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2.4. RÜŞDİYE MEKTEPLERİ

2.4.1. Siird Rüşdiye Mektebi

Os pontos investigados sobre a transdisciplinaridade foram a conceituação do termo, a incorporação na prática de pesquisa, critérios para identificar um trabalho como transdisci- plinar, efeitos da estrutura departamentalizada da universidade na realização do trabalho transdisciplinar, participação em eventos relacionados ao tema e conceitos transdisciplina- res considerados relevantes. Foi pedido ainda que cada entrevistado citasse três pesquisa- dores da UFMG cujo trabalho ele considerava ser transdisciplinar. Um resumo dessas cita- ções está apresentado no Apêndice 14, cuja observação permite identificar uma tendência em citar pesquisadores que fazem parte do mesmo projeto do entrevistado.

O questionamento da excessiva disciplinarização do conhecimento, que na revisão de literatura foi embasado por Japiassu (1976) e Santomé (1998), é percebido nas respostas dos entrevistas:

A ciência está exigindo do pesquisador que está na ponta do conhecimento uma superespecialização. Ningumm consegue estar atualizado, nem mesmo dentro da sua disciplina. Foi feito um cálculo há algum tempo, mas seguramente está defa- sado, que se algumm lesse 10 artigos por dia, durante 365 dias por ano, ele, se fosse ler em bioquímica, ele ia ler 6% do que se publica. E estamos falando de uma disciplina, imagina se pega um conhecimento mais amplo. Então, o resultado m que as pessoas têm que superespecializar. [...] Os problemas não são disciplinares. A disciplina foi criada pelo homem para organizar o conhecimento, mas a natureza não segue essa

lógica. [...] A questão da natureza, da preservação do meio ambiente, a questão social, a distribuição de renda, a questão tecnológica, têm inumeráveis facetas que muitas vezes são atm estudadas, mas de uma forma isolada.

Entr. 1, IEAT A ciência começou de forma cartesiana, em que a análise, a disciplina foi o acúmulo de conhecimento, mas nós atingimos, hoje, uma mpoca em que se não houver visão holística, se não houver integração dos conhecimentos e capacidade de avaliar as coisas como a realidade, a teia da vida, a teia da natureza, em que tudo m interligado, nada m separado, se nós não refletirmos isso que existe, eu acho que a ciência e a universidade entram em decadência, porque o estudo e a pesquisa não estão dando resposta às necessidades da vida no planeta.

Entr. 13, Projeto Manuelzão A conceituação dos termos que definem os diferentes níveis de interação entre as disciplinas, como a multi, a inter e a transdisciplinaridade, alvo de discussão na revisão de literatura (PIAGET, 1972; JANTSCH, 1972; NICOLESCU, 1999; DOMINGUES, 2001; DOMINGUES, 2005; BRANDÂO, 2008), não é muito clara para os entrevistados ligados ao Projeto Manuelzão, o que pode se dever ao fato de a discussão desse tema não ser um objetivo do projeto. Mesmo assim, a idéia que eles têm de transdisciplinaridade é coerente com o que se encontra na literatura:

A transdisciplinaridade vem quando você coloca o objetivo fora da sua disci- plina, quando o objetivo m uma conquista externa ao seu imediato. [...] A transdis- ciplinaridade, ela acaba com as fronteiras entre as disciplinas. A transdisciplinari- dade não junta o departamento de biologia com o departamento de engenharia, com o departamento de comunicação. Ela trabalha integradamente. Por quê? Porque o objetivo unifica as pessoas. É a meta a ser atingida, ou seja, m o objeto da pesquisa.

Entr. 13, Projeto Manuelzão A transdisciplinaridade embute interdisciplinaridade, multidisciplinaridade, intradisciplinaridade. Na minha visão, m como se fosse um guarda-chuva mesmo, ou seja, seriam áreas tanto do conhecimento, como da prática do conhecimento que envolvesse disciplinas, áreas afins, áreas que fazem conexão de conteúdo dentro delas próprias, e áreas que fazem, que são paralelas, mas que podem convergir por um ápice que m a transdisciplinaridade, ou seja, m como se fosse a transdisciplina- ridade um significado lá no ápice da pirâmide para servir de base teórica.

