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A Escola Estadual Profº Norberto Alves Rodrigues é mantida pelo Poder Público e administrada pela Secretaria Estadual da Educação. Atende a alunos do ensino fundamental regular em dois turnos diurnos e no período noturno ministram aulas para o ensino médio de Jovens e Adultos (EJA). Além dessas salas regulares de ensino fundamental que possui alunos com necessidades especiais, na maioria das vezes mentais, me surpreendi com a existência de uma sala especial de alunos Auditivos no período da manhã, no qual pensei que não existisse mais esse serviço oferecido dentro das escolas regulares, por conta da legislação, no qual recomenda

o atendimento ao aluno com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino. (Constituição, 1988, art. 208).

A escola está situada em dois prédios interligados, de dois andares, possuindo diversas escadas, tanto na parte interna como externa, onde impossibilita a locomoção de pessoas com cadeiras de rodas, o que justifica a ausência de alunos cadeirantes.

A escola possui uma quadra externa, banheiro para funcionários, sala da direção, secretaria escolar, 1 sala para as coordenadoras, onde também fica os livros que são emprestados para as crianças, pois a escola não possui biblioteca, 1 pátio pequeno e fechado, onde as crianças utilizam como refeitório e espaço para brincar no horário do intervalo, 1 cantina, 1 cozinha, 2 banheiros para alunos, sendo um feminino e outro masculino. De acordo com a coordenadora a escola

Figura 13 Estrada do colégio

Figura 14

Acesso as salas de aula.

Figura 15

possui um banheiro adaptado, mas como não tem demanda de alunos com deficiência física esse banheiro é utilizado para guardar materiais de educação física e está sempre trancado, sendo o professor de educação física responsável pela chave.

As salas de aulas regulares são simples, com janelas e um armário em cada uma delas. Em cada sala existem aproximadamente 38 alunos, essa quantidade não se reduz quando há presença de alunos com deficiência. Para o atendimento especial para os alunos com deficiência auditiva, existem duas salas. Entretanto, nesse momento só está sendo utilizada uma sala, a outra se faz uso quando tem uma atividade que requer mais espaço. Nesta sala estão matriculadas 10 crianças de diferentes níveis de deficiência auditiva, sendo uma classe multiseriada. Na sala onde são lecionadas as aulas especiais há 1 computador com 1 impressora, 2 armários, nas paredes diversos cartazes com a língua de sinais e alguns materiais didáticos especializados que foram trazidos pela professora e outros foram enviados pela secretaria educacional. Na outra sala encontra-se 1 televisão com DVD, 1 aparelho de som, 2 armários e 1 espelho do tamanho de uma das paredes. Na entrada das salas existe um telefone público para surdos.

Considero relevante destacar a diferença de estrutura entre as salas regulares para a sala especial dentro da mesma escola. Enquanto a primeira tem uma sala lotada de alunos e o professor tem poucos recursos, basicamente a voz, lousa e giz. A outra sala especial tem uma realidade totalmente contrária, com uma quantidade razoável de alunos de acordo com a necessidade da clientela e a professora possuiu em sua sala de aula equipamentos tecnológicos para lhe auxiliar.

Se a escola tem a função de desenvolver a todos os alunos sem nenhuma distinção a capacidade bio-psico-social e cultural, respeitando e considerando as diferenças e as identidades pessoais e coletivas, buscando o exercício da cidadania na construção de uma sociedade democrática e não excludente. Como pode dentro do mesmo sistema educacional, excluir um grupo de alunos em ter acesso a recursos no qual pode ajudar na qualidade do ensino.

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Figura 17

Sala da classe especial

Figura 18

Sala da classe especial não utilizada.

Figura 19

Equipamentos da sala especial.

Figura 20

Telefone para pessoas com deficiência auditiva.

Figura 21

Livros específicos para alunos com deficiência auditiva.

8.2.2. RESPOSTAS DAS ENTREVISTAS COM OS PROFESSORES.

O professor C entrevistada leciona aula para uma 2º série do ensino fundamental e o professor D é responsável pela sala especial de deficiência Auditiva, onde são multiseriadas, com alunos Deficientes Auditivos de 1ª a 4ª série do ensino fundamental estudando juntos na mesma sala e horário.

1 – Qual a sua formação? E em que ano se formou?

Professor C Professor D

• Formou-se em Pedagogia em 1992.

• Formou-se em Pedagogia com habilitação em EDAC em 1989.

2 – Há quanto tempo trabalha com inclusão de alunos com deficiência?

Professor C Professor D

• Mais de 10 anos. • 20 anos em classes especiais.

3 – Quantas crianças deficientes você tem na sala? E quais são as deficiências?

Professor C Professor D

• 1 aluno com microcefalia. • 3 não diagnosticados (sem

laudo).

• São 10 alunos.

• Todos eles têm deficiência auditiva, com graus variados.

4 – Você tem ou teve algum contato com profissionais da saúde que acompanha esse aluno? Como foi? No que ele te orientou?

Professor C Professor D

• Não.

