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1. SES BİLGİSİ

2.7. Yapım Ekleri

2.7.2. Fiilden Ad Türeten Ekler

Urie Bronfenbrenner nasceu em 1917, em plena Revolução Russa, em um momento em que sua família passava por dificuldades financeiras. Como consequência desta situação, motivados pela perda de um filho, seus pais optaram pela imigração para os Estados Unidos, na busca por condições dignas de vida e oportunidades que pudessem modificar o contexto de dificuldades em que viviam, em meio aos efeitos sociais da revolução.

Nestas circunstâncias, no ano de 1923, quando Urie tinha seis anos, seu pai, um neuropatologista e pesquisador, havia recebido um convite para atuar como responsável em uma instituição de cuidado para deficientes mentais. Juntamente com ele e sua mãe, uma professora de língua russa, passaram a viver nessa instituição, na qual a casa em que moravam estava inserida. De acordo com Koller (2011), essa instituição e, consequentemente, a casa era localizada numa região rural e toda rodeada por arame farpado, colocados ali para evitar que os pacientes fugissem e viessem a “causar danos à sociedade” (KOLLER, 2011, p. In: BRONFENBRENNER, 2011).

Nesse ambiente familiar e institucional em que cresceu percebia, as limitações do modelo social em que vivia, o qual retirava os sujeitos de seu ambiente natural, como medida de proteção, visando evitar a exposição das famílias que detinham filhos deficientes. Realizou seus estudos iniciais em uma escola que atendia meninos de diferentes etnias e idades. A partir de então, passou a conhecer muito sobre a cultura norte-americana e contribui para norte- americanizar os seus pais.

Graduou-se em Psicologia e Música pela Universidade de Cornell e no ano de 1938. Em 1940 conclui seu Mestrado em Harvard, dedicando-se à área da Psicologia do

Desenvolvimento. Em 1942 realizou o Doutorado, na University of Michigan, sendo orientado por Theodore Newcomb, um dos pioneiros da Psicologia Social, que o auxiliou nos primeiros movimentos no desenvolvimento de sua teoria.

Em 1946, após ter retornado do serviço militar, foi contratado como professor assistente na Universidade de Michigan, na área de Psicologia. No ano de 1948, dez anos após ter se graduado, retornou como docente à Universidade de Cornell, contexto em que desenvolveu a maior parte de sua carreira.

Suas experiências de vida, a partir da diversidade e das adversidades vivenciadas desde a infância, o fizeram refletir de uma maneira profunda sobre as relações entre indivíduo, ambiente e sociedade. Essas reflexões, oportunizadas pela sua própria situação e contexto de vida o auxiliaram no desenvolvimento de uma compreensão ampliada do desenvolvimento humano. Igualmente, contribuíram para contrapor o modelo de ciência praticado, o qual tendia a retirar os sujeitos de seus ambientes naturais, tendendo a produzir conhecimentos distorcidos da realidade.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, teve muitas influências de alguns pesquisadores conterrâneos, a exemplo de Leontiev, Luria e Vygotsky. Entretanto, quem mais fortemente influenciou seu trabalho foi Kurt Lewin, com quem desenvolveu grande afinidade, tanto nos aspectos de aproximação com modelos de investigação baseados em métodos naturalísticos, quanto na premissa de complementariedade entre sujeito e ambiente.

Como professor, pesquisador e autor, Bronfenbrenner buscou continuamente aprimorar o modelo de sua teoria. O modelo ecológico proposto por Urie Bronfenbrenner, possuiu diferentes fases de desenvolvimento. Em seu primeiro delineamento teórico, nas décadas de 1950 e 1960, seu pensamento esteve muito influenciado pelo psicólogo alemão Kurt Lewin (1892-1947), na qual o autor buscou atualizar a teoria lewiniana de integração sujeito-ambiente, propondo que o comportamento humano (conduta) surge em função do intercâmbio da pessoa com seu ambiente, conferindo uma dupla direcionalidade, na qual tanto o sujeito, quanto o ambiente se mantêm em contínua influência, produzindo situações de continuidade e mudança para a realização de determinadas condutas (Bronfenbrenner, 2011). Dessa maneira, o contexto e o ambiente podem ser potencialmente benéficos ou impeditivos para determinadas metas.

