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Sosyal sorumluluk, toplumsal ve mesleki etik bilincine sahip olmak. X

Belgede C. PROGRAM ÖĞRENME ÇIKTILARI (sayfa 31-37)

DERSİN PROGRAM ÇIKTILARINA KATKISI Atatürk İlkeleri ve İnkılap Tarihi II Dersi - Program Öğrenme Çıktıları

9 Sosyal sorumluluk, toplumsal ve mesleki etik bilincine sahip olmak. X

“Apenas ressalto que, apesar do muito que se possa aprender por outras formas quanto ao método de abordar um problema incomum, algo pode ser acrescentado a esse conhecimento se levar em consideração a teoria geral de como a pesquisa deve ser realizada.” (PEIRCE, CP 2.106) 188

Um dos textos peirceanos que trata da Lógica da Investigação é o "Lógica de 1873" (CP 7.313-326). Este texto começa trazendo algumas distinções entre crença e dúvida, que merecem ser analisadas face à importância da teoria dúvida-crença no contexto da investigação.

Dúvida e crença são dois estados da mente que podem ser distinguidos pela sensação imediata. Quase sempre sabemos quando estamos em dúvida e quando estamos convencidos. É a mesma diferença entre vermelho e azul, entre prazer e dor (CP 7 313).

Mas existe uma diferença fundamental de ordem prática entre dúvida e crença. Quando nós acreditamos, há uma proposição de acordo com certas regras, que determina nossas ações. Portanto, se conhecermos a crença na qual acreditamos, o modo como nos conduziremos pode ser deduzido. Já a dúvida tem efeito diferente, a dúvida nos faz hesitar.

A dúvida viva é a vida da investigação, quando a dúvida cessa, a investigação deve parar. (CP 7.314) Dessa concepção de investigação, nasce o desejo de se chegar ao acordo de opiniões com respeito a uma conclusão, acordo este que seja independente de todas as limitações individuais, independente de caprichos, de tirania, de acidentes... (CP 7.315).

Mas este acordo de opiniões através da investigação é bem diferente dos outros tipos de acordos. Na investigação não fixamos a resposta para uma questão, ao contrário, começamos com várias opiniões, que vamos mudando até que possamos estabelecer alguma conclusão, que dependa unicamente da própria natureza da investigação.

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O argumento básico da teoria dúvida-crença é o seguinte: o conhecimento das leis que governam o comportamento das coisas tem pelo menos um efeito prático, que é o de permitir predizer quais experiências sensíveis receberemos de um objeto em conseqüência de nossas ações. Assim, se desejarmos obter determinadas experiências, então o conhecimento daquelas leis nos permitirá moldar nossas ações para atingir um fim desejado.

Segundo Peirce, se deixarmos duas mentes conduzirem independentemente uma investigação, levando suficientemente adiante este processo de investigação, elas chegarão a um acordo tal que nenhuma investigação futura poderá perturbar. (CP 7.319). Chegar a um estado de crença estável, que permaneça a longo prazo é o objetivo da investigação.

Mas isto só é verdadeiro para investigações que forem levadas a cabo em concordância com regras apropriadas. Portanto, devemos encontrar regras para conduzir bem a investigação. Esta é uma tarefa para a lógica como doutrina da verdade e sua natureza da maneira pela qual é descoberta. (CP 7.321.) É a lógica que descobre as regras para se conduzir a investigação com sucesso.

A verdadeira investigação começa com a dúvida genuína e termina quando esta dúvida cessa. Assim o fundamento racional para se dar preferência a um método se refere à sua força para fixar crenças e este método é o método da ciência. 189 Toda investigação pressupõe a passagem de um estado de dúvida para um estado de crença, há, portanto uma sucessão de tempo nas mentes que estão aptas a inquirir.

Durante o processo de investigação, elementos de pensamento vêm à mente. Estes elementos, que não estavam presentes no momento em que a investigação começou, Peirce os denomina de sensações. (CP 7.325)

Toda mente capaz de investigar tem que ser capaz de sensações, daqui resulta a distinção entre boa e má investigação. Determinados pensamentos são produzidos por pensamentos prévios, e a faculdade de produzir determinados pensamentos a partir de outros

deve ser própria da mente que investiga para a qual esta sucessão de idéias no tempo é essencial.

