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2.3. Karar Verme

2.3.2. Sosyal Bilgiler Öğretiminde Karar Verme Becerisinin Önemi

A avaliação da relação empírica entre sistema financeiro, pobreza e distribuição de renda tem gerado, nos últimos anos, análises diversas, especialmente em nível internacional. Jalilian & Kirkpatrick (2002) avaliam a relação ente desenvolvimento financeiro e redução da pobreza usando dados de uma amostra de 26 países, dentre os quais 18 em desenvolvimento. Os resultados revelam um impacto significativo, traduzido no fato de que o crescimento de 1% no desenvolvimento financeiro implica um aumento na renda dos pobres dos países em desenvolvimento em torno de 0,4%. Tais resultados levaram os autores a concluir que a adoção de políticas macroeconômicas visando o desenvolvimento do sistema financeiro pode se constituir em um forte instrumento para as políticas públicas de redução da pobreza.

Burgess & Pande (2005) analisaram o efeito da abertura de Bancos em quatro localidades rurais da Índia, até então desprovidas de atendimento bancário, obtendo evidências robustas de que a expansão do sistema financeiro na Índia rural, no período 1977 a 1990 reduziu significativamente a pobreza. As estimativas apresentadas indicam que o aumento de 1% no número de localidades rurais bancarizadas, implicou em 0,36% de redução da pobreza rural e no aumento de 0,55% do produto total, como resultado do crescimento da poupança e da concessão do crédito. Os autores ressaltam a relevância da expansão do sistema financeiro às áreas rurais, o que proporcionou o acesso ao crédito pelas famílias locais, fomentando investimentos produtivos que elevaram o nível de renda dessa população.

Guillaumont & Kpodar (2005) investigaram como o desenvolvimento financeiro contribuiu para a redução da pobreza em uma amostra de 75 países em desenvolvimento, a partir de dados relativos ao período 1966-2000. Para tanto, utilizaram como suporte teórico a hipótese do Conduict Effect de McKinnon de que o desenvolvimento do sistema financeiro pode exercer um efeito direto sobre os pobres, ampliando seu bem-estar. O estudo propiciou três principais conclusões, quais sejam, de que o desenvolvimento financeiro é pró-pobre,

sendo seu efeito direto sobre a pobreza mais forte do que o efeito indireto via crescimento econômico; que a instabilidade financeira prejudica especialmente a população com menor nível de renda, podendo, em certas circunstâncias, anular os benéficos que são propiciados pelo desenvolvimento do sistema financeiro e, que o principal canal por meio do qual o pobre é beneficiado pelo setor financeiro é o Conduict Effect de McKinnon.

Seguindo essa mesma linha de interpretação, Akhter e Daly (2009) distinguem os impactos diretos e indiretos do desenvolvimento do sistema financeiro sobre a pobreza, empregando um conjunto de dados em painel de 54 países em desenvolvimento, para o período 1993-2004. De uma forma geral, os resultados são similares aos obtidos por Guillaumont & Kpodar (2005) e indicam o papel relevante do sistema financeiro na redução da pobreza, bem como do impacto negativo que a instabilidade exerce na população pobre. Assim, os autores argumentam que as conclusões do estudo são consistentes com a ideia do efeito direto que o sistema financeiro exerce sobre a pobreza, bem como da importância do crédito para melhorar as condições de vida dessa parcela da população.

Outro estudo desenvolvido por Claessens & Feijen (2006) ressalta o impacto do desenvolvimento do sistema financeiro sobre a prevalência da desnutrição. O acesso a serviços financeiros, como poupança e crédito, pode reduzir a desnutrição, uma vez que permite maior facilidade de consumo para as famílias pobres, além de propiciar aos trabalhadores agrícolas, menor vulnerabilidade a choques adversos. Além disso, ao facilitar o financiamento para a aquisição e melhoria dos meios de produção, especialmente máquinas e equipamentos, o setor financeiro aumenta a produtividade agrícola, gerando, também, efeitos positivos sobre a renda do setor, possibilitando, assim, a redução da desnutrição. O principal resultado obtido dos procedimentos econométricos utilizados, demonstra que o aumento de 1% na variável relativa ao desenvolvimento financeiro (crédito privado/PIB) implica numa redução de 0,188% no grau de subnutrição.

