C. Cumhurbaşkanının Yargılanması
4. Soruşturma ve Yargılama Sürecinde Cumhurbaşkanının İşlemleri
Em comparação aos organogramas citados, a agência digital se aproxima mais do modelo funcional de Lupetti (2006) do que de Bertazi (2008), mesmo considerando os departamentos de TI e de projetos, que têm a mesma relevância dos demais, como criação e atendimento. Podemos considerar como característica dessa agência o fato de o planejamento ficar sob responsabilidade do atendimento, uma vez que é um departamento em formação (o trabalho era terceirizado até pouco tempo). O organograma que nos foi enviado (figura 34) difere pouco dos modelos de agência de publicidade não digitais, acrescido de departamentos específicos, como nos referimos.
Figura 34: Organograma agência digital pesquisada (apêndice 4).
Uma característica das agências digitais é a ausência de um produtor gráfico e, em seu lugar, está o departamento de projetos, responsável por todas as produções, inclusive de RTV. Nesse departamento são realizados os orçamentos de materiais, predominantemente vídeos, porque a maioria dos trabalhos – posts, blogs, conteúdos – é produzida internamente.
Há quatro divisões de trabalho na criação desta agência digital, segundo relatou informalmente o diretor de criação: as plataformas, que são portais e hubs, ou seja, as
estruturas; e a propaganda, como hot sites, campanhas, display, banners e pop ups e, ainda,
social media, app e ferramentas. Para realizar esses trabalhos, a criação é dividida em dois
grupos, sendo um de criação, denominados demandas da propaganda (que vão para a equipe sênior) e outro de produção criativa (para os demais criativos plenos ou júniores). É comum a equipe de produção criativa dar andamento a um trabalho já pronto, como acontece nas agências tradicionais, nas quais, muitas vezes, os assistentes ou equipes de júniores “tocam” o trabalho depois de criado pelos seniores. Alguns jobs são criados pelos redatores seniores e diagramados por diretores de arte da produção criativa, como os textos para blogs de clientes e posts, que já têm certo padrão preestabelecido por ser um trabalho recorrente. Segundo um dos redatores, são 15 posts por mês, em média, para cada cliente, com conteúdo alimentado pelo atendimento/planejamento.
Pode acontecer, ainda, de alguns trabalhos serem feitos pelas duplas seniores, mesmo sendo devolutivas (refações). Isso depende de cada caso e do “peso” do job, como foi observado no modelo de briefing, em que há uma valoração do trabalho, sinalizado em importância: “ouro”, quando é de alta importância para o cliente e a criação deve ser detalhada, com planejamento; “prata”, quando são projetos do dia a dia e “bronze”, projetos simples e rápidos, similar à classificação da agência tradicional, cuja denominação é PMG.
Na agência digital pesquisada, quem distribui o trabalho para as duplas é o tráfego e não o diretor de criação, a não ser no caso de grandes campanhas nas quais ele convoca aqueles que considera mais alinhados ao tipo trabalho. O tráfego tem total autonomia para decidir quais criativos irão fazer os jobs e é ele quem distribui os trabalhos, cabendo ao diretor de criação apenas orientar as duplas a partir dessa decisão.
