BÖLÜM 2:TARĐH ÖĞRETĐMĐNDE YENĐ YAKLAŞIMLAR
2.10. Soru- Cevap Metodu
O estudo da correlação entre a acusação e sentença224 tem a seguinte regra: o objeto do processo deve permanecer o mesmo durante o desenvolvimento do procedimento, ou seja, da fase de imputação até a sentença.225
A finalidade da regra da correlação entre a imputação e sentença reside na necessidade de que o processo respeite o princípio do contraditório e de que a jurisdição mantenha-se inerte.226 A acusação define o conteúdo da imputação e é a partir dessa delimitação que a defesa deve ofertar resistência e o juiz se pronunciar.
Verifica-se, assim, a necessidade de que haja identidade entre o fato processual penal227 disposto na imputação e aquele existente ao tempo da sentença. A prevalência dessa identidade representa garantia tanto para a acusação, quanto para a defesa. O objeto do processo, definido pela acusação, precisa permanecer o mesmo até o ponto final, enfim, a fase de julgamento.228
para, fixada a competência, proceder nos termos do art. 143 do CPP” (Processo penal. 32ª ed. v. 3. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 62).
223 Ônus..., p. 368-369. Afirma ainda o autor: “[...] a reparação do dano causado pelo delito não é finalidade
ínsita ao processo penal. Trata-se de conseqüência eventual da condenação penal, que dependerá do sistema adotado pelo legislador. O processo penal brasileiro aderiu ao sistema da independência entre o processo penal e o processo civil, embora de forma mitigada. É efeito secundário da condenação penal ‘tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime’ (CP, art. 91, I)” (Ônus..., p. 368).
224 O estudo desse assunto será apenas o suficiente ao desenvolvimento da tese. Para análise específica, cf.
Gustavo Henrique Badaró, Correlação..., p. 97-136.
225 Gustavo Henrique Badaró, Correlação..., p. 97. 226 Gustavo Henrique Badaró, Correlação..., p. 98.
227 Gustavo Henrique Badaró assim define fato processual penal, ao tempo em que o distingue do fato penal: “O
fato processual penal é um acontecimento histórico concreto, um fato naturalístico. Diversamente, o fato na concepção do direito penal é uma entidade extraída de uma situação hipotética, de um tipo penal, e não um fato concreto que foi realizado pelo autor e que foi introduzido no processo através da imputação” (cf. Correlação..., p. 99).
228 Esclarece Gustavo Henrique Badaró: “A alteração fática pode não afrontar o direito de defesa, mas pode
prejudicar a acusação. O direito de defesa não pode ser o critério exclusivo na determinação da relevância da alteração do fato imputado. É necessário pensar na acusação, o outro pólo da relação processual que irá integrar o contraditório. Se a regra da correlação entre acusação e sentença tem por objetivo preservar o princípio do contraditório, e se este diz respeito não só à defesa, mas à possibilidade de ambas as partes estarem em condição
A pergunta que se impõe: tal regra deve estar presente em relação à perda de bens? A resposta afigura-se positiva. A observância à correlação entre o fato imputado e o decidido também se aplica à perda de bens como condição essencial para o desenvolvimento de um processo justo.
Vê-se, pois, que a decisão de perda de bens estará vinculada à imputação patrimonial feita pelo Ministério Público. A descoberta de novos bens no curso do processo penal implicará a necessidade de se aditar a imputação patrimonial, para que a defesa possa ter oportunidade de reagir a essa nova imputação, produzindo prova e manifestando-se previamente à decisão de perda de bens.
2.8.3 Motivação
A garantia da motivação das decisões judiciais encontra guarida constitucional, sendo prevista na parte que estrutura e organiza o Poder Judiciário: “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade” (CF, art. 93, IX).
A análise dessa garantia constitucional evoluiu de uma concepção de caráter técnico- processual, para uma compreensão política, como garantia da própria jurisdição.229
A obrigatoriedade de motivação das decisões judiciais, no decorrer da história, relaciona-se, segundo Antonio Magalhães Gomes Filho, “ao próprio desenvolvimento do Estado moderno e de seu aparelho judiciário, às relações entre o indivíduo e a autoridade, ao modo de se estruturar o processo em determinado momento histórico e cultural e, inclusive, ao tipo de responsabilidade do juiz diante da sociedade”.230
A motivação pode ser vista sob duas perspectivas: como garantia política231 e como garantia processual.232
Como garantia política, a ideia da motivação coincide com a da limitação do poder dentro de um Estado democrático de direito, que se vincula aos conceitos de legalidade,
de se contradizer, violação do exercício da acusação é também violação ao princípio do contraditório” (cf.
