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Partindo da constatação de Diegues & Roselino (2006) de que há uma baixa interação entre as firmas multinacionais com as empresas nacionais sediadas em Campinas (com a exceção dos seus institutos de pesquisa para obter os benefícios previstos na legislação), pode-se prever que há menor obtenção de conhecimento por parte dos funcionários de multinacionais junto a fontes locais. Além disso, por estarem imersas em projetos globais, respondendo a uma rede de projeto dispersa, e muitas vezes com tecnologia proprietária, os vínculos locais podem ser de baixís- sima relevância para as multinacionais.

É o que se nota ao verificar que apenas 57,1% dos que trabalham em multi- nacionais obtém conhecimento através de seus contatos, enquanto esse número é de 80,7% para os que atuam nas empresas nacionais. Ao questionar um dos desen- volvedores de uma multinacional européia sobre os motivos para este fenômeno, ele afirmou que o seu trabalho possuía uma série de especificações e tecnologias inter- nas à firma e, que possuía uma estrutura padronizada para solucionar dúvidas inter- namente, habitualmente, os problemas encontrados nos projetos em que estava en- volvido eram geralmente resolvidos com o apoio de outras subsidiárias envolvidas na rede global de desenvolvimento do projeto ou diretamente com a matriz.

Além disto, um mecanismo presente em alguns contratos que busca desesti- mular a troca de conhecimento entre funcionários com informações sensíveis são as

cláusulas que impedem o funcionário trabalhar numa empresa concorrente. Da mesma forma que Dahl & Pedersen (2004), esta hipótese foi testada neste trabalho. Se a troca de informações depende de uma reciprocidade para se estabelecer e perdurar, a restrição de fornecimento de informações por parte de um empregado com este tipo de cláusula restringirá o número dos funcionários que trocam conhe- cimentos através dos contatos informais.

Da mesma forma que Dahl & Pedersen (2004), foi possível identificar uma menor propensão a troca de conhecimento nos funcionários que trabalhavam em empresas que possuíam esse tipo de cláusula. Do total de entrevistados, aproxima- damente 20% dos entrevistados possuíam cláusulas dessa natureza. Dentro desse grupo, 66,7% adquire conhecimento por meio dos seus contatos informais. Dentre os que não possuem esse número é bem maior sendo de 80,8%. Apesar de ambos os valores serem relativamente altos, essa diferença de quase 15 pontos percentu- ais pode indicar que este tipo de cláusula inibe o estabelecimento de relações em que se verifica a troca de conhecimentos por meio de contatos informais.

Dahl & Pedersen (2004) evidenciam este mesmo fenômeno pelo menor nú- mero de contatos informais, dos que possuem este tipo de cláusula em seus contra- tos. Dos que possuem esta cláusula, 63% têm contatos informais e dentre os que não possuem esse número é significativamente maior e chega a 79%.

Além disto, como mostrado por Dahl (2003), outros elementos podem ser re- levantes com relação ao estabelecimento e à troca de conhecimento por meio de contatos informais como a experiência no setor, o tempo de trabalho na região, se o funcionário atuou ou não em projetos de colaboração com outras empresas e o nú- mero de empresas que o funcionário já trabalhou. Nestes casos, ocorrências deste tipo indicariam um grupo de contatos mais rico.

Com relação ao tempo de experiência no campo de TIC, não foi possível che- gar a nenhuma conclusão. Tanto o grupo dos que atuavam há mais tempo que a media 9 de anos no setor como o que atuava a menos tinham o mesmo número de representantes que obtinham conhecimento por meio dos contatos informais.

Com relação ao tempo de experiência na região de Campinas, a constatação é no sentido de que menos profissionais obtinham conhecimento (70,5%) por parte dos que estão a menos da média de 6 anos frente aos que estão há mais tempo (88,0%). Portanto, funcionários que trabalham a mais tempo possuem redes de con- tatos mais ricas no que diz respeito à obtenção de conhecimento.

Da mesma forma, entre os funcionários que atuaram em projeto formais de colaboração com outra empresa do cluster (47% do total) a proporção que obtém conhecimento é de 89,2%, sendo que entre os que não aturam é de 67,7%.

O mesmo foi encontrado por Dahl & Pedersen (2004) para o número dos que possuíam contatos informais, pois 87% dos que atuaram nesse tipo de projeto pos- suía contatos informais enquanto esse índice era de 73% para os que não tinham atuado em projeto de colaboração formal com alguma empresa do cluster. Isto pare- ce evidenciar que os projetos formais de colaboração enriquecem as redes de rela- cionamento e permitem a obtenção de conhecimento através delas.

Com relação ao número de empresas da região que o entrevistado já atuou, pode-se evidenciar mais claramente o enriquecimento dos contatos, pois entre os profissionais que já atuaram em 3 ou mais empresas da região, 83,3% afirma obter conhecimento por meio de seus contatos informais. Entre os que atuaram em menos empresas, a porcentagem dos que obtém conhecimento cai para 65,7%. Da mesma forma que atuar em projetos formais de colaboração, pode-se afirmar que pessoas que passaram por mais firmas tendem a ter uma rede de relacionamentos sociais mais ricas no que diz respeito ao conhecimento profissional.

Obtenção de conhecimento de acordo com a experiência do funcionário 0,88 0,892 0,833 0,705 0,677 0,657 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 Mais de 6 anos em Campinas Atuou em projetos formais Trabalhou em 3 ou mais empresas em Campinas Sim Não

Estas informações confirmam que funcionários com maior experiência no cluster (seja por número de empresas, por atuar em projetos de colaboração ou por maior tempo) possuem maior probabilidade de obter conhecimento de seus contatos informais. Por isto, os contatos tornam-se mais estáveis com o tempo e valorosos, como apontado na literatura (e.g. Von Hippel, 1987 e Maskell, 2001).

Como foi possível notar, o método dos contatos informais permitiu verificar que entre os profissionais do SLP de TIC da região de Campinas ocorrem transbor- damentos de conhecimento e que eles são importantes. Entre outras características, também se verificou que os profissionais que atuam com funções de maior nível e com maior experiência tendem a obter conhecimento mais valioso através dos seus contatos informais do que os funcionários de menor nível, como os programadores, e os que possuem pouca experiência.

Benzer Belgeler