BÖLÜM VI. SONUÇ ve ÖNERİLER
6.1. Sonuçlar
A formação de Gorceix, obviamente, marcaria suas pesquisas, assim ele desenvolveria seus estudos sobre as rochas da região central de Minas Gerais observando, principalmente, sua natureza e composição química e mineralógica.
O trabalho de Gorceix de maior interesse para este estudo foi publicado em duas partes, consecutivamente, nos volumes 1 e 2 dos Anais da Escola de Minas de Ouro em 1881 e 1883. A primeira parte é um esboço do que seria delineado na segunda: uma proposta de divisão estratigráfica “para os terrenos que se estendem do Rio de Janeiro a Diamantina segundo o Meridiano da primeira cidade e a grande cadeia de separação das águas da província de Minas” (Gorceix, 1883:6).
Suas observações iniciais lhe permitiram, na primeira publicação, apresentar divisões para as principais rochas que formam os terrenos do centro de Minas Gerias, segundo ele, as quartzosas e as xistosas, que se acham sobre uma base de gnaisses, granitos e micaxistos que afloram em várias partes nas bacias da região.
Os quartzitos são divididos em dois níveis, inferiores e superiores, em função de sua posição estratigráfica e da predominância de uma ou outra das duas principais substâncias que acompanham o quartzo, “uma substância verde e o ferro oligisto” (hematita).
Segundo Gorceix, os inferiores, caracterizados pela presença desta matéria verde, foram denominados, erroneamente, quartzitos talcosos por causa de suas propriedades semelhantes ao talco. Por análises químicas, Gorceix concluiu se tratar de micaxisto. Por sua vez, estes quartzitos inferiores foram subdivididos. A subdivisão inferior tem como característica a distribuição do micaxisto em camadas, caracteristicamente, as “Pedras das Lages” em Ouro Preto e, a camada superior é a dos itacolomitos, onde o micaxisto se encontra disseminado irregularmente, podendo inclusive desaparecer. Caracteriza esta subdivisão o Pico do Itacolomi, e a ela também pertencem “a Serra da Cachoeira, a do Caraça, e a maior parte dos terrenos que se estendem deste a cidade de Conceição até a de Diamantina” (Gorceix, 1883:3). Fica explicitado que, assim como Eschwege, Gorceix não distingue os itacolomitos do Quadrilátero dos do Espinhaço.
Já o andar superior dos quartzitos, distinguido por Gorceix, se caracteriza essencialmente pela presença do “ferro oligisto”, ou seja, itabiritos.
“As camadas dessas rochas, as quais conservarei o nome de itabiritos, atingem em várias localidades potencias de mais de 200m e constituem as mais ricas jazidas de minério de ferro do mundo, não só por causa da pureza com também pela facilidade de extração.” (Gorceix, 1881:3)
Gorceix também apresenta uma subdivisão para os itabiritos, mas deixa claro que, ao contrário da subdivisão dos quartzitos inferiores que foi baseada em posicionamento na coluna estratigráfica, esta não tem fundamento geológico, baseia-se apenas em suas características: os arenosos e friáveis são conhecidos como “jacutinga” e os compactos e duros que são chamados de “pedras de ferro”.
Para as rochas xistosas, que Gorceix julga muito mais difíceis de classificar, apresentou nesta primeira parte de seu trabalho apenas duas divisões: xistos inferiores aos itabiritos e xistos superiores aos itabiritos ou pertencentes ao mesmo grupo.
Gorceix finaliza enxergando mais um nível na coluna estratigráfica:
“As rochas mais modernas dessa região são representadas por depósitos horizontais de conglomerados formados à custa das rochas subjacentes. O mais importante destes conglomerados é o que geralmente é conhecido pelo nome de “canga”; é constituído por fragmentos de itabiritos cimentados por uma argila ferruginosa.” (Gorceix, 1881:9)
Esta primeira visualização da estratigrafia da região do hoje Quadrilátero por Gorceix, seria amadurecida e publicada na segunda parte de seu estudo. Antes porém de apresentar a divisão proposta, Gorceix chama atenção para dois pontos que marcariam sua contribuição: Primeiramente que as rochas até então designadas talcoxisto, por sua composição, deviam ser consideradas micaxisto e depois para o “caráter metamórfico e cristalino muito pronunciado” da série inferior (grifo nosso). Na verdade não se trata de discussão sobre existência de metamorfismo ou não, o que está sendo introduzido por Gorceix é a terminologia “metamórfico”.
