3. Araştırmanın Yöntemi ve Veri Toplama Tekniği
1.2. Irkçılığın Teorik Çerçevesi
1.2.5. Sosyal Kimlik Kuramı Çerçevesinde Kültürel Irkçılık Probleminin
A crença de que o sangue que dá e sustenta a vida também é capaz de salvá-la vem de tempos remotos. Entretanto, foram necessários séculos de estudos e pesquisas para a ciência descobrir sua real importância e lhe dar o uso adequado. Segundo Pimentel (2006) o binômio sangue-transfusão tomou importância quando o homem descobriu que a perda do sangue podia levar à morte.
A observação de que uma perda de sangue voluntária e controlada fosse possível fez surgir a lógica da transfusão (AMORIM FILHO, 2000). Em seguida, foram feitas experiências pela via braço a braço e, a seguir, a passagem para um recipiente ou um aparelho (JUNQUEIRA, 1979), que permitia conservar o sangue e transfundi-lo posteriormente (PIMENTEL, 2006).
As transfusões de sangue tiveram início no Século 17, sendo realizadas experimentalmente em animais. A primeira transfusão de sangue é atribuída a Richard Lower em demonstração realizada em Oxford, em 1665. A primeira experiência em ser humano aconteceu em 1667, em Paris. Seu autor foi Jean Baptiste Denis, professor de filosofia e matemática em Montpellier e médico do Rei Luis XIV. No entanto, as transfusões de sangue nessa época eram heterólogas, isto é, com sangue de animais de espécies diferentes (FUNDAÇÃO PRÓ-SANGUE, 2007).
A primeira transfusão com sangue humano é atribuída a James Blundell, em 1818, que após realizar com sucesso experimentos em animais, transfundiu sangue humano em mulheres com hemorragia pós-parto. No início do Século XX, o progresso da transfusão ficou evidenciado pela seqüência de novos conhecimentos: o descobrimento dos grupos sanguíneos e do Fator Rh, o emprego científico dos anticoagulantes, o aperfeiçoamento sucessivo do material utilizado na coleta e maior conhecimento das indicações e contra indicações do uso do sangue (FUNDAÇÃO PRÓ-SANGUE, 2007).
Por outro lado, como a transfusão, nessa época, era um recurso de extrema urgência, houve a necessidade da criação de espaços físicos exclusivos para esta prática (PIMENTEL, 2006). Surge, assim, em 1921, o primeiro Serviço de Transfusão de Sangue no mundo, o Voluntary Service, em Londres (SANTOS, 2002). Em seguida, foram criados serviços similares em vários países.
No início da década de 40, com os progressos científicos e o crescimento da demanda por transfusões de sangue, surgiram no Brasil os primeiros Bancos de Sangue, em Porto Alegre e no Rio de Janeiro (SANTOS, 2002). Porém um problema que se apresentou imediatamente foi a falta de doadores, levando os serviços públicos à exigência de doação de sangue para internar os pacientes ou à realização de coletas de sangue em presídios. Os bancos de sangue privados, por sua vez, recorriam nas capitais e cidades de médio porte à doação remunerada, criando, assim, uma profissão - a do doador gratificado (GUERRA, 2005).
Entretanto, o costume de se pagar aos doadores de sangue sofria muitas críticas, pois incentivava os necessitados a candidatarem-se como doadores, os quais negavam a existência de qualquer doença que os desqualificassem. Por outro lado, incentivando esta prática havia a ‘proibição’ de solicitação de doações de parentes e amigos dos pacientes da Previdência Social, pois os sindicatos entendiam, àquela época, que o Governo pagava o sangue e, por isso, não havia a necessidade de reposição dos estoques (GUERRA, 2005).
A falta de ordenamento técnico e jurídico evidenciou-se através do florescimento do comércio de sangue, realizado, principalmente, por pequenos
bancos de sangue, através de doadores remunerados, e não tardou que surgissem as doenças transfusionais. Outro motivo para a era do ‘dinheiro do sangue’ foi o surgimento da indústria de hemoderivados, que fomentou ainda mais os bancos de sangue comerciais. Segundo Mac Dowell Soares (2002), na década de 80, o surgimento da AIDS e da Hepatite (não A, não B; hoje Hepatite C) aumentou a preocupação com a segurança e a qualidade do sangue a ser transfundido. Este tema então passou a ter uma maior penetração na sociedade em geral, e em especial nos meios médicos, o que impulsionou os avanços garantidos na atual Constituição Federal Brasileira.
A politização da questão do sangue, através do envolvimento de inúmeras camadas da população, foi muito evidente e o debate se instalou. Nesse período ocorreu o envolvimento de inúmeros atores, principalmente daqueles que dependiam diretamente da hemotransfusão. O clamor social foi evidente. As mudanças se evidenciaram a seguir na saúde; nasce o Sistema Único de Saúde e, no seu conjunto, surge o Pró-Sangue (PIMENTEL, 2006). Neste documento, em 1980, o governo posicionou-se de forma clara pela doação voluntária de sangue e estabeleceu um projeto de estatização da atividade hemoterápica com a substituição dos serviços privados pelos públicos. Com essa perspectiva, a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, juntamente com médicos hemoterapeutas de São Paulo, decidiu que a doação remunerada deveria ser extinta. Assim, no dia 1º de maio de 1980, terminou a doação remunerada no Estado de São Paulo (GUERRA, 2005). Essa posição foi encampada em seguida pelos outros estados.
Atualmente, no País, a doação de sangue é um ato voluntário, conforme disposto no Parágrafo 4°, do artigo 99, da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2004) que estabelece que não é admitido qualquer tipo de remuneração para a doação. E os serviços hemoterápicos são regidos pelas normas técnicas explicitadas na Resolução da Diretoria Colegiada n° 343, de 13 de dezembro de 2002, editada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
A mudança das características da doação para um modelo altruísta, voluntário e não-remunerado foi um desafio que consumiu mais de duas décadas, mas se corporificou. Esse tipo de doação foi o viés do social necessário para a
consolidação do Pró-Sangue e, não obstante que o risco de transfusão de sangue persista, os sucessivos esforços foram importantes, para que o ordenamento jurídico, mesmo após 20 anos de vigência do Programa, desse o retoque final na Política Pública de Sangue do Brasil. Lenta e gradativamente, a cultura da comunidade toma forma, pela transformação ocorrida na área de sangue e por perceber a importância do cidadão (PIMENTEL, 2006).