Para testar a hipótese de uma curva em U invertido, conforme preconizado por Kuznets, na relação entre o desenvolvimento da intermediação financeira e a desigualdade de renda, Clarke et al. (2003) utilizam um painel de dados de 91 países, para o período 1960-95. Os resultados obtidos indicam uma redução na desigualdade de renda com o avanço da intermediação financeira, não obstante não ser encontrada evidência de uma curva de Kuznets na relação desenvolvimento do setor financeiro e coeficiente de Gini.

Num estudo recente, Beck et al. (2007) examinaram o impacto do desenvolvimento financeiro sobre a distribuição de renda e o nível de pobreza para um conjunto de países selecionados, utilizando como medidas de desigualdade o coeficiente de Gini e a parcela da população do quintil mais pobre e como medida de pobreza absoluta a parcela da população vivendo com menos de 1 dólar/dia. Os autores chegam a três importantes resultados. Primeiro, de que há uma relação negativa entre o desenvolvimento financeiro e a taxa de crescimento do coeficiente de Gini. Assim, países com maiores níveis de desenvolvimento financeiro apresentaram reduções mais rápidas no coeficiente de Gini, o que se traduz numa menor desigualdade de renda. Segundo, o desenvolvimento do sistema financeiro possibilita que a renda dos pobres cresça mais rapidamente do que o PIB per capita, implicando numa redução da desigualdade de renda. Terceiro, quanto maior o desenvolvimento do sistema financeiro, tanto maior será a redução da pobreza absoluta, ou seja, daqueles que vivem com menos de 1 dólar/dia. Condizentes, também, com a perspectiva de que o desenvolvimento financeiro contribui para a redução da desigualdade de renda, são os resultados obtidos por Ang (2008) ao examinar o caso da Índia, no período 1951 a 2008. Todavia, esse estudo também evidencia que a liberalização financeira parece implicar numa maior desigualdade de renda.

Para o caso brasileiro, a evidência é ainda incipiente podendo ser destacado o estudo de Bemerguy & Luporini (2006) que analisam o impacto do desenvolvimento financeiro sobre a taxa de crescimento do primeiro e segundo quintis de renda, utilizando dados das unidades da federação do país para o período entre 1996-2003. Os resultados apontados sugerem que o desenvolvimento financeiro não exerceu impacto significativo sobre a taxa de crescimento da renda do quintil mais pobre da população, sendo o contrário verificado quando foi considerado o segundo quintil de menor renda. Tal resultado parece sugerir que a inexistência de correlação entre desenvolvimento financeiro e crescimento da renda do primeiro quintil mais pobre pode indicar a não inclusão financeira dessa parcela mais pobre da população.

Por meio da utilização de dados em séries temporais e em painel, Bittencourt (2006) avalia a importância do desenvolvimento financeiro para a redução da desigualdade de renda no Brasil, entre as décadas de 1980 e 1990. De forma geral, os resultados apresentados são consistentes com a previsão teórica de que um maior acesso ao crédito, especialmente

pelas famílias pobres, tem um efeito significativo sobre a redução da desigualdade de renda. O desenvolvimento financeiro, por meio da concessão do crédito, mostrou-se relevante para melhorar a distribuição de renda, tanto pela geração de oportunidades em investimentos produtivos, quanto pela possibilidade de acesso a bens de consumo. O autor conclui que uma política de expansão do crédito aos pobres pode ser um instrumento eficiente para reduzir as desigualdades que caracterizam a economia brasileira, ampliando, dessa forma, o bem estar social.

Examinado os fatores relacionados às diferenças no acesso aos serviços financeiros em áreas urbanas brasileiras, Kumar (2004) ressaltam que nas últimas décadas não ocorreram mudanças significativas na prestação de serviços bancários do país. Como importantes resultados do estudo os autores sublinham que não há evidências de redução no acesso dos serviços bancários, embora tais serviços possam ter estagnado, bem como de que as desigualdades nesse tipo de prestação de serviços no país podem ser atribuídas às diferenças na densidade populacional e na renda, que caracterizam o território brasileiro. Assim, ainda que a localização seja fator importante na determinação do acesso, características socioeconômicas traduzidas especialmente na renda, nível educacional e riqueza são tão ou mais relevantes que os fatores locacionais. Além disso, verificou-se, também, que os esforços recentes para expansão do acesso refletidos nos segmentos de micro-finanças e cooperativas foram, de certa forma, bem sucedidos.