Após realizarmos a avaliação diagnóstica da disciplina, conseguimos comprovar, aquilo que já esperávamos, imensas lacunas nos aspetos coordenativos e técnicos, bem como uma enorme desmotivação para a prática da mesma.
Como era impossível evitar abordar esta disciplina (como os alunos sugeriram), visto ser de caracter obrigatório, tentamos trazer para a aula, outras atividades, que pudessem estimular os alunos, ao serem abordadas em simultâneo com a Ginástica. Assim, a fase inicial das aulas era dedicada à realização de tarefas do agrado dos alunos, e a parte fundamental dedicada à Ginástica (nas suas diversas variantes), o que acabou por se revelar com sendo uma estratégia adequada.
Após a avaliação diagnóstica, o professor, sugeriu que nas aulas seguintes de Ginástica de solo, reduzíssemos o número de estações, exercitando menos elementos gímnicos por aulas, focando-nos mais em apresentar progressões pedagógicas básicas para cada exercício de modo a evitar também desta forma a desmotivação dos alunos (pela incapacidade de realizar determinados exercícios).
A estratégia de estratificar os alunos, agrupando-os por níveis de mestria, ainda foi equacionada, contudo acabou por não ser colocada em prática, visto os alunos num cômputo geral apresentarem muitas dificuldades, e não se revelarem níveis de mestria tão díspares.
Sempre labutando sob a forma de estações, foram sendo apresentadas progressões pedagógicas adequadas ao nível das competências dos alunos. De forma gradual foram sendo observadas melhorias em termos técnicos, com os alunos a revelarem interesse em tentar executar os elementos gímnicos, conforme lhes era requerido.
Os aspetos referentes à segurança, foram sempre tidos em conta ao longo das aulas, incumbindo os alunos desse tipo de tarefas, de modo a sentirem a responsabilidade inerente a este aspeto.
Uma das maiores dificuldades, que sentimos nos alunos, teve a ver com a realização das ajudas aos colegas, com o fato de não conseguirem perceber de que modo poderiam ajudá-los. Todavia, no decorrer das aulas, e com constante instrução sobre estes aspetos, os alunos começaram a perceber de que forma poderiam realizar as ajudas.
Quanto ao clima relacional verificado, melhorou progressivamente, com os alunos a apresentarem por vezes comportamentos desviantes, revelando alguma imaturidade, todavia estes sucedidos foram sendo solucionados.
A gestão temporal, nas aulas iniciais não decorreu conforme o previsto, com o tempo dedicado à instrução a ocupar grande parte da aula, diminuindo de forma substancial o tempo de empenhamento, comparativamente com o desejado. À medida que as aulas
foram decorrendo, esta gestão foi se aproximando do que tínhamos estipulado inicialmente.
A avaliação desta vertente da Ginástica, decorreu segundo o formato das aulas, através da realização de propostas básicas referentes a cada elemento gímnico e suas respetivas ajudas. Num cômputo geral foram visíveis melhorias, contudo devido ao número reduzido de aulas para a abordagem da disciplina de Ginástica, estas não se revelaram tão suficientes quanto o desejado.
5.1.2.3.2. Ginástica de Aparelhos
Nesta vertente da Ginástica, o aparelho abordado foi o plinto, sendo o rolamento à frente efetuado no mesmo (longitudinal), o elemento gímnico designado para retratar.
Com os alunos após a avaliação diagnóstica, a demonstrarem enormes limitações ao nível técnico e coordenativo, tal como na vertente de Ginástica de solo, outro aspeto que também foi visível, teve a ver com os medos e o receio apresentados, isto porque em alguns casos esta ia ser a primeira vez que iriam abordar esta temática, porém noutras situações estes receios derivavam de experiências traumáticas de anos letivos anteriores.
Pelos motivos acima descritos e pelas limitações temporais às quais fomos sujeitos, (não permitindo abordar esta temática de forma a proporcionar condições de aprendizagem benéfica), decidimos que a avaliação desta componente, iria ser feita de forma formativa, ou seja, a prestação dos alunos nas aulas, iria ser o elemento base para efetuar a avaliação.
