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5.2. Öneriler
Conforme foi explicado anteriormente, há dois sistemas de relações envolvidos na formação da oração complexa: o primeiro, o sistema tático, apresenta duas opções que são parataxe (em que as orações são relacionadas como iguais, isto é, possuindo o mesmo status como entidades potencialmente independentes uma da outra) e hipotaxe (em que as orações se relacionam a uma oração principal por meio de uma relação de dependência); e o segundo, o sistema lógico-semântico, que descreve o tipo específico de relacionamento de significado entre orações combinadas ou conectadas. Também há duas opções que são as orações que podem ser relacionadas por meio de projeção (em que uma oração é citada ou relatada por outra oração) ou por meio de expansão (em que uma oração desenvolve ou estende sobre os significados de outra oração).
A projeção oferece duas escolhas que são a locução (em que o que é projetado é falado) e a idéia (em que o que é projetado são pensamentos).
Também já foi aqui mostrado que a noção de projeção pode ser introduzida como o relacionamento lógico-semântico por meio do qual a oração funciona não como uma representação direta da experiência (não linguística), mas como uma representação de uma representação (linguística). Um dos usos principais da projeção no discurso comum – é representar perspectivas no discurso científico, considerando-se os sistemas envolvidos na diferenciação dos tipos de projeção: o nível de projeção (locução x ideia), o modo de projeção (relato hipotático x citação paratática) e a função da fala (proposição projetada x proposta projetada). Assim, por meio da projeção, uma oração é colocada como a representação do conteúdo linguístico de outra – ou o conteúdo verbal de uma oração de dizer ou o conteúdo de uma oração mental de razão ou raciocínio lógico. No exemplo de discurso relatado, a seguir, tem-se uma projeção de processo verbal:
(65) Schwarz (citado por Koch, 2000) também afirma que a recategorização ou refocalização tem função predicativa, chamada de tematização remática. (242, DM, UFP, 2006 - 101)
Nesse exemplo, a oração: que a recategorização ou refocalização tem função predicativa, chamada de tematização remática é o conteúdo da oração de processo verbal: Schwarz também afirma – o que é postulado, falado ou afirmado, portanto, é uma projeção de processo verbal.
Em relação ao modo de projeção (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004), pode ser considerado que a projeção combina com o conjunto de interdependências – as duas relações de interdependência tática de parataxe e hipotaxe e a relação de constituência de encaixamento. Isto significa que a oração: que a recategorização ou refocalização tem função predicativa, chamada de tematização remática pode ser projetada hipotaticamente pela oração: Schwarz (citado por Koch, 2000) também afirma. A projeção é representada como um relato – como algo que é dependente da oração que projeta, contrastando com a variante paratática de citação.
Assim, de acordo com as propostas de Halliday e Matthiessen (2004), examinando-se o exemplo acima, pode-se considerar o discurso relatado como um processo verbal. Entretanto, em adição aos dois modos táticos de projeção – a paratática que é a projeção de citações e a projeção hipotática de relatos, há um ambiente de constituência, de acordo com Halliday e Matthiessen (2004, p. 443), em que as orações projetadas ocorrem – que é o encaixamento.
Convém lembrar, aqui, a distinção entre relações táticas de parataxe e hipotaxe e o encaixamento. Seguindo Halliday e Matthiessen (2004, p. 426), enquanto parataxe e hipotaxe são relações entre as orações, encaixamento não é. Encaixamento é um mecanismo semogênico em que uma oração funciona como um constituinte dentro da estrutura de um grupo, sendo ele mesmo um constituinte dessa oração. Ainda segundo Halliday e Matthiessen (2004), não há nenhum relacionamento direto entre uma oração encaixada e a oração dentro da qual ela é encaixada; o relacionamento de uma oração encaixada com a outra oração é indireto, tendo um grupo como intermediário. A oração encaixada funciona na estrutura do grupo, e o grupo funciona na estrutura da oração. Assim, Halliday e Matthiessen (2004, p. 426) tratam o encaixamento como uma mudança de hierarquia, pela qual uma oração ou um sintagma vem funcionar dentre da estrutura de um grupo como pós-modificador em um grupo nominal ou outras funções como núcleo de um grupo nominal (nominalização) ou pós- modificador em um grupo adverbial.
