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BELİRSİZLİK, RİSK VE SİGORTA OLGUSU

1.3. Belirsizlik ve Riske Karşı Tutumun Ekonomideki Yeri ve Önemi: Sigorta Olgusu

1.3.3. Sigorta Olgusunun Kapsamı ve Sigorta Türler

1.3.3.1. Sigorta Olgusunun Kapsamı

uma projeção em movimento sobre um trajeto deinido, a cada quarteirão um preço diferente. o percurso elaborado para essa experiência é curto, cerca de tres quilômetros, partindo do Bairro de higienópolis e chegando na luz. no Bairro de higienópolis, obtém-se o maior preço em torno de R$ 12.000 e na luz, destino inal, despenca para R$ 2.600.

o próprio trajeto foi modiicado para aumentar a percepção dessa variação, como entrar na Avenida higienópolis na contramão por duas quadras, acen- tuando a queda de preço de R$ 11.000 para R$ 3.800 em uma reta com cinco quadras. o trajeto também foi elaborado de modo a deixar visíveis os fato- res que contribuem para a atribuição dos valores do metro quadrado, como a localização em áreas residenciais com privacidade e acesso a lugares pri-

NOTAS a relexão provocada pela experiência, colocando em diálogo com o repertório de referências conceituais, urbanísticas e artísticas.

264 265 vilegiados, higienópolis, ou em espaços abandonados pela população de alto

poder aquisitivo; mesmo com boa infraestrutura e localização privilegiada, como grande parte do centro.

Para a ação, realizei uma pesquisa na qual calculei o valor do metro quadrado de todos os quarteirões do trajeto escolhido. utilizei diversas fontes de infor- mação, principalmente os portais de compra e venda na internet1 , onde colhi

a maior parte dos dados, fazendo aproximações em alguns trechos dos quais não obtive os valores pontuais.

“os fatores que determinarão a formação do preço vinculam-se principalmen- te à inserção de determinada parcela do espaço urbano, tendo como ponto de

partida a localização do terreno (por exemplo no bairro), a acessibilidade em relação aos lugares ditos privilegiados (escolas, shoppings, centros de saúde, de serviços, lazer, áreas verdes etc.), acesso à infra estrutura existente (água, luz, esgoto, asfalto, telefone, vias de circulação, transporte), à privacidade; e, secundariamente, temos os fatores vinculados ao relevo, que reletem nas possibilidades e custos de construção. Finalmente um fator importante: o processo de valorização espacial” (cARlos, 2008, p. 88).

Ao longo do trajeto observei como os diversos fatores que alteram o preço do metro quadrado podem ter maior ou menor relevância na composição de seu valor. A acessibilidade a um lugar tido como privilegiado, como, por exemplo, um parque, existia tanto no espaço com metro quadrado mais caro como em um mais barato. o Parque da luz e o Parque Buenos Aires fazem parte da composição do preço do metro quadrado, mas não são determinantes. Já a acessibilidade a espaços de compras podem fazer uma grande diferença, uma vez que o shopping Pátio higienópolis estava na região mais nobre e com o

1 A pesquisa foi executada com base no site urbanizo.com.br. o site faz uma seleção dos imóveis à venda nos principais portais da internet e os localiza em um mapa, calcula o valor do metro quadrado médio das principais cidades brasileiras e mostra uma lista de todos os imóveis dispo- níveis para venda de acordo com a área selecionada. disponível em: <http://www.urbanizo.com/ imoveis/>. Acesso em: 15/02/2014

266 267 metro quadrado mais caro. o capital é elemento central para avaliar a ocupa-

ção do espaço urbano pela sociedade na metrópole.

Além do valor arquitetônico dos edifícios, o modo e o local especíico como es- tes se juntam para formar os quarteirões onde circulo com a Bicicleta visual entram em questão. os edifícios de arquitetura assinada, que fazem de hi- gienópolis bairro chique, também aparecem no centro. no largo do Arouche existe mais de um desses edifícios, bem desenhados e com letras douradas no portão, idênticos aos de higienópolis. como a localização é construída? Quanto trabalho foi dispendido para se criar o espaço da cidade, o valor de uma rua, uma calçada, uma instalação elétrica, um parque?

“há um consenso atualmente de que o espaço urbano é produzido (...). É pro- duzido pelo trabalho social dispendido na produção de algo socialmente util. uma pergunta fundamental que poucos fazem: qual é o produto desse traba- lho? há aí dois valores a considerar. o primeiro é o dos produtos em si - os

edifícios, as ruas, as praças, as infraestruturas. o outro é o valor produzido pela aglomeração. esse valor é dado pela localização dos edifícios, ruas e praças, pois é essa localização que os insere na aglomeração. A localização se apresenta como um valor de uso da terra - dos lotes, das ruas, das praças, das praias - valor que, no mercado, se traduz em preço da terra. tal como qualquer valor, o da localização também é dado pelo tempo de trabalho so- cialmente necessário para produzi-la, ou seja, para produzir a cidade inteira na qual a localização é parte” (vIllAçA, 2009, p. 72).

Ao perceber a localização como fator importante, revejo algumas hipóteses que surgiram no processo de pesquisa: quanto mais o valor do metro quadra- do de R$ 12.000 não custaria se fosse calculado o valor do metro quadrado em uma loja dentro do shopping Pátio higienópolis, em vez do de um apar- tamento? uma placa de “Passa-se o Ponto” na Rua major sertório me vem à mente, ela é exatamente a localização, o valor extra, cobrado por estar em um determinado local na cidade, com tudo que está em volta. esse valor, cobrado

268 269 até quando se aluga o imóvel, é parte do valor da terra, no qual ele se insere.

se o estabelecimento é na periferia, a quantidade de trabalho social existente para a produção da cidade é menor, baixando o preço do ponto.

Ao percorrer o minhocão e todo o segmento do centro, foi possível identii- car que o uso do solo também é fator para a composição do valor do metro quadrado. os moradores de rua, as prostitutas, os usuários de crack, as ruas com lixo e o comércio informal são indicadores de um uso que o capital não reconhece como valor; ao contrário, tais usos o depreciam. nesses espaços, a atuação do poder público é menor, as ruas se desgastam, instaura-se o discurso da decadência e da violência e, por im, cria-se uma série de meca- nismos de apropriação privada sobre o direito de desapropriações dos imóveis desvalorizados.

“de fato, o poder público, aliado ao interesse privado da especulação, posi- ciona-se de maneira favorável à ideia da expansão imobiliária como sinal de

desenvolvimento. É histórico que, em qualquer área urbana, tais “reformas” levem a uma valorização inanceira do metro quadrado e lancem a população pobre para além dos limites das atuais condições já precárias de moradia. Para que o projeto especulativo se concretize, é necessário limpar as áreas da presença dos pobres” (teles, 2012, p. 79).

Foi no centro, entre a República e a luz, onde comecei a perceber o espaço como uma resistência, mesmo inconsciente, ao preço implacável da cidade de são Paulo e ao sistema homogenizador da metrópole. onde as desapropria- ções já se iniciaram e icam à vista, onde os moradores de rua se misturam com os moradores da rua, onde o boteco com mesas coloridas ica aberto até mais tarde e os travestis gritam ao sinal de vigilância, é que se pode vislum- brar a possibilidade de transformar o uso do espaço e criar novas alternativas para os encontros.

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O crescente e abstrato valor de troca da cidade