Correlação..., p. 119).
229 Antonio Scarance Fernandes. Processo penal constitucional. 6ª ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2010, p. 127. Para estudo abrangente da evolução histórica do dever de motivar, cf. Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação das decisões penais. 2ª ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013, p. 44-63.
230 A motivação..., p. 44.
231 Para estudo da motivação como garantia política, ver Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p. 64-
79.
232 Para estudo da motivação como garantia processual, ver Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p.
separação de poderes e inviolabilidade dos direitos individuais. Daí a importância dos atos emanados dos poderes públicos seguirem um “padrão de legitimidade racional e objetiva”.233 Isso permite dois controles: um interno, feito pelo próprio poder no qual se acha inserido o órgão que deu origem ao ato; e um externo, feita pela comunidade, no exercício democrático e difuso sobre a legitimidade ou não do exercício do poder.234 A comunidade tem direito de aferir quais as razões e os critérios adotados pelo juiz, com o fim de verificar se está agindo conforme o direito, ou seja, com imparcialidade e justiça.235
Como garantia processual, o ponto principal a ser destacado está na função instrumental da motivação, como “resultado de uma efetiva apreciação, pelo juiz, de todas as questões de fato e de direito suscitadas”.236 Isso leva à possibilidade de as partes conhecerem as razões que conduziram o juiz a decidir de determinada forma, o que permite a impugnação da decisão e de seus fundamentos. Daí é que se viabiliza o exercício do duplo grau de jurisdição, mediante controle da legalidade e legitimidade da decisão.
A consequência para a ausência de motivação é a nulidade absoluta (CF, art. 93, IX). Nesse sentido, o capítulo da sentença atinente à perda de bens deve ser motivado.237 A definição quanto à culpabilidade não tem o condão de gerar a perda de bens de modo mecânico e automático, sem a efetiva demonstração. Cabe, pois, ao juiz dar-se ao trabalho de expor as razões fáticas e as jurídicas pelas quais concluiu que os bens devam ser perdidos.238
O pressuposto para se declarar a perda de bens está na demonstração do vínculo entre os bens adquiridos e a prática do fato criminoso, objeto do mesmo processo. Isso precisa, no momento da sentença, atingir o nível de certeza, seja a partir de provas diretas, seja a partir de prova indiciária.239
233 Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p. 64. Nicolas Gonzalez-Cuellar Serrano.
Proporcionalidad..., p. 141-142.
234 Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p. 64-65. 235 Antonio Scarance Fernandes, Processo..., p. 127.
236 Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p. 81.
237 Além da expressa previsão constitucional, o dever de motivar as decisões judiciais limitativas de direitos
fundamentais deriva da própria essência do Estado democrático de direito. Cf. Nicolas Gonzalez-Cuellar Serrano, Proporcionalidad..., p. 141-142.
238 Marcia Monassim Mougenot Bonfim e Edilson Mougenot Bonfim esclarecem: “Tratando-se de efeito
genérico da condenação (automático), não é necessário que o confisco seja expressamente declarado na sentença condenatória. A decisão judicial que o decreta, todavia, deve ser fundamentada” (Lavagem..., p. 98). Para estudo específico sobre a motivação de direito e motivação de fato, no processo penal, cf. Antonio Magalhães Gomes Filho, A motivação..., p. 108-141. O mesmo autor também discorre sobre a estrutura da motivação, A
motivação..., p. 89-107.
239 Sobre o valor dos indícios, afirma Maria Thereza Rocha de Assis Moura: “Todo indício tem alguma
significação probatória, devido à conexão lógica que o relaciona com o fato desconhecido que se investiga. Contudo, salvo nos casos excepcionais em que um só indício necessário baste para estabelecer a certeza do fato, é do conjunto de indícios contingentes que se atinge um grau de certeza, do mínimo ao máximo, quanto ao fato