Uma reflexão compreensiva acerca da dimensão física permite caracterizar o ambiente físico do MPGOA partindo de dois pontos de vista: (1) um lugar agradável, bem iluminado, com mobiliário adequado; (2) um espaço físico desconfortável, pequeno, estruturalmente desfavorável para o que se propõe em termos de um ambiente propício ao desenvolvimento de algum tipo de aprendizado. Essas diferentes percepções dos entrevistados acerca do ambiente físico do MPGOA podem ser justificadas pelo fato de os egressos serem entrantes do programa em períodos divergentes, uma vez que foram entrevistados egressos da turma inicial do curso, momento em que o curso estava em fase de consolidação, e egressos das turmas subsequentes.
Um dos pontos ressaltados pelos entrevistados acerca do ambiente físico faz referência à disposição das cadeiras em círculos na sala, configuração adotada por alguns professores, como um ponto altamente positivo na visão dos pesquisados, pois possibilitou a estes interagirem diretamente entre si e visualizarem o ambiente como um todo, permitindo assim uma maior vivência entre a turma e o docente. A disposição do mobiliário de forma flexível permite a criação de diferentes configurações dentro da sala de aula que facilitam a dinâmica e a interatividade em sala (OBLINGER, 2006; KUUSKORPI; FINLAND; GONZÁLEZ, 2011).
Outro ponto explicitado pelos entrevistados refere-se à concordância quanto à indefinição e às incertezas do local fixo para a realização das atividades como influenciadoras na aprendizagem, pois as aulas eram realizadas em salas de aulas diversas, incluindo as salas utilizadas como auditório pela universidade. A falta de um local estruturalmente definido causou desmotivação e insatisfação em alguns entrevistados em virtude tanto da imprecisão do espaço quanto de planejamento acerca do local de realização das aulas. Chism (2006)
reforça que alguns aspectos ligados ao ambiente físico transmitem mensagens não-verbais de boas-vindas ou desanimadoras mais intensas do que mensagens verbais explícitas no ambiente de ensino.
As experiências vividas por meio das relações estabelecidas na dimensão física do ambiente influenciam a forma com que a aprendizagem se desenvolve no contexto ao permitir a vivência de situações diversas seja pela transformação da sala para dinamizar o ensino ou pelas sensações comportamentais expressas psicologicamente por meio de incertezas e inconstâncias a respeito de um local fixo pré-determinado de aprendizado. Ambas as experiências vividas a partir do ambiente físico podem interferir na forma como o conhecimento é construído e como o aprendizado tido naquele ambiente será percebido em um período futuro pelo indivíduo.
Tal percepção permite uma visão reflexiva de que a forma como se projeta o ambiente físico da aprendizagem molda o aprendizado a ser desenvolvido e, consequentemente, a forma como a aprendizagem acontece nesse ambiente (OBLINGER, 2006; CHISM, 2006). Ainda, ressalta que as experiências vividas no ambiente físico propiciam oportunidades para que os indivíduos desenvolvam uma aprendizagem experiencial, que, de acordo com Kisfalvi e Oliver (2015), muitas vezes pode ser representada por jogos, simulações, estudos de caso, dramatizações, entre outros, que levem à percepção necessária para enfrentar a variedade de situações com as quais se defrontaram enquanto gestores.
A sala de aula na dimensão física do ambiente facilita a transformação do conhecimento pré-consciente ou tácito em um conhecimento explícito verbalmente, que moldam o aprendizado dos indivíduos durante sua trajetória de formação e são articulados por meio de ideias e ações práticas no campo profissional (KISFALVI; OLIVER, 2015). A experiência construída por meio da vivência nesse ambiente não deve criar barreiras ou limitações, mas sim propiciar um ambiente de aprendizagem por meio do qual exista um desenvolvimento do pensamento crítico, de habilidades analíticas e de julgamento necessárias à transição entre o aprendido no ambiente de ensino e a vivência prática no ambiente organizacional.
O Quadro 9 apresenta uma síntese de cada categoria que compõe a dimensão física do ambiente descrito pelos entrevistados a respeito do ambiente físico do Mestrado Profissional em Gestão nas Organizações Aprendentes (MPGOA).
Quadro 9 - Síntese da dimensão ambiente físico e suas categorias
Dimensão Categorias Significado
Ambiente Físico
Espaço físico do mestrado Evidencia características do ambiente vivenciadas pelos indivíduos com relação à luminosidade, temperatura, layout, acústica, organização do espaço, entre outros.
Disposição circular do mobiliário em
sala de aula Denota a importância da disposição do mobiliário na dinâmica da sala e da contribuição na interação entre o grupo como um todo.
Incerteza do local na aprendizagem
Salienta como a indefinição de um local pré- determinado para a aprendizagem é percebida pelos indivíduos em seu processo de aprendizagem durante o MP.
Experiências do ambiente físico Apresenta as experiências vivenciadas no ambiente físico, seja implicitamente ou explicitamente durante sua formação como mestre profissional.
Fonte: Elaboração própria (2016).
As informações apresentadas no quadro indicam, a partir das categorias, como as experiências vividas pelos indivíduos no ambiente físico do MP se relacionam com a aprendizagem desses sujeitos durante sua formação como mestres profissionais. Para esses indivíduos, as experiências vividas nessa dimensão assumem um papel importante, pois criam as condições necessárias para uma intepretação-avaliativa de como seu conhecimento está se construindo a partir da interação entre sujeito e seu ambiente físico de aprendizagem.
Os resultados desta seção revelam que o planejamento da arquitetura física do ambiente contribui para uma aprendizagem vivencial balizada por aspectos estruturais com potencial transformacional na forma como a aprendizagem é construída a partir das condições experienciadas.
A dimensão retratada a seguir aborda elementos das relações vividas entre docentes e discentes durante o processo de aprendizagem, por meio dos conhecimentos construídos a partir dos comportamentos, das atitudes, da aplicação prática do curso e do fortalecimento da carreira profissional experienciadas durante o processo de formação enquanto mestres profissionais.