Esse poder de decisão do tráfego causou estranhamento e, ao questionarmos quais os motivos, de maneira informal foi relatado que o tráfego está na agência há anos, conhece bem os clientes e o perfil dos criativos e, por isso, ninguém melhor para saber quem pode realizar determinada tarefa. A palavra task, tarefa, é de uso corrente na agência, utilizada muito mais do que o termo job. Ao comparar a definição de ambas, verificamos que tarefa tem um caráter muito mais prático, refere-se a um trabalho ou empreitada realizados em determinado prazo. Já a palavra job, trabalho, traz sinônimos que valorizam o fazer, tanto manual como intelectualmente, com dezenas de sinônimos. Essa pequena distinção de nomenclatura nos remete às linhas de visibilidade e de enunciação sobre as quais se refere Deleuze (1999), imanentes em cada dispositivo, e que se relaciona ao fazer técnico mais comum nas agências digitais. A fim de confrontar a nossa percepção, fizemos uma busca simples no Google por essas palavras-chave: task tem como principais resultados empresas de tecnologia e software,
já a palavra job, remete a empregos e empresas de RH, o que nos dá a medida dessas denominações e o que estas comportam de atualidade dos processos criativos nas agências digitais, o tipo de trabalho realizado, muito mais técnico e informativo e do que suasório, como explicita o diretor de criação ao se referir ao processo criativo de um e-mail:
[...] você falou do e-mail e tal, por exemplo, tudo que seja... tem uma base de designer, é um trabalho mais individual, um trabalho da tentativa de fazer uma coisa bonita, não necessariamente um conceito, qualquer webdesigner vai me matar, falando que o design tem conceito, mas se eu não falar assim ninguém vai entender. Pergunta: Tem que ser plástico?
Resposta: É a busca da organização perfeita daquela informação, uma informação que é dada a você e você vai estruturar aquela informação de uma maneira ou mais bonita, ou mais inteligente, ou mais rápida, conforme o briefing, conforme o pedido. Então é o trabalho de tratar a informação, mais do que produzir uma comunicação nova sobre essa informação [...] (DIRETOR DE CRIAÇÃO [redator], agência digital).
Nesse modelo de agência, ao contrário do anterior, existe sim um sistema intranet
(Activecollab) que controla todo o fluxo do trabalho, sendo o briefing aberto pelo atendimento
ou pelos profissionais de operações. Os jobs e demais trabalhos ficam on-line (figura 35) com as divisões específicas para que todos possam consultar a qualquer momento
Figura 35: Alocação da abertura de job no sistema - agência digital.
Há dois tráfegos na agência, o da criação e o de TI: “Eles são responsáveis pelo controle de alocação dos recursos, fazendo a interface com a área de Projetos para que os cronogramas sejam seguidos de forma organizada. Utilizamos um sistema chamado
Allocation (parecido com o Google Calendar) para que todos possam visualizar como estão
as alocações” (PLANEJAMENTO JR., agência digital, por e-mail). O tráfego da criação “vê os jobs” por dia e os distribui na criação. Solicitamos que descrevesse o seu trabalho e a
resposta também veio por e-mail:
1) vejo as entregas todas feitas no dia anterior, abro as tasks e vejo os arquivos na rede, para ver se não tem nada errado.
2) na segunda-feira olho a agenda deles da semana passada batendo as horas que estimei com as que eles colocaram no timesheet, um por um, isso apenas 1 x na semana, pra ver se estou estimando correto.
3) olho a agenda de um por um do dia, para ver se as tasks chegaram pra eles começarem os trabalhos.
4) começam chegar tasks para estimar e alocar jobs para a semana, todo dia chega. 5) vejo se alguém tem dúvida nos jobs antes de começar para chamar o atendimento e gerentes de projetos.
6) o restante da tarde estimo e aloco as tasks que vão chegando, até as 18 horas e continuo acompanhando a equipe, às vezes participo de reuniões de briefing e coisas que vão chegar também.
7) antes de ir, vejo se está tudo certo com eles, e preencho meu timesheet (TRÁFEGO, agência digital).
O tráfego da criação participa de todas as reuniões, discutindo com os demais os caminhos possíveis para os jobs. A relevância desse profissional, além do tempo de casa, como nos referimos, parece ser decorrente da sua formação. Anteriormente trabalhou na criação como diretor de arte e tem conhecimento e familiaridade com o andamento dos processos criativos. Foi o tráfego quem decidiu quais profissionais poderiam ser chamados para as nossas entrevistas, escolheu uma dupla de seniores e talvez essa escolha tenha melindrado um dos profissionais da outra dupla sênior, que, arredio, quase não se dirigiu à pesquisadora como os demais. Por isso, além das entrevistas agendadas e gravadas, a pesquisadora conversou particularmente com todos os integrantes da criação na sala, coletando informações sobre o perfil profissional, trabalhos e desejos, mas esse redator sênior foi o único a se esquivar e não participou nem dessa minientrevista.
