2.3. Sporda Saldırganlık ve ġiddet
2.3.1. Saldırganlık ve Ģiddet teorileri
2.3.1.4. Sosyal öğrenme teorisi
No Maranhão, na década de 1960, a maior parte da população residia na zona rural, cuja economia estava vinculada ao setor primário. A estrutura produtiva gerou, através de séculos, uma sociedade que dispensava a ajuda da escola, uma vez que a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades econômicas poderia ser suprida por pessoas analfabetas. Por essa razão, não havia preocupação de se criar uma demanda efetiva de educação escolar da classe dominada.
As oportunidades de frequentar uma escola eram limitadas, já que era o latifundiário quem decidia se poderia haver ou não uma escola no povoado, quem frequentaria e até quem seria o professor. Além disso, os programas do governo federal eram ações isoladas e inexpressivas, em virtude de mais da metade da população maranhense daquela época ser composta de analfabetos.
Com as reivindicações dos movimentos sociais, a educação para o homem do campo teve uma mudança, e surgem alguns projetos, entre os
65 quais, o Programa Nacional de Reforma Agrária (Pronera)7, que muito contribui
para diminuir o analfabetismo no Maranhão, com escolas que deram certo, principalmente nos assentamentos8, para a faixa etária a partir de 14 anos de
idade. O Pronera foi executado no Maranhão por duas universidades: Universidade Estadual do Maranhão e Universidade Federal, fruto da luta dos povos do campo e por meio de mobilizações dos movimentos sociais. Essas universidades desenvolveram os programas em forma de projetos nos anos de 1999 a 2009, com cursos de Alfabetização, Fundamental e Ensino Médio. A partir de 2009 a UFMA desenvolve projetos em nível superior.
Outro programa desenvolvido no Maranhão foi a Alfabetização Solidária9, direcionado a crianças a partir de 10 anos de idade. Tivemos
também o Brasil Alfabetizado, iniciado em 2003 com o objetivo de alfabetizar jovens, adultos e idosos em todo o território nacional, no qual o Maranhão se engajou para executar esses programas que atuam de uma forma compensatória ao “atribuir à educação de jovens e adultos a mera função de reposição de escolaridade não realizada na infância ou adolescência” (PIERRO; ANDRADE, 2004, p. 14).
No Estado do Maranhão, no que diz respeito à educação rural, o homem do campo, em certos municípios, ainda não tem uma escola de educação de acordo com sua realidade. A possibilidade de escolarização oferecida para os povos do campo deixa a desejar, na medida em que apresenta uma estrutura pouco satisfatória, insuficiente, tanto no que concerne à questão material quanto ao ensino e aprendizagem.
Atualmente, segundo o censo de 2010, a taxa de analfabetismo no Maranhão das pessoas de 10 a 14 anos de idade é de 95%, e das pessoas de 15 anos ou mais, é de 20,9%. Os indicadores mencionados resultam da
7 No Maranhão a realização do programa foi no período de 1999 a 2009, com alfabetização,
Ensino Fundamental, Ensino Médio e Técnico. Na UFMA, atualmente, está sendo desenvolvido o Ensino Superior. No IFMA (Instituto Federal do Maranhão), acontecem os projetos de Técnico Agropecuário e Técnico de Nível Médio em Agroecologia.
8 Identifica uma área de terra no âmbito dos processos de Reforma Agrária e também um
espaço heterogêneo de grupos sociais constituídos por famílias camponesas que ganham a vida depois de desapropriado ou adquirido pelos governos Federal e/ou Estaduais com o fim de cumprir a disposições constitucionais e legais relativas à Reforma Agrária.
9 Iniciado em 1997 pelo Ministério da Educação através de parcerias com a sociedade civil.
Atendia os municípios do Norte e Nordeste com os maiores índices de analfabetismo; a partir de 1999 estendeu-se para os grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.
66 precariedade e do desamparo histórico a que a população do campo vem sendo submetida e que se reflete nos altos índices de analfabetismo e nos baixos níveis de escolaridade.
Contudo, apesar de existir uma proposta voltada para a educação do campo, nem todas as escolas rurais do município e seus professores trabalham com a proposta de uma educação mais crítica, que valorize a identidade do homem do campo para sua permanência no campo. O Maranhão buscou alternativa para reverter o quadro, que, segundo a avaliação do Sistema de Avaliação de Educação Básica (SAEB), se encontrava abaixo da média nacional. Entretanto, a Secretaria de Educação buscou o programa da Escola Ativa, se destinou às escolas com classes multisseriadas, estabelecido como política educacional para essas classes com o propósito de oferecer uma educação de qualidade. Segundo a secretária de Educação, foi uma tentativa de solucionar os problemas das classes multisseriadas na zona rural do Estado do Maranhão. Com a pretensão de aumentar o nível de aprendizagem dos educandos e com objetivo de melhorar o rendimento de classes multisseriadas rurais, o programa foi desenvolvido em 27 municípios do Maranhão.
