3. BÖLÜM: TEORİK ÇERÇEVE VE LİTERATÜR TARAMASI
4.5. ARAŞTIRMANIN BULGULARI
4.5.2. Sosyal Sermayenin Kaynakları Temasına Ait Kategori ve Kodlar
Para Vigotski o desenvolvimento cognitivo depende da aprendizagem. E que para isso ocorra de forma efetiva serão necessária interações sociais entre crianças ou aprendizes com adultos ou parceiros mais capazes (GASPAR, 2006).
As interações sociais deverão ocorrer dentro de um limite no nível de conhecimento a ser trabalhado, a chamada zona de desenvolvimento imediato ou proximal – uma espécie de desnível cognitivo máximo do aprendiz, no qual certa instrução poderá ter inicio.
Para Vigotski (2001, p. 327/8), “a zona de desenvolvimento imediato tem, para a dinâmica do desenvolvimento intelectual e do aproveitamento, mais
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Piovesana, Ana Maria Sedrez Gonzaga, 1999; Brasil Neto, Joaquim., 2004; Silva, M. F. M. & Kleinhans, A. C. S, 2006.
importância que o nível atual de desenvolvimento dessas crianças.” O processo de interação entre o adulto mais capaz e a criança é uma colaboração na qual a zona de desenvolvimento imediato do aprendiz é o limite superior que deve ser respeitado pelo parceiro mais capaz.
Esse respeito ao nível do aprendiz pode possibilitá-lo imitar as atitudes do parceiro mais capaz e, nesse processo, desenvolver capacidade para resolver problemas futuros com os conceitos formados durante o processo. Não tendo em vista a imitação como um processo puramente mecânico, mas uma reestruturação cerebral que possibilita a formação de novos conceitos para o aprendiz. Num processo onde uma criança ajudada pode fazer sempre mais do que sozinha. Divergindo da ideia que a imitação não propicia condições para a aprendizagem da criança, Vigotski (2001) defende que
“[...] a criança só pode imitar o que se encontra na zona de suas próprias potencialidades intelectuais. [...] se eu não sei jogar xadrez [...] se até o melhor enxadrista do mundo me mostrar como ganhar uma partida, eu não vou conseguir fazê-lo. [...] se eu não sei matemática superior a mostra da solução de uma equação diferencial não fará meu próprio pensamento dar um passo nesta direção. Para imitar é preciso ter alguma possibilidade de passar do que eu sei fazer para o que eu não sei.” (p. 328).
Esta claro que a imitação, desenvolvida no processo de colaboração, tem sua função importante no processo de aprendizagem.
“Afirmamos que em colaboração a criança sempre pode fazer mais do que sozinha. No entanto, cabe acrescentar: não infinitamente mais, porém só em determinados limites, rigorosamente determinados pelo estado do seu desenvolvimento e pelas suas potencialidades intelectuais. Em colaboração, a criança se revela mais forte e mais inteligente que trabalhando sozinha, projeta-se ao nível das dificuldades intelectuais que ela resolve, mas sempre existe uma distância rigorosamente determinada por lei, que condiciona a divergência entre a sua inteligência ocupada no trabalho que ela realiza sozinha e a sua inteligência em colaboração. As nossa investigações mostraram que pela imitação a criança não resolve todos os testes até então não resolvidos. Ela chega a um certo limite que é diferente para crianças diferentes.” (VIGOTSKI, 2001, p. 329)
A relevância do processo de colaboração respeitando a zona de desenvolvimento imediato da criança atesta sua eficiência, nas interações sociais ocorridas durante uma atividade.
O conceito de interação social é alvo de exaustivos trabalhos, buscando sua melhor definição, como também a procura pelo entendimento de seu papel na aprendizagem. Segundo Ivic (1989), o entendimento do que é interação social é frequentemente reduzido ao conceito de relação interpessoal. Isso, para ele, é um processo de enfraquecimento do trabalho de Vigotski pois, sendo a aquisição da linguagem um sistema semiótico social básico, o desenvolvimento do sistema de conceitos científicos e, genericamente, a cultura, são fenômenos supraindividuais.
O que Ivic (1989) postula é que a interação social só existirá concretamente em relação ao desenvolvimento de uma tarefa, onde deverá existir um parceiro mais capaz colaborando com aprendizes menos capazes. É clara a importância das interações sociais, ou colaborações, durante um processo. Pois, para uma criança,
... o desenvolvimento decorrente da colaboração via imitação, que é a fonte do surgimento de todas as propriedades especificamente humanas da consciência,o desenvolvimento decorrente da aprendizagem é o fato fundamental. Assim, o momento central para toda a psicologia da aprendizagem é a possibilidade de que a colaboração se eleve a um grau superior de possibilidades intelectuais, a possibilidade de passar daquilo que a criança consegue fazer para aquilo que ela não consegue por meio da imitação. Nisto se baseia toda da importância da aprendizagem para o desenvolvimento, e é isto o que constitui o conteúdo do conceito de zona de desenvolvimento imediato. A imitação, se concebida em sentido amplo, é a forma principal em que se realiza a influência da aprendizagem sobre o desenvolvimento. A aprendizagem da fala, a aprendizagem na escola se organiza amplamente com base na imitação. Porque na escola a criança não aprende o que sabe fazer sozinha mas o que ainda não sabe e lhe vem a ser acessível em colaboração com o professor e sob a sua orientação. O fundamental na aprendizagem é justamente o fato de que a criança aprende o novo. (VIGOTSKI, 2001, p. 331, grifos nossos).
A importância da colaboração, via interação social para o desenvolvimento da criança é um tema relevante nas pesquisas com base vigotskiana, pois “o que a criança é capaz de fazer hoje em colaboração conseguira fazer amanhã sozinha” (VIGOTSKI, 2001, p. 331). Tendo em vista que a “aprendizagem é possível onde é possível a imitação” (Ibdem, p. 332).
Para Gaspar (2006), o processo de colaboração ou interação social tem duas implicações básicas em relação ao processo de ensino e aprendizagem:
(i) ele é fundamental para a sua ocorrência, não há aprendizagem sem interação social;
(ii) a eficiência do ensino para promover a aprendizagem é função da eficiência da interação social, pois ela pode atingir integralmente a zona de desenvolvimento imediato do aprendiz. (GASPAR, 2006, p. 78)
Buscando estratégias para um aproveitamento integral da zona de desenvolvimento imediato, Wertsch (1984) propôs três construtos teóricos para a melhor compreensão dos mecanismos da colaboração: a definição de situação, a intersubjetividade e a mediação semiótica.