Turkic Focal Present Tense Markers and Their Absence in Cypriot Turkish
3. Belirleyici Eylemler
Contamos a história da observação do céu sob as perspectivas de alguns autores, e não tivemos a intenção de cumprir com o rigor historiográfico e seus métodos. O nosso interesse era recontar essa história a partir de alguns episódios da história da astronomia, em que podemos falar da observação do céu em diferentes níveis, com diferentes sentidos e significados. A Teoria da Atividade, desenvolvida a partir da década de 1920, organizada e estruturada por Leontiev e outros autores, que deram continuidade aos trabalhos iniciados por Vigotski sobre a construção do conhecimento científico, aparece
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explicitamente nesse desenvolvimento de uma área científica ligada à astronomia, que desenvolvemos nesse capítulo. Conceitos como “motivo”, “necessidade”, “instrumentos de mediação” são essenciais para compreendermos o processo de construção dessa ciência.
Numa tentativa de sintetizar a atividade humana dentro da história da astronomia sobre a observação do céu, trazemos o esquema trinomial proposto por Vigotski (2000), proposta na medida em que compreendeu que as relações entre o sujeito e o objeto não poderiam mais ser entendidas pela psicologia como relações lineares, mas sim como relações mediadas:
Figura 2: Esquema de representação da relação entre sujeito e objeto, segundo Vigotski. Algum tempo depois, Leontiev afirma que a relação sujeito e objeto não apenas é uma relação mediada, mas é uma relação mediada pela atividade. Assim, podemos ter um novo triângulo, em que representamos esse processo de interação entre o homem e o céu na base, que leva a algum resultado, uma vez que toda atividade visa a transformação dialética do sujeito e do objeto:
Figura 3: Esquema de representação em que a mediação implica em uma transformação do sujeito e da realidade
ediação
objeto
sujeito
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Visando aproximar então a história da astronomia com o referencial adotado nesta pesquisa, elaboramos uma tabela, cuja ideia seria ir preenchendo a ponta do triângulo sobre a mediação – entendida como atividade, traduzida pela necessidade daquele contexto histórico-social – e o resultado obtido através dessa interação do homem com o céu. No movimento de síntese, escolhemos alguns episódios da história tratada acima, apresentado de maneira simplificada, apenas com o objetivo de ilustrar a nossa análise, de maneira mais estruturada. Imaginemos que para cada linha da tabela, haveria um triângulo novo:
Século/ época/ envolvidos Mediação Resultado
Antiguidade – Especialmente os gregos, mas também
indígenas e orientais
Percepção da periodicidade do movimento do céu
Marcação do tempo a partir do movimento dos astros;
criação das primeiras constelações Antiguidade até Idade Média
– humanidade Religião enviados através do céu Presentes e castigos Antiguidade até hoje –
humanidade Percepção do movimento do céu Monumentos e obras de arte Antiguidade até hoje –
humanidade
Percepção da periodicidade movimento do céu e associação com os fatos do
cotidiano
Desenvolvimento da astrologia: crença de que o movimento do céu interfere nos fenômenos cotidianos e
na personalidade das pessoas Antiguidade até Idade
Moderna (séc. XVII) – Aristóteles, Aristarco Ptolomeu, Copérnico e outros cientistas Criação de modelos explicativos para o movimento do céu Desenvolvimento de modelos e da matemática e da geometria
Antiguidade – humanidade Necessidade de estabelecer uma relação temporal com o
mundo
Fim do nomadismo e início da agricultura Séc. XV e XVI – grandes
navegações – especialmente os espanhóis e portugueses
Necessidade de explorar novas terras e para isso se
localizar espaço- temporalmente
Criação ou aperfeiçoamento de instrumentos – bússola e astrolábio; criação de novas
constelações Antiguidade até séc. XVII –
Aristóteles, Ptolomeu, e outros cientistas
Percepção visual do movimento do céu e o pensamento incentivado pela
