• Sonuç bulunamadı

1. SES BİLGİSİ

2.7. Yapım Ekleri

2.7.4. Fiilden Fiil Türeten Ekler

2.9.1.4. Soru Sıfatları

A teoria bioecológica tem sido utilizada para auxiliar na compreensão de diversos fenômenos associados ao desenvolvimento, em todo o mundo. É possível verificar que a mesma tem sido aplicada com ênfase nos processos associados ao desenvolvimento humano em suas diversas fases - infância, adolescência, vida adulta e velhice. Esta também tem inspirado os estudos de populações vulneráveis, os processos de exclusão social, a inclusão e deficiência, o desenvolvimento de políticas públicas, a saúde básica, a atenção integral ao paciente, os estudos epidemiológicos e associados às doenças infectocontagiosas, além de diversos outros campos.

Entre os principais movimentos associados com a constituição de grupos de investigação que se orientam pelos estudos bioecológicos, destaca-se o Bronfenbrenner Center

for Translational Research - BCTR27, criado em 2011, pelo College of Human Ecology na

Universidade de Cornell. Este centro de pesquisa, surge a partir da integração de dois consolidados programas, o Family Life Development Center e o Bronfenbrenner Life Course Center, que já mantinham suas atividades desde os anos 1970 e 1990, respectivamente. Neste sentido, o centro de pesquisa tem por objetivo expandir, fortalecer e acelerar a aplicação desta perspectiva teórica, orientada para à investigação, políticas e práticas associadas ao desenvolvimento humano, saúde e bem-estar. A partir dele, é possível visualizar inúmeros projetos de aplicação da teórica bioecológica, em diversas áreas.

27http://www.bctr.cornell.edu/

No Brasil, a perspectiva ecológica do desenvolvimento humano vem exercendo influência, especialmente a partir dos anos 1980. Talvez, um dos primeiros estudiosos de Bronfenbrenner tenha sido Ruy Krebs, que em seu livro “Desenvolvimento Humano: teorias e estudos”, já abordava o paradigma ecológico como uma das principais forças da psicologia contemporânea. Este autor realizou uma série de investigações a partir da interpretação ecológica, especialmente ligados aos campos da infância, desenvolvimento motor, educação física e esportes (KREBS, 1995).

Também merece destaque os trabalhos de Silvia Koller, professora da Faculdade de Psicologia da UFRGS, que se dedicou a esta teoria, tendo sido, inclusive, um dos principais contatos de Bronfenbrenner no Brasil (KOLLER, 2004). Em “Ecologia do Desenvolvimento Humano: Pesquisa e Intervenção no Brasil”, a autora organizou uma compilação de trabalhos sobre o tema, a partir de diversas aplicações.

Cabe destacar também os estudos de Yunes (2004), a partir de seus inúmeros trabalhos aplicados aos contextos da família, infância e adolescência, da resiliência e vulnerabilidade social, das populações em situações de risco e de programas de apoio, a partir da apropriação e leitura destas realidades, tendo como fundamento a visão bioecológica.

A partir das diversas aplicações da teoria bioecológica, poucos estudos foram realizados no campo da educação superior, mesmo quando verificada a produção internacional. Entre os poucos estudos encontrados, Demetriou (2009) em seu trabalho “Impediments to Undergraduate Student Success and Retention” apresentado à III International Personal Tutoring and Academic Advising Conference, realizada em Liverpool, utilizou a teoria bioecológica para explicar a interação de múltiplos fatores associados às dificuldades estudantis para obter êxito na educação superior, bem como para auxiliar na compreensão dos aspectos em que as instituições necessitam intervir. Com base nesta perspectiva, a autora apresenta um programa de suporte estudantil, denominado Bounce Back Retention Program, que se baseia no aconselhamento e tutoria para estimular a retenção estudantil na University of North Carolina. De acordo com o estudo, a aplicação do programa de intervenção, inspirado na teoria bioecológica, apresentou significativo incremento para a retenção estudantil, quando comparado com outras práticas de intervenção na universidade.

Também se destaca o trabalho de Stebleton (2011), que realizou um estudo teórico no qual buscou compreender os múltiplos fatores contextuais que impactam nos estudantes imigrantes. O estudo esteve focado em explicar as principais necessidades de alunos imigrantes, com o objetivo de qualificar o nível de intervenção do pessoal acadêmico sobre esse grupo de estudantes. O ensaio teórico conclui que a perspectiva ecológica constitui uma ferramenta

valiosa para a qualificação da intervenção, especialmente no que toca o aconselhamento dos estudantes, visando aprimorar o desenvolvimento, o sucesso estudantil e a retenção de estudantes universitários imigrantes.

