Com o advento do Estatuto do Idoso, instituído pela Lei nº 10.741 de 1º de outubro de 2003, os planos de saúde ficaram impedidos, pelo artigo 15, parágrafo 3º, da referida lei, de fazer qualquer tipo de discriminação da pessoa idosa para fins de reajuste ou para cobrança de valores diferenciados de mensalidade de planos de saúde, conferindo proteção ao consumidor da terceira idade.
Por tal motivo, as faixas etárias instituídas pela Resolução nº 6 do CONSU não poderiam mais ser utilizadas nos contratos de planos de saúde que viessem a ser firmados por novos usuários, pois a referida resolução trazia reajustes por mudança de faixa etária aos sessenta anos e, ainda, tinha como último reajuste em razão da idade do consumidor um índice a ser aplicado quando o mesmo completasse setenta anos de idade, ou até mais.
Diante de tal fato impeditivo, os contratos celebrados a partir de 01 de janeiro de 2004, até os que são celebrados nos dias atuais, seguem outro diploma normativo elaborado pela ANS, que é a Resolução Normativa nº 63, de 22 de dezembro de 2003.
A referida Resolução traz novos limites a serem observados pelas operadoras de planos de saúde na elaboração de seus instrumentos de contrato. Essas limitações estão relacionadas aos índices a serem aplicados às mensalidades em decorrência da variação de faixa etária dos usuários, pois a ANS, com o passar dos anos, percebeu que necessitaria ainda mais impor novas regras à livre
38 elaboração dos instrumentos de contrato pelas empresas operadoras de planos de saúde.
Pela vedação de variação de preço, em razão da idade, às mensalidades de planos de saúde dos consumidores idosos, a RN nº 63/03 estabeleceu, em seu artigo 2º, dez faixas etárias que deveriam ser adotadas pelas empresas atuantes no mercado de saúde suplementar, devendo o último índice ser aplicado aos 59 (cinquenta e nove) anos de idade do beneficiário. Assim, a divisão das faixas etárias foi estabelecida da seguinte forma:
Art. 2º Deverão ser adotadas dez faixas etárias, observando-se a seguinte tabela:
I - 0 (zero) a 18 (dezoito) anos;
II - 19 (dezenove) a 23 (vinte e três) anos; III - 24 (vinte e quatro) a 28 (vinte e oito) anos; IV - 29 (vinte e nove) a 33 (trinta e três) anos; V - 34 (trinta e quatro) a 38 (trinta e oito) anos; VI - 39 (trinta e nove) a 43 (quarenta e três) anos; VII - 44 (quarenta e quatro) a 48 (quarenta e oito) anos; VIII - 49 (quarenta e nove) a 53 (cinqüenta e três) anos; IX - 54 (cinqüenta e quatro) a 58 (cinqüenta e oito) anos; X - 59 (cinqüenta e nove) anos ou mais.
Além de manter a mesma imposição da Resolução nº 6 do CONSU, de que o valor da última faixa etária não pode ser seis vezes superior ao fixado para a última faixa etária, a Resolução Normativa nº 63/03 da ANS buscou, ainda mais, evitar os abusos das operadoras, criando um novo obstáculo ao poder das mesmas de estabelecer os índices de reajuste. Para tanto, o artigo 3º, inciso II da referida resolução dispôs que “a variação acumulada entre a sétima e a décima faixas não poderá ser superior à variação acumulada entre a primeira e a sétima faixas.”.
As novas regras trazidas pela RN nº 63/03 tiveram como objetivo suavizar os reajustes das últimas faixas etárias, pois o que ocorria anteriormente eram reajustes módicos nas primeiras faixas etárias e, nas últimas, havia um aumento brusco em tais índices, com o consequente aumento ostensivo das mensalidades dos usuários. Segundo a Federação Nacional de Saúde (2015, p. 44):
A nova regra introduzida pela RN nº 63 busca reduzir os percentuais de variação nas últimas faixas etárias (acima de 49 anos), fazendo com que parte das variações que recairiam normalmente sobre as três últimas faixas sejam diluídas pelas primeiras sete faixas.
Os índices de reajustes por mudança de faixa etária nos planos familiares somente poderão se dar na mensalidade daquele beneficiário que atingiu a nova
39 faixa etária, não incidindo nas mensalidades dos demais membros de seu grupo familiar (GONDAR, 2009).
Muito embora haja uma diferenciação quanto à época da contratação do plano, as regras para que se dê o aumento do preço da mensalidade do plano de saúde por mudança de faixa etária são as mesmas, tanto para os planos individuais e familiares, quanto para os planos de natureza coletiva.
Importa salientar que, os percentuais a serem aplicados por variação de faixa etária às mensalidades dos consumidores devem estar expressos no contrato firmado entre a operadora e o beneficiário, para que este saiba, desde o momento da assinatura do contrato, os índices que serão aplicados à sua mensalidade.
Caso não haja expressamente o índice de reajuste que irá ser aplicado, a empresa atuante no mercado de saúde suplementar não poderá reajustar a mensalidade do beneficiário. Sobre o tema, assim assinala Raphael Augusto Flores Gondar (2009, p. 10):
Uma regra geral, válida para todos os contratos, independentemente da data de sua celebração, é a proibição do aumento por mudança de faixa etária se não houver previsão expressa e clara no contrato quanto a elas e os respectivos percentuais de aumento que incidirão em cada faixa. Na hipótese de não existir esta previsão, a imposição de reajuste por faixa etária é de prática abusiva e, portanto, ilegal (artigos 6º, III e IV, 46 e 51, X do CDC, Portaria 3/99 da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e arts. 15 e 16, IV, da Lei 9.656/98 - as disposições desta última lei só se aplicam aos contratos firmados a partir de 1999).
A mensalidade dos usuários poderá sofrer no mesmo ano a incidência do reajuste por mudança de faixa etária e do reajuste por variação de custos, não havendo nenhum óbice para a aplicação, inclusive, concomitante dos índices de reajuste.
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4 REAJUSTES POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA: UM DIREITO OU UMA