Entr. 16, Projeto Manuelzão Já os pesquisadores ligados ao IEAT demonstram ter maior clareza sobre os termos. Esse é um resultado esperado, devido ao próprio perfil do instituto e ao fato de vários deles já terem produzido textos sobre o tema:

O IEAT entende que transdisciplinaridade m aquilo que está almm das disciplinas. Não m a multidisciplinaridade, seria aquilo que está almm, que está aqumm e aquilo que está atravms tambmm, o trans tem essas várias conotações. A multi- disciplinaridade m quando vários sujeitos, por exemplo, um engenheiro de tráfego, um sociólogo, um arquiteto, um mmdico e um urbanista, fazem discursos isolados sobre um mesmo objeto, por exemplo, a cidade. Aí, sai um livro, com um artigo do sócio- logo, um artigo do engenheiro de tráfego, um artigo do arquiteto, um artigo do mmdico e um artigo do urbanista. Então, m uma abordagem de várias pessoas em torno de um mesmo objeto, como por exemplo, esse seu gravador, cada um fala sua coisa, mas propriamente não têm contato. A interdisciplinaridade, ela supõe que haja algum contato entre uma área e outra, no sentido de estabelecer uma metodo- logia comum, como, por exemplo, a física e a matemática no smculo XVII, algo assim. A transdisciplinaridade, eu acho, primeiro, de certa forma, se abre para uma contaminação do campo. Então, um campo contamina, ele deforma o outro. Não m apenas uma interseção, o que m que tem de comum na física, o que tem de comum na matemática, e esse campo de interseção entre as duas. A transdisciplinaridade, almm dessa interseção, deforma a física, deforma a matemática, no sentido de que cria novos mmtodos, novos operadores, novos conceitos. Então, eu acho que uma primeira coisa seria essa. Uma segunda coisa, que para o IEAT m fundamental, e isso m que o distingue em relação aos outros tantos, m que ele se alimenta do avançado, o conhe- cimento transdisciplinar se alimenta do conhecimento de pesquisa especializado e não m contrário a ele. O IEAT não entende que essa transdisciplinaridade seja feita na superfície do conhecimento, porque isso quase que faria desse discurso transdisci- plinar um grande discurso que subordinasse todos os demais. E m por isso que, mui- tas vezes, o registro transdisciplinar quase se confunde, a gente vê isso muito em congresso sobre transdisciplinaridade, com um discurso religioso, e aí fica numa superficialidade, uma espmcie de metadisciplina que está ali acima das demais e, na verdade, nada mais m que uma superficialidade. Então, o IEAT m muito zeloso de dizer que a transdisciplinaridade por ele procurada m uma transdisciplinaridade de fundo, e não de superfície.

Entr. 6, IEAT A minha diferença fundamental m que eu acho que transdisciplinaridade m muito mais uma atitude do que um mmtodo, ou um modelo, não m isso, m um campo de possibilidades. O Hofstadter 36 fala em mentes fluidas, você tem que ter uma

mente suficientemente aberta, para produzir aquele caldo primordial, a sopa primor- dial que facilitava os encontros entre as molmculas, e a vida, pelo menos alguns modelos explicam assim, surgiu a partir desse encontros fluidos entre molmculas, que não tinham vida, quer dizer, a vida surge a partir desse campo de possibilidades de encontros. Você não tem uma metodologia, um caminho específico para dizer o que m transdisciplinar.

Entr. 8, IEAT

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Douglas Richard Hofstadter é um pesquisador norteamericano que se ocupa do estudo da consci- ência, pensamento e criatividade. Escreveu vários livros, entre os quais Fluid Concepts and Creative Analogies: Computer Models of the Fundamental Mechanisms of Thought, de 1995, escrito com outros membros do Fluid Analogies Research Group. Fonte: http://wikipedia.org.

Observou-se um resultado que pode ser visto como paradoxal em relação à incorpo- ração da prática transdisciplinar ao trabalho de pesquisa dos entrevistados. Do grupo que participou da elaboração do projeto de criação do IEAT, composto por cinco pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento, apenas um, o representante da área de Artes, descre- ve seus projetos de pesquisa como apresentando essa característica. Entre os demais componentes do grupo, um não realiza mais pesquisas, e os outros, apesar de defenderem a transdisciplinaridade como abordagem adequada aos problemas atuais, trabalham com temas altamente especializados, sem muita margem para agregação de outros campos de conhecimento:

O meu trabalho aqui, no laboratório atm m pouco transdisciplinar. Ele tem uma interface grande com a física, com a química, mas seria mais interdisciplinar. Dificilmente, a gente poderia, neste momento, pelo menos, ter uma discussão inte- ressante com pessoas de outras áreas do conhecimento, que caracterizaria uma coisa mais transdisciplinar.

