YÖNTEM VE GEREÇLER
ZAYIF NORMAL
Atualmente na faixa dos 20 e poucos anos (nascidos entre 1980 e 1995), a chamada Geração Y – também chamada de Geração Internet – é o grupo que foi concebido em uma era que já se mostrava diferente: cresceram e se desenvolveram em meio a uma ruptura da família tradicional, estabilização da democracia e chegada da era tecnocrática-digital.
Em sua maioria, considera a autorrealização um conceito fundamental em todos os campos que o envolve, e mantém-se envolvido basicamente em atividades que gosta. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP) deste ano, realizada com cerca de 200 jovens de São Paulo revelou que 99% dos nascidos entre 1980 e 1993 só se mantêm envolvidos em atividades que gostam, e 96% acreditam que o objetivo do trabalho é a realização pessoal. Na questão "qual pessoa gostariam de ser?", a resposta "equilibrado entre vida profissional e pessoal" alcançou o topo, seguida de perto por "fazer o que gosta e dá prazer" (cf. LOYOLA, 2009).
No mercado de trabalho, é comum os recém-contratados não pararem no mesmo serviço. Eles nasceram em tempo de prosperidade, e, por isso, não temem o desemprego, querem sempre buscar cargos e atividades que agreguem coisas novas e os satisfaçam. O trabalho é considerado um meio, e não um fim; eles gostam de horas flexíveis, para trabalhar em casa e ter tempo para outros prazeres; e saem felizes do emprego se ele não está de acordo com suas expectativas.
Sentem a necessidade de aprender com a empresa e de passar para ela o que consegue aprender; gostam de estar envolvidos nos processos.
Ainda nesse ambiente, é possível notar que não é característica da Geração Y dar muita atenção para a hierarquia de cargos. A geração passada enxergava os superiores como seres para respeitar e obedecer, mas os jovens da Y preferem relações horizontais, nas quais todas as peças têm a mesma importância. Eles respeitam os que os respeitam, e vêem em todas as pessoas uma situação de certa igualdade.
Outro ponto dessa geração é a consciência ético-social. Mesmo sendo altamente individualista e focada nas recompensas pessoais, a Geração Y é preocupada com o meio ambiente e com os direitos humanos. Possui valores morais fortes e exige o mesmo dos outros. Mais ainda: debate com sua rede sobre esses assuntos, sendo a mais propícia das gerações a se envolver em causas que tenham raízes humanitárias. Eles querem uma sociedade mais voltada para o ser humano, e impõem seus valores para alcançar esse objetivo.
[...]os jovens da Geração Internet são mais espertos, rápidos e tolerantes quanto à diversidade do que seus predecessores. Eles se preocupam bastante com a justiça e com os problemas enfrentados pela sociedade e geralmente participam de algum tipo de atividade cívica na escola, no trabalho ou em suas comunidades. [...] Essa geração está se engajando politicamente e vê a democracia e o governo como ferramentas essenciais para melhorar o mundo. (TAPSCOTT, 2010, p.15)
Esses jovens gostam de novidades, querem estar antenados, buscam símbolos que os liguem a comunidades e, como já nasceram em um mundo digital, possuem uma relação muito próxima e nativa com a tecnologia. Eles falam fluentemente a linguagem digital e aprenderam a mexer e utilizar os aparelhos tecnológicos sozinhos. Não precisam de manuais, é a geração da “tentativa e erro”. Com isso, é bastante flexível também a mudanças e naturalmente pré-disposta a lidar com novos cenários.
Outra característica é a valorização do personalizado e do mercado de nicho, além do de hits: a hiperabundância de informações convivendo com a situação em que não há quase barreiras geográficas e temporais do mundo digital contribui para que tudo pareça estar a seu alcance. Ainda mais: esse jovem sabe usar essas ferramentas. Se quiser comprar o primeiro CD da banda favorita de seu avô, irá encontrar lojas virtuais que o disponibilizam para a compra, logo nos primeiros
minutos de pesquisa. As infinitas oportunidades de compra na rede virtual possibilitam a ele ter produtos praticamente feitos para si. A chamada “Cauda Longa”6 que se refere ao aos produtos que compõem mercados de nicho, aumenta
consideravelmente suas vendas, em apreciável parte por causa dessa geração e de seus novos anseios.
Seus costumes são outros. “Eles instintivamente procuram a internet para se comunicar, entender, aprender, achar e fazer muitas coisas.” (TAPSCOTT, 2010, p.19). Para ver a programação do cinema, as gerações anteriores usam jornais e revistas; eles procuram na internet e conversam online com seus amigos para obterem indicações de boas escolhas. Ao invés de assistirem ao noticiário, eles têm listas RSS de suas fontes favoritas, além de obterem notícias encontrando-as por acaso enquanto navegam pelos sites da internet – sejam eles de sua visita cotidiana, ou um link postado no Facebook de um de suas centenas de contatos. Às vezes, as gerações anteriores escutam música: os iPods deles, no entanto, estão sempre ligados.
2.4.4.1. Eles exigem interação, integridade e colaboração
Os jovens Y recebem e passam informações rapidamente, usando várias mídias para isso. Seus membros são presença constante nos blogs e nos demais espaços de rede social; aliás, eles são os grandes responsáveis pelas mídias sociais estarem em tamanha escala de crescimento, atualmente. Tudo é feito, muitas vezes, conciliando outras tarefas: ao mesmo tempo em que estudam, são capazes de ler notícias na internet, checar a página do Facebook, escutar música e ainda prestar atenção na conversa que acontece ao lado. A televisão dos baby boomers? No mundo dos Y, é música de fundo, enquanto estão buscando informações ou batendo papo com os amigos. Para eles, a velocidade é outra. Os resultados precisam ser mais rápidos, e os desafios, constantes.
