quadro 1 - Perturbações e camadas culturais nas áreas do sítio Porto de Santarém
A parte norte do sítio (10A-4 e 10A-3) foi o espaço primeiramente ocupado, juntamente com o setor centro-oeste (4A), onde existia um lago (SCHAAN, ALVES 2015). As datações mais antigas remontam ao século XIV AC, período no qual foram abertas roças e utilizavam-se utensílios cerâmicos com pouca decoração plástica e cromática (ALVES 2012; SCHAAN, ALVES 2015). O único contexto de descarte diferenciado observado nesse período inicial de ocupação foi o enterramento de uma vasilha fragmentada que estava associada a carvões pequenos (ALVES 2012). Diversos contextos de descarte só foram observados séculos depois, quando toda a parte central e sul do sítio passou por momentos de ocupação, a partir do século VII ou VIII AD. Entre o final do século XIII até o século XV AD, objetos e alimentos consumidos e utilizados pelos indígenas foram descartados sem nenhum tipo de tratamento (queima, enterramento), assim como buracos foram escavados para descartes pontuais e generalizados (
Setor Área Nível (cm) Feição Anos AP 13C/12C Anos Cal.
Norte 10A-4 33 Não 500±30 -27.8o/oo AD 1415-1460 40 Não 660±30 -27.2o/oo AD 1295-1400 46 Não 460±30 -24.7o/oo AD 1435-1495 10A-3 39 Não 590±30 -24.7o/oo AD 1325-1345 e AD 1390-1430 41 Não 640±30 -27.7o/oo AD 1305-1365 e AD 1375-1410 10A-5 55 Não 490±30 -25.0o/oo AD 1420-1460 87 Não 410±30 -25.5o/oo AD 1450-1515 e AD 1540-1625
22 Não 400±30 -25.1o/oo AD 1455-1630 64 Não 400±30 -25.1o/oo AD 1455-1630 Central 2 48 Sim 620 ±30 - 24.6 o/oo AD 1290-1400
Quadro 2).
A possível coexistência de práticas de descarte diferentes em vários setores do sítio é interessante para refletir sobre as escolhas realizadas no momento de deposição dos objetos outrora utilizados. Tipos de artefatos, espacialidade e intencionalidade são os elementos em jogo na ação de "descartar" em cada um dos contextos observados no sítio Porto. Visando explorar os diferentes tratamentos dado aos artefatos e ecofatos ao adentrarem o último local onde foram postos, o próximo tópico abordará as feições encontradas no sítio Porto de Santarém.
Setor Área Nível (cm) Feição Anos AP 13C/12C Anos Cal.
Norte 10A-4 33 Não 500±30 -27.8o/oo AD 1415-1460 40 Não 660±30 -27.2o/oo AD 1295-1400 46 Não 460±30 -24.7o/oo AD 1435-1495 10A-3 39 Não 590±30 -24.7o/oo AD 1325-1345 e AD 1390-1430 41 Não 640±30 -27.7o/oo AD 1305-1365 e AD 1375-1410 10A-5 55 Não 490±30 -25.0o/oo AD 1420-1460 87 Não 410±30 -25.5o/oo AD 1450-1515 e AD 1540-1625 22 Não 400±30 -25.1o/oo AD 1455-1630 64 Não 400±30 -25.1o/oo AD 1455-1630 Central 2 48 Sim 620 ±30 - 24.6 o/oo AD 1290-1400
Quadro 2 - Datações a partir do século XIII no sítio Porto de Santarém (SCHAAN 2012, 2014)25
2.3. Buracos de sobejo: modos de descarte e tecnologias de deposição nas