BÖLÜM VI. SONUÇ ve ÖNERİLER
6.2. Öneriler
Entre os muitos trabalhos publicados por Derby é no relatório intitulado Reconhecimento Geológico dos Vales do Rio das Velhas e Alto São Francisco, de 1882, fruto de seu trabalho junto à Comissão Hidrográfica do São Francisco12, que ele apresenta suas observações sobre a parte central da província de Minas onde as rochas, segundo ele, no geral se apresentam em camadas e devem ser consideradas como rochas metamórficas.
Derby divide essas rochas em cinco grandes grupos, chamando atenção então para seu caráter estratificado e para o metamorfismo acentuado em quatro deles:
“Este metamorfismo aparece em diversos graus ou no estado perfeitamente cristalino, dos elementos das rochas no estado semicristalino, na introdução de elementos cristalinos no meio de outros que não o são perfeitamente ou, finalmente, numa mudança física no caráter da rocha sem cristalização dos elementos, como por exemplo, na produção de clivagem de ardósia em xistos não cristalinos.” (Derby, 1882:10)
A divisão proposta, conforme Derby explicita, se baseia nos caracteres mineralógicos das rochas e mais ainda em suas relações estratigráficas e faz sua apresentação segundo a ordem de sua posição geológica de baixo para cima:
1o grupo - Rochas eminentemente cristalinas: granitos, sienitos, gnaisse, mica e xistos; 2o grupo - Quartzitos (itacolomitos), itabiritos, xisto e calcário;
3o grupo - Quartzitos (superiores) passando a conglomerados, que se assemelham muito, em aspecto e composição mineral, aos quartzitos do grupo 2, mas se destacam por sua posição estratigráfica;
4o grupo - Xistos argilosos, calcários e grês (arenitos): ardósias e mármores pelo metamorfismo;
5o grupo - Grês (arenitos) e xistos não metamorfoseados.
Faz observação sobre a possibilidade de criar um grupo para os depósitos superficiais de canga e outro para o lignito. Quanto à canga, explicita serem seus depósitos de importância apenas local e, quanto ao lignito (Bacia do Fonseca), se exime por não tratar dele em tal trabalho. Nos dois últimos grupos, 4o e 5o, são descritas as rochas do atual Grupo Bambuí, como este não se apresenta na região do Quadrilátero vamos nos abster de tratar desses dois grupos neste trabalho.
12
A Comissão de estudo de navegabilidade do São Francisco e Rio das Velhas era dirigida pelo engenheiro norte- americano William Milnor Roberts com a participação de engenheiros brasileiros como Teodoro Sampaio e Benjamim Franklin de Albuquerque Lins.
Apesar de não apresentar um mapa geológico, Derby detalha a localização geográfica dos diferentes grupos. Descreve os afloramentos do 1o grupo, hoje os complexos cristalinos, nas partes mais baixas, algumas vezes bastante acidentadas, limitados pelo sistema orográfico da região. Sendo estes afloramentos das rochas não decompostas raros e distantes uns dos outros, “no geral é pelo caráter da terra ou piçarra, proveniente da decomposição da rocha que se tem que determinar caráter primitivo desta”. Justifica assim ter diferenciado apenas os grandes grupos porque, este tipo de observação, raramente é suficiente para discriminar os membros que os constituem.