Oito características, ou normas, descrevem os integrantes típicos da Geração Internet e os diferenciam dos pais, integrantes da Geração Baby Boomer. Eles prezam a liberdade, especialmente a liberdade de escolha. Querem personalizar as coisas, apropriar-se delas. São colaboradores
naturais que gostam de conversas, e não de sermões. Analisarão minuciosamente você e sua empresa. Insistem na questão da integridade. Querem se divertir, até mesmo no trabalho e na escola. A velocidade é normal. A inovação faz parte da vida. (TAPSCOTT, 2010, p.16)
Como afirma Tapscott no fragmento acima, a Geração Y é diferente das outras. Seus valores e admirações são diferentes, exigem atitudes e características que seus pais não exigiam. Devido a isso, essa geração possui novos hábitos voltados para a comunicação e obtenção da informação instantânea. Ela valoriza o diálogo com as organizações, de que é consumidora, e exige delas um relacionamento atencioso e postura ética. Se a empresa não assume atitudes íntegras e passíveis de ser admirada, ela facilmente a troca por outra que o faça, no mercado competitivo que temos atualmente; a Geração Internet precisa se certificar de que os valores da empresa estejam alinhados aos seus próprios valores. Segundo a pesquisadora da FIA7, Ana Costa (apud LOYOLA, 2009), "esse ambiente
onde qualquer um pode ser desmascarado com uma simples busca no Google ensinou aos mais novos que a clareza e a honestidade nas relações é essencial”. É um perigo tentar enganar os novos investigadores no mundo de consumidores na Geração Internet. Para essa geração, a comunicação não tem barreiras; a internet e outras tecnologias de informação e de comunicação eliminaram-nas. Assim, exige que as empresas também sigam esse caminho.
Ademais, o jovem Y quer fazer parte. Não aceitam simplesmente o que lhes é oferecido, não quer apenas observar; quer entender os processos, saber o que acontece, participar das escolhas. “Eles são iniciadores, colaboradores, organizadores, leitores, escritores, autenticadores e até mesmo estrategistas ativos, no caso dos videogames.” (TAPSCOTT, 2010, p.33). Querem pensar junto, pois acreditam que isso resultará em um todo mais completo. Além disso, querem explorar o disponibilizado, e compartilhar seu conhecimento com a rede. Quer ver seu texto como um dos mais acessados, seu vídeo como um dos mais assistidos, sua história como uma das mais comentadas; esse jovem quer produzir – e faz isso gratuitamente, ele gosta de colaborar. “Tudo isso é muito divertido, todos querem se sentir como se fizessem parte de algo”, diz a estudante Y Melissa Bowlby, de Kitchener, Ontário (apud TAPSCOTT, 2010, p.60).
Perguntam, discutem, argumentam, respondem dúvidas, jogam, compram, vendem, criticam, investigam, ridicularizam, fantasiam, interagem, compartilham, procuram e informam. Se isso é muito? Que nada. Isso é feito cotidianamente pelos Y. E eles adoram fazer isso.
Essa geração está transformando a internet de um lugar no qual você encontra informações em um lugar no qual você compartilha informações, colabora em projetos de interesse mútuo e cria novas maneiras para resolver alguns dos nossos problemas mais urgentes. (TAPSCOTT, 2010, p.54)
Trabalhando basicamente com essas características dos internautas Y, o portal Yahoo! criou uma rede de inteligência coletiva chamado “Yahoo! Respostas”. É uma página que é mantida principalmente por atualizações de seus próprios usuários. O mecanismo é o mais simples que se pode imaginar: quem tem uma dúvida, pergunta; quem tem a resposta, responde. “Compartilhe o que você sabe. Responda a perguntas abertas.”, diz o slogan do site, que é sucesso absoluto de visitas diárias e compartilhamento de conteúdo.
2.4.4.2. A geração social
“Os fatos mostram que essa é a geração mais social de todos os tempos”, afirma Tapscott. (2010, p.353). A Geração Y é conectada e dá valor às narrativas e conselhos de seus amigos na rede. Ela tem mente comunitária. Se um usuário posta uma experiência de mau atendimento de uma empresa, ele considera essa história para sua próxima decisão de compra. Afinal, “poderia ter sido comigo”, é o que pensam. Essa mentalidade faz com que se tornem diferentes: são consumidores agressivos e exigentes, e confiam mais uns nos outros do que em qualquer especialista ou anúncio.
Esse é um grande desafio para os meios de comunicação de massa, como os jornais e emissoras da velha mídia, e para as empresas que dependiam desses anúncios. Também é um desafio para os profissionais de comunicação que tentam adentrar nesses círculos de amizade em seus sites de rede social - muitas vezes com resultados frustrantes. “Uma coisa já ficou clara: as velhas regras do marketing não funcionam mais para essa geração” (TAPSCOTT, 2010, p.369). Ela está
desenvolvendo redes de influência via internet, especialmente via mídias sociais, assunto que será mais detalhado no próximo capítulo. Com isso, para ter sucesso, as empresas devem entender essas redes em que seus consumidores estão envolvidos. Já não é novidade que os membros dessa geração gostam de fazer as coisas juntos, de se sentir parte, de influenciar e ser influenciado por seus amigos.