5. SONUÇ ve ÖNERİLER
5.1. Sonuçlar
A subjetividade humana, segundoGonzález Rey (2004, 2003, 2002, 2001), parte da perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento, tendo em vista a sua complexidade e compreensão como sistema plurideterminado. Rompe, portanto, com as propostas teóricas que centravam a subjetividade na dimensão individual, permitindo a consideração do social na constituição da expressão subjetiva. Para o autor, a subjetividade se manifesta na “dialética entre o momento social e o individual, este último representado por um sujeito implicado de forma constante no processo de suas práticas, de suas reflexões e de seus sentidos subjetivos”. (GONZÁLEZ REY, 2003, p.240).
Enfatiza, assim, a superação da fragmentação entre as instâncias individual e social no conceito de subjetividade, trazendo a relação dialética e indivisível entre essas, as quais constituem as duas dimensões da subjetividade humana. Pautado nesse entendimento, o autor explicita o que é a subjetividade social:
Ao introduzir o conceito de subjetividade social queremos explicar os processos de produção e organização de significados e sentidos subjetivos no nível social, constituindo um campo de significação heurística que nos permita um diálogo permanente com todos os níveis constitutivos da realidade social (...) (2003, p.211).
Ao se referir ao diálogo dos diversos níveis da realidade, demonstra que a subjetividade social se constitui nos diferentes espaços sociais, representando processos simbólicos e de sentido em diversos níveis de organização da sociedade.
Na instituição educativa, por exemplo, González Rey (2003) afirma que a subjetividade social relaciona-se com os elementos de sentidos procedentes de outros espaços sociais, declarando com isso as relações entre os diversos espaços sociais e a complexidade da sua proposta teórica. Mitjáns Martinez (2006) afirma que a subjetividade social da escola é integrada por significados e sentidos que envolvem o “clima emocional, as formas de relação, o sistema de crenças e valores em relação ao ensinar, ao aprender, ao aluno e ao trabalho pedagógico (...), o significado dado à criatividade e muitos outros aspectos.” (p. 08).
Em cada configuração subjetiva de um espaço social estão, portanto, elementos de sentido advindos de outros, bem como elementos que caracterizam esse próprio cenário em momentos históricos antecedentes. Desta forma, a configuração subjetiva de certo espaço permite a visibilidade de outros, com os quais interage. (GONZÁLEZ REY, 2003).
Por configuração subjetiva o autor compreende “o núcleo dinâmico de organização que se nutre de sentidos subjetivos muito diversos, procedentes de diferentes zonas de experiências social e individual” (2003, p.204). Em sua definição, a configuração subjetiva é extremamente móvel e dinâmica, o que possibilita representar a constante mobilidade do sujeito e a produção de sentidos que ele produz em suas relações sociais. Mostra-se como uma forma complexa de organização dos sentidos subjetivos, que se relaciona com outras configurações subjetivas e não como estrutura rígida. (GONZÁLEZ REY, 2004). São, então, constituídas nas subjetividades social e individual.
Ainda a respeito da subjetividade social, González Rey (2003) argumenta que é resultado de processos de significação e sentido no espaço social. Caracteriza, delimita e sustenta os espaços sociais em que se inserem os sujeitos, perpetuando-se e modificando-se nas relações que estabelecem entre si. Para ele:
A atuação dos sujeitos concretos é de forma simultânea individual e social, e a forma como as suas ações se integram no sistema da subjetividade social não depende de suas intenções, mas das configurações sociais em que essas ações se inscrevem e dos sistemas de relações dentro das quais cobram vida. (p.206)
Nesse sentido, para o autor, ao mesmo tempo em que o indivíduo se constitui na vida social tornando-se sujeito, participa da constituição da subjetividade
social dos contextos em que interage, o que, por sua vez, também interfere na constituição da subjetividade individual. Nesse movimento, a subjetividade social apresenta-se de forma diferenciada em cada sujeito concreto.
O autor enfatiza, portanto, a atuação do indivíduo e da sociedade na qualidade de constituintes e constituídos um do outro (GONZÁLEZ REY, 2001), isso porque a subjetividade individual para ele é dialógica, dialética e complexa, organizando-se por meio e concomitantemente com as subjetividades sociais, tendo sua gênese nos espaços constitutivos de uma determinada subjetividade social que antecede o sujeito psicológico. (GONZÁLEZ REY, 2003). Nas palavras do autor:
Essa subjetividade individual, que passa por diferentes contextos sociais de subjetivação, se constitui dentro deles e, simultaneamente, atua como um elemento diferenciado do desenvolvimento dessa subjetividade social, que pode converter-se em um elemento de tensão e ruptura, que conduz ao desenvolvimento da própria subjetividade social (p.205).
Os processos de subjetividade individual são, portanto, momentos da subjetividade social, momentos que se constituem de maneira recíproca, sem que um se dilua no outro, sendo possível sua compreensão somente na condição de processo permanente. (GONZÁLEZ REY, 2003).
Nessa relação entre o social e o indivíduo, González Rey (2003) afirma que a subjetividade individual se constitui de maneira singular e irrepetível, por meio das relações pessoais que o sujeito estabelece, construindo uma rota única e diferenciada, em que os sentidos e significações levam ao desenvolvimento de novas configurações subjetivas. Isto é enfatizado no caráter histórico desta dimensão e expressa quando o autor afirma que a subjetividade individual é processual e representada pelo sujeito que é ativo na organização da subjetividade, e está implicado constantemente nos diferentes espaços sociais.
