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Puxando algumas características de seus irmãos mais velhos, os Y, os jovens nascidos após 1996 recebem a letra Z como denominadora por uma de suas principais características: zapear, saltando com desenvoltura da TV para o telefone; do videogame para alguma rede social na web; ou do MP4 para o e-book.

Sem falarmos nos adolescentes (entre 13 e 17 anos) que estudam para a prova de matemática enquanto assistem ao desenho Bob Esponja sem som na TV a cabo, degustam bolachas de chocolate e, ao mesmo tempo, respondem às dúvidas dos amigos (pelo MSN) no notebook que carregam no colo, ao lado do livro que cairá na prova, do Ipod casualmente deixado sobre a cama e dos vídeos do Youtube que estão minimizados no Mozilla Firefox – tudo isso ao mesmo tempo e agora. Esse é o típico quarto de um adolescente paulistano de classe média. (FERRARI, 2010, p.46)

Eles foram concebidos em uma época de estabilidade econômica do país e com um modelo de família diferente. A maioria dos pais não acompanha esses adolescentes: eles ficam sozinhos porque seu pai e sua mãe trabalham durante o dia. Com isso, são jovens acostumados a ficarem consigo mesmos: independentes, gostam de fazer as coisas do jeito e quando eles querem. Além disso, possuem mais tolerância ao diferente, por já terem crescido em uma sociedade mais inclusiva, o que pode vir a significar menos conflitos entre povos e culturas, mais para frente.

Os sujeitos dessa geração estão entrando para o mercado de trabalho agora, com algumas características parecidas com a geração anterior, como o apreço por desafios constantes, boa assimilação de novos cenários, relação nativa com a tecnologia e execução de multitarefas. Possuem tantas características parecidas que são considerados, por muitos pesquisadores, uma continuação da geração Y. Porém, aparecem com algumas características que já justificam sua colocação em outro grupo: são mais individualistas e menos propensos a trabalhos em equipe,

além de terem foco mais disperso, se concentrando muito menos em uma só ocupação. Além disso, a permanência durante muitos anos, em uma mesma organização, será algo utópico para essa geração. “As corporações terão que saber extrair o melhor destes profissionais enquanto estiverem atuando na companhia.”, segundo o consultor Gilberto Wiesel (apud LAUER, 2011).

Os jovens pertencentes a nichos inclusos digitalmente possuem o mundo 2.0 em seu DNA. É a primeira geração nascida depois do advento da World Wide Web, criada por Tim-Berners-Lee no início da década de 90. Eles sempre viveram em um mundo cercado por tecnologia – e são, além disso, consumidores vorazes das novidades que esse mundo oferece, mudando de atitude com uma rapidez impressionante. Eles são rápidos, é a geração mais impaciente e ansiosa e todas: almejam resultados instantâneos e tarefas estimuladoras.

2.4.5.1. “Y” ao quadrado, quando se trata de tecnologia digital

O ritmo ditado pela tecnologia é decisivo para formar a personalidade da geração Z. Ela não se compreende sem que haja digitalização do mundo, das relações, da vida. É ligada no mundo tecnocrático atual e acha a comunicação uma necessidade fundamental. Não consegue viver sem um celular ou ficar muito tempo sem checar suas redes sociais. Além disso, a principal diferença entre a Geração Z e as anteriores é a maximização do acesso à informação: ela participa de um espaço considerado infinito, que possui respostas para todas suas indagações.

Os jovens de hoje são antenados, plugados, e se sentem a vontade com o mundo 2.0. São produtores e disseminadores de conteúdos na internet em uma quantidade e com velocidade que ninguém supera. Buscam todos os assuntos no

Google.

Ainda mais: esses jovens vêm para provar de uma vez por todas que é para o ambiente online que as marcas devem voltar sua atenção. Eles estão presentes, quase em sua totalidade, em redes sociais online, e também requerem que as empresas utilizem esses espaços como canais de comunicação e conexão entre suas marcas e consumidores. É uma geração que consome, dá preferência a itens de marca e escolhe um produto para se tornar diferente dos outros. Adoram um

lançamento e são os mais propícios a experimentá-lo, o que os fazem um público potencialmente estratégico no mercado, que não deve ser deixado de lado.

Menos interessados em mídias passivas e gastando um tempo enorme em redes sociais, esta geração deu um novo significado ao termo “audiência interativa”. Ao tentar alcançar a geração Z, as marcas e os publicitários devem reconhecer que seu novo consumidor alvo se tornou um expert em marcas. O maior desafio dos departamentos de marketing será abraçar suas características com investimentos de longo prazo para a construção de um relacionamento duradouro. (VALLS, 2010)

O jovem Z também influencia e é muito influenciado por suas redes sociais, assim como a geração Y. Por esse poder de evangelização, eles se transformaram em parceiros de marketing das marcas. Suas opiniões são importantes para seus amigos, e eles buscam ver o que falam na internet sobre as marcas de que são consumidoras.

Dotados de grande quantidade de fontes de informação, essa geração está em franco crescimento, e tem tudo para se tornar a mais volúvel e difícil de ser seduzida. O marketing e as relações públicas, daqui para frente, devem se tornar mais criativos, interativos e dispostos nas novas mídias onde seus stakeholders estão, para conseguirem iniciar e manter um relacionamento consistente com esse novo perfil de público.

A seguir, é apresentado um quadro, de autoria própria, com o resumo comparativo das gerações comentadas:

Quadro 2: Quadro comparativo das características das gerações

2.4.6. O prenúncio de uma nova geração: Alfa

Ainda sem características precisas definidas, muitos pesquisadores já começam a prever como será a próxima geração da sociedade, que virá suceder a Z. O nome já foi introduzido: os nascidos a partir de 2010 serão a Geração Alfa, e poderão ser filhos tanto da Geração Y, como da Geração Z. Eles serão concebidos em um mundo altamente conectado em rede, e ainda mais abrangidos pelas fontes de informação online. Além disso, essa geração provavelmente será caracterizada

pela instrução e educação. Começarão a estudar mais cedo e estudarão mais tempo, superando o acesso ao conhecimento que as outras gerações tiveram.

Benzer Belgeler