Entretanto, uma das mais consistentes aplicações da teoria de Bronfenbrenner foi apresentada por Arnold, Lu e Armstrong (2012) no livro “The Ecology of College Readiness”, publicado pela Jossey-Bass na coleção Higher Education Report, da Association for the Study of Higher Education – ASHE. O livro apresenta uma análise detalhada e abrangente dos níveis socioambientais e os diferentes mecanismos associados, tendo como foco a preparação acadêmica no momento prévio ao ingresso.

Os autores, haja visto a grande quantidade de conceitos relacionados à preparação acadêmica, como college choice, college transition, college access, college success ou college preparation, propuseram o conceito College Readiness para referir à capacidade do aluno em se matricular em uma instituição de ensino superior, mantendo adequado desempenho nas disciplinas de primeiro ano, de forma a persistir em seus objetivos educacionais (ARNOLD; LU; ARMSTRONG, 2012).

Hurtado et al. (2012) no trabalho “A model for Diverse Learning Environments: The Scholarship on Creating and Assessing Conditions for Student Success” publicado no Higher Education: Handbook of Theory and Research, propõe uma revisão teórica em torno do tema da diversidade multicultural dos estudantes da educação superior, ressaltando a necessidade de transformação das instituições para criarem ambientes propícios e favoráveis para atenderem a esta diversidade étnica e cultural que implica em diferentes modos de aprendizagem. Os autores apresentam um modelo, denominando Diverse Learning Environments Model (DLE), o qual é inspirado na teoria bioecológica a partir de sua capacidade em auxiliar na definição de um modelo multicontextual, com foco no clima institucional, no contexto e políticas associadas, bem como, no contexto sócio histórico.

Os autores, advogam ainda, que o modelo por eles proposto apresenta-se muito mais explícito em relação às influências socioambientais, em relação a modelos multicontextuais prévios. Este entendimento, segundo eles, torna-se fundamental uma vez que “as instituições não estão inseridas num vacuum, mas são parte de comunidades e estão sujeitas às forças dos contextos externos à instituição (HURTADO et al. 2012, p. 49).

Também se destaca o trabalho de Renn e Reason (2013), no livro “College Students in the United States”, também reconhecem o potencial da teoria bioecológica para explicar as forças e os mecanismos influenciadores nos processos associados à educação superior. Em um de seus capítulos, denominado “Approaches to College Student Development”, os autores

apresentam a Teoria Bioecológica como possibilidade de compreensão dos fatores ambientais relacionados com o desenvolvimento dos estudantes no ambiente institucional e social. Também apresentam o detalhamento das diferentes forças influenciadoras nos contextos socioambientais, aproximando o modelo ecológico ao contexto da educação superior.

E ainda, recentemente, Mendoza, Malcolm e Parish (2015) publicaram um estudo intitulado “The ecology of student retention: undergraduate students and the great recession”, no Journal of College Student Retention. O trabalho focalizou compreender os impactos percebidos por estudantes da região sudestes dos E.U.A, no período da grande recessão econômica de 2007. Os resultados indicaram que os estudantes perceberam os impactos de forma importante, de forma a afetar o engajamento e comprometimento, demonstrando que os mesmos são afetados por forças externas ao ambiente imediato. A teoria ecológica demonstrou consistente poder explicativo sobre as percepções observadas. Dessa forma, o estudo ofereceu uma compreensão mais profunda dos processos associados ao engajamento dos estudantes, a partir da compreensão ecológica

No brasil não foi encontrada nenhuma aproximação da teoria bioecológica com o campo da educação superior. O trabalho prévio de Schmitt e Santos (2013) apresentado na III

Conferencia Latinoamericana sobre el Abandono en la Educación Superior – III CLABES,

realizada na cidade do México em 2013, representou um trabalho pioneiro para este campo de estudos, especialmente no Brasil e na América Latina. Outro trabalho, foi apresentado pelo autor (SCHMITT, 2014) no X Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul – ANPEDSUL, no qual buscou-se demarcar as opções metodológicas adotadas para esta tese.

Nessa direção, ainda que se tenha verificado a aplicação dos pressupostos bioecológicos em produções internacionais no campo da educação superior, estas não tiveram como objeto a integração de diferentes modelos teóricos sobre retenção/persistência, conforme objetivos desta tese. Da mesma forma, nenhum dos estudos mencionados buscou ressaltar os construtos centrais da teoria bioecológica – o modelo PPCT – visto que os mesmos se detiveram em explicar as influências contextuais, a partir dos múltiplos níveis socioambientais. Neste sentido, reforça-se o caráter inovador da presente proposta.

Benzer Belgeler