Entr. 1, IEAT Estou aqui no meu departamento e meu departamento m disciplinar, com todas as cargas didáticas e burocráticas, com as exigências. Então m assim, a expe- riência m meio neurótica,porque quando eu dou parecer para o CNPQ, eu sou disci- plinar, tenho de ser. Depois, quando eu vou lá para o IEAT, eu sou transdisciplinar. São experiências discrepantes, mas eu procuro não me deixar ser invadido pela esqui- zofrenia.

Entr. 2, IEAT O quadro apresentado no Apêndice 15 relaciona os grupos de pesquisa certificados pelo CNPQ aos quais os entrevistados são associados. A consulta ao campo ‘Árvore de conhecimento’ nas linhas relativas aos pesquisadores ligados ao IEAT permite verificar que na maioria dos grupos dos quais eles fazem parte realmente não há participação de especialidades diferentes daquela de origem do pesquisador.

Já os pesquisadores ligados ao Projeto Manuelzão definem o trabalho do projeto como sendo transdisciplinar, o que é reconhecido também por alguns dos associados ao IEAT:

Tudo isso foi trazendo pessoas da Letras, do IGC, geógrafos, geólogos. Nós precisamos fazer mapas da bacia do Rio das Velhas, começamos a nos relacionar com pescadores, com população do interior, começamos a mexer com gente que sabe remar, para fazer uma expedição pelo rio, ou seja, nós extrapolamos o Departamento de Medicina Preventiva, o Internato Rural, extrapolamos a Faculdade de Medicina, extrapolamos a UFMG, extrapolamos o segmento limitado em que a gente vivia e nós ficamos mais universais.

Pelo que eu entendo de transdisciplinaridade, nós conseguimos lá, acho que uma das principais coisas do Manuelzão m exatamente isso, agregar pessoas de áreas as mais diversas possíveis em cima de um eixo comum, que m a bacia hidrográfica, rio das Velhas, volta do peixe ao rio e quem está trabalhando nisso: advogados, mmdicos, engenheiros, geólogos, biólogos, historiadores. Então, eu acho que a gente consegue essa liga entre essas várias áreas do conhecimento, cada um contribuindo com um saber específico, almm de que mistura mais ainda, a coisa m muito mais ampla, quer dizer, a gente valoriza muito a experiência que tem o saber popular, o contato com a população, com os grupos organizados, com as ONGs.

Entr. 18, Projeto Manuelzão Acho que o projeto Manuelzão m um projeto que tem uma natureza transdis- ciplinar, porque ele começou tambmm com um problema lá do internato rural, de saúde pública. E, aliás, atm a rigor, de saúde individual. Mas m claro que imediata- mente se percebeu que muitos dos problemas não eram problemas só dos indivíduos, era de saúde pública e se viu a questão do meio ambiente, e foi expandindo e eu acho que tem uma natureza claramente transdisciplinar. Você vê especialistas de dife- rentes áreas trabalhando neste projeto

Entr. 1, IEAT Um dos entrevistados ressaltou a importância da convivência entre pesquisadores para a realização de um trabalho transdisciplinar, o que está de acordo com a posição de Japiassu (1976) nessa questão:

É a convivência, essas pessoas convivem, têm projetos em comum. Alguns não ficam aqui na universidade, vêm aqui em alguns momentos, alguns ficam aqui permanentemente. E nessas reuniões, que são a coisa mais informal possível, a gente, conversando, vai aprendendo uns com os outros, um computador ao lado do outro: ‘estou precisando de um mapa’, ‘olha que legal isso aqui’, e vai vendo, ‘ah, que bicho m esse?’, ‘o que m aquilo?’, então a coisa tem funcionado assim.

Entr. 14, Projeto Manuelzão Não foi possível verificar a coerência dessa informação por meio da árvore de conhe- cimento dos grupos de pesquisa, como foi feito com os pesquisadores ligados ao IEAT, já que apenas dois dos entrevistados ligados ao Projeto Manuelzão, que fazem parte do núcleo de pesquisas do projeto, o NUVELHAS, participam de grupos ali registrados. Um deles está associado a dois grupos de pesquisa diferentes, sendo que esses dois grupos estão entre os únicos quatro que têm o campo ‘Relações com o setor produtivo’ preenchido, o que confirma a interação do projeto com setores externos à universidade.