• Nunca teve o interesse em conversar com os médicos.

• Sim, quando os alunos estão com acompanhamento de fonoaudiólogo, por meio do telefone o professor acompanha o seu tratamento e passa informações da situação do aluno no colégio, trocam relatórios a respeito do aluno. • Mas no momento, nenhum está

com acompanhamento de fonoaudiólogo, pois eles não têm convênio e no posto não há vagas ou os pais não têm interesse em correr atrás da vaga.

5 - Qual a sua opinião sobre inclusão dos alunos deficientes nas escolas públicas de São Paulo?

Professor C Professor D

• A criança com deficiência será prejudicada, pois a escola não está preparada para receber esses alunos.

• Complicada, pois quem faz a lei não tem noção da realidade, das necessidades específicas do aluno D. A.

• Os professores não têm formação.

• Não existem matérias para se trabalhar com essas crianças.

• O aluno D. A tem que ser integrado a sala comum de qualquer jeito sem nenhum preparo para eles e sem eles estarem preparados.

6 - Qual o total de alunos na sua sala? Você considera que essa quantidade de alunos interfere na qualidade de suas aulas e no processo educacional de cada aluno?

Professor C Professor D

• 38 alunos.

• Sim, por que não é possível ter um atendimento individualizado.

• O tempo de aula não é suficiente para trabalhar com todas as crianças.

• 10 alunos.

• Considera a classe comum muito cheia

7 – Você se sente preparada para trabalhar com alunos deficientes?

Professor C Professor D

• Não.

• A formação acadêmica não contemplou o trabalho com esse alunos deficientes. • Tem dificuldade com o

relacionamento interpessoal e em se relacionar com eles.

• Sim, pois sua formação e voltada para esse tipo de atendimento e tem 20 anos de experiência. • Mas considera que na sala

comum os professores não tem formação para trabalhar com a inclusão.

8 - Utiliza algum método ou procedimento diferenciado com os alunos deficientes?

Professor C Professor D

• Sim.

• O material a ser utilizado e o mesmo para todos os alunos, mas a exigência dos objetivos varia de acordo com os limites de cada criança com deficiência.

• A professora avalia mais o aluno com deficiência na parte social do que na cognitiva.

• Segue o currículo da escola comum adaptando com materiais mais apropriado como livros em libras.

9 – Como ocorre a interação dos alunos deficientes com os outros alunos?

Professor C Professor D

• As crianças de prontidão não aceita o aluno com deficiência e suas brincadeiras, mas com a intervenção do professor eles acabam aceitando.

• Quando o aluno com deficiência está agitado a professora o retira do convívio com os demais.

• As aulas de artes e educação física são realizadas juntos com uma sala de 4º série do PIC (Projeto Intensivo no Ciclo I). • A professora especialista sempre

está junto com os alunos nessas aulas.

• Antes quem lecionava as aulas de educação física era a própria professora especialista. Há

integração positiva, os alunos conseguem se interagir.

10 – Os pais dos alunos deficientes têm interesse em acompanhar o desenvolvimento escolar do aluno? De que maneira eles fazem isso?

Professor C Professor D

• Os pais não. Mas o aluno tem uma tia que o acompanha na escola e na APAE. Diariamente ela faz perguntas sobre o aluno para a professora.

• A maioria dos pais trabalham direto e não tem tempo para acompanhar o processo de aprendizagem.

11 - Que apoio você encontra da direção escolar?

Professor C Professor D

• Nenhum.

• Se sente abandonada pela escola, tanto na parte administrativa como pedagógica.

• Quando solicito algum material a escola, dentro de sua realidade providenciam e solicitam a Secretaria Educacional.

12 - Tem apoio de outros órgãos para trabalhar com a inclusão?

Professor C Professor D

• Nenhum.

• Duas vezes nesse ano foi em palestras da APAE, por conta própria.

• Não

13 – Participa de alguma formação continuada para professores? Quem oferece?

Professor C Professor D

• Não.

• A escola tem uma professora especialista na sala de alunos deficientes auditivos, mas nunca foi oferecido um espaço para que ela converse com os professores, nem na AHPP.

• Pela rede não.

• Por conta própria cursos de atualização em libras.

14 – O que poderia ser feito para melhorar o processo de inclusão nas escolas?

Professor C Professor D

• Rever o plano PPP da escola, pois não contemplam o atendimento as crianças com deficiência.

• Formação do professor.

• Melhorar a preparação para o professor.

• Continuar com as classes especiais com o objetivo de preparar a criança para a sala

comum.

• Apoio de encaminhamento como fonoaudiólogo e aparelhos.

15 – Existe algo a mais que julga importante registrar nessa entrevista.

Professor C Professor D

• Mais apoio na formação do professor.

• Material específico.

• Considera uma perda o fechamento das instituições especializadas, pois considera que a criança com deficiência tem que ter um lugar adequado para elas.

• Não.

8.2.3. ENTREVISTA COM COORDENADOR DA ESCOLA ESTADUAL PROFº