A Lógica da Investigação pode ser entendida como um “mapa” a ser seguido em todos os tipos de pesquisa. É constituída por um ciclo que começa com a abdução/ dedução/ indução/ nova abdução..., estes três estágios da investigação são harmonicamente e interdepentemente ligados, de forma que do nascimento das hipóteses, de sua seleção nas considerações de economia, dos métodos de construção teórica e do teste comprobatório das hipóteses delineia-se a investigação, sem que nos esqueçamos dos erros, acertos, sucessos e fracassos deste processo.

Toda a idéia da Metodêutica consiste em explicar como as etapas da investigação se encadeiam. As etapas da investigação são as seguintes:

1. juntar e considerar fatos que não nos haviam ocorrido (que Peirce chama de interessante coligação dos fatos).

2. experimentar, observar e analisar,

3. generalizar os resultados obtidos. (CP 7.276-7).

A investigação, portanto, começa na observação de um fato surpreendente. Este fato é analisado em todos os seus aspectos na busca de alguma hipótese que o explique. Surge então uma conjectura, que fornece uma explicação, ou seja, levanta-se uma hipótese que o explique. A explicação deve ser tal que leve à predição dos fatos observados, seja como conseqüência necessária, seja como prováveis em determinadas circunstâncias. A hipótese adotada deve ser plausível em si mesma ou tornar os fatos plausíveis. (CP 7 202)

A hipótese remove o estranhamento dos fatos, colocando-os numa forma ou aspecto sob os quais eles se assemelham a outros que nos são familiares. Qualquer proposição que tenda a esclarecer os dados de forma diferente pode ser chamada de hipótese.190

190Segundo Peirce, em “Valid Hypotheses and Miracles”, para grande parcela dos antigos filósofos, o conhecimento em parte

se deve aos sentidos em parte à razão, para outros, no entanto, o conhecimento é derivado exclusivamente dos sentidos enquanto uns poucos acreditavam que já nascemos com o poder de conhecer. Peirce discorda da primeira opinião e concorda em parte com as duas últimas. Para Peirce, o fato de nosso conhecimento estar fundado na observação é verdadeiro no sentido que tudo depende dos perceptos, isto é, do conhecimento direto das coisas percebidas. Para Peirce, além dos perceptos a crítica lógica não pode ir. Segundo ele, a psicologia prova que os perceptos são eles próprios

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Quando surgem fatos contrários a nossa expectativa, somos obrigados a procurar uma explicação. Tal explicação será uma proposição hipotética que deve nos permitir prever, em circunstâncias semelhantes, fatos surpreendentes semelhantes, seja como conseqüência necessária, seja como conseqüência muito provável. Toda teoria científica deve começar por este momento hipotético, relacionando experiência prévia e previsão. (SERSON, 1993:9)

O que é então a abdução? É o processo de levantar hipóteses. As hipóteses são construídas e selecionadas na abdução. Peirce chama de fantástica essa nossa capacidade de levantar hipóteses.

Levantamos algumas poucas hipóteses, dentre as centenas que podemos levantar, e a história tende a mostrar que dentre estas, alguma se mostra verdadeira. Que direcionamento é este que a mente humana tem em direção à verdade, que faculdade e esta que nos leva a descobrir o verdadeiro? Alguns autores acham que a lógica da descoberta é uma questão de psicologia, para Peirce esta solução passa pela cosmologia. 191

Há uma doutrina puramente lógica de como a descoberta deve ocorrer (...). Atualmente, apenas os métodos podem fortemente chamar atenção; e eles têm vindo em tal quantidade que o próximo passo será certamente encontrar um método para descobrir métodos. A fim de cobrir todas as possibilidades, isso deveria estar fundado numa teoria geral dos métodos para se atingir propósitos em geral; e isto, por sua vez, deveria vir de uma doutrina ainda mais geral da natureza da ação teleológica, em geral. (PEIRCE, CP 2.105-107)