Assim, foram apresentadas progressões pedagógicas básicas, de forma a que todos os alunos participassem na aula, sem que se criasse desmotivação. Se na Ginástica de solo, foram verificados comportamentos indesejados, nesta vertente, e de forma surpreendente, os alunos revelaram uma entreajuda notável, empenhando-se nas tarefas propostas, enfrentando e confrontando os seus medos. Por estes motivos sentimo-nos deveras orgulhosos, tendo os alunos sido beneficiados nas suas notas, com todo o mérito.
O controlo da turma decorreu de forma bastante positiva, com os alunos a participarem nas tarefas de organização sempre que solicitados, revelando de igual modo muita cautela com os aspetos de segurança.
O tempo de empenhamento foi menor do que o desejado, contudo já era previsível tal fato, dando lugar a momentos de instrução mais prolongados. Tentou-se sempre utilizar uma linguagem simples e concreta de forma a objetivar o pretendido, tal como sucedera na vertente de solo. Neste aspeto sentimos algumas dificuldades ao nível da aplicação de
feedbacks de forma a corrigir os aspetos técnicos, contudo fomos corrigindo esta nossa limitação no decorrer das aulas.
5.1.2.4. Badminton
Esta foi a modalidade onde aplicámos o nosso Projeto de Investigação. Com a unidade didática desta modalidade, a ser edificada e abordada segundo os princípios orientadores do MED, apresentando-se como sendo uma experiência nova em termos pedagógicos, para alunos e professores.
Com os alunos a serem distribuídos por grupos/equipas, após uma triagem inicial realizada com base nos níveis de mestria revelados, seguiu-se o período preparatório para a competição que se avizinhava. Com um volume de jogos 1x1 inter-equipa (elementos do mesmo grupo) pretendia-se estimular a “consciência tática” dos alunos, através da exercitação dos conteúdos técnico–táticos em situação de jogos reduzidos (os elementos técnicos de forma indutiva), de forma a solucionar os problemas colocados, inerentes às situações de jogo.
De igual forma, os alunos assumiam papéis dentro da mesma equipa, para além de atletas, eram também treinadores e árbitros, conferindo esta diversidade de ações uma riqueza em termos pedagógicos, permitindo-lhes assim vivenciar diferentes funções, de modo a entenderem as características e potencialidades de cada uma delas.
Posto isto, chegamos ao período competitivo, que decorreu sob duas formas: na fase regular as equipas foram distribuídas em dois grupos, sendo que em cada um as mesmas jogavam entre si; após términus desta fase, as equipas de cada grupo, com a mesma classificação, defrontavam-se em formato play – off na fase final. Esta iniciativa culminou, com um a cerimónia de entrega de prémios a todos os participantes, revelando um tremendo valor educativo, com uma adesão total por parte dos alunos, gerando-se um clima relacional bastante positivo não só nestes dias, mas ao longo de todas as aulas.
Em termos organizacionais, todas as etapas estipuladas foram cumpridas de forma minuciosa, com os alunos a terem um papel de relevância no cumprimento das tarefas, que lhes iam sendo por nós propostas.
A gestão temporal decorreu conforme o previsto, excedendo até as expetativas, registando-se um tempo de empenhamento ao longo das aulas considerável, com os momentos de instrução a incidirem fundamentalmente na correção de aspetos técnico- táticos de forma pontual.
A motivação revelada ao longo das aulas foi observável, e pôde-se constatar através do empenho demonstrado pelos alunos na realização das tarefas. Em suma, a abordagem desta unidade didática, superou as nossas previsões, a todos os níveis, referindo uma vez mais o excelente desempenho dos alunos nos diversos domínios.
5.1.2.5. Merengue
Por diversos motivos, na sua maioria alheios a nós, esta foi a unidade didática que comtemplou o menor número de aulas (apenas um bloco de 90’). Inicialmente conforme o planificado, de forma a podermos abordar os conteúdos programáticos propostos, estava previsto, apresentar um conjunto de passos, que os alunos em situação de Line Dance iriam exercitar, seguindo-se posteriormente a situação de Dança a Pares, com os alunos a construírem uma coreografia com base nos passos anteriormente apresentados. Esta era a estratégia de ensino que entendíamos ser mais rentável de forma a podermos proporcionar aos alunos condições favoráveis para a prática da modalidade.