Dessa forma, o primeiro modelo teórico apresentado por ele, realizou um aperfeiçoamento da teoria lewiniana, afirmando que o comportamento (conduta) surgia em função do intercâmbio da pessoa com o meio ambiente, denotando à teoria uma maior dinamicidade e dupla direcionalidade, uma vez que tanto o ambiente, quanto o sujeito

permanecem em condição de mútua influência, produzindo condições de continuidade e mudança.

Posteriormente, no ano de 1979, publicou o livro The Ecology of Human Development, o qual foi considerado um marco para a compreensão da ontogenia individual. Neste período, que coincide com o segundo momento no desenvolvimento da teoria, Bronfenbrenner demonstrou a importância de diferentes níveis ecológicos concebidos como sistemas entrelaçados. Baseado na metáfora das bonecas russas, em que uma se encaixa dentro da outra, ele dimensionou o ambiente social em quatro extratos que evoluem para relações progressivamente mais complexas (BRONFENBRENNER, 1987).

O autor procurou demonstrar a importância de diferentes níveis ecológicos, interconectados e mutuamente influentes. Segundo este modelo, o entorno social pode ser compreendido a partir de quatro subsistemas distintos e subsequentes: o microssistema, mesossistema, exossistema e o macrossistema (BRONFENBRENNER, 1983), os quais são descritos na seção seguinte.

A proposição desses níveis sociais influenciou muitas áreas do conhecimento, sobretudo nos anos 1980 e 1990, contribuindo para o desenvolvimento de teorias políticas, políticas públicas, estudos de populações em condições de vulnerabilidade, estudos educacionais, psicológicos e psicossociais em diferentes contextos (BRONFENBRENNER, 1987).

Bronfenbrenner considerava que sua própria teoria estava em contínuo desenvolvimento. Em suas atualizações mais recentes, que coincidem com o terceiro momento evolutivo da teoria (1996-2005), pontuou uma relativização das fronteiras que separam os sistemas sociais, modificando a terminologia de sistemas subsequentes para sistemas interconectados. Segundo ele, a mudança terminológica vai além de um simples jogo de linguagem, pois a relativização da demarcação dos subsistemas significa substituir uma ideia fixa de divisão, para a ideia de que as linhas que demarcam a separação entre os sistemas são tênues, elásticas e, por vezes, translúcidas (BRONFENBRENNER, 2011).

Também neste período e, especificamente a partir da publicação de Handbook of Child Psychology (BRONFENBRENNER; MORRIS, 1998) passa a ressaltar as características da pessoa, fazendo uma crítica pessoal ao desenvolvimento de sua teoria, a qual segundo ele, estava enfatizando de forma excessiva os contextos de desenvolvimento. Dessa forma, além de ampliar este entendimento, introduziu o termo “Bioecológico”, enaltecendo o desenvolvimento da pessoa em seus sistemas ecológicos. Este último movimento no desenvolvimento de sua teoria colocou o âmago de seu pensamento em similitude com ideias ecológicas contemporâneas, além de posicionar a visão epistemológica do autor com maior precisão.

De acordo com Koller (2011), que prefaciou a edição brasileira de seu último livro, Bronfenbrenner teve uma vida intensa, sua maior parte vivida na cidade de Cornell/EUA. Teve um casamento duradouro com uma descendente alemã, com a qual “teve seis filhos, treze netos e um bisneta, até sua morte em 2005” (KOLLER, 2011. p. 15). De acordo com Yunes e Juliano (2010) Bronfenbrenner era diabético e faleceu em função de complicações neste quadro.

Benzer Belgeler