Definido o conjunto de dados que serão submetidos ao processo da análise, a etapa seguinte foi a “escolha das unidades de observação para a codificação e tratamento de dados” (Pacheco, p. 98), para o que segundo observações em nota de rodapé, o autor, em citação a M. Postic & De Ketele (1988, p.77) lembra que “[...] não existe uma maneira científica de tratar os resultados, mas modalidades mais ou menos adequadas segundo os momentos, os objetos e as funções visadas”(id., ibid.). É necessário aqui, que se explique o que se entende por unidades de observação, para o que, Pacheco, citando Everston & Green (1986, p. 180), elucida que se trata do “conjunto de variáveis construídas para ajudar o observador a refletir sobre diversos aspectos dos fenômenos observados”. O levantamento desse conjunto de dados permite uma espécie de “arquivamento” desses dados de modo a ficarem disponibilizados e expostos, à mercê do pesquisador, possibilitando sua descrição e interpretação para a compreensão de sua realidade. Passaremos então, primeiramente, à análise das opiniões dos alunos, seguindo as categorias de respostas.
Analisando os comentários dos alunos, verificou-se que os resultados não apresentaram diferenças contrastantes, como vemos no quadro abaixo:
Categoria Total
Manutenção do enfoque tradicional 12
Mudança p/ um enfoque holístico e abrangente 17
Conjugação dos dois enfoques 20
Outros 10
Vemos que as opiniões demonstram uma situação bastante equilibrada, embora a maioria prefira que haja uma combinação entre a forma tradicional de ensino e a forma mais abrangente. Dentre todos os comentários de todas as categorias, selecionamos ainda as três mais contundentes e representativas de cada uma, seguindo a ordem do número de escolhas: 20, 17, 12 e 10.
Na categoria que vem em primeiro plano, “Conjugação dos dois enfoques” pode-se perceber essa preferência de forma clara, por exemplo, nas seguintes opiniões:
o “Não quero propor aqui a exclusão dos métodos tradicionais, mas sim uma
interação entre ambas, para um ensino acessível” (LB, PM – III), ou também:
o “As duas coisas (expressividade e técnica) caminham juntas.” (EFS, PM – III) ou ainda:
o “... creio que os dois sistemas pedagógicos devem caminhar juntos, um completando
o outro, viabilizando e facilitando assim o ensino da percepção musical” (IT, aluno de PM – I).
A categoria que vem em segundo plano (“Mudança para um enfoque holístico e abrangente”), também apresenta um número significativo de alunos simpatizantes desse enfoque, com comentários mais representativos como os seguintes:
o “No decorrer do curso os alunos são tão bombardeados com técnicas e teorias que
começam a pensar somente em notas, aprovações, enfim, em acabar logo o curso e pronto! Enfim, com certeza deve haver mudanças no curso de música! É preciso fazer algo em que o aluno/músico sinta prazer!” (DMDM, PM – III);
o “Para mim, essa aula de percepção musical tradicional, ou seja, que trabalha com
ditado melódico, ditado rítmico, solfejo, etc. não faz mais sentido...” (CMNF, PM –
o “Ao mudar a forma de ensino e avaliação da percepção, o aprendizado e o
rendimento dos alunos irá melhorar muito, pois quando for retirado o foco das técnicas e teorias, o aluno sentirá a música fluir com mais facilidade, pois não haverá aquela „pressão psicológica‟ de usar as técnicas” (MBL, aluno de PM – IV).
Em terceiro plano, a categoria “Manutenção do enfoque tradicional”, as opiniões que melhor expressam essa preferência dentre as demais são:
o “[...] O processo explicação da articulação/reconhecimento de padrões repetidos
até que seja necessário, por mais extenuante que possa parecer, pelo menos para mim parece ser o mais eficaz” (MT, aluno de PM – III);
o “A questão é: de que forma se trabalhar a percepção se não lançando mão desses
métodos tradicionais? Quais as alternativas de ensino de percepção? Como levar em conta todos os aspectos da percepção sem fragmentá-los e reduzi-los ao seu arcabouço técnico?” (TLCPR, PM – III);
o “Quanto ao ensino da percepção musical no meio acadêmico, acredito que a ênfase
aos aspectos técnicos é o mais correto a se fazer, pois infelizmente o ensino universitário tem de cobrir uma lacuna do ensino de música em escolas...” (MCSA, PM – III).
Já na última categoria, (“Outras”), as opiniões foram bem diversas, emergindo desta categoria uma sub-divisão, como veremos em seguida.
1) – Mistura de estilos
o “Na aula de PM deveria haver momentos destinados à apreciação musical,
pelos alunos [...], podendo vivenciar desta forma, a vasta riqueza musical, tanto erudita como popular e assim conhecer a música vivida por diferentes culturas” (CFP, PM – III);
o “Eu acho que a metodologia de PM deveria ser aplicada com um repertório
bem popular e regional (já que é o estilo musical que as pessoas mais vivenciam), mas sem deixar de lado os outros estilos [...]” (RLS, PM – I).
2) MPB
o “[...] Observo atualmente alguns professores utilizando ritmos nossos,
brasileiros, como o samba, o frevo, o samba, etc. e isto é muito bom, nos deixa mais próximos de uma verdade, da nossa música, do que ouvimos” (MAFL, PM – IV);
o “Uma proposta interessante seria a de que se trabalhasse o material
brasileiro, tendo em conta que nós temos um material muito interessante. [...]” (COM, PM – IV);
o “Levando-se em consideração a percepção musical, deveríamos inovar no
sentido de buscar ritmos brasileiros, vivenciando nossa música, valorizando nossas origens. [...] Necessitamos de um curso de percepção popular, onde haja uma abordagem de outros aspectos” (JAD, PM – IV);
o “[...] ditados e solfejos sem estarem associados a alguma música ou gênero
3) Divisão por turmas
o “Vivendo essa experiência, vejo que as turmas deveriam ser divididas:
turmas para alunos com mais dificuldades e outras para os alunos com mais facilidade [...]” (UP, PM – III).
4) Aulas individuais
o “Acho que a disciplina percepção musical não deveria ser feita em grupo, já
que ela é uma disciplina em que numa turma existem alunos com níveis de percepção muito diferentes. As aulas deveriam ser individuais ou as turmas deveriam ser formadas de acordo com o instrumento, já que diferentes instrumentos possuem diferentes dificuldades” (EL, PM – III).
o “[...] Também se deve separar os alunos por naipes, de acordo com o
instrumento que cada um toca, pois cada músico tem uma necessidade especial na forma de percepção [...]” (RFB, PM – III).