Todavia, de forma a rentabilizar os recursos materiais da Escola, disponíveis para a modalidade (material de som), o que tínhamos planificado inicialmente, sofreu algumas alterações, tendo-se feita a junção desta turma com uma outra, que se encontrava a abordar o Merengue também. Assim, a situação de dança em Line Dance ficou a nosso encargo abordar, com os alunos após algumas repetições, a conseguirem assimilar o pretendido. Já a situação de Dança a Pares, coube a professora da outra turma lecionar. Com os alunos a surpreenderem positivamente, revelando dotes técnicos ao nível desta dança.
No início da aula, encontrávamo-nos algo expectantes, quando à recetividade dos alunos à abordagem deste módulo, receando que pudesse ocorrer desmotivação, pelo fato de ser não uma tarefa do agrado dos alunos ou por sentirem dificuldades na realização do pretendido, também a possibilidade da ocorrência de comportamentos desviantes era uma inquietação. Porém, o sucedido durante as aulas em nada teve a ver com o que acabamos de referir, com os alunos a demonstrarem total empenhamento nas tarefas, desfrutando e revelando satisfação no cumprimento do que lhes estava a ser proposto.
Com os feedbacks a serem dados no sentido de efetuar algumas correções em termos técnicos, não só na execução dos passes, mas também ao nível rítmico, de forma a corrigir os alunos quanto aos tempos musicais.
Mesmo com a ocorrência destas alterações, a nível organizacional, o tempo de empenhamento dos alunos nas aulas foi o desejado, com a instrução a ser dada de forma objetiva, sempre entre tarefas e no decorrer das mesmas.
Pelo fato do tempo atribuído a este módulo, ser insuficiente de modo a provir aprendizagens nos alunos de forma significativa, entendemos por bem, não efetuar um momento de avaliação sumativo, com os dados recolhidos nas aulas relativos às prestações dos alunos nas tarefas a servirem de base para a avaliação.
5.1.2.6. Outras Atividades
Tal como se sucedera na turma do 8º ano, foi aplicada a bateria de testes referentes ao protocolo do FITEscola, de forma a podermos avaliar a Condição Física dos alunos, com base nos seguintes parâmetros: aptidão aeróbia, a composição corporal e a aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade).
A estratégia utilizada, para a aplicação da bateria de testes, foi em muito semelhante, ao que decorreu na turma do 8º ano, com os alunos a serem distribuídos por grupos, realizando os exercícios/testes, que se encontravam dispostos sob a forma de estações. Com grupos constituídos por 5 elementos, a dinâmica nas tarefas funcionava da seguinte forma: 2 elementos a realizarem o teste, 2 a efetuarem correções e 1 a efetuar o registo das marcas obtidas. Somente o teste do vaivém e dos abdominais, é que foi realizado com os alunos todos em simultâneo em exercitação, ficando ao encargo do professor fazer a anotação das marcas alcançadas.
Nesta turma esta estratégia revelou-se como bastante pertinente, com as tarefas a decorrerem com o dinamismo ambicionado. Pelas dificuldades apresentadas na execução técnica de alguns testes mais complexos, decidimos reagrupar os mesmos, num raio de ação mais próximo, de modo à nossa intervenção, poder abranger toda essa área, sem termos que dispersar em demasia no espaço, o que poderia levar à perda de controlo visual de determinadas estações.
Em suma, o desenrolar desta atividade ao longo do ano letivo, decorreu conforme o pretendido, com os alunos a registarem marcas muito próximas dos valores de referência, acabando por revelar níveis de aptidão física bastante satisfatórios.
Ainda, neste subcapítulo, decidimos colocar, aquela que foi a modalidade abordada ao longo do ano letivo, que mesmo não contemplando as atividade planificadas inicialmente, acabou por se revelar como a que maior entusiasmo despertou nos alunos a
par do Futebol e do Badminton, tendo-se registado elevados níveis de empenhamento e motivação, o Rugby.
Através de jogos reduzidos simplificados, com a aplicação de diversas condicionantes nos mesmos, foram sendo introduzidas as regras e conteúdos técnico– táticos, que a par e passo foram contribuindo para a melhoria das prestações dos alunos,
potenciando desta forma a “consciência tática” e a tomada de decisão dos mesmos nas
diversas situações de jogo.
