Na seção de organização curricular, os Planos de Cursos mencionados no Quadro 2, apresentam uma estrutura sintética de suas propostas, ou melhor, uma matriz curricular. Observarmos nessas sínteses a denominação recebida pela Língua Estrangeira-Inglês (LEI) enquanto componente curricular, sua alocação bem como sua carga horária.
No que tange à denominação, em vinte e um (95%) matrizes curriculares, o componente curricular atinente a essa língua foi circunscrito como Língua Estrangeira-Inglês. Apenas uma matriz não especificou qual a língua estrangeira fora a escolhida pela comunidade curricular como a obrigatória.
5%
95%
Língua Estrangeira Língua Estrangeira (Inglês)
Figura 13-Denominação da LEI nas matrizes dos PCs.
Se compararmos a Figura 13 com a Figura 7, veremos que nenhuma matriz contida nos PCs denominou o componente curricular de Inglês Instrumental ou Inglês para Fins Específicos como aconteceu em quase 30% das matrizes avulsas catalogadas nos sítios eletrônicos de IFs. Logo, os dados da Figura 13 não trazem nenhum rastro da(s) abordagem/ns de ensino de línguas a ser (em) implementada(s) nos CEMITs, cujos PCs estamos discutindo. No entanto, podemos enfatizar que o inglês é a língua hegemônica da proposta curricular de
95% dos PCs, assim como fora de 95% das matrizes curriculares avulsas analisadas na seção 6.1.1.
Quanto à alocação da LEI nas matrizes curriculares dos PCs, metade deles se limitou a listar os componentes curriculares e suas respectivas cargas horárias, o que também ocorreu com 67% das matrizes avulsas discutidas na seção 6.1.1. A outra metade das matrizes dos PCs usaram as seguintes estratégias de integralização, que tendem, na verdade, a uma justaposição de seus componentes curriculares: 1) no âmbito dos componentes curriculares responsáveis diretamente pela formação geral dos educandos, (27%) dos PCs, quais sejam, PC9; PC10; PC11; PC12; PC13 e PC14; 2) no grupo de componentes curriculares que compõem a base nacional comum, um PC, qual seja, PC15 e 3) no grupo de componentes curriculares que compõem a área de conhecimento Linguagens, (15%) dos PCs, quais sejam, PC1; PC2; PC3 e PC16.
As estratégias 1 e 2 supramencionadas, constituem evidências da permanência da histórica dualidade entre formação geral e formação profissional o que indica que à luz da organização sintética das matrizes dos PCs, os componentes curriculares da formação geral (se) dialogam entre si e os da formação profissional, o fazem entre si também. Já a estratégia 3 sinaliza uma integração entre os componentes curriculares da área, logo a LEI se estreitaria com a Língua Portuguesa, a Educação Física, Artes e Informática. Quanto à integração com as outras áreas da formação geral e com os componentes curriculares da formação profissional, pode-se dizer que a forma como eles estão justapostos nos quadros das matrizes não sinaliza que o planejamento mira um currículo integrado e sim um currículo justaposto.
LCT 18% Formação Geral 27% Núcleo comum 5% Sem especificação 50% Planos de cursos
Figura 14- Alocação da LEI nas matrizes curriculares dos PCs
Dos nove PCs, quais sejam, PC3; PC4; PC5; PC6; PC16; PC17; PC18; PC19 e PC20, que previam uma organização curricular por meio da integração entre os componentes curriculares de formação humana integral e de formação profissional sobre os quais tratamos na seção 6.2.2, apenas os PC3 e PC16, conforme pode ser visto no Quadro 16, incorporaram um dos tipos, qual seja, a estratégia 3, de integração. No caso específico do PC16, a síntese da sua matriz representa muito parcialmente sua proposta de organização curricular integrada, cuja composição previa integrar 1) um Eixo Integrador; 2) quatro Núcleos Temáticos; 3) um Núcleo Comum com Unidades Curriculares Comuns e 4) as Quatro Grandes Áreas do Conhecimento introduzidas nas DCNEM (1998), conforme esquematiza a Figura 12 da seção 6.2.2.
