Tip 4 Histerektomi:
6. SONUÇ
Como elementos complementares às observações em campo, foram realizadas entrevistas semidirigidas individuais com as duas professoras de classes de recuperação, a
26 APÊNDICE B - gravado em CD ROM 27 APÊNDICE C - gravado em CD ROM
diretora da escola, a professora coordenadora pedagógica, duas mães de alunos de classes de
recuperação e entrevistas coletivas com dois grupos de alunos destas classes, todos
vinculados à mesma escola.
Os roteiros utilizados em cada uma das entrevistas foram complementados e enriquecidos diferentemente, em função dos depoimentos específicos de cada participante, surgindo, assim, outros assuntos nas entrevistas, além dos que, inicialmente, faziam parte dos roteiros.
Todas as entrevistas tiveram a autorização dos participantes ou responsáveis, por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, para serem realizadas e gravadas de modo a registrar as próprias palavras dos sujeitos, sendo, posteriormente, transcritas para as devidas análises.
As transcrições das gravações (APÊNDICE D)28 foram feitas por meio de digitação, de acordo com as convenções da língua e não de forma literal (considerando pausas, entonações, expressões sonoras que não são palavras).
IV.3.3.1 Entrevistas com duas professoras de salas de recuperação escolar
As duas professoras entrevistadas, Célia e Ana, lecionavam nas classes de recuperação que funcionavam nos períodos matutino e vespertino.
Célia era uma professora com mais de 50 anos, aposentada, que havia trabalhado no setor de recursos humanos de uma empresa antes de começar a lecionar. Exerceu a docência por quase 20 anos em escolas da rede privada e pública. Três meses após sua aposentadoria, foi chamada por esta escola para ser professora eventual da sala de reforço. Naquele momento, estava, havia cinco anos, lecionando como professora de recuperação.
Ana tinha 35 anos e 13 de magistério, exercidos especialmente nas séries finais do Ensino Fundamental I. Revelou que nunca havia escolhido as primeiras séries por sua dificuldade quanto à responsabilidade da alfabetização dos alunos. Tinha lecionado como eventual nesta escola e, quando surgiu a vaga, foi convidada a lecionar na classe de recuperação. Havia sido contratada no primeiro semestre daquele ano, pelo regime
denominado Ocupante de Função Atividade (OFA) sendo aquela, portanto, a sua segunda experiência com classe de recuperação, uma vez que as turmas eram constituídas semestralmente e estávamos no segundo semestre.
As entrevistas foram realizadas individualmente, após o período de aulas nos turnos matutino, com a professora Célia, e vespertino, com a professora Ana. Ocorreram na sala da biblioteca da escola, um espaço amplo, mas com pouca luz, úmido e cheirando a mofo. Havia estantes encostadas nas paredes contendo livros infantis e didáticos sem muito cuidado na arrumação e conservação. Em um dos cantos ficavam empilhados cartazes usados, papelões, caixas e outros materiais de sucata. No centro ficavam algumas mesas e cadeiras escolares a serem utilizadas pelos usuários da biblioteca. Convém observar que não parecia um ambiente agradável e estimulador à permanência e ao desenvolvimento do gosto pela leitura – fatores imprescindíveis a uma sala de leitura.
Foi utilizado um roteiro para as entrevistas que contemplou os seguintes temas: escolha e percurso profissional; critérios de admissão para lecionar na sala de recuperação; caracterização dos alunos de recuperação; critérios de ingresso e de saída; aspectos positivos e negativos de lecionar nesta sala; principais dificuldades; sugestões para aprimoramento da recuperação; dentre outros.
IV.3.3.2 Entrevista com a professora coordenadora pedagógica
Maria, a professora coordenadora pedagógica, fora, desde o primeiro contato com a escola, muito solícita e atenciosa comigo. Com 11 anos de experiência no magistério, estava naquela escola havia seis. Tinha sido professora da escola, tendo assumido, a convite da diretora, o cargo de Professora Coordenadora Pedagógica. Revelava sentir-se muito desafiada a atuar com a alfabetização das crianças por ela classificadas como “portadoras de dificuldades escolares” (sic).
A entrevista ocorreu no final do turno da manhã, estendendo-se até o turno da tarde, com a duração de aproximadamente duas horas. Iniciamos nossa conversa na sala da biblioteca, mesmo local em que foram realizadas as entrevistas com as professoras, mas depois foi preciso nos transferirmos para outra sala, uma vez que a biblioteca seria utilizada por uma professora. Fomos, então, para a sala de coordenação pedagógica e, após esta mudança de local, houve várias interrupções de professores e funcionários que solicitavam
informações e orientações para resoluções de problemas do dia a dia escolar. Desse modo, o final da entrevista foi um tanto atribulado, havendo descontinuidade em algumas verbalizações da professora coordenadora.