Igreja Católica
Desenvolvimento do geocentrismo – teoria que no
séc. XVII vira necessidade de reelaboração Séc. XVI e XVII – Copérnico Novas observações e novos
modelos mais simples para explicar o movimento do céu
Desenvolvimento do heliocentrismo – fim da ideia
de que o homem é o centro do Universo, já que seria a criação mais importante de
Deus Séc. XVI e XVII – Galileu,
Tycho, Kepler Invenção do telescópio e observações mais sistemáticas, com obtenção
de dados do céu
Nova visão dos astros, descoberta de astros desconhecidos. Criação de
novo modelo planetário Séc. XV e XVI – Giordano
Bruno, Galileu e outros cientistas
Novo modelo planetário a partir de dados observacionais
Fúria e perseguição dos cientistas – hereges – pela
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Especialmente Kepler e Newton
Novos modelos planetários Criação de novas teorias que mudaram a física e as explicações da época – como as Leis de Kepler e a Lei da Gravitação Universal Séc. XVIII Necessidade de conhecer as
distâncias entre planetas e estrelas. Uso de instrumentos como astrolábio
e micrometros associados aos telescópios
Novas medidas de distância
Séc. XV até XVIII – John
Harrison Necessidade de precisão na marcação do tempo e na previsão dos fenômenos
celestes
Invenção dos relógios mais precisos
Séc. XIX – cientistas e
filósofos as estrelas Medidas das distâncias até – números muito grandes
Necessidade de se pensar sobre a forma do Universo e
como as estrelas estão distribuídas nele Séc. XIX e XX – joseph
Fraunhofer e outros cientistas
Observações para além do Sistema Solar. Descoberta
de novos planetas
Percepção do olho como instrumento limitado. Aperfeiçoamento dos instrumentos de observação, além da inclusão de espectroscópios e câmeras Séc. XX – Hubble e outros
cientistas revelaram a possibilidade de Câmeras e espectroscópios analisar a radiação proveniente dos astros
Descoberta dos elementos químicos presentes nos astros; Interpretação de dados sobre o espectro que
levam a ideia de que o Universo está em expansão Séc. XX – Shapley e outros
cientistas Necessidade de mapear o Sistema Solar e sua localização na Via Láctea
Criação da astrofísica observacional Séc. XX - Einstein Necessidade de criação de
um novo modelo geométrico para o Universo
Teoria da Relatividade Geral
Séc. XX – Gamow e outros
cientistas Criação do modelo mecânico para explicar a expansão do Universo; questões sobre a
origem do Universo
Teoria do Big Bang
Séc. XX – Arno Penzias e
Robert Wilson necessitava de evidências Teoria do Big Bang – implicações sobre a própria
origem da Terra e da humanidade Detecção da Radiação Cósmica de Fundo Séc XXI – 2015 Laser Interferometer Gravitational
Wave Observatory (LIGO)
Prevista por Einstein, em 1916, como uma evidência da Relatividade Geral, é que
o movimento de objetos massivos provocariam perturbações no espaço
tempo
Construção do medidor e detecção das ondas
gravitacionais
Tabela 1: Quadro síntese relacionando o desenvolvimento humano e a observação do céu, enquanto atividade humana.
Olhar essa tabela nos revela um exercício interessante de encontrar as necessidades e as condições objetivas que colocaram os seres humanos em
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atividade, que tiveram como consequência a modificação da nossa relação – enquanto humanidade – com o céu. A última linha, em especial, traz um fato bastante recente, mostrando que a história da observação do céu ainda não se esgotou e que continua sendo o objeto da atividade dos cientistas, que estão em busca de construir novos conhecimentos para questões que ainda estão sem respostas. Mostra também que a tendência atual das descobertas sobre o céu segue pelo mesmo caminho demonstrado pela história: o de procurar por evidências que não são visíveis aos nossos olhos, gerando assim a necessidade de construção de instrumentos, a partir das teorias já existentes, para que sejam capazes de captar essas informações e traduzi-las para ampliar ou modificar o nosso entendimento sobre o céu.
