BÖLÜM 4 BULGULAR VE YORUMLAR
5.1. Sonuçlar
Pode-se considerar que a denominação discurso indireto tem, tradicionalmente, identificado o discurso relatado, que também pode ser tratado como uma citação indireta que não é compreendida como uma cópia de uma linguagem anterior. Em termos de estrutura da consciência comum, o discurso relatado, como o discurso indireto, pode ser entendido do seguinte modo: há uma referência a algum outro evento lingüístico que permanece ativo na mente do autor e é, subsequentemente, em sua essência, mencionado com a decisão de transmiti-lo ao leitor, e, então, esse evento linguístico deve ser verbalizado novamente.
Apresentam-se, abaixo, exemplificações de discurso relatado que ocorrem no discurso científico das teses e dissertações acadêmicas:
(50) Johns (2002) nos diz que os teóricos da Nova Retórica preferem focalizar sua análise sobre as situações teóricas mais do que sobre as características da linguagem. (73, TD, UFMG, 2007 - 24)
No exemplo (50), seguindo Chafe (1994, p. 214-215), há uma referência ao evento de fala anterior e seu agente, tipicamente usando o verbo dizer. Frases como ele diz/ele disse constituem o que pode ser chamado de atribuição da fala do outro. A atribuição é então acompanhada por alguma aproximação à linguagem distante, constituindo o discurso relatado.
Percebe-se que, possuindo estratégias próprias de planejamento, o discurso relatado é coerente e organizado; e cabe acrescentar que a coerência não está apenas no texto, mas é resultado de uma construção de parceiros na situação interativa: o autor que concorda com a afirmação científica de outro e a apresenta se tornam, assim, parceiros de relevâncias centrais e de conjuntos de relevâncias para outros, devido à introdução de novos conjuntos
apresentados no discurso relatado, a partir de conjuntos já mencionados, ou de associações ou implicações de enunciados anteriores.
Veja-se o seguinte exemplo de discurso relatado:
(51) Ao falar sobre a RST, Bernárdez (1995) comenta os tipos de unidades em que o texto pode ser segmentado para a análise RST, dizendo que podem ser orações, cláusulas, proposições semânticas ou qualquer outro tipo de unidade; porém, assim como Mann e Thompson (1988), Bernárdez (1995) limita-se ao nível da oração. (289, DM, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 2008 - 23)
O discurso relatado é introduzido, conforme ocorre no exemplo (51), acima, com o verbo dicendi na forma nominal (dizendo) e o elemento que (dizendo que [...]); mas essa forma verbal pode também não apresentar esse elemento conjuntivo. Sabe-se que uma característica do discurso relatado é o fato de que o tempo e as pessoas verbais não são exatamente de atribuição, mas são também de uma citação anterior e, portanto, tratam o ato de fala como o evento distante que ele foi. Assim, o discurso relatado faz referência a um evento que ocorreu anteriormente, mas que é expresso no tempo presente (podem ser / limita-se).
Como exemplificações de discurso relatado que se constituem no presente histórico têm-se os exemplos abaixo:
(52) Fraser (op. cit.) afirma que a atenuação está sempre associada à polidez, mas não o contrário. (446, DM, UNESP, 2004 - 117)
(53) De acordo com esses pressupostos, Van Valin (1990 apud NEVES, 1994, p. 72) – assume que, para a análise da estrutura linguística, considera-se a importância da semântica e da pragmática, admitindo-se, no entanto, ser central para o entendimento das línguas naturais a noção de estrutura. (349, DM, PUC MINAS, 1998 - 20)
O discurso relatado reconhece que a citação indireta é uma reconstituição de palavras, não uma réplica. O autor pretende transmitir a essência da fala do outro sem repetições ou palavras exatas ou traços avaliativos, tais como exclamações, linguagem coloquial etc.
Assim, o discurso relatado pode ser entendido no seguinte modo: primeiro, há uma lembrança (ou imaginação, ou constatação) de um evento linguístico apresentado por outro. Quando aquele outro evento ocorreu, suas palavras e prosódia permaneceram brevemente ativas na consciência do autor/ouvinte, mas, subsequentemente, sua essência foi armazenada em uma forma verbalmente descomprometida. Ela é agora relembrada naquela mesma forma, sob as restrições da lembrança comum, dentro da consciência do autor/falante. Com a decisão
de transmiti-la ao ouvinte/leitor, ela deve ser verbalizada novamente. O tempo verbal e, quando relevante, o sujeito que realiza a citação indireta são apresentados para expressar e confirmar o fato de que a informação vem de outro autor. O discurso relatado, então, reconhece a inabilidade do falante/autor do texto para relembrar (ou imaginar ou constatar) as palavras da linguagem anterior.
Pode-se considerar que o discurso relatado com o verbo no presente histórico é um outro modo de trazer a qualidade de proximidade, do imediato para uma experiência substituída. Assim, o presente histórico, que ocorre nos verbos afirma e assume, respectivamente, nos exemplos (52) e (53), acima, segundo Chafe (1994, p. 208-209), pode ser considerado um dos mecanismos linguísticos cujo propósito parece ser reduzir a força ou o efeito, isto é, neutralizar, em algum modo, a qualidade do modo que está sendo substituído. O autor, no modo substituído, pode pretender representar experiências que estão mais próximas; e um mecanismo para esta realização é o presente histórico. O efeito é apresentar o evento ou estado como se seu tempo coincidisse com aquele da consciência representada. A informação relembrada, assim, adquire (mas somente com respeito ao tempo) a qualidade dêitica de proximidade. O presente histórico é uma pretensão limitada de que uma ideia lembrada é uma ideia sendo percebida, que age e é avaliada no tempo da representação. Assim, descreve o passado como se ele estivesse acontecendo agora, pois localiza o evento ou estado no tempo da consciência representada, como também a representação.
É importante distinguir entre o que o presente histórico é – e o que falantes ou autores fazem com ele – isto é, entre sua natureza e seu uso. Dizer que os falantes ou os autores usam o modo substituído mais como o modo imediato não é explicar as circunstâncias sob as quais eles empregam esta opção. Evidentemente, os narradores têm uma tendência para resvalar para o presente histórico em alguns pontos em sua escrita onde há alguma razão para um evento ou estado lembrado ser expresso em um modo que mais proximamente se assemelha ao modo imediato.
Assim, o presente histórico é uma estratégia provavelmente mais apropriada ao clímax da escrita. É um dos mecanismos linguísticos por meio do qual a consciência comum pode ser facilmente e naturalmente manipulada por efeito especial. É uma opção, uma escolha explorada pela escrita, para fazer o modo substituído mais proximamente semelhante ao modo imediato em alguma maneira. Pode-se observar que há no presente histórico uma força ilocucionária, significando um maior envolvimento do autor para a determinação e realização da ação de linguagem pretendida por meio do discurso relatado.