Percebe-se que, apesar de não ser uma política adequada, estes programas servem pelo menos para minimizar os problemas educacionais do campo no Maranhão. Todavia, não podemos generalizar sobre o problema educacional no Estado, pois, diante de pesquisas realizadas para conclusão do meu mestrado, pude observar escolas que tiveram e têm uma educação diferenciada de certos municípios, já que a educação é no e do campo. Essas escolas estão situadas no povoado de Brejinho, município de Bacabal, com estruturas físicas adequadas, com mais de 50% dos professores com nível superior e outros cursando. A escola foi conquistada por meio de lutas da comunidade, fato que contribui para a satisfação de pais e alunos, em virtude de uma proposição afirmativa.
Além dessas escolas, esse povoado tem também escolarização de nível médio, onde o aluno é tratado como ser humano que busca se formar para a vida, bem como se desenvolver num processo de diálogo, na tentativa de formar sua consciência crítica e ter um espaço de alegria, valorizando os
67 profissionais da Educação, procurando superar os problemas básicos, como a alfabetização e a própria capacitação dos professores.
Podemos perceber que essa escola já fez a superação da educação rural para a educação do campo, no sentido de priorizar o homem do campo como sujeito que possa fazer parte da construção de suas propostas, com a efetivação dos seus direitos.
De acordo com a supervisão, em pesquisa realizada na Secretaria de Educação do Maranhão na questão do campo, o Estado tem intenção de garantir a universalização e a melhoria de qualidade do Ensino Fundamental nas áreas rurais e expandir o Ensino Médio, que no campo do Maranhão ainda tem número reduzido. A supervisão do campo articula e integra ações e parcerias com diversas instituições governamentais, movimentos sociais e sindicais de trabalhadores que atuam no campo, no sentido de promover o desenvolvimento sustentável para atender a população do campo maranhense, tendo como princípios uma educação que respeite a diversidade étnica cultural desses povos para fortalecer a identidade.
Atualmente, na zona rural do Maranhão, existem alguns programas que funcionam, como exemplo, o EJA – Educação de Jovens e Adultos, com um público de 15 anos (Ensino Fundamental) e 18 anos (Ensino Médio), adultos, idosos, pessoas com deficiência, buscando minimizar o analfabetismo, pois, de acordo com dados do IBGE, divulgados em junho de 2011, de 2001 a 2010, o analfabetismo no Maranhão foi reduzido de 26,6%, para 19,31%. No entanto, o Estado ainda possui cerca de 1 milhão de analfabetos.
No que se refere à realidade educacional, são muitos os desafios a serem enfrentados, e esses apontam a necessidade de refletir sobre a qualidade da educação oferecida neste Estado, principalmente quanto à realidade da população que vive na zona rural, sobretudo a população em idade escolar. Pelas próprias contingências de seu habitat, o aluno estuda em classes multisseriadas, modalidade predominante de oferta do primeiro segmento do Ensino Fundamental no campo.
No que diz respeito à educação em nível superior, houve um avanço de acordo com o Parecer nº 36/2001 e Resolução nº 1/2002 do Conselho Nacional
68 de Educação, que deu ênfase à educação do campo, desde a educação infantil à educação superior. Essa legislação deu embasamento para as reivindicações dos movimentos sociais que articularam uma parceria com MST e universidades para a criação de cursos de graduação de formação de educadores, que atualmente envolve instituições de ensino e estados, incluindo o Estado do Maranhão, que já tem duas turmas em execução desde 2010, com curso de Licenciatura em Pedagogia da Terra (Pronera/UFMA/MST/ASSEMA), e outras duas turmas que iniciaram em 2011. MST / ASSEMA / ACONERUQ, que funciona no Campus de Bacabal. Temos também o programa de apoio à formação superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo), criado pelo MEC/SECAD em 2008, que atualmente está funcionando em São Luís (MA), com duas turmas para essa Licenciatura com duas áreas de habilitação: Ciências Agrárias e Ciências da Natureza e Matemática. Tais turmas iniciaram esse curso em 2009, com a pretensão de concluí-lo em 2012, mas, será concluído em 2014. O Pronera desenvolve o curso com avanços e retrocessos, com tempo previsto para dezembro de 2014, desconsiderando os dois anos de luta para liberação de recursos que interrompeu as etapas. O Pronera desenvolve os cursos de Licenciatura, com avanços e retrocessos com tempo previsto para terminar em dezembro de 2014, não considerando que durante o percurso dos cursos os recursos são cortados ou impedidos pela burocracia do Estado Capitalista.
69 Capítulo 2