3. MATERIALS AND METHODS
3.1 Materials
3.1.3 Softwares
Em estudo realizado em 2008, com 4.749 trabalhadores da atenção básica, inseridos em 41 municípios de mais de 100 mil habitantes tanto da região sul, quanto da Nordeste, identificou que em sua maioria, estes eram mulheres com idades que variam de 31 a 45 anos (TOMASI et al 2008).
A grande maioria dos municípios integrantes da 11a CRES, a exceção do município de Sobral, são municípios cuja população varia, de acordo com IBGE, de 6.204 (Reriutaba) a 43.994 (Santa Quitéria) e uma média populacional de 18.244 habitantes, o que os caracteriza como municípios de pequeno porte.
Deve-se levar em consideração que Brasil é um país que possui enorme diversidade demográfica, além de processos diferenciados de organização dos modelos assistências nos município, o que faz com que a implantação de qualquer programa nacional ocorra em tempos desiguais. (CAMPOS et al 2002)
A partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para área da saúde, instituída a partir de 2002, houve uma mudança no paradigma de formação, em que o Sistema Único de Saúde passou a ser, também, o ordenador de formação. Além disso, houve uma ampliação da implantação da ESF nos municípios brasileiros. No entanto, em 2002, essa proporção já era de 55,99% e em 2004, a cobertura do PSF era superior a 65%. Este padrão de expansão acelerada da cobertura de PSF nos municípios pequenos não está presente na mesma velocidade nos municípios com população igual ou superior a oitenta mil habitantes (municípios grandes), em que os percentuais de cobertura do PSF foram de 4,84% em 1998; 21,10% em 2002 e 27,50% em 2004. Ou seja, os municípios maiores apresentaram uma
velocidade de adesão ao PSF superior àquela apresentada pelos municípios de menor porte populacional (BRASIL, 2006). Aponta-se, ainda, que a formação dos profissionais de saúde voltadas para atenção básica foi responsável para inserção destes profissionais mais jovens na ESF.
Os profissionais da ESF da 11ª CRES são na sua maioria do sexo feminino, com idade de 26 a 32 anos, casados, com filhos, com atuação na zona rural, com especialização completa, com vínculo trabalhista informal (Tabela 03), trabalham entre 2 a 8 anos na ESF e há 03 anos na atual equipe. Todos os profissionais asseveraram que perfazem oito horas diárias, equivalente, a 40 horas semanais.
Tabela 03: Distribuição do perfil sócio-demográfico, acadêmico e inserção na ESF dos profissionais de nível superior da ESF da 11a CRES, 2013.
VARIÁVEL N % Zona Rural 145 62.5 Urbana 87 37,5 Gênero Masculino 93 40,1 Feminino 139 59,9 Status Marital Solteiro (a) 92 39,7 Casado (a) 125 53,9 Desquitado (a) 04 1,7 Divorciado (a) 08 3,8 Viúvo (a) 01 0,4 Outro 02 0,9 Presença de filhos Sim 143 62,2 Não 87 37,8 Nível de Escolaridade Graduação completa 10 4,3 Especialização incompleta 33 14,2 Especialização completa 151 65,1 Mestrado incompleto 34 14,7 Mestrado completo 04 1,7 Vínculo Empregatício Informal 130 56 Formal 102 44
Tipo de Pós-Graduação Completa
Especialização 189 96,9
Residência 70 35,9
Mestrado 04 1,7
TOTAL 232 100,00
Quanto o ao nível de escolaridade da amostra em estudo, pode-se constatar que 65,1% (n=151) dos 232 profissionais possuíam especialização completa, e ainda 14,7 (n=34) estão cursando mestrado e 14,2 (n=33) especialização (Figura 01).
Fonte: Elaborada pela autora
Figura 01: Distribuição dos profissionais da ESF da 11a CRES de acordo com o grau de instrução, 2012.
A qualificação profissional é necessária e imprescindível para ascensão profissional e para elevação de conhecimento, consequentemente melhoria na qualidade da assistência prestada ao usuário.
Todavia, é mister fazer uma reflexão a respeito que o “novo trabalhador”, escolarizado, participativo e polivalente coloca-se como uma alternativa de rompimento da dicotomia entre o pensar e o fazer. A ampliação de bases do conhecimento, o desenvolvimento de novas habilidades e o controle dos processos contribuíram para a humanização do trabalho e ampliação das conquistas trabalhistas.
O nível de escolaridade de uma população e a sua cultura têm impacto decisivo no nível de saúde, quer no respeito à influência sobre o estado de saúde e a morbidade em geral, quer no respeito aos comportamentos assumidos, e também a sensibilidade demonstrada em
relação à educação para a saúde. A educação está associada com a posição social, ocupação, com o nível de saúde e com o acesso aos cuidados de saúde (GIRALDES, 2002; UITENBROEK, 1996).
