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BÖLÜM 2:TARĐH ÖĞRETĐMĐNDE YENĐ YAKLAŞIMLAR

2.9. Anlatım Metodu

Superado o estudo das cautelares reais, cumpre neste momento tecer considerações sobre aspectos referentes à imputação patrimonial.

Em um estudo específico sobre a perda de bens e suas relações com o processo penal brasileiro, precisa ficar bem nítida a distinção entre a imputação do fato criminoso e a imputação patrimonial.

206 Também entendendo que o defensor do acusado deva ser ouvido previamente, cf. Marco Antonio de Barros,

Lavagem..., p. 277.

207 O administrador “é um auxiliar da Justiça, nomeado para assessorar o julgador no resguardo de interesses do

Estado e da sociedade”. Cf. Marco Antonio de Barros, Lavagem..., p. 275.

208 Cf. art. 150 do CPC. Sobre o assunto, cf. Marco Antonio de Barros, Lavagem..., p. 277. 209 Marco Antonio de Barros, Lavagem..., p. 277.

A acusação se materializa por meio da denúncia ou queixa. Nessa peça formal há os elementos da imputação210, além dos elementos que identificam a ação penal condenatória. São eles: as partes, a causa de pedir e o pedido.211

Tradicionalmente, o estudo desses aspectos sempre se ateve ao fato principal discutido em juízo. Assim, identificam-se as partes pela natureza de quem acusa e pela qualificação do acusado. A causa de pedir é reconhecida pela descrição do fato criminoso e pela qualificação jurídica desse fato e o pedido circunscreve-se ao pleito de condenação e de aplicação de pena.212

A imputação tangencia a causa de pedir, mas com ela não se confunde. Vai além. Se a causa de pedir limita-se à descrição do fato criminoso e à indicação de sua qualificação jurídica, a imputação “é a atribuição do fato descrito e qualificado a alguém”.213

Vê-se que até aqui tais conceitos são especificamente dirigidos à imputação do fato criminoso.

Com a introdução do elemento patrimonial, torna-se imprescindível adaptar tais conceitos para que seja possível construir, com a autonomia necessária, a imputação patrimonial.

Os aspectos processuais decorrem da lógica estabelecida no direito material. Nesse sentido, se a perda de bens é efeito da condenação penal, a disposição quanto ao conteúdo patrimonial deve guardar vinculação com a descrição do fato criminoso. Ou seja, a imputação patrimonial consiste na atribuição de que, em razão do fato criminoso, houve a aquisição direta ou indireta de determinados bens, direitos e valores pelo acusado ou por terceiro, a seu favor.

A causa de pedir quanto à imputação patrimonial consiste na indicação dos bens, direitos e valores adquiridos a partir do fato criminoso. A atribuição de tais aquisições ao acusado faz surgir a imputação patrimonial.

O pedido decorrente da imputação patrimonial é o da declaração de perda de bens (CP, art. 91, II, b).

A consequência natural disso será a impossibilidade de se decretar a perda de bens sem a existência de imputação patrimonial. O atual modelo de perda de bens brasileiro exige a

210 Gustavo Badaró assim conceitua imputação: “A imputação é a afirmação do fato que se atribui ao sujeito, a

afirmação de um tipo penal e a afirmação da conformidade do fato com o tipo penal. Em síntese, trata-se da afirmação de três elementos: o fato, a norma e a adequação ou subsunção do fato à norma. Seu conteúdo, pois, só pode ser a atribuição do fato concreto que se enquadra em um tipo penal. O objeto da imputação, por outro lado, é o fato que foi atribuído a alguém” (Processo penal. Rio de Janeiro: Campus: Elsevier, 2012, p. 406).

211 Antonio Scarance Fernandes, Reação defensiva..., p. 150. 212 Antonio Scarance Fernandes, Reação defensiva..., p. 150. 213 Antonio Scarance Fernandes, Reação defensiva..., p. 151.

vinculação do patrimônio do agente com a prática criminosa imputada. Não basta a indicação do patrimônio. É preciso imputá-lo ao acusado, o que pressupõe a demonstração do elo referido.

A partir disso, o importante será definir o momento e a forma que a imputação patrimonial deve se materializar.

Se a imputação patrimonial é imprescindível para a perda de bens, sua veiculação em juízo deve dar-se ao tempo da imputação do fato criminoso, quando do ajuizamento da ação penal. Nada impede que antes disso o Ministério Público pleiteie o sequestro e nessa ocasião já realize a imputação patrimonial (CPP, art. 127).

Excepcionalmente, a imputação patrimonial pode surgir no curso do processo. Isso porque é possível que os bens adquiridos ilicitamente sejam identificados após o início da ação penal. Nesse caso, sempre será necessário velar pela produção probatória e pelo contraditório antes de qualquer decisão quanto à perda de bens.

No entanto, fica vedada qualquer possibilidade de a acusação surpreender, propositadamente, a defesa com a oferta da imputação patrimonial na iminência da prolação da sentença.214 Tal atitude violaria o devido processo legal.

Quanto à forma, o assunto merece atenta análise.

Conforme visto quando do estudo das medidas assecuratórias, uma vez identificados os bens suspeitos, decorrentes do fato criminoso, e imputados ao acusado, há verdadeiro dever jurídico da acusação em requerer o sequestro desses bens. É desnecessária a presença do

periculum in mora, bastando a suspeita decorrente de elementos até mesmo indiciários de que os bens indicados são frutos, direta ou indiretamente, da infração penal que se imputa.

Assim, a própria razão de ser do sequestro revela que a imputação patrimonial deve dar-se, via de regra, com a dedução desse pedido em juízo, o que é feito de forma autônoma e incidental.

O pedido de perda de bens, por sua vez, também fica implícito com o pedido de sequestro. A natureza jurídica desse instituto só se justifica para garantir a viabilidade e a eficácia da declaração de perda. Evidente que isso não impede que o Ministério Público também inclua na denúncia a indicação dos bens suspeitos, com a consequente imputação patrimonial e o pedido de perda de bens.

214 O argumento é possível, porém difícil de ocorrer na prática. Se a medida cautelar de sequestro não for tomada

O importante, como se percebe, é que a imputação patrimonial surja no processo penal com a suficiência clareza e determinação, para que a defesa possa ser exercida amplamente.215

Benzer Belgeler