Girişimcilik Açısından Kazakistan
4. Sonuç ve Öneriler
A observação do céu, tanto diurno quanto noturno, permite ao homem notar sua periodicidade, e, por conta dela, estabelecer relações temporais que
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conhecemos hoje, como os anos, meses, dias. Para o calendário cristão, que seguimos atualmente, algumas datas comemorativas caem em dias variados ano após ano, como é o caso da Páscoa, que acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia que acontece depois do equinócio3 de primavera para
o hemisfério norte (no hemisfério sul é o equinócio de outono). A partir da Páscoa é que se determina no Carnaval (40 dias antes) e o feriado de Corpus Christi (40 dias depois). Também as estações do ano são definidas de acordo com as datas dos equinócios e solstícios4.
Muitos monumentos, datados de antes de Cristo, apresentam relação com a posição dos astros celestes. Stonehenge, que fica ao sul da Inglaterra, é um agrupamento de pedras, dispostas em formas de circunferências e ferraduras, onde provavelmente se tinha um templo com fins religiosos. Ao estudar o monumento, astrônomos encontraram uma série de alinhamentos relacionados com o nascer e pôr do Sol e da Lua. Coisas semelhantes são encontradas em civilizações da América pré-colombiana, que também orientaram a construção de suas cidades e templos em relação à posição de alguns astros no céu. Na região da América do Sul, os Incas realizavam a sua maior festa, a Inti Rayme, no solstício de inverno, e essa festa era justamente para conter o afastamento do Sol, trazendo-o de volta. Os incas tinham vários observatórios espalhados pelo seu império, que eram utilizados para investigação dos corpos celestes e também para cultos a divindades superiores. Alguns templos cristãos também têm orientação espacial definida pelo movimento do Sol (KANTOR, 2001).
Além dos monumentos arquitetônicos, na arte – em pinturas, obras literárias – também é possível encontrar registros de observações astronômicas,
3 Equinócios são os dois únicos dias de um ano em que o dia claro tem a mesma duração que a noite. No
hemisfério sul, o equinócio de outono acontece próximo do dia 21 de março e o equinócio de primavera é próximo do dia 23 de setembro.
4 Solstício é quando o Sol se encontra na posição mais ao norte ou mais ao sul. Para quem está no
hemisfério sul, no primeiro caso temos o solstício de inverno, que é próximo do dia 21 de junho, que marca a entrada para a estação do inverno, e temos o dia claro de menor duração, e a noite com maior duração. No solstício de verão, temos a entrada para o verão, e é o dia em que o dia claro tem maior duração do que a noite, normalmente acontecendo próximo do dia 21 de dezembro.
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como em Camões5, Sheakpeare6, ou pinturas7, como as que trazem o cometa
Halley e “Noite estrelada”, de Van Gogh. Muitos outros exemplos podem ser encontrados, mas o que é interessante perceber é que nessas obras a observação do céu e as explicações do que é visto são modelos não consensuais da ciência atual, carregados de misticismo, e que, cada qual para sua época, era muito mais acessível do que a própria ciência em si, o que muito provavelmente faz perdurar, ainda hoje, uma relação das pessoas e com a astronomia que é bastante mística e pouco científica.
Voltando ao campo da ciência, as observações astronômicas, de que temos os registros mais sistematizados, começaram desde a Antiguidade, no Egito Antigo e na Grécia Antiga, principalmente, e elas se preocupavam em localizar os astros no céu, descrevendo seus movimentos para fazer previsões sobre suas posições com o passar do tempo.
No Egito Antigo, iniciaram-se as primeiras observações dos fenômenos celestes e uma abordagem qualitativa destas eram feitas pelos astrônomos-astrólogos locais. Os babilônios, com a invenção da aritmética, deram ao caráter qualitativo um tratamento matemático mais apurado, iniciando um período de predições de fenômenos que se repetiam com uma certa regularidade; em síntese, uma abordagem quantitativa. Os gregos, com uma aliada mais poderosa, a geometria, construíram os primeiros modelos planetários. A álgebra dos árabes veio aliar-se nesta busca do conhecimento. Após um lapso de tempo demasiado longo, acarretado pelas intolerâncias religiosas às mudanças na forma do pensamento científico, os europeus resgatam a astronomia antiga, derrubando ‘verdades’. Com o advento do cálculo, reformulam os modelos e os fortalcem com uma “vestimenta” matemática mais poderosa (NEVES, 1986, p. 13 e 14)
Embora Neves (1986) destaque a importância da matemática para o desenvolvimento mais quantitativo da astronomia, é importante fazer a ressalva de que o desenvolvimento de muitas ferramentas citadas por ele, como a geometria, a álgebra e o cálculo, foi concomitante com a astronomia, na busca
5 CAMÕES, Luís de. Os lusíadas comentados por Otoniel Mota. São Paulo: Melhoramentos, 15a edição,
1964.