CÓD DENOMINAÇÃO ALOCAÇÃO DA LEI NA MATRIZ CURRICULAR
CARGA HORÁRIA HORAS
PC1 Língua Estrangeira (Inglês) Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 135 PC2
PC4 Língua Estrangeira X 120 PC5 Inglês 166,7 PC6 Língua Estrangeira Obrigatória - Inglês 120 PC7 Inglês
PC8 Língua Estrangeira (Inglês) 144
PC9
Inglês Formação Geral
180 PC10 PC11 PC12 PC13 PC14
PC15 Inglês Núcleo comum
Inglês Formação Profissional 180
PC16* Língua Inglesa Base de Conhecimentos Científicos e Tecnológicos
Formação Geral
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
108
PC17 Inglês
X
120 a240
PC18 Língua Estrang. Moderna: Inglês
PC19
Língua Estrangeira (Inglês)
108
PC20
PC21 PC22
Quadro 17-LEI nas matrizes curriculares dos PCS
Na mesma direção do que discutimos na seção 6.1.1, portanto, as matrizes curriculares contidas nos PCs catalogados não as esmeraram suficientemente com vistas a dar coerência ao tipo de currículo que um curso integrado entre o Ensino Médio e Educação Profissional Técnica pressupõe. Ou, também, isso pode sinalizar uma perpetuação de um hábito de limitar tão importante documento de organização sintética curricular a uma mera listagem dos componentes curriculares e suas respectivas cargas horárias.
No que diz respeito à carga horária das matrizes curriculares nos PCs, podemos constatar, conforme ilustra Figura 15, que as cargas horárias destinadas à LEI como componente curricular são um tanto quanto variadas. Os PC9; PC10; PC11; PC12; PC13; PC14 e PC15 são os únicos a destinarem 180 horas-relógio para a LEI, o que nos permite dizer que esse componente curricular está presente em todos os semestres de todos os anos dos CEMITs sejam eles ofertados em três ou em quatro anos.
1 4 1 2 2 5 7 80 120 166,7 144 135 108 180
Figura 15-Carga horária (horas-relógio) da LEI nas matrizes curriculares dos PCs
Contudo, os outros quinze PCs estabelecem menos de 180 horas-relógio para a LEI, logo esse componente curricular não é ofertado em todos os semestres dos CEMITs. Sua carga horária sofre um significativo achatamento quando tomamos como parâmetro a carga horária que a LEI recebe em um curso de Ensino Médio Regular, conforme discutimos na seção 6.1.1. Isso, por extensão, limita o poder de contribuição da LEI no que tange aos objetivos formativos almejados para um CEMIT. Se a carga horária destinada para a LEI nos cursos de EMR é muita criticada pelos professores da área como insuficiente, a crítica, portanto, para um CEMIT deve ser bem maior tendo em vista que além de mirar a formação humana integral, assim como um curso de EMR, deve também mirar a formação profissional. A carga horária, contraditoriamente, deveria ser maior e não menor.
Ademais, se faz oportuno chamar a atenção para a carga horária destinada para a LEI no PC15. Por se tratar de um CEMIT em Turismo, uma carga horária maior é destinada para essa língua. Contudo, ao observarmos a matriz curricular, veremos que a LEI tem duas alocações na matriz, uma no grupo de disciplinas do núcleo comum e uma no grupo de disciplinas de formação profissional. Ora, isso constitui um indício de que a histórica dualidade entre formação propedêutica e formação profissional adentrou para a oferta desse componente curricular de tal sorte que são ofertadas dois componentes curriculares: uma LEI que mira a formação humana integral e outra LEI que mira a formação profissional. Desde a concepção do planejamento, portanto, o papel da LEI não é o de atravessar essas duas formações integrado-as.