Todos os profissionais de criação têm um relatório diário de timesheet monitorado pelo gerente de operações e, segundo relato do tráfego da criação, mesmo assim não há controle em relação ao desempenho do criativo, apenas da hora-homem, uma vez que esses dados são utilizados para a cobrança dos honorários. O tempo é determinado pela agência, que projeta de antemão as horas/dias que o trabalho irá demandar. Pelo que foi possível compreender, há um fee mensal para a realização de trabalhos do dia a dia, cujas horas utilizadas podem ser comprovadas por esses relatórios de timesheet, além da classificação no
briefing, que sinaliza se o trabalho faz parte do fee ou será cobrado isoladamente.
Os prazos e a divisão dos trabalhos, com horários, são bem aceitos pelos profissionais, como relatou informalmente um criativo: “sei o que tenho de fazer e no prazo que irei fazer, sem delongas”. Não há a percepção do controle, da produtividade imposta. Outro disse que “se não houvesse controle como seria? Cada um fazendo no momento que quiser?” Um
terceiro, diretor de arte, relatou a não rigidez dos prazos, já que o controle é semanal. Nenhum profissional se referiu ao bloqueio do computador, caso não preencha o timesheet, como observamos na agência tradicional. Durante as entrevistas, perguntamos se o controle não era angustiante e todos disseram que não. Apenas um diretor de arte disse não gostar, já o redator acha bom o controle, comum na agência tradicional em que trabalhara antes, só que sob outro formato.
Pergunta: O que você acha desses jobs on-line? Esse esquema de horas? Tinha isso no off ou só no on-line?
Resposta: Depende do lugar. Na NOME (grande agência tradicional de São Paulo) era timesheet de mês, uma vez por mês tinha de entregar um arquivo de timesheet, mas era diferente [...] os jobs eram de dias, tinha prazo... acho que eu nunca escrevi tantos títulos quanto os que fiz para cigarros MARCA, nunca, isso é outra coisa. O sarrafo de uma agência enorme é muito diferente, muito, não tem comparação. Não estou dizendo que isso é bom ou ruim [...]
Pergunta: E no processo? Eu entendi assim [...] tem um controle do horário? Você se sente cerceado, coagido?[...] Isso incomoda?
Resposta: Controle? Eu acho ótimo [...] Acho que as coisas têm de ser feitas no horário, entregues no horário. Você tem de fazer o que a agência te pede. Mas raramente a agência pede coisas que não deveria pedir. A ideia do mercado de ficar virando noite... não. Eu acho ótimo isso (de não ter de virar a noite) (REDATOR, agência digital).
Tivemos acesso ao sistema de intranet na qual são salvos os arquivos em diversos formatos para diferentes aplicações, como as extensões pds, html e multimídia (figura 36), que inclui filme (com extensões para mídia digital e analógica). No caso dos materiais (e- mails, posts, landing page, banners etc.), são os próprios diretores de arte que finalizam nos diferentes formatos, como escrevemos. Já os textos são verificados pelo revisor, que checa todos os trabalhos na finalização. Foi possível observar o diálogo deste profissional com uma dupla, sugerindo alterações, acatadas sem ressalvas.
Figura 36: Tipos de peças da criação na agência digital.
Os trabalhos aprovados possuem um mood (mood board) que fica alocado no sistema e nos parece ter ocupado o lugar do copy criativo, que resumia as informações para a criação. Esse mood é composto pelo logotipo, principais textos e informações da campanha.
Assim que terminamos a pesquisa solicitamos por e-mail uma ideia do fluxo de trabalho completo. Foram enviados vários documentos em formato webarchive (do programa
BizAgy) e que envolve todos os departamentos da agência. Trata-se de um material bastante
técnico (como o nome da agência e não podemos exibi-lo), desse modo elaboramos um fluxo unindo informações, documentos enviados e achados da nossa observação (figura 37), do mesmo modo que fizemos com as demais agências.