6 SHAKESPEARE, William. Tróilo e Cressida e Timão de Atenas, tradução de Carlos Alberto Nunes. Rio de
Janeiro: Edições de Ouro, 1966.
7 Giotto di Bondone – Adoração dos Reis Magos 3 ou Rai ha Matilde - Tapeçaria de Ba eu
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de encontrar respostas aos enigmas colocados pela observação, chamada por ele, de qualitativa.
Mais ou menos nessa época aparecem as primeiras tentativas de reproduzir as estrelas e planetas, e os movimentos que esses astros executam, o que poderíamos entender como os primeiros planetários. As primeiras representações do céu remetem ao grego Arato (310-240 a.C.), e eram mapas do céu desenhados sobre esferas, portanto estáticas, que reproduziam a configuração celeste com as principais estrelas e constelações, omitindo os planetas. O primeiro instrumento que provavelmente deva ter sido capaz de simular os movimentos dos astros celestes foi construído por Arquimedes (287- 212 a.C.), e se tratava de uma esfera oca que reproduzia o céu estrelado contendo no seu interior outras esferas que representavam os cinco planetas conhecidos até então, o Sol e a Lua (KANTOR, 2012).
Na história da humanidade, quando os homens deixam de ser nômades, a capacidade de prever os fenômenos celestes e fazer com isso uma relação temporal foi essencial para o desenvolvimento da agricultura, já que assim eles podiam saber qual era a melhor época para o plantio, prever as chuvas, as cheias dos rios, etc. Mais tarde, o surgimento de núcleos urbanos e o desenvolvimento do comércio, levaram a uma expansão do mundo conhecido e, posteriormente, às grandes navegações. Novamente a ciência dos astros deu apoio a este novo modo de vida, sendo utilizada para orientação pelos navegadores (KANTOR, 2001).
Atualmente, podemos observar no céu 88 constelações que são chamadas de oficiais, estabelecidas pela União Astronômica Internacional (UAI). A maior parte delas tem relação com a cultura grega, vinda dos mitos e crenças daquele povo, como Órion (caçador), Ophiuchus (criador de serpentes), as constelações do zodíaco, Pegasus (cavalo alado). Outras foram incorporadas durante as grandes navegações, e tem relação com os instrumentos e objetos com que os navegadores estavam habituados a lidar ou que pertenciam a sua cultura, como Carina (carena do navio), Columba (pomba), Cruzeiro do Sul, Bússola, Telescópio. No entanto, antes de existir essa convenção, hoje chamada de oficial, os povos construíam desenhos a partir do agrupamento aparente das estrelas no céu, sempre relacionados com os objetos e animais de seu cotidiano,
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como é o caso dos índios brasileiros, dos chineses, e outros, que atribuíam ao conjunto de estrelas, nomes e significados muito diferentes entre si.
Além das estrelas, os planetas também eram conhecidos há muito tempo. Para algumas explicações eles eram astros divinos, que traziam mensagens dos deuses. Por seu movimento rápido, em relação às estrelas, esses eram estrelas errantes, de onde vem a origem do nome “planeta”, na Grécia Antiga. A influência dos astros na vida das pessoas era um conhecimento bastante explorado e incentivado naquela época.
Como se sustentava que a orientação das estrelas e planetas tinha influência considerável nos negócios dos homens, acreditou-se que a influência do planeta emanava, não do próprio objeto, mas da esfera a que estava ligado. (COHEN, 1967, P. 32)
Não só na Antiguidade, mas ainda por muito tempo – até meados do século XVII – os cientistas acreditavam na influência dos astros na vida dos homens, e parte dos seus trabalhos, de entender o movimento dos céus, tinha como objetivo fazer previsões dessas influências na vida das pessoas. Portanto, não havia, até então, uma clara distinção entre a astronomia e a astrologia, sendo que uma alimentava a outra em suas aspirações. Apenas com a incorporação do chamado método científico e com o fortalecimento da Ciência Moderna, que começa com Galileu, é que começa a ocorrer uma cisão entre as duas, sendo que atualmente a astronomia permanece dentro da ciência, enquanto a astrologia tornou-se uma crença.
4.2 Os modelos explicativos a partir das observações diretas do céu