A ampla maioria dos profissionais da ESF da 11a CRES apresentavam-se em franco processo de qualificação profissionais, quer em âmbito lato quer em âmbito stricto senso. É importante frisar que o MS, através do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES) estimula a qualificação a partir de ações estruturantes como Programa Nacional de Telessaúde Brasil, a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) e principalmente Política de Educação Permanente.
Nesta visão, acredita-se então, que os profissionais de saúde, que desempenham papel de educador e promotor da saúde em que a permanente qualificação e aperfeiçoamento elevarão a qualidade de saúde de todo seu território de atuação.
Outro dado importante a ser refletido e discutido relaciona-se a questão empregatícia dos profissionais da saúde. Pelos dados encontrados, percebeu-se que mais de 56 (n=130) dos profissionais atuavam na ESF da 11a CRES inseriram-se no mercado de trabalho de forma informal, ou seja, através de contrato sem concurso ou vínculo de acordo com consolidação das leis trabalhistas (CLT).
A ESF constitui uma das intervenções de maior visibilidade e impacto no campo das políticas de saúde implementadas. Por suas dimensões e pelas características peculiares do emprego por ele gerado, o PSF pode ser incluído no rol das políticas governamentais com grande potencial de impacto sobre os mercados de trabalho das principais profissões do setor saúde. A caracterização da ESF segundo os tipos de agentes institucionais públicos e privados na condução da Estratégica são importantes para os instrumentos de gestão e desenvolvimento de recursos humanos. As formas de contratação direta pelo poder público apontam, atualmente, sobre a qualidade de “empregos” gerados pela ESF, no que diz respeito a graus de formalização e não formalização da relação de trabalho, durabilidade de emprego, salários, esquema de proteção, benefícios e direitos trabalhistas (GIRARDI & CARVALHO, 2003).
No Brasil, o mercado de trabalho encontra-se em crescimento do trabalho informal, generalização de contratos por tempo determinado e temporários, subcontratações e terceirização produzindo força de trabalho instável, com poucos direitos trabalhistas e um crescente número de desempregados (CHERCHGLIA, 1999).
Nos dias atuais, o emprego não é mais visto como um compromisso para toda a vida, mas um contrato de desempenho que é renovado continuamente. E essa forma de condicionamento empregatício gera a precarização das relações de trabalho, fortemente
evidenciado pelas inúmeras formas de contratação, seja pela terceirização (contratos temporários e de prestação de serviços), pela “cooperativização” do trabalho ou pelo contrato individual por tempo determinado Girardi e Maas (2011).
As formas de contratação temporária e o vínculo de prestação de serviços predominam amplamente sobre demais formas de contrato nos municípios pesquisados, o que os caracterizou como “empregabilidade informal”. Este dado é consonante com as pesquisas realizadas em âmbito nacional em 2001, 2003 e 2009 (GIRARDI, CARVALHO, MASS, FARAH & FREIRE, 2010; GIRARDI & CARVALHO, 2003), que ainda apontaram que sob o ponto de vista regional, os contratos temporários e de prestação autônoma de serviços tem maiores índices de prevalência em municípios das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A terceirização no setor público de saúde tem-se colocado como uma maneira para a flexibilização da gestão do trabalho, sendo uma opção administrativa polêmica e má para os profissionais.
Os gestores têm buscado autonomia para viabilizar a operacionalização dos serviços de saúde para organização da prestação de serviços, através de parcerias regionais, como os consórcios intermunicipais, a utilização de soluções alternativas de compromisso, como terceirização, criação de cooperativas, vinculação mediada por entidades de direito privado, etc. Além disso, as demandas dos serviços de saúde e o reordenamento da gestão não foram acompanhados de Reformas do Estado em relação à fiscalização e regulação, referentes à utilização de recursos financeiros públicos e adequação de legislações que disciplinam formas contratuais para a área de recursos humanos (PIERANTONI, 2001).
Esta situação leva a precariedade do trabalho, encontrado em todo o mundo, e que passou a invadir esferas e setores antes relativamente protegidos. Atualmente, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) define trabalho precário como aquele geralmente mal pago, inseguro, desprotegido e insuficiente para sustentar um domicílio. (KALLEBER, 2009)
As novas esferas públicas de deliberação no campo da gestão do trabalho criadas – como o Comitê Nacional Interinstitucional de Desprecarização do Trabalho, em que se reúnem trabalhadores, gestores e cidadão usuários de serviços de saúde do SUS, propiciam um ambiente para revisão dos processos de terceirização e precarização do trabalho em curso no setor saúde.