Tip 4 Histerektomi:
4. BULGULAR
4.10. Üç Boyutlu Konformal Radyoterapi (KNF) ve IMRT Planlamalarının
Caracterizada como a observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente na escola e considerando-se a importância dos registros de eventos que se presumem relevantes para análise, esta pesquisa de campo foi feita por meio de observação direta intensiva (MARCONI; LAKATOS, 2005), com o objetivo não apenas de ver e ouvir mas também de procurar examinar os fatos que ocorriam em duas turmas de alunos de recuperação de ensino.
Foram feitas 17 visitas à escola, durante os meses de setembro a dezembro de 2006, nas quais eu permanecia em sala de aula durante as aulas de recuperação realizando observações e interagindo com alunos e professoras, tanto durante as aulas, como após as mesmas.
Na tentativa de manter a objetividade e minimizar impressões preconceituosas, parciais ou contaminadas por minhas concepções a respeito do que era observado no campo – crítica comumente feita à observação participante – tentei desenvolver interação e promover a proximidade com os participantes. Assim, eu e as professoras conversávamos a respeito de outros assuntos que não os exclusivamente profissionais, voltados às classes de recuperação. Falávamos sobre família, saúde (uma das professoras estava passando por uma fase difícil, em que fazia uma bateria de exames médicos devido à suspeita de câncer, que, posteriormente, veio a confirmar-se) e outras questões pessoais. Certamente a mútua influência entre pesquisador e os participantes da pesquisa se fazia presente, tanto nos momentos vividos dentro das salas de aula como quando ficávamos “batendo papo” antes ou depois delas. Em função disso, procurei ficar atenta às influências de antipatias ou simpatias pessoais que se constituíam, bem como aos choques do quadro de referências entre observador e observado (MARCONI; LAKATOS, 2005).
A observação era estruturada para registro posterior, de modo a selecionar as cenas e diálogos que diziam respeito aos objetivos da pesquisa, caracterizada como participante, uma vez que eu interagia com alunos e professoras procurando vivenciar e entender o sistema de referências deles. No tempo em que estive na escola, procurei fazer parte daquele grupo, tentando integrar-me com alunos e professoras. Pude perceber a aceitação gradual das professoras em relação à minha presença em sala de aula. No início, houve certa resistência, mas pouco a pouco fomos nos aproximando e estabelecendo vínculos que nos comprometiam uns com os outros na busca de respostas às questões que se apresentavam.
Os diálogos das professoras comigo tinham diferentes características, ora revelando busca de apoio, aprovação, ora de desabafo, ora demonstrando necessidade de que alguém visse seu esforço e empenho em ensinar aquelas crianças. Outras vezes revelavam necessidade de que eu partilhasse da comprovação de sua impotência diante das difíceis demandas das classes de recuperação.
Assim, fui ocupando estes diferentes lugares no campo e modificando, à medida que convivia com aquelas pessoas, minhas concepções sobre condições, ações e intenções de alunos e professoras de salas de recuperação.
Às vezes, saía de lá indignada com o que tinha presenciado. Cenas de humilhação, tempo mal aproveitado, professoras e alunos irritados e impacientes, aparências de propostas pedagógicas desmanteladas quando se tentava enxergar mais de perto o que, de fato, ocorria nas salas de recuperação.
Em outros momentos, eu saía encantada com a convivência com crianças tão espertas e inteligentes que provocavam reflexão sobre minhas ações lá, como no episódio em que os alunos ficaram admirados que eu tivesse copiado a lição que tinha sido produzida por eles, e escrito “suas ideias”, concluindo, por eles mesmos, sobre suas capacidades e admirando-se diante do valor do texto que construíram.
Houve dias em que saí triste, cheguei a chorar na volta para casa, lembrando de frases ditas pelas crianças que revelavam total descrédito em suas possibilidades de aprender ou frases ditas pelas professoras que também revelavam suas limitações e impossibilidades, com poucos resultados, apesar do enorme esforço despendido.
Com os alunos o início da interação foi permeado de perguntas feitas por eles a mim. Queriam saber se eu era do conselho tutelar, se era professora, se era mãe de algum aluno... Eu respondia que era psicóloga e que estava tentando entender como eram as classes de recuperação e que passaria um tempo junto com eles para conhecê-los melhor. Com o passar do tempo, vários corriam para me cumprimentar com abraços e beijos, chamando-me pelo nome e demonstravam afeto ao nos encontrarmos em sala ou nas outras dependências da escola.
Essas aulas de recuperação tinham a duração de uma hora e ocorriam após o período regular de aulas dos alunos, tanto no turno da manhã como no da tarde.
IV.3.2.1 Os registros das observações
Inicialmente os dados eram registrados durante as observações, mas depois do episódio em que os alunos me perguntaram “se eu escrevia o que eles faziam de errado”, passei a apenas anotar, apressadamente, no diário de campo, algumas palavras-chave, códigos ou abreviaturas como lembretes, recuperando da memória informações faltantes imediatamente após a saída da escola, quando fazia o registro ampliado (APÊNDICE B)26, conforme procedimento indicado por Bogdan e Biklen (1994):
Depois de voltar de cada observação, entrevista, ou qualquer outra sessão de investigação, é típico que o investigador escreva, de preferência num processador de texto ou computador, o que aconteceu. Ele ou ela dá uma descrição das pessoas, objetos, lugares, acontecimentos, atividades e conversas. Em adição e como parte dessas notas, o investigador registrará idéias, estratégias, reflexões e palpites, bem como os padrões que emergem. Isto são as notas de campo: o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo. (p. 150)
Deste modo, os registros foram sofrendo alterações até chegar à versão ampliada e corrigida, transformando manuscritos apressados e incompletos em descrições digitadas mais cuidadosas e com maior grau de detalhamento, almejando-se, assim, a busca da maior fidelidade possível ao que havia sido observado na escola.
Foi elaborada uma tabela de modo a apresentar um quadro geral das atividades realizadas em campo (APÊNDICE C)27.