Derby compartilha da opinião de Gorceix não apenas na questão de designá-las metamórficas, expressão usada correntemente no texto e às vezes justificada: “É possível que parte destas sejam de origem eruptiva, mas, no geral, as rochas se apresentam em camadas e devem ser consideradas como metamórficas” (Derby, 1882:11). Mas, também no que tange à ausência de talco neste grupo:
“Diz-se também que os xistos micáceos deste grupo passam às vezes a xistos talcosos e clorídricos, mas nada pude observar a este respeito, e acho possível que haja equívoco devido a uma confusão das rochas do 1o e 2o grupos.” (Derby, 1882:11)
No 2o grupo, estão reunidos todos os quartzitos (itacolomitos), itabiritos e xistos micáceos argilosos que viriam a compor a Série Minas proposta por Djalma Guimarães em 1931. Neste trabalho Derby compartilha não só da visão de Eschwege sobre os Quartzitos, sem distinção entre estas rochas presentes no Quadrilátero e no Espinhaço, como sobre a grande extensão desta Serra. Na reprodução a seguir, de trecho da descrição da localização deste grupo, isto é patente:
“Há motivo para supor que formam uma zona contínua, ou quase contínua, ao longo de toda extensão da Serra do Espinhaço, desde o rio São Francisco até Paraná, e talvez passem deste limite, tanto para o norte como para o sul”. (Derby, 1882:13)
Derby distingue deste grupo anterior um quartzito superior que passa a conglomerado fazendo-o constituir o grupo 3. Chama atenção que devido à sua semelhança, em aspecto e composição, com os quartzitos do grupo 2 tem sido confundido e unido a ele numa mesma série geológica, provocando uma generalização destas rochas quartzosas sob o nome de itacolomito desde Eschwege. Em função exatamente desta confusão Derby coloca que, sem um estudo aprofundado, é impossível saber sua real distribuição, mas as coloca como dominantes na região Diamantina e dá como certo que as rochas desse grupo constituem também o Pico do Itacolomi e parte da Serra de Ouro Branco. Pela primeira vez então, estavam individualizadas e descritas como um grupo as rochas que comporiam a Série Itacolomi, excetuando-se as da região de
Diamantina é claro, que mais tarde seriam diferenciadas e incluídas em outra unidade estratigráfica. Derby instrui como identificá-las:
“Geralmente a falta de xistosidade e o modo irregular em que estão dispostos os folhetos de mica são os melhores caracteres para distinguir o quartzito superior. Quando a rocha se apresenta na forma de conglomerado, ou quando tem seixos disseminados na massa, este caráter serve para distinguir, posto que este meio é às vezes falaz porque, como temos visto, aparecem raramente conglomerados no grupo inferior.” (Derby, 1882:22)
Tanto quando trata do 2o como do 3o grupo, Derby faz ressalvas no sentido de que estudos futuros poderiam mostrar a necessidade de subdividi-los, no caso do 2o de forma mais enfática como mostrado a seguir:
É provável que um tal estudo [mais profundo] mostre a necessidade de dividir o grupo de que eu aqui trato, de um só em diversas subdivisões ou talvez em grupos independentes. Na falta de tais estudos porém, somos obrigados a considerar juntas as rochas que, variando muito entre si, tem, entretanto, certos caracteres mineralógicos em comum e que se destacam das outras rochas da região por falta de concordância na estratificação, ao passo que até hoje não tem sido observada falta alguma de discordância entre as camadas das rochas aqui reunidas.” (Derby, 1882:14)
Para este grupo então, Derby parece antever as subdivisões que viriam, pela primeira vez, com Harder e Chamberlin, em 1915. Já com relação ao 3o grupo foi um passo a identificação e individualização dessas rochas, mas ainda não havia diferenciação entre a estrutura geológica do Quadrilátero e do Espinhaço. Na verdade, esta última observação vale também para o 2o grupo, pois só modernamente esta separação estratigráfica foi reconhecida, fazendo com que a Serra do Espinhaço ficasse limitada, ao sul, pela Serra das Cambotas.