Uma hipótese H é verdadeira se submetida, tanto quanto possível, à investigação relevante, de tal forma que uma comunidade de pesquisadores a reconheça como verdadeira para um conjunto de evidências e argumentações disponíveis para aquela comunidade. Ou seja, H será considerada verdadeira se não puder ser demovida pela dúvida. Embora as hipóteses sejam criadas na imaginação elas descobrem relações surpreendentes, porque a "conclusão nos ilumina irresistivelmente" (MS 453)

operações mentais e diferentes das impressões dos sentidos. Nossos perceptos e observações diretas são relacionados exclusivamente às circunstâncias que os cercam e não às ocasiões futuras em que poderíamos estar em dúvida como agir. Conseqüentemente os fatos observados não contem neles mesmos qualquer conhecimento prático e para obter conhecimento é necessário adicionar dados àqueles da percepção. Perceber é estar diante de algo, naquele ato de estar, enquanto acontece. Assim, qualquer proposição que adicionada aos perceptos tende a esclarecer os dados de forma diferente pode ser chamada de hipótese.

É a adoção da hipótese que vai nos permitir passar para os outros estágios da investigação. A seguir, o investigador vai indagar da plausibilidade desta explicação. Começa o processo de verificação que se divide em dedução e indução. As hipóteses construídas e selecionadas na abdução devem passar pelo processo de verificação, que é fundamental para aceitação dessas hipóteses, mas a verificação se dá segundo algumas regras, porque o teste das hipóteses é dispendioso, envolvendo tempo, energia e dinheiro, daí que somente algumas hipóteses podem ser testadas.

A verificação começa com o exame cuidadoso da hipótese e um levantamento das conseqüências experienciáveis que se seguiriam de sua verdade, isto é, deduzo da hipótese aquilo que ela necessariamente acarreta. Deduzir todas as conseqüências experienciáveis é o segundo passo da investigação, a dedução.

Quando uma hipótese explanatória, capaz de ser testada, for escolhida, o investigador dela extrai predições virtuais. Uma predição virtual é uma conseqüência experimental deduzida da hipótese selecionada e escolhida entre possíveis conseqüências, independentemente de ser conhecida, ou acreditada, de ser verdadeira ou não. Ao ser escolhida, o investigador se encontra em estado de ignorância quanto a se irá comprovar ou refutar a hipótese (CP 2.96). Se a hipótese estiver correta, todas as suas predições serão confirmadas.

Tendo sido sugerida uma teoria na abdução, cabe agora à dedução obter desta teoria uma multiplicidade de conseqüências que nos permitem prever se nós realizarmos certos atos, nós nos confrontaremos com certas experiências. (SERSON, 1993:9)

O raciocínio da dedução é diagramático, e a experimentação feita na dedução através dos diagramas é imaginária, sendo um diagrama um ícone de relações, que reúne simultaneamente todos os elementos em um único sistema. Assim, na dedução pode-se perceber diagramaticamente ou esquematicamente todas as implicações da hipótese. A fase dedutiva termina nas predições observadas que foram extraídas das hipóteses explanatórias.

Como é que se pode comprovar uma hipótese? A hipótese tem que ser testada experimentalmente para se saber se é verdadeira. Aqui começa a indução. A dedução só tira

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da hipótese uma conseqüência necessária e observável, para que a indução ao testá-la, legitime a hipótese. O que tem a indução de especial? Observando fatos isolados e particulares, nós generalizamos. Examino alguns fatos e digo que esta estrutura de fatos vai permanecer no futuro. A indução difere da dedução porque sua força depende, em parte, da linha de conduta escolhida pelo pesquisador, o que afeta a indução porque está relacionada com o curso da experiência.

A indução começa com uma operação de classificação, passando à comprovação, que é o momento em que o pesquisador percebe se foram ou não preenchidas as condições de predição. É na fase de comprovação que entram as três espécies de indução crua, qualitativa e quantitativa.

Na indução o pesquisador verifica se as conseqüências observáveis preditas realmente ocorrem. Desta avaliação o pesquisador poderá aceitar, ajustar, modificar ou rejeitar a hipótese. Após a verificação, se a hipótese não for aceita, então o ciclo recomeça. Há necessidade de uma nova abdução e assim por diante, ou um fato novo pode aparecer, requerendo uma nova hipótese e, de novo o ciclo recomeça. Se outros fatos surpreendentes forem observados (fatos que não foram previstos pela dedução) ou se existirem diferenças entre as previsões e os resultados obtidos pela dedução, então pode haver necessidade de reformulação da hipótese original ou a hipótese original pode ser abandonada e haverá necessidade de formulação de hipóteses novas, recomeçando o ciclo, nova abdução/dedução/indução...