Neste contexto, é destacado o papel e o entendimento do autor acerca do sujeito, compreendido em sua constituição histórico-cultural. Somando-se a isto, argumenta que o sujeito existe na tensão de ruptura ou criação, marcado pela processualidade, a qual desafia o instituído tanto na própria subjetividade individual, quanto na subjetividade social. Desta forma, o sujeito atua nos processos de ruptura
dos limites que o contexto social impõe, gerando novas opções na trama social em que atua. (GONZÁLEZ REY, 2004, 2003).
Além disso, para González Rey (2003), o sujeito expressa uma alta mobilidade psicológica e reflexibilidade comprometidas com a produção de sentidos subjetivos em todas as esferas de sua vida. Sendo definido como: “O indivíduo consciente, intencional, atual e interativo, condições permanentes de sua expressão vital e social”. (GONZÁLEZ REY, 2003, p. 236). Acrescenta, posteriormente, a emoção como outra condição permanente, a linguagem e o pensamento como expressões resultantes do estado emocional do sujeito.
Para o referido autor, as emoções representam um dos registros mais relevantes da subjetividade humana, porque se definem como estados de ativação psíquica e fisiológica advindos de registros complexos do sujeito ante o social, caracterizando as ações desenvolvidas e mostrando-se como condição da atividade humana.
Tendo em vista essas considerações acerca da emoção, o autor teoriza a respeito do sentido subjetivo, que remete à unidade indissolúvel entre os processos simbólicos e os emocionais, a uma nova síntese, bem como a expressão da especificidade ontológica da subjetividade. Configura-se como uma categoria central na teoria da subjetividade proposta por ele, superando a fragmentação entre o cognitivo e o afetivo. Em suas palavras:
O sentido subjetivo da emoção se manifesta pela relação de uma emoção com outras em espaços simbolicamente organizados, dentro dos quais as emoções transitam. Desta unidade entre o simbólico e o emocional, sem que um desses momentos seja ‘reduzido’ ao outro, se define o sentido subjetivo (GONZÁLEZ REY, 2003, p.243).
Na relação entre as emoções, González Rey (2004) evidencia que o sentido subjetivo não representa uma expressão psicológica pontual, mas se constitui por meio de inúmeras fontes emocionais, representando a integridade inseparável de processos simbólicos e emocionais que legitimam certa zona do real para o sujeito, caracterizando um espaço social relevante. É, portanto, uma produção singular e diferenciada do sujeito concreto, que produz sentido subjetivo em cada situação
vivida, na qual participam tanto os sentidos produzidos na ação, quanto os sentidos produzidos ao longo de sua história de vida.
Nessa perspectiva, o sentido subjetivo caracteriza o desenvolvimento humano e suas diversas configurações, sendo um processo que está além da representação consciente do sujeito. Integra-se em torno de delimitações simbólicas e históricas produzidas pela cultura, acompanhadas por uma emocionalidade. (GONZÁLEZ REY, 2004).
Sendo assim, é o sujeito quem produz sentido subjetivo nas relações sociais em que vive. Sujeito que representa um dos dois momentos essenciais que se integram na subjetividade individual, o outro é a personalidade. (GONZÁLEZ REY, 2003). Para González Rey (2003), o sujeito e a personalidade “se exprimem em uma relação na qual um supõe o outro, um é momento constituinte do outro e que, por sua vez, está constituído pelo outro, sem que isto implique diluir um no outro”. (p.241).
A partir desta premissa, a personalidade é vista pelo autor como uma organização sistêmica essencial na compreensão da subjetividade individual, que expressa a complexa e constante relação desta com a subjetividade social. Isso fica claro quando se posiciona:
Na personalidade aparecem organizadas subjetivamente todas as experiências do sujeito em um sistema em que os sentidos subjetivos produzidos por uma experiência passam a ser elementos constituintes de outras, dando lugar a cadeias complexas de configurações que aparecem no sentido subjetivo produzido a cada experiência concreta do sujeito (GONZÁLEZ REY, 2003, p.256).
Nesta citação, González Rey (2003) evidencia também que a personalidade para ele não é a soma de traços ou elementos, mas um sistema de configurações subjetivas auto-organizado e autônomo, que se mostra de forma permanente como um processo gerador de sentidos subjetivos no decorrer das atividades, relações sociais e história do sujeito. Representa, assim, “um sistema diferenciado de produção de sentidos das pessoas dentro de suas diferentes formas de vida social”. (p.259).
Destaca que a personalidade configura-se como um momento essencial na constituição subjetiva e da mobilidade entre as instâncias social e individual, que
caracterizam o desenvolvimento do sujeito. Desse modo, na personalidade se constituem de forma subjetiva os aspectos essenciais da subjetividade social, as quais afetam o sujeito. Ao mesmo tempo em que é por meio da personalidade que o sujeito tem opções e recursos para se opor e criar outros espaços subjetivos.
Há, pois, uma relação entre o social e o individual na proposta teórica de González Rey acerca da subjetividade, superando a dicotomia entre estas instâncias nas suas definições a propósito da subjetividade humana, a qual se constitui nas dimensões da subjetividade social e da individual. Nesta última, participam como momentos essenciais: o sujeito e os sentidos subjetivos, também constituídos a partir do contexto histórico e social. Superando também a fragmentação entre o afeto e a cognição na constituição dos sujeitos e espaços sociais.
Com essas considerações a respeito da subjetividade humana, torna-se possível uma melhor compreensão da criatividade do professor como processo complexo da subjetividade no trabalho pedagógico.