As nove divisões estabelecidas por Gorceix são as seguintes: I. Gnaisse porfiroidal – Leptinito – Pegmatito; II. Gnaisse de grãos finos - Anfibolitos – Dioritos; III. Micaxistos;
IV. Xistos micáceos escamosos, fibrosos, com grafita, estaurolita, distênios e calcáreos; V. Quartzitos com mica verde ou sericita - itacolomitos, veeiros de quartzo com pirita e
ouro e calcáreos;
VII. Quartzitos sericítico (Itacolomi) ou não (Caraça); VIII. Quartzitos pouco perturbados e pouco micáceos; IX. Canga.
A série inferior corresponde a que os outros autores designam de terrenos primitivos ou Arqueanos e compreende as seis primeiras divisões. A Primeira Formação Primitiva de Eschwege está subdivida nas séries I, II e III e corresponde ao embasamento cristalino. Barbosa (1949) identificou os grupos que compõem as divisões VI, V e IV como o que veio a ser posteriormente a Série Minas e, as divisões VIII e VII, como a Série Itacolomi. Ao citar Barbosa vale chamar atenção para a mudança na forma de apresentar, não ainda uma coluna estratigráfica, mas um esquema do ordenamento geológico dos terrenos. Assim como Eschwege, Gorceix faz a apresentação esquemática de sua proposta segundo a ordem da posição geológica de baixo para cima, colocando no primeiro item os terrenos mais antigos. Barbosa, ao tratar da divisão apresentada por Gorceix, faz a inversão do ordenamento, colocando no topo os terrenos mais recentes como é usual até hoje.
É muito instrutiva a discussão de Gorceix sobre o emprego do termo “metamórfico”, posto que para sua argumentação dá as linhas gerais da evolução do embasamento. Embora declare “pouco útil” discutir o emprego de diferentes palavras para exprimir fatos sobre os quais não há nenhuma divergência, Gorceix opta por expor os motivos que o fazem designar como terrenos metamórficos aqueles, até então, chamados de primitivos.
Começa por dizer que “estes terrenos proviriam, para os que empregam o termo primitivo, da consolidação da superfície da terra passando ao estado de planeta”. Essas rochas provenientes da cristalização por resfriamento devem ter sofrido modificações importantes sob ação da água e dos gases que teriam se condensado por causa da redução da temperatura na superfície terrestre. Entretanto, argumenta que “para os partidários numerosíssimos dessa maneira de ver, as ações mecânicas teriam muito menos importância do que as transformações químicas”.
Abstendo-se de enumerar prós e contras sobre sua tese, define o emprego da terminologia escolhida.
“Sirvo-me da expressão metamórfica para indicar que as rochas às quais a aplico, rochas cuja cristalinidade nas camadas inferiores é muito pronunciada, devem o seu aspecto atual às ações secundárias posteriores, ou talvez em parte contemporâneas, à sua formação por sedimentação”. (Gorceix, 1882:8)
Explica que estas ações secundárias podem estar ligadas a erupções, a emanações gasosas, fenômenos geyserianos ou outros, mas que sua característica dominante, a estratificação, viria
“de seu modo de formação primitiva onde os agentes mecânicos exerceram o papel mais importante”.
Gorceix reconhece que o exame de algumas amostras como gnaisses com a mica perfeitamente orientada segundo planos paralelos ou com estrutura granular remetendo a dos granitos ou micaxisto onde os elementos se encontram perfeitamente cristalizados “parece dar razões contrárias a que sustento”. Entretanto, argumenta ele, que os gnaisses e micaxistos da base dos terrenos metamórficos de Minas passam por transições insensíveis a xistos micáceos, mas a estratificação é visível; a quartzitos “no meio dos quais Mr. Derby assinalou perto de Curral d’El Rey uma camada de conglomerados”, a filitos, “rochas quartzosas da série superior”, incontestavelmente sedimentares que, de tão homogêneas, por muito tempo não se diferenciou as do topo das do meio que, por sua vez, estão ligadas ao embasamento cristalino.
Gorceix então conclui...
“Para mim umas e outra tem uma origem comum detrítica: porém os agentes metamórficos modificaram mais profundamente, alteraram de modo mais completo as camadas inferiores. Justificando deste modo o nome que dou às rochas de que me ocupo...”
E dá por encerrada a discussão “... vou continuar a preencher o programa ao qual me propus.” (Gorceix, 1882:9)
No texto Gorceix expressa muita segurança, quase uma certeza, de que as divisões que estabeleceu para os terrenos metamórficos permaneceriam, já com relação à utilização do termo “metamórfico” expõe sua dúvida.
“... não creio que estudos posteriores venham modificar muito este conjunto [seis primeiras divisões apresentadas], que não me parece dever dar lugar a discussões. Não acontece o mesmo quanto ao termo metamórfico, que tenho empregado e que foi substituído por uma escola na qual contam-se os mais ilustres geólogos, pelos de primitivo e Arqueano.” (Gorceix, 1883:8)
Interessante é que o futuro mostraria exatamente o inverso. Vale lembrar que Gorceix se valia apenas de análises e ensaios físico-químicos e dos aspectos cristalográficos macroscópicos para determinação de minerais e rochas. O microscópio de luz polarizada, amplamente utilizado os dias de hoje com este objetivo, não era ainda facilmente acessível. Entretanto, nos dois trabalhos Gorceix coloca a necessidade da utilização da microcospia petrográfica para estudos mais detalhados.