No que diz respeito às formas de se reconhecer um trabalho como transdisciplinar, vários dos entrevistados relatam dificuldade para defini-las. E os que forneceram critérios para esse reconhecimento, o fizeram de forma pouco precisa:

Porque o básico da transdisciplinaridade m isso, sistema complexo de várias partes conectadas gerando um conhecimento que m maior que a soma das partes. A gente chama de propriedade emergente, sistemas complexos.[...] [você reconhece um trabalho transdisciplinar] porque o resultado você não vai encontrar explicação em nenhuma disciplina que produziu aquele resultado. Ele emerge, ele m uma proprie- dade emergente. Eu falo assim: se eu reduzir isso à disciplina, eu perco o meu objeto. Por exemplo, a água m aquele exemplo típico, que todo mundo dá: a água, se você dividir em oxigênio e hidrogênio, você perdeu a água. Ela não m só uma junção de hidrogênio e oxigênio, ela está num outro nível de realidade. Então, você reconhece o trabalho transdisciplinar por essa propriedade emergente, que não poderia ter surgi- do, a não ser em função da junção daquela coisa, mas não se reduz àquela coisa.

Entr. 8, IEAT É difícil. Muita gente tende a reconhecer a transdisciplinaridade pela partida: tem muitas áreas do conhecimento, então m transdisciplinar. Eu acho que não, eu posso ter muitas áreas do conhecimento e pode não ser transdisciplinar. Eu acho que m possível reconhecer a transdisciplinaridade na medida em que os problemas formulados por aquela ação, por um projeto específico, e as maneiras que ele busca para poder respondê-las, de fato indicam uma combinação, uma articulação entre fazeres e conhecimentos e áreas diferentes.

Entr. 19, Projeto Manuelzão A discussão sobre a transdisciplinaridade se dá em vários tipos de encontros, como congressos, colóquios, seminários, conferências e palestras. Buscando verificar se os pes- quisadores entrevistados participam dessa discussão, dentro e fora da UFMG, foi incluída no roteiro de entrevista uma pergunta sobre participação em eventos relacionados à trans- disciplinaridade. Esperava-se que a maioria daqueles que foram selecionados por sua relação com o IEAT respondessem afirmativamente a essa pergunta, mesmo porque esse instituto é o grande promotor desse tipo de evento na UFMG, e que os pesquisadores ligados ao Projeto Manuelzão, por ter o projeto uma vocação transdisciplinar, tivessem também alguma participação, ainda que em menor escala, na discussão sobre o tema. Entretanto, o resultado foi uma dupla surpresa: os pesquisadores ligados ao IEAT, em sua maioria, relataram só participar desse tipo de evento quando são convidados como pales- trantes ou debatedores, por uma questão de disponibilidade de tempo. E, entre os pesqui- sadores do Projeto Manuelzão, apenas dois relataram já ter tido alguma participação nesses eventos, apesar de alguns manifestarem o interesse em fazê-lo:

Eu não participo de eventos [sobre transdisciplinaridade]. Eu me interessaria, mas eu não sei se eu teria muita paciência para as divagações do tema, não.

Só quando eu sou convidado. Realmente eu cheguei numa posição, eu mesmo falei hoje, eu gostaria de assistir mais coisas, mas provavelmente não vou ter tempo. E eu tenho sido mais e mais convidado.

Entr. 7, IEAT O IEAT, eu tenho notícias esparsas dele, às vezes, eu vejo cartazes convi- dando para uma reunião, para seminário, para palestra, aí m uma limitação minha que eu nunca fui a nenhuma e isso eu vejo como uma falha, uma falha do meu conhe- cimento, eu gostaria mais de participar e atm pretendo, na medida do possível, parti- cipar mais.

Entr. 18, Projeto Manuelzão Buscou-se também investigar o efeito da organização departamental das universi- dades na instauração do trabalho transdisciplinar. As respostas confirmaram o que a litera- tura consultada (KANT, 2008; JAPIASSU, 1976; SARMENTO; TEIXEIRA, 1992; SANTOS FILHO, 1992) já permitia prever, ou seja, a compartimentalização do ambiente universitário é um fator que dificulta o trabalho transdisciplinar:

A estrutura administrativa da universidade em departamentos, cursos, facul- dades etc., e isso, por si só, já nos isola uns dos outros. Então, a convivência, para poder fomentar essa troca de experiências e a construção de algo conjunto, já fica impedida pela estrutura administrativa.

