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2.3. Karar Verme

2.3.1. Karar Verme Becerisi ve Argümantasyon Süreci

Desde meados da década de 1990, interesse crescente vem sendo depositado sobre o fenômeno da exclusão financeira, ante a percepção de que o acesso aos serviços financeiros desempenha papel crucial no processo de desenvolvimento, especialmente pela forma com que influencia o crescimento econômico, a equalização de oportunidades, a pobreza e a distribuição da renda. A exclusão financeira é entendida como uma das facetas do processo complexo e multidimensional que conforma a exclusão social, tanto como causa como consequência, na medida em que, os excluídos financeiramente são, em geral, os mesmos excluídos do ponto de vista social. Para Leyshon & Thrift (1995:312) a exclusão financeira

“refers to those processes that prevent poor and disadvantaged social groups from gaming access to the financial system”. Nesta concepção, a exclusão financeira caracteriza uma

situação em que uma parcela da população tem acesso limitado, ou até mesmo impedido, aos serviços financeiros, com implicações importantes para a pobreza e as desigualdades

regionais, uma vez que ela pode potencializar as diferenças nos níveis de renda e no desenvolvimento econômico das diversas regiões. Na perspectiva destes autores há uma tendência inerente ao sistema financeiro em discriminar a população pobre, dada a lógica subjacente à atuação do setor, baseada na busca da minimização de riscos que, por sua vez, são determinados pela percepção da riqueza presente e futura e, portanto, pela capacidade de pagamento do cliente, o que, certamente, favorece o acesso daqueles que possuem maiores níveis renda.

Para Gloukoviezoff (2011) a definição de exclusão financeira proposta por Leyshon e Thrifit (1995) enfatiza, essencialmente, os aspectos geográficos, traduzidos nas dificuldades de acesso aos serviços do setor em função da distribuição espacial das unidades bancárias, o que significa restringir a questão a situações polares de ter ou não acesso ao sistema financeiro. Todavia, esta concepção pioneira inspirou diversos estudos subseqüentes que procuraram destacar outros fatores determinantes do acesso ao sistema financeiro. O próprio Gloukoviezoff (2011:12) amplia este conceito como “the process whereby people face such financial difficulties of access or use that they cannot lead a normal life in the society to which they belong”. Para além de destacar apenas os aspectos relacionados às dificuldades de acesso, o autor menciona, também, as restrições ao uso dos serviços como componente relevante do processo de exclusão financeira.

Sob este mesmo prisma Kempson et al.(2000:9) argumentam que a compreensão do processo de exclusão financeira não deve ficar restrita aos fatores relativos à disposição geográfica dos serviços financeiros. Ressaltam que no debate recente, outras dimensões têm sido identificadas, dentre as quais, podem ser mencionadas as restrições impostas pela avaliação dos riscos; pelas condições associadas a alguns produtos financeiros que os tornam inadequados ao atendimento das necessidades de determinados segmentos da população; pelos preços dos produtos financeiros, muitas vezes inacessíveis aos segmentos populacionais de menores níveis de renda, bem como pela auto-exclusão dada a expectativa do público de que poderia ter suas demandas por serviços financeiros negada. Tais formas de exclusão constituem efetivas barreiras ao acesso e uso dos serviços financeiros, em especial, da população pobre.

Além do efeito imediato que pode exercer sobre os indivíduos e as famílias, estas barreiras podem gerar impactos negativos significativos em parcelas sociais com acesso

limitado aos serviços financeiros, contribuindo, sobremaneira para a condição de exclusão social, retroalimentando a pobreza e determinando a persistência das desigualdades de renda.

Dymsky (2005) ao avaliar os determinantes da pobreza e da discriminação social, pondera que a ideia de incerteza que caracteriza a tradição keynesiana exerce um efeito assimétrico sobre a população, atingindo com mais intensidade famílias com níveis de renda menores. Em geral, o contexto de incerteza impacta mais negativamente os pobres, que têm menos controle sobre suas próprias condições de vida, apresentam um conjunto de escolhas mais restrito e têm uma proteção menor em períodos adversos, o que os torna financeiramente mais frágeis30. Segundo o autor:

Social exclusion in the financial realm - that is, „financial exclusion‟ - refers to the failure of the formal banking system to offer a full range of depository and credit services, at competitive prices, to all households and/or businesses. The systematic exclusion of households and/or businesses from „financial citizenship‟ - on the basis of race or ethnicity, geographic area, gender and so on - compromises their ability to participate fully in the economy and to accumulate wealth. (Dymsky, 2005:440)

Nesse sentido, o acesso a serviços e produtos financeiros, tais como crédito, poupança, seguros, dentre outros, é fundamental para a redução da pobreza, já que pode contribuir para mitigar a incerteza e a vulnerabilidade socioeconômica a choques adversos que caracterizam as famílias pobres, podendo, também, gerar oportunidades para pequenos investimentos em atividades produtivas com retornos lucrativos, possibilitando o aumento da renda da população enquadrada na linha de pobreza. Todavia, Dymski (2005) assevera que, mundialmente, as famílias e áreas mais pobres são, na maioria das vezes, alijadas do sistema financeiro formal, sendo atendidas por serviços informais, com custos de transação mais

elevados e condições de crédito mais dispendiosas. Assim, conforme ressalta o autor, “grandes

parcelas da população de muitos países tem sido cronicamente financeiramente excluídas” (Dymski, 2005:440)31.

Em um estudo específico para os Estados Unidos, Dymski destaca que a exclusão financeira resulta tanto de fatores locacionais como de aspectos raciais, já que, historicamente,

30 A ideia de fragilidade financeira desenvolvida por Minsky (1975) baseia-se no impacto que a incerteza exerce sobre os agentes econômicos.

31 De acordo com Dymsky (2005:451-452), exclusão financeira não significa, necessariamente, inexistência de crédito. Os financeiramente excluídos podem ter acesso ao crédito, entretanto a um custo mais elevado em relação aos financeiramente incluídos.

as estratégias de locação espacial e atuação dos agentes financeiros no país, priorizaram o atendimento às áreas caracterizadas por níveis de renda mais elevados, em detrimento de áreas de prevalência da população pobre e de predominância de determinados grupos raciais, o que, pela consistência com os interesses do capital, pode levar às situações críticas de manutenção do processo de pobreza e exclusão social.