Para Peirce esta é a estrutura de toda investigação, tanto da ciência, quanto da vida quotidiana. Nós operamos na vida quotidiana com estes mesmos três estágios de raciocínio. No quotidiano, acontece um fato surpreendente, para ser explicado este fato levanta-se uma hipótese da qual decorrem algumas conseqüências, vou verificar estas conseqüências, se elas se confirmarem, a hipótese é verdadeira.

Santaella (1993b: 145) resume a lógica da investigação da seguinte forma: A fase abdutiva pode ser considerada como o primeiro estágio da investigação científica na medida em que é responsável pela geração original (primeiro passo) e recomendação (segunda passo) de uma hipótese explanatória. No segundo estágio dedutivo, a hipótese selecionada é

examinada e suas conseqüências derivadas. Este estágio também tem duas partes: a primeira consiste na análise lógica para explicar a hipótese e torná-la tão perfeitamente distinta quanto possível. A “explicação” é seguida da “demonstração”, quando o pesquisador examina mais aproximadamente as considerações já introduzidas ou envolvidas na explicação a fim de derivar suas conseqüências experimentais. Tendo isso sido conduzido suficientemente, a pesquisa entra no terceiro estágio, aquele de se verificar se as conseqüências estão de acordo com a experiência, e julgar se a hipótese está sensivelmente correta, ou se requer alguma modificação não essencial, ou se deve ser inteiramente rejeitada. (CP 6.472) Este estágio indutivo, conforme foi visto anteriormente tem três fases após o que o pesquisador passa o julgamento final dos resultados obtidos. (CP 6.464-73).

Um dos melhores exemplos do que seja a lógica da investigação é o caso de Kepler192, em “De Motibus stellae Martis”, é um exemplo que chega bem perto do ideal peirceano de

investigação científica.

Kepler iniciou com o registro de um grande número de observações das posições aparentes de Marte, em tempos diferentes. Os dados pareciam estar de acordo com o sistema ptolomaico e copernicano, mas Kepler começou a suspeitar haver no modelo copernicano algo mais do que só uma descrição dos fatos. O modelo sugeria que o Sol poderia ter algo a ver com o movimento dos planetas. Perseguindo esta hipótese, ele foi buscar uma explicação. Acabou descobrindo que a teoria conflitava com os fatos, mas sem descartá-la acabou modificando-a, primeiro desistindo de uma parcela do sistema ptolomaico, com isto chegando a uma teoria que se ajustava aos fatos.

Não escolheu esta verificação pelo fato dela proporcionar um resultado favorável. Kepler não sabia que o resultado seria favorável. Escolheu-a porque era a verificação que a Razão exigia que fosse aplicada. Se este caminho for seguido, só permanecerão de pé aquelas teorias que são verdadeiras. (PEIRCE, CP 2.97)

Em cada etapa de sua longa investigação, Kepler tinha uma teoria aproximadamente verdadeira, que ele ia modificando, após “cuidadosa e judiciosa reflexão, de maneira a torná- la mais racional ou próxima do fato observado.”

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Assim, nunca modificando caprichosamente sua teoria, pelo contrário, tendo sempre um motivo sólido e racional para qualquer modificação que fizesse, tem-se que quando ele finalmente procede a uma modificação - da mais notável simplicidade e racionalidade - que satisfaz exatamente as observações, essa modificação firma-se sobre uma base lógica totalmente diferente da que apresentaria se tivesse sido feita ao acaso, ou de outro modo que não se sabe qual seja e se tivesse sido encontrada para satisfazer as observações. Kepler demonstra seu aguçado senso lógico no detalhamento do processo total através do qual ele finalmente chega à verdadeira órbita. (PEIRCE, CP 1.74)

Para Santaella (1993 b: 205), o exemplo de Kepler é instrutivo de dois modos diferentes. Primeiro porque mostra que o modelo indutivo das teorias científicas com meras generalizações pode ser inadequado, pois precisamos de algumas hipóteses que nos digam o que e sob quais condições fazer a observação. Em segundo, mostra que nem sempre o teste das teorias consiste numa tentativa de refutá-las, mas pelo contrário, trata-se de “um meio de se chegar a uma teoria melhor.” Apenas uma modificação pode ser suficiente para que o conflito entre os fatos e a teoria seja removido.