Aliás, para o processo de redefinição da Serra do Espinhaço a publicação de Derby, de 1906, é um marco. Apesar de Derby creditar a Eschwege um redesenho do que ele havia definido como Serra do Espinhaço quase um século antes: um conjunto de várias unidades orográficas que formam um divisor de águas entre os rios São Francisco e Doce e ainda entre aqueles rios que deságuam nos rios Uruguai, Paraná e São Francisco, não encontramos nenhum registro nos trabalhos de Eschwege, inclusive nos inéditos no Brasil, sobre esta revisão. Assim creditamos a Derby a restrição da Serra do Espinhaço à leste da bacia do São Francisco basicamente, de maneira que grande parte das elevações que constituem os divisores de água do Rio Paraná passam a compor a Serra da Mantiqueira e, do Rio Uruguai, a Serra do Mar. Este novo entendimento da dimensão da Serra do Espinhaço, entre, aproximadamente, Ouro Preto ao sul e Juazeiro, ao norte, observa Derby, é muito adequado e importante porque designa um sistema orográfico bem marcado por suas particulares topografia, geologia e características tectônicas.
“A Serra do Espinhaço, como agora entendo, constitui uma zona com largura variando entre 50 a 100 km, aproximadamente, e elevações acima de 1.000m, caracterizada por feições topográficas acidentadas, com elevações abruptas de algumas centenas de metros acima das regiões planas de seu entorno. Ela se estende num paralelismo quase perfeito com as linhas da costa e do Rio São Francisco (abaixo da grande curva de Cabrobó), com orientação geral N-S, da latitude 20o30’ até perto de 9o, onde o Rio São Francisco, depois de fazer curva acentuada para o sudeste, corta as montanhas, ou melhor, escoa até sua foz no norte.” (Derby, 1906:375-376)
Este delineamento é apresentado por Derby em mapa reproduzido a seguir (Figura 5.2).
Figura 5.2 - Mapa esquemático da região a leste do Rio São Francisco (Derby, 1906:377) A mancha colorida delimita, aproximadamente, o cinturão da Serra do Espinhaço. (colorido nosso)
Conseqüentemente, Derby passa a reconhecer apenas três grupos de rochas na composição da Serra do Espinhaço:
“As rochas que entram na composição da Serra do Espinhaço pertencem naturalmente a três grupos, cada um deles deverá certamente ser dividido em dois ou mais. São elas: (1) Gnaisses e micaxistos; (2) xistos, quartzitos e calcário das regiões auríferas; (3) quartzitos e arenitos das regiões diamantíferas. A elas estão associados granitos e outras rochas eruptivas as quais, aparentemente, não penetraram nas séries superiores e presumivelmente as antecedem.” (Derby, 1906:395)
Sugere então o nome Série Minas para o 2o grupo:
“A série xistosa da Serra do Espinhaço e regiões adjacentes, a qual talvez seja conveniente denominar Série Minas, consiste num grande complexo predominantemente de xistos argilosos, com massas subordinadas de quartzito comum, quartzito ferruginoso (itabiritos passando a puro minério de ferro) e calcários.” (Derby, 1906:396)
Detalha ainda, que essas rochas apresentam alto grau de decomposição sendo caracterizadas por um pequeno ou grande desenvolvimento de minerais de mica, biotita, sericita, hematita micácea, clorito, talco, entre outros. Nota-se que Derby não utiliza o termo itacolomito, muito provavelmente, por causa da generalização dos quartzitos sob esse nome reclamada por ele algumas vezes em seus trabalhos “which has been an incubus on Brazilian geological studies” (Derby, 1906:375).
Derby ainda reconhece a distinção entre as rochas com metamorfismo acentuado da região de Ouro Preto e de Diamantina e as rochas dobradas com aspecto não metamorfisado e relativamente mais moderno da seção baiana da Serra do Espinhaço (Série Lavras), evidenciando a possibilidade de eventos de deformação locais no Brasil, e conseqüente constatação de idades diferentes.
As publicações seguintes de Derby sobre o Quadrilátero se enquadram no que entendemos como um outro momento de estudos do Quadrilátero, onde sobressai a geologia eminentemente econômica. Logo no início do século XX as principais contribuições viriam de pesquisadores ligados a órgãos governamentais nacionais e, sobretudo, a companhias inglesas e norte- americanas, cujo interesse recaia sobre os depósitos de manganês e de ferro do Quadrilátero.