Quando os seres humanos relacionam os movimentos do céu com crenças e explicações metafísicas sobre o mundo e os fenômenos – como o nascimento de bebês ou os calendários e dias “santos” – estamos falando dos sentidos atribuídos aos céus, por representações particulares das culturas. Embora as explicações construídas não encontrem respaldo na ciência, não podemos ignorá-las, uma vez que essa relação com o céu é uma das principais responsáveis pelo fascínio que as pessoas têm de olhar para o céu e buscar a partir dele respostas para as questões fundamentais que movem a humanidade: “de onde viemos?” e “para onde vamos?”.
Mesmo quando avançamos cientificamente nos estudos sobre o céu, as explicações metafísicas e a presença de Deus continuaram a ser fortemente amparadas dentro das explicações, elaboradas pelos cientistas, num esforço de relacionar a ciência do homem com a ideia de que somos seres especiais e privilegiados. Tomando isso por base, considerando a forte presença das influências místicas dentro da própria história da ciência, não é trabalho fácil – seja dos professores, seja dos divulgadores da ciência – modificar ou mesmo desconstruir essa relação que as pessoas têm com o céu, no sentido de promover uma nova relação, que leve em consideração os aspectos do conhecimento científico desenvolvidos pela humanidade.
Mesmo antes de existir modelos explicativos considerados adequados hoje, a partir do momento que as pessoas começaram a notar as regularidades no céu, este acabou se tornando um instrumento de mediação entre os seres
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humanos e a contagem do tempo ou a orientação espacial. Podemos ver isso fortemente em dois momentos da história da humanidade: primeiro foram os nômades que se utilizaram disso para fixar suas residências e desenvolverem a agricultura, e depois foram os europeus, na época das grandes navegações, que se orientavam por uma terra desconhecida, a partir da posição das estrelas, e, além disso, também desenvolveram interessantes instrumentos materiais para auxiliar na localização: a bússola e o astrolábio.
Dentro da ciência, podemos entender que entre o homem-cientista e o céu sempre existiram diversos instrumentos de mediação, sejam eles materiais ou ideais. Ao longo do tempo, as teorias e modelos explicativos, que foram mudando a maneira como os homens olhavam para o céu e se apropriavam do céu, como um objeto da natureza. E podemos afirmar isso porque a história nos mostra que essa relação com o céu foi essencial para alguns aspectos do desenvolvimento do gênero humano.
Além das teorias e modelos, não podemos nos esquecer também dos instrumentos ópticos – telescópios, espectroscópios, radiotelescópios, câmeras, etc – têm grande responsabilidade, principalmente quando abriam a possibilidade de o homem enxergar aquilo que não podia a partir dos próprios olhos. É interessante perceber como esses instrumentos se desenvolvem a partir da necessidade humana, e servem ao mesmo tempo, para gerar novas necessidades: a de enxergar e explicar o que esses instrumentos revelavam.
Nesse sentido, podemos observar que a partir da história, o fato de se visualizar um novo objeto demorava até que o objeto fosse visualizado de uma forma nova. Isso porque ao longo dessa história, os sentidos – que já mencionados anteriormente são órgãos sociais – precisavam também ser construídos. Para ilustrar, podemos pensar em Galileu, que via corpos girando em torno de Júpiter, mas não podia ter certeza se seriam luas, estrelas ou outros planetas e não tinha, com o conhecimento acumulado até a sua época, condições de definir o que seria. Também podemos citar Hubble, que obteve dados que mostravam um desvio na velocidade das galáxias, mas não podia, a partir disso, concluir que se tratava de uma evidência da expansão do Universo.
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Vimos então, que se apropriar do conhecimento sobre o céu desenvolvido ao longo da história da humanidade é também se apropriar da humanização e de nossa própria história como seres humanos. Assim, a partir dessa dimensão singular, pretendemos observar sua manifestação nas dimensões particulares e na dimensão universal, para compreendermos como é que essa história pode dar subsídios para a construção de uma visão do céu como um conhecimento a ser transmitido pelo ensino.
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5. UMA DIMENSÃO PARTICULAR: A VOZ DOS CURRÍCULOS DO BRASIL