Figura 37: Fluxo de trabalho agência digital pesquisada (apêndice 5).
Verificamos nesses documentos enviados as especificações de prazos e valoração para cada tipo de trabalho, desde a avaliação da solicitação do cliente: “até 2 dias úteis, após notificação para hotsites/ações especiais e 1 dia útil, após notificação para outros”, ao envio
da mídia, incluindo correções. Os prazos para a criação das peças especificados são: “peças e e-mails (4 dias), ajustes e manutenções (3 dias), campanhas de mídia on-line (4 dias entre
briefing e conceito + 3 dias a partir da aprovação do plano de mídia), projetos (entre 6 dias e 2
semanas) e bugs (ASAP, entre 1 e 5 dias)”. Os fluxos e prazos parecem servir para orientar os departamentos e a negociação com o cliente, estabelecendo um padrão comum em função do tipo de trabalho: ouro, prata e bronze.
O atendimento muitas vezes é chamado à criação para apresentação de uma prévia do que está sendo elaborado pelas equipes, ainda em processo. O acesso é bastante comum e bem aceito, antes, durante e depois da elaboração das peças, num diálogo colaborativo, mesmo depois, quando um trabalho está em fase de produção, com consultas aos criativos e troca de informações. O poder de decisão entre os departamentos nos pareceu equânime, de certa forma todos opinam no produto final, mas, como um dos responsáveis por projetos relatou “todos palpitam, mas a opinião não é decisiva”, sendo que a aprovação fica a cargo do diretor de criação, juntamente com os diretores de atendimento, mídia e do presidente da agência.
Como na agência anterior, a criação é bastante valorizada e não percebemos o mesmo “encantamento” com os programadores e profissionais de TI, que ficam em outra sala sob a supervisão do departamento de projetos, uma função mais técnica, talvez pela origem da agência, que nasceu digital. Percebemos a relevância do departamento de mídia, responsável pelas estratégias das peças na rede on-line que podem acompanhar os movimentos dos consumidores. Segundo relato informal do diretor de criação, ele “é o cara”, aquele que sabe das coisas e cuja importância é asseverada pelo próprio responsável pelo departamento:
[...] normalmente a gente tem um briefing, sim, esse briefing ... eu penso que a mídia consegue e deve fazer interface com todos os momentos desse briefing. Então, a criação deve sim considerar a mídia na sua tomada de decisão criativa, porque, dependendo, pode ser totalmente viável ou inviável o que eles estão começando a pensar. E quem vai, talvez, viabilizar isso ou dizer que é viável é o mídia. Por exemplo, você está indo por um caminho...você quer que o usuário faça o download disso? Por que você faria o download disso? Então, o pensamento da mídia deve ajudar a influenciar toda a criação e, inclusive, o resultado, o negócio (DIRETOR DE MÍDIA, agência digital).
Mesmo se referindo ao mídia com entusiasmo, o diretor de criação acentua a valorização do seu departamento e, quando confrontado sobre a posição do planejamento e demais áreas, considera que a criação faz diferença, responsável pela magia, a ideia, que deflagra todos os demais processos:
[...] na altura do vamos ver, o briefing é dado à criação e a criação tem de tirar alguma coisa da cartola, então, a criação continua fazendo magia, acho eu, porque se a solução estivesse no bom planejamento, se a solução estivesse no bom briefing, se
a solução tivesse numa boa preparação, essa magia não acontecia. E acontece magia, acontece a surpresa, entre aquilo que é pedido e a coisa boa, que vem pra mesa de apresentação, há uma magia ali que é um trabalho de criação. Se as pessoas .... é muito legal... tipo a primeira .... o fósforo dessa fogueira foi lançado por alguém da mídia, ótimo .... essa fagulha, essa primeira coisa ... mas a obrigação é que venha da criação [...] (DIRETOR DE CRIAÇÃO [redator], agência digital).