Os principais temas discutidos foram: finalidades, dificuldades e benefícios das classes de recuperação; qualificação do professor; caracterização dos alunos; relação entre escola e família; valorização/desvalorização dos docentes; políticas públicas, e, por fim, sugestões para aprimoramento do processo de recuperação escolar.
Para a discussão dos dados obtidos na entrevista com a professora coordenadora pedagógica, cabe estabelecer diálogo com o trabalho de Roman (2001), a respeito das contradições existentes entre as funções atribuídas oficialmente a este profissional e as condições reais em que suas atividades se efetivam, no cotidiano escolar. Paradoxalmente, este educador deve assumir exaustivas funções administrativas visando promover mudanças impostas pelos órgãos oficiais, e, ao mesmo tempo, é instado a trabalhar pela melhoria e democratização da educação pública. Tarefa praticamente impossível de ser cumprida, pois atuar na busca de autonomia do trabalho coletivo docente pode ser extremamente incompatível com a responsabilidade da implantação de diretrizes superiores em sujeição aos órgãos de planejamento e administração do sistema escolar (ROMAN, 2001).
IV.3.3.3 Entrevista com a diretora da escola
A entrevista com a diretora Mônica ocorreu no mês de dezembro, quando as aulas já haviam sido encerradas, de modo que ela tivesse mais disponibilidade de tempo. Foi realizada na sala dela, com várias interrupções de funcionários da escola que precisavam de informações e orientações para soluções de problemas relativos a questões administrativas, como transferências, matrículas, recebimento de materiais etc.. A constância dessas interrupções fez com que a diretora avisasse a secretária de que não atenderia mais ninguém por estar ocupada dando uma entrevista à pesquisadora. Deste momento em diante, cessaram as interrupções e pudemos ter uma conversa muito agradável e produtiva.
Os principais temas discutidos foram: sua trajetória profissional na docência; critérios para a abertura de classes de recuperação e para o encaminhamento dos alunos; concepções sobre o processo de recuperação escolar; obstáculos e resultados do projeto de recuperação escolar; a relação entre a Progressão Continuada e a recuperação; características dos alunos;
os encaminhamentos dessas crianças para os especialistas em saúde; inclusão de crianças com necessidades especiais em classes de recuperação; sugestões para melhoria do processo de recuperação.
Ao final da entrevista a diretora fez algumas questões a respeito de minhas impressões sobre a escola, as classes de recuperação, os alunos e as professoras. Foi preciso muita habilidade para responder, tomando os devidos cuidados éticos, de modo a não gerar nenhum constrangimento ou fornecer informações sobre a dinâmica de trabalho das professoras que pudessem comprometê-las.
IV.3.3.4 Entrevistas com mães de alunos
Na tentativa de compreender o sentido da classe de recuperação, duas mães de alunos foram entrevistadas. O processo de escolha das mães participantes será descrito a seguir.
Eu havia solicitado à Maria, Professora Coordenadora Pedagógica, que seria necessário um agendamento com mães de alunos das classes de recuperação. Ela sugeriu que as entrevistas fossem feitas no dia da reunião de pais, oportunidade em que as mães compareceriam na escola. No entanto, a despeito de eu ter chegado no horário combinado, várias professoras tinham terminado a reunião e muitas salas estavam vazias. Encontrei algumas classes ainda com mães e fui indagando quem tinha filho que frequentava a classe de reforço. À medida que se identificavam eu explicava os objetivos da pesquisa e verificava a disponibilidade, deixando claro que só participariam as que concordassem em conversar, de modo voluntário.
Duas mães se dispuseram a participar, ficando após o término da reunião para a entrevista comigo. As entrevistas ocorreram em uma sala de aula, permanecendo no local somente eu e a entrevistada. Após a concordância dessas mães, foram entregues a carta de informação e o termo de livre consentimento, que, após leitura, foram devidamente assinados.
As entrevistas com as mães contemplaram, principalmente, o processo do encaminhamento dos filhos para o reforço escolar (motivo, reações, procedimentos); os efeitos da frequência à classe de reforço; as verbalizações dos filhos sobre pertencer a esta classe; e a compreensão das mães quanto ao pertencimento dos filhos à classe de recuperação.