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Sosyal Kooperatif Uygulamalarına Dair Uluslararası Çalışmalar ve İstatistikler

3 Sosyal Kooperatif Modeli

3.3 Sosyal Kooperatif Uygulamalarına Dair Uluslararası Çalışmalar ve İstatistikler

Na tentativa de conceituar mediação, tomamos como base as discussões realizadas por Martín-Barbero no livro Dos Meios às Mediações, entretanto, para aprofundar o conceito, dialogamos com outros autores, como, por exemplo, Orozco (2001-a), Mata (1999) e Ollivier (2008).

Com base na leitura de Martin-Barbero (2003), é possível afirmar que a comunicação passou a ser questão de mediação mais do que de meios. Para o autor, muito mais do que os meios de comunicação, o foco investigativo para os estudos de recepção se centra no processo comunicacional com base na apropriação dos usos pelo público. Para o autor, as mediações seriam os processos de apropriações culturais feitos pelos “receptores”. O autor acredita ser necessário um reconhecimento com objetivo de rever o processo inteiro da comunicação com base no seu outro lado, ou seja, o lado da recepção, o da apropriação para compreender os seus usos. (MARTÍN-BARBERO, 2003, p. 28)

Martín-Barbero (2003) se propõe a investigar o processo comunicacional do lugar da recepção, considerando historicamente o tempo e a modernidade latino-americana. Para o autor, existe uma particularidade cultural latino-americana e essa diferenciação significa a riqueza das culturas populares (urbanas, rurais, indígenas, afro, etc.), tendo em vista que há um sincretismo de culturas e esta mistura é responsável pela riqueza e diferenciação das culturas na América Latina. Para o autor, a cultura e a política se configuram como mediações constitutivas, pois é com base nelas que as outras mediações se desenvolvem.

O investigador mexicano Orozco propõe um conceito específico de mediação para a interação com a TV. Para o autor há uma diferença importante entre a exposição à televisão, fato que inclui ligar o aparelho e desligá-lo; e a televidência, que envolve a priorização, a interação e o contexto no qual o sujeito está inserido, situação esta de interesse dos estudos de recepção. Diante destas duas alternativas, podemos afirmar que há uma clara impossibilidade de se identificar todos os resultados da televidência, tendo em vista que envolve processos para além do racional dos televidentes.

Orozco (2001-a, p. 23) define mediação como um processo estruturante que configura e orienta a interação das “audiências”, com produção de sentido através dos referentes midiáticos. Assim sendo, as mediações se configuram como um processo que participa da interação entre o público e os meios de comunicação. Para Orozco (2001-a), é impossível não considerar a política e os políticos, assim como família e familiaridades, funcionando como instituições mediadoras. Estes segmentos funcionam como outras fontes

de mediação capazes de atuar como fontes mediadoras de institucionalidade específicas de determinados segmentos do público (igreja, movimento social e partido político, por exemplo).

Ollivier (2008) traz para essa discussão a dificuldade de conceituar mediação e os mal entendidos que giram em torno desta terminologia “las definiciones parecen ser concordantes en cuanto a medios, rapidamente se percibe que pocas palavras encierran tantos posibles malentendidos como mediación. Se parece mucho com mediatización. Por su forma se aparenta a ‘medio’ e mediatico” (OLLIVIER, 2008, p. 121). De acordo com o autor, a mediação se refere também a pessoas, instituições, processos mentais ou sociais ou ainda a instâncias relacionadas com a sociedade e com o inconsciente.

Segundo Ollivier (2008), a mediação pode ser compreendida como o processo no qual intervém um mediador, o que pode estar relacionado com uma situação religiosa, um conflito social, político ou ainda a comunicação que potencializa a aparição de situações e abre espaço para os envolvidos relacionarem com a sua realidade e, em seguida, entrarem em um acordo. De acordo com o autor, as mediações têm uma dimensão intercultural importante, pois é possível perceber a diferença do que ocorre com os conflitos quando a dimensão cultural é negada. Para Ollivier (2008), somente quando os componentes culturais são levados em consideração é que se pode alcançar uma mediação eficaz.

Ollivier (2008), afirma que os meios e as demais formas de comunicação são também mediações porque asseguram a divulgação de informações que fazem parte de uma cultura coletiva e trazem a público a identidade de um grupo. “Al mirar la televisión o al leer el periodico, ejerzo una actividad personal pero produzco también pertenencia a um grupo que se llama audiencia o lectores” (OLLIVIER, 2008, p. 124 e 125). Para o autor, que recorre a um sentido bastante amplo do termo, a cultura se configura como uma “mediación simbólica entre los que pertenencen a uma misma sociedad” (OLLIVIER, 2008, p. 124 e 125).

Para Mata (1999), ainda, o conceito de mediação cunhado por Martín-Barbero estaria relacionado à articulação entre os processos de produção de sentido e outras práticas cotidianas. De acordo com a autora, o conceito refere-se aos dispositivos através dos quais “los medios adquirieron materialidad institucional y espesor cultural” (MARTIN-BARBERO apud MATA, 1999, p. 83). Para a autora, o conceito de mediação está relacionado às interações entre os indivíduos que acontecem de maneiras complexas, plurais, assim como a articulação entre as técnicas e procedimentos de produção da cultura para todos. Neste caso, de acordo com a autora, a cultura para todos estaria relacionada com “las transformaciones de las culturas subalternas; a los dispositivos a través de los cuales la hegemonia transforma

desde dentro el sentido del trabajo y la vida de la comunidad” (MARTIN-BARBERO apud MATA, 1999, p. 83)

O estudo da mediação, nessa formulação, relaciona-se com o sentido da vida comum, ou seja, no ver, ouvir, desejar, gostar etc e é na vida cotidiana que as pessoas se constituem como um espaço de produção, interagindo com o trabalho, o desejo, a tecnologia e o lazer. Em ambientes como o trabalho e o lazer que os sujeitos resgatam o viver cotidiano e passam a vivenciá-lo como um espaço de produção de conhecimento e troca de sensibilidade. Esta discussão é muito importante para compreendermos o contexto das escolas pesquisadas e o lugar da rádio no ambiente escolar.

Para Martín-Barbero (2000), o cotidiano é um dinamizador cultural em que co- existem o conflito, a resistência, a produção e a reprodução vivenciadas pelos sujeitos. Integrante do cotidiano, a rotina é uma fonte de produção, apropriação e negociação de sentidos, pois é perpassada por diversas mediações culturais (instituições políticas e de comunicação, por exemplo). Além da cultura, a política também é vivenciada no cotidiano em âmbito micro (família, escola, comunidade etc.). Está claro, portanto, que a cultura, nas investigações propostas por Martín-Barbero (2000), é vetor central, associado ao cotidiano do sujeito.

Com base no que foi salientado acerca da importância do cotidiano e da cultura para a compreensão das mediações e da relação dos sujeitos com os meios de comunicação, abordaremos ao longo dos próximos tópicos como atuam, neste processo de mediação os sujeitos que fazem parte da experiência da radioescola e as relações de poder que perpassam suas intervenções.