CONCLUSÕES:

“É fundamentalmente a este ser real que Peirce se refere em sua famosa tríade semiótica: Signo, Objeto, Interpretante. A esta exterioridade sempre desafiadora, que denominamos Mundo, Natureza sedutoramente convidativa à decifração pela ciência, produção infinita de arte no dizer de Schelling. Aquilo que é geneticamente admirável, que se apresentou para o olhar de Platão no Teeteto, que despertou nostalgia em Schiller em Os Deuses da Grécia, que sugeriu a Einstein cavalgar um raio de luz para vê-lo de modo diferente.” (Ibri, 1996 a)

Nos capítulos iniciais procuramos contextualizar a Teoria da Investigação no interior da Semiótica peirceana, tomando-se como ponto de partida o diagrama de classificação das ciências de Peirce. Este diagrama serve como um mapa para se entender as intricadas inter- conexões entre as ciências na visão peirceana.

Procuramos mostrar também que uma metodologia semiótica nos moldes peirceanos consiste em usar a própria definição de signo ou forma lógica de pensamento como um modelo epistemológico ou como um mapa orientador que serve para qualquer espécie de investigação. Esta especificação nasce da concepção de semiótica peirceana como uma lógica que leva em consideração todos os tipos possíveis de signos e seus específicos modos de ação ou semiose.

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A Semiótica, além de ser a ciência de todos os tipos de signo é também, como conseqüência da relação triádica signo-objeto-interpretante, uma teoria da significação (da relação do signo consigo mesmo), uma teoria da objetivação (da relação do signo com seu objeto) e uma teoria da interpretação (da relação do signo com seu interpretante).

Cada signo diz respeito a certo tipo especial de raciocínio. É um postulado da Semiótica peirceana não existir mecanismo de raciocínio possível, e conseqüentemente, método de investigação que prescinda do uso de signos.

Por outro lado, da própria vagueza e falta de precisão do signo, decorre uma lógica que pode tratar de problemas de indeterminação e incerteza, o que coloca a Semiótica em sintonia com a ciência contemporânea. Para Peirce, "todo avanço importante no campo da ciência tem correspondido a uma lição de lógica." (CP 5.365)

A Teoria da Investigação de Peirce procura entender e avaliar o funcionamento do processo lógico do investigador científico. Qualquer investigação envolve uma reflexão auto- coerente sobre como pensamentos e argumentos devem ser ordenados em busca da verdade.

A Teoria da Investigação, da qual o pragmatismo é parte fundamental, inclui a teoria do pensamento-signo, a teoria da realidade e a teoria dúvida-crença, ao mesmo tempo em que exclui a intuição, a introspecção e os incognoscíveis.193 Segundo Santaella, a teoria da cognição desenvolvida por Peirce, e que se completa na Teoria da Investigação reúne a crítica à teoria da intuição e postula a fundação para a investigação com base na concepção inferencial da mente cognitiva, apoiando-se na teoria do pensamento-signo.

O caráter dinâmico de pensamento194 é um de seus traços mais marcantes da visão peirceana. Pensamento é um processo dialógico, em que se estabelece um diálogo interior entre diferentes temporalidades ou fases do eu. O movimento do pensamento consiste em colocar argumentos contra ou a favor, pesando cada um deles, analisando-os, para então se tomar uma posição. A partir de uma nova posição, começamos novamente a levantar

193 H. Murphey, op. cit. p. 159. 194 L.Santaella, (1993 b) p.175.

argumentos e assim caminhamos para frente e para trás, até que alguma solução seja encontrada que leve em conta os méritos de cada possibilidade. A habilidade para imaginar situações diferentes, para ser sensível a objeções, constitui a verdadeira força do pensamento.

O raciocínio não é só uma questão de se extrair inferências a partir de experiências passadas. É uma visão criativa de inúmeras possibilidades, incluindo a previsão de conseqüências futuras, não apenas aquelas mais óbvias, mas também aquelas possibilidades mais abrangentes e de longo alcance.

A doutrina dos signos é, portanto, essencial para a compreensão da visão do pensamento como um diálogo interior. “Pensamento dialógico é pensamento diagramático, que o

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