Esta modalidade, foi sendo abordada em grande parte das aulas, na fase inicial, servindo como fator motivacional em aulas, na qual a fase fundamental, tinha na sua predominância atividades menos aliciantes (caso da Ginástica).
Foi uma estratégia encontrada de forma a tornar o processo de ensino– aprendizagem mais aliciante, vindo de encontro com a necessidade de satisfazer também os seus desejos e vontades dos alunos no decorrer das aulas.
Por fim, e não menos importante, tal como aconteceu na turma do 8º ano, também o TF, foi uma constante ao longo do ano letivo. Com a aplicação de exercícios, alusivos a esta temática, realizados sempre sob a forma de circuito. Esta apresentou-se como sendo uma alternativa pedagógica às atividades que o quadro curricular contempla.
Com total adesão por parte dos alunos, foi observável o empenho nas tarefas propostas, revelando imensa satisfação no cumprimento das mesmas.
Com a instrução para as tarefas a ser dada no início das atividades, pontualmente nos tempos de pausas (mudança de estação), eram imitidos feedbacks de modo a serem corrigidas as execuções técnicas dos alunos.
As tarefas organizacionais, nas aulas iniciais ficaram a nosso encargo, com os alunos a participarem sempre que solicitados, contudo no decorrer das aulas, estas tarefas foram ficando a total encargo dos alunos.
Em suma, o sucesso desta atividade, excedeu as nossas espectativas, tendo-se revelado como uma ferramenta de enorme valor didático-pedagógico.
6.
PROJETO DE
INVESTIGAÇÃO
6. Projeto de Investigação
6.1. ResumoEste estudo teve como propósito possibilitar a vivência de uma experiência de ensino “teaching experiment” com duas turmas de ensino profissional (considerada somente uma turma na disciplina de EF), durante uma unidade de ensino de Badminton desenhada segundo o MED.
Esta considerou catorze blocos de quarenta e cinco minutos (sete blocos de noventa minutos), onde procuramos avaliar as aprendizagens motoras e cognitivas dos alunos, bem como analisar as suas perceções relativamente às características estruturais do MED (época desportiva, filiação, competição formal, festividade e evento culminante).
Relativamente às aprendizagens foram avaliadas as capacidades/competências prévias e finais, através de testes declarativos (pré e pós-teste) e testes motores (pré e pós- teste), tendo sido consideradas as dimensões: execução de habilidades motoras e performance global em situação de prática.
No que respeita às perceções pre-post (avaliadas no final) utilizamos um questionário traduzido e adaptado do “Physical Education Season Survey” (Mohr, Townsend, Rairigh, & Mohr, 2003), questionário utilizado por estes e outros investigadores em estudos semelhantes.
De modo a podermos obter algumas conclusões, efetuámos o tratamento dos dados recolhidos na IBM SPSS (Statistical Package for the Social Sciences).
Desta forma e partindo destes prossupostos, a importância do nosso estudo prende- se com a tentativa de perceber até que ponto a aplicação deste modelo construtivista, tem influências positivas ou negativas no interesse e na participação nas aulas de EF e perceber como podem evoluir os alunos em termos dos seus conhecimentos técnicos, táticos e volitivos.
Após efetuar a recolha dos dados concluímos que se no início por um lado, ambas as partes se encontravam expectantes para enfrentar este desafio (inclusive com algumas reticências relativas ao modelo a implementar na unidade de ensino), no final da mesma a satisfação não poderia ter sido maior, cumprindo e excedendo até as suas espectativas, sendo que pode-se considerar que este foi muito bem aceite pelos alunos.
Quanto ao nível das aprendizagens, os valores apresentados espelham a evolução dos alunos, nas categorias que avaliamos segundo a tabela adaptada do GPAIconseguindo deste modo potenciar as componentes técnicas, táticas, físicas e socioafetivas dos mesmos.
De uma forma autêntica e mais completa, os alunos tiveram a possibilidade de desenvolver inúmeras competências através de um ensino centrado neles próprios, o que revela o valor educação e didático-pedagógico que este modelo encerra em si.
Palavras–Chave: Modelo de Educação Desportiva, Badmínton, Aprendizagens e Perceções.
6.2. Enquadramento e justificação do estudo