Cita-se o exemplo (66), a seguir, que faz parte do corpus selecionado:
(66) Nessa publicação, Silva afirma que a categorização de textos quanto a sua tipologia constrói-se a partir das dimensões do discurso que vão desde o interacional/situacional, o textual ao linguístico. (277, DM, UFMG, 2006 - 70)
No exemplo (66), tem-se: (i) a 1ª oração (oração em que o tipo de processo é verbal) é a que projeta: Nessa publicação, Silva afirma; (ii) a 2ª oração que é a oração projetada (encaixada): que a categorização de textos quanto a sua tipologia constrói-se a partir das dimensões do discurso que vão desde o interacional/situacional, o textual ao linguístico; e (iii) a 3ª oração, o conjunto total da oração: Nessa publicação, Silva afirma que a categorização de textos quanto a sua tipologia constrói-se a partir das dimensões do discurso que vão desde o interacional/situacional, o textual ao linguístico. O encaixamento é assim o mecanismo pelo qual a oração funciona dentro da estrutura de outra, sendo ela mesma um constituinte da oração total. Pretende-se, neste trabalho, que o relacionamento da oração encaixada e a oração dentro da qual ela é encaixada é direto, não é realizado por intermédio de nenhum grupo, diferentemente do que postulam os autores acima citados.
Em relação aos usos de projeção no discurso, pode-se citar, segundo Halliday e Matthiessen (2004, p. 443-444), a finalidade de atribuir origens em novos relatos e representar pontos de vista no discurso científico.
Retomam-se, aqui, algumas noções sobre a projeção. A primeira é o nível de projeção: através da projeção, uma oração é colocada como a representação do conteúdo
linguístico de outra – ou o conteúdo de uma oração verbal de dizer ou o conteúdo de uma oração mental de razão lógica. Veja-se o exemplo (67), abaixo:
(67) Primeiramente, lembra-nos Palmer que o termo modo é tradicionalmente restrito a uma categoria expressa pela morfologia verbal. (317, DM, UFC, 2006 - 48)
Neste exemplo, a oração que o termo modo é tradicionalmente restrito a uma categoria expressa pela morfologia verbal é o conteúdo da oração de processo mental Primeiramente, lembra-nos Palmer.
A segunda noção é o sistema envolvido na diferenciação dos vários tipos de projeção, ou seja, o modo de projeção, em que a projeção se combina com o mesmo conjunto de interdependências que ocorre com a expansão – (1) as duas relações de interdependências e (2) a relação de constituência de encaixamento (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2004, p. 443). Veja-se o exemplo a seguir:
(68) Diante desse fenômeno, Pécora pondera que o domínio e o trabalho pedagógico com a escrita devem se orientar pelo conhecimento da situação de linguagem e, sobretudo, pela representação dos papéis dos sujeitos no texto escrito. (261, DM, UFMG, 2006 - 16)
Pode-se dizer que a oração: que o domínio e o trabalho pedagógico com a escrita devem se orientar pelo conhecimento da situação de linguagem e, sobretudo, pela representação dos papéis dos sujeitos no texto escrito é projetada por encaixamento pela oração de processo mental: Diante desse fenômeno, Pécora pondera. Isto significa que a projeção é representada como um relato – em que a segunda oração é parte constituinte da primeira, isto é, é o argumento do verbo pondera, na primeira oração, e exigência deste verbo para completude de seu sentido.
Ressalte-se, uma vez mais, que, diferentemente desses autores, nesse estudo considera-se a projeção no discurso relatado não como hipotaxe, mas como encaixamento, pois se fundamenta em uma mais notável dimensão da linguagem que é sua composição estrutural, conhecida como o fenômeno de constituência ou a construção de hierarquia, que será explicada posteriormente.