Entr. 14, Projeto Manuelzão Os departamentos são hierarquizados, compartimentalizados, são caixoti- nhos de conhecimentos. E vencer essas barreiras m muito difícil. O departamento tem de abrir espaço, convidar gente de outros departamentos para fazer parte do curso. Essa estrutura departamental já não dá conta mais do conhecimento que m gerado hoje, não tem jeito, está atrasando entendeu, tem quer ter uma coisa mais fluida. Acabar com os departamentos, para mim, seria uma ótima coisa. A Letras fez isso, já deu certo resultado, eles ainda tão no início de um processo. Departamento tem não sei quantos anos de existência, uns 40 anos. Então, m difícil, m preciso romper com essas estruturas todas. [...]A academia vai levar um tempo, essa geração vai ter de ser substituída, para que haja de fato essa disseminação da transdisciplinaridade. Eu acho que transdisciplinaridade m uma maneira de pensar diferente, m uma maneira não linear, conectada toda em rede. Você vê, os meninos, hoje, jogam computador, ao mesmo tempo estão conversando com outro, resolvem outro problema, fazem tudo ao mesmo tempo. Não sei atm que ponto isso m interessante tambmm, tem suas contrapartidas, seus lados negativos, mas m um fato e a gente tem de saber explorar esse fato da melhor maneira possível.[...] Mas, eu acho que as universidades não estão preparadas, não pelo aparato da infra-estrutura acadêmica, mas mais pela cabeça dos professores, esse aparato vem depois, primeiro precisa mudar a maneira como as pessoas enxergam o mundo para depois tentar mudar a estrutura da uni- versidade.

É a coisa mais absurda do mundo, porque, por exemplo, para fazer registro de tudo você tem de disciplinarizar, então não m possível, vou fazer relatório departa- mental, o projeto tem de estar localizado num departamento, numa unidade, então m muito complicado.

Entr. 19, Projeto Manuelzão A mesma dificuldade é reconhecida em relação aos órgãos de fomento à pesquisa, mas já são vislumbradas mudanças nessas instâncias:

Se você pega os comitês das agências, eles enfrentam o multi, o interdis- ciplinar de maneira muito desconfortável. A Capes tem um comitê multidisciplinar. Eles brincavam, e brincam, eu mesmo continuo falando isso, que eles são uma espmcie de lugar dos restos. Não coube em nenhum, então põe lá, e m um desconforto. [...] A pesquisa m mais plástica, a pesquisa m mais transgressora, ela não obedece [às fronteiras disciplinares]. Mas o CNPQ m disciplinar, as agências são disciplinares. Então, há uma tensão muito grande entre o trabalho do pesquisador, entre o objeto do pesquisador, e das agências, das universidades. Essa tensão m uma tensão perma- nente, mal resolvida e que nunca vai ser resolvida. Agora, tem institutos, escolas, faculdades mundo afora que trabalham em bases interdisciplinares. Mas eu estou falando que, quando você pega o macro, o sistema, como um todo, m disciplinar. [...] Há dias eu estive na FAPEMIG37 para tratar de um projeto. O projeto m de base inter,

e eu notei que a FAPEMIG tem programas de pesquisa que abrigam essas experiências. Não só abrigam, como são prioritários, são prioridades. Redes, programas em rede, redes do estado, redes de pesquisadores, eles criam programas de financiar e apoiar núcleos temáticos. Olha só, a base já não m a disciplina. Então, as agências já estão se preparando para enfrentar e trabalhar essa situação.

Entr. 2, IEAT Outra indagação feita aos entrevistados dizia respeito a conceitos transdisciplinares considerados relevantes para a ciência, o conhecimento e as universidades. A expectativa era de que o conceito de informação, identificado como sendo um conceito transversal na literatura consultada (MARTELETO, 2007), fosse um dos citados nas respostas, mas isso não aconteceu. Apareceram conceitos como água (não só no Projeto Manuelzão), segu- rança, violência, meio ambiente, energia, mar, rede, qualidade, ética, tempo, língua, lingua- gem, república, código, inteligência, cognição, arte, complexidade, emergência, equilíbrio, desequilíbrio, nomadismo conceitual, sistema, saúde, saber, efeito estufa, pedagogia, mas o termo informação não foi citado por nenhum dos entrevistados. E dois deles, inclusive, se posicionaram contra o uso da expressão ‘conceitos transdisciplinares’:

Eu vejo a questão transdisciplinar não tanto como conceitos, mas como problemas. Quer dizer, você constrói a transdisciplinaridade atravms dos problemas e

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aí, m claro, podem emergir novos conhecimentos que não serão o somatório do conhecimento das diferentes disciplinas.

Entr. 1, IEAT Eu não sei bem o que m um conceito transdisciplinar. Existem problemas transdisciplinares e, atualmente, o problema transdisciplinar por excelência que nós

Benzer Belgeler