• Sonuç bulunamadı

Como citado anteriormente, a pesquisa de campo foi desenvolvida por dez meses (de setembro de 2013 a junho de 2014), totalizando 172 horas. Desse total, 142 horas foram dedicadas a investigar atividades desenvolvidas pela empresa que constituiu o foco desta pesquisa. As demais trinta horas foram dedicadas à fase exploratória da pesquisa quando realizei entrevistas e acompanhamentos com extensionistas vinculados a duas outras organizações prestadoras de serviços de extensão rural que também atuavam na região norte de Minas Gerais: uma ONG e uma associação de agricultores. A escolha desta empresa pública para realização da pesquisa de campo deveu-se à sua tradição e atuação em todo o estado de Minas Gerais, o que permitiu que os acompanhamentos aos extensionistas fossem realizados em um só município com extensão territorial suficiente para abrigar 2.500 famílias na zona rural. Sendo assim, foi possível combinar o critério de grande volume de atendimentos – e consequente diversidade de situações de trabalho – com um critério de conveniência para estabelecer a agenda de acompanhamentos em apenas um escritório e com um número de profissionais suficiente para os objetivos da pesquisa.

O projeto desta pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética da Pesquisa da UFMG, tendo sido aprovado por meio do parecer 295.500, de 6 de junho de 2013, cuja cópia está disponível no Anexo 1. Os modelos do termo de consentimento livre e esclarecido que foram por mim apresentados aos extensionistas e agricultores que participaram da pesquisa estão disponíveis, respectivamente, nos Anexos 2 e 3.

ETAPA 2012 2013 2014 A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J 1. Realizar diagnóstico 2. Elaborar proposta 3. Promover oficinas 4. Visitar famílias 5. Avaliar resultados

No trabalho de campo, observei os cinco extensionistas durante o desenvolvimento de suas tarefas, principalmente em suas interações com os agricultores tanto no escritório quanto no campo. Inspirado por métodos etnográficos (ENGESTRÖM; MIDDLETON, 1996; GUÉRIN et al., 2001; HARRIS, 1999; HUTCHINS, 1995; LAVE, 1996), acompanhei os extensionistas em seu trabalho por pelo menos oito horas diárias, geralmente uma vez por semana. As observações aconteceram em diferentes dias da semana e em diferentes períodos do mês e do ano para que eu pudesse observar possíveis variações sazonais em suas atividades. Acompanhei cada um dos cinco extensionistas ao longo do dia de trabalho em todas as tarefas realizadas, incluindo intervalos para refeições e deslocamentos em campo, quando os acompanhava como passageiro nos veículos que utilizam para visitar as propriedades agrícolas. A escolha dos dias em que as visitas eram realizadas dava-se também em função da conveniência para os extensionistas e da disponibilidade do pesquisador, sendo os agendamentos negociados visita a visita.

Com exceção dos períodos em que os extensionistas estavam em interação com agricultores, realizei com eles entrevistas não estruturadas e semiestruturadas relacionadas a aspectos mais gerais do trabalho ou sobre assuntos mais específicos que surgiam durante a interação entre eles e os agricultores. O objetivo foi compreender o trabalho de extensão rural do ponto de vista dos extensionistas e – por meio da combinação de observações e entrevistas – alcançar também aspectos menos evidentes no dia-a-dia dos serviços, “em parte, inacessíveis à consciência dos trabalhadores” (LIMA, 1998, p. 18). Também realizei entrevistas com superiores hierárquicos (“coordenadores”, de acordo com a denominação adotada pela empresa) dos extensionistas a fim de abranger perspectivas institucionais. Durante o trabalho de campo, capturei fotos e gravei material de áudio e vídeo. Esse apanhado audiovisual teve por objetivo permitir recuperar detalhes que escapassem do registro em tempo real realizado por meio de anotações em blocos de papel.

Realizei também entrevistas não estruturadas e semiestruturadas com agricultores durante suas interações com extensionistas e também separadamente (sem a presença dos extensionistas) em visitas agendadas às suas propriedades para ouvi-los a respeito das escolhas que fizeram para investir os recursos do projeto. A partir do objetivo mais específico de abordar o Projeto Quilombolas, com as entrevistas eu buscava uma compreensão mais geral de como a produção era organizada, como se dava a divisão do trabalho no interior da

família e como a extensão rural funcionava em relação às necessidades, temores e expectativas da família.

No escritório da empresa, realizei pesquisa documental que incluiu a verificação e seleção de documentos, panfletos, cartilhas e livros que tomei de empréstimo da biblioteca e do estoque de material distribuído aos agricultores nas visitas e eventos promovidos pelos extensionistas. Consultei também o sistema de informação gerencial (SIG) disponibilizado pelo órgão federal que financiou o Projeto Quilombolas. A partir do aplicativo informatizado extraí arquivos de relatórios gerados para cada uma das 260 famílias participantes do projeto. A seguir, apresento a distribuição das 172 horas do trabalho de campo por atividade executada (TABELA 1).

Tabela 1 – Sistematização das atividades desenvolvidas e do número de horas utilizadas na pesquisa

de campo

ATIVIDADE HORAS

Acompanhamento do trabalho e entrevistas em organização ligada a uma ONG 14 Acompanhamento do trabalho e entrevistas em organização de associação de agricultores 16

Pesquisa exploratória Subtotal 30

Observações do trabalho em atendimentos individuais que envolveram 44 agricultores 41 Observações do trabalho em atendimentos coletivos que envolveram 251 agricultores 21

Observações do trabalho dos extensionistas em campo e no escritório Subtotal 62

Entrevistas com cinco extensionistas 42

Entrevistas com dois coordenadores técnicos 5

Entrevistas com extensionistas e coordenadores da empresa Subtotal 47

Entrevista coletiva com quatro agricultores 1

Entrevistas individuais envolvendo quatro agricultores e familiares 15

Entrevistas com agricultores e suas famílias (sem os extensionistas) Subtotal 16

Seleção de material tomado de empréstimo da biblioteca do escritório 8 Geração de relatórios a partir do SIG do Projeto Quilombolas 9

Pesquisa documental Subtotal 17 Horas utilizadas na pesquisa de campo Total 172

Fonte: Elaborada pelo autor, 2015

Para analisar os relatórios emitidos por meio do SIG disponibilizado pelo órgão patrocinador do Projeto Quilombolas elaborei um banco de dados em planilha eletrônica. A seção seguinte é dedicada ao detalhamento das variáveis utilizadas.

Benzer Belgeler