F. KISMİ SÜRELİ ÇALIŞMANIN YILLIK DÜZENLENMESİ
III. SİYASAL SONUÇLARI
A verdadeira ajuda se “autonega”, ou seja, trabalha para que o outro deixe de necessitá-la. A chave está nas intervenções que reforçam a autonomia.
Plínio Fasolo
Em relação ao momento atual vivido nas universidades, Fasolo expressa sua inquietação com a estrutura de créditos e matrícula por disciplinas, apontando que percebe que hoje a preocupação dos alunos pode ser sintetizada em questões como o financeiro, o conforto, aspectos que, embora relevantes para eles, não poderiam se sobressair em relação a outros mais importantes para a composição de um olhar crítico em sua formação profissional.
Como professor, Fasolo sente relativa mágoa ao perceber que muitos alunos não vivenciam o sabor da discussão e denuncia que, atualmente, há um esvaziamento de questionadores: “Ninguém questiona mais nada, só reivindicam preço, horários, conforto”. A mágoa que refere diz respeito ao fato de se sentir envolvido e comprometido com essa situação e de, em muitas vezes, não poder auxiliar os acadêmicos como gostaria.
Fasolo entende que essa fase da vida, referindo-se à juventude, é uma etapa importante para sentir o sabor do questionamento: “quem não prova não sabe o gosto...”. Isso deixa nas entrelinhas uma relação com sua rica e intensa vivência nessa época da vida.
A definição de Fasolo para um bom aluno traz a marca da curiosidade, do comprometimento e, também, da autonomia. Estabelece uma classificação interessante, dizendo que existem dois perfis de acadêmicos: os estudantes e os alunos.
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De forma crítica, afirma que infelizmente a universidade tem mais alunos do que estudantes. Para Fasolo, o estudante tem autonomia para se movimentar, para procurar, para ser participante de sua formação. Em contrapartida, o aluno é aquele que se preocupa essencialmente com a nota, com a avaliação, com a freqüência, enfim, com a estrutura formal e burocrática que a universidade tem que cumprir. Esse aluno demonstra claramente que, se ele se submeter a essa formalidade, ele estará garantido, pois, ao ingressar na universidade, acredita já ter alcançado a sua meta, pensa que, com a aprovação no vestibular, já conquistou o direito de ser formado no curso que escolheu.
Com perceptível tom de identificação pessoal, Fasolo refere-se ao estudante como aquele que está em busca de satisfazer suas curiosidades, aquele que tem problemas, saboreia isso e, para muito além, ele busca novos problemas. As palavras de Fasolo trazem muito de sua condição de estudante que foi no passado e de professor crítico permanentemente disposto a aprender no hoje.
Diante dessas reflexões, é compreensível a indicação feita por Fasolo sobre um ex-aluno seu que pudesse enriquecer o relato sobre sua história como professor. Marcos Salami revelou que, depois de ter sido aluno de Fasolo em duas disciplinas, pediu para continuar acompanhando suas aulas como ouvinte a fim de complementar suas aprendizagens.
Fasolo reconhece a parcela de contribuição das escolas e da universidade em relação à produção de muitos alunos cumpridores do programa e da formalidade em detrimento da construção de um posicionamento mais crítico e autônomo.
Paulo Freire coloca como um saber necessário à prática educativa o respeito à autonomia do ser do educando, do educando criança, jovem e/ou adulto. Considera que esse pressuposto tem sua raiz na condição de inconclusão
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do ser que se percebe, que se sabe inconcluso, ou seja, tem consciência disso. “O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros“. (FREIRE, 1997, p. 66).
Analisando as considerações de Fasolo sobre a fragilidade e a dependência do aluno que não conquista sua autonomia acadêmica e aproximando da citação de Freire, é possível inferir que a escola tem considerável parcela de responsabilidade nesse processo. Não há como negar a constituição individual advinda da composição simultânea de dimensões afetivas e cognitivas, da dialética sujeito-meio. Ou seja, nessa dinâmica trajetória os indivíduos tornam-se sujeitos que respondem por suas escolhas e atribuem diferentes significações a elas.
No texto “Um novo predador”, publicado em sua página já citada por diversas vezes, Fasolo reflete sobre essas questões e, como é próprio de seu estilo, coloca muito de sua emoção e de suas vivências em suas considerações.
Eu sou do tempo em que enfrentar dificuldades era um divertimento. Me deliciava vencer desafios sem auxílio dos outros. Talvez fosse egoísmo. Não gostava de dividir as glórias das minhas pequenas vitórias. Muitas vezes ficava horas, dias até, tentando resolver um problema de Matemática ou de Física. Odiava o professor que, por impaciência, não esperava pelo meu raciocínio lento e apresentava a sua solução diante de uma classe sonolenta, onde uma minoria de ingênuos admirava a sua "competência". Nunca entendi muito bem o clamor dos que anseiam por soluções prontas.
Fasolo segue, nesse mesmo texto, criticando uma estranha ansiedade que contamina os professores mais jovens em satisfazer de imediato a curiosidade dos alunos.
Eles prontamente querem responder as perguntas que lhes são formuladas e, diante de uma classe apática, passam a responder até mesmo, perguntas que ninguém lhes fez. Professores muito preocupados com a demonstração do seu conhecimento, ou em
esconder suas ignorâncias, pouco contribuem para a eficiência escolar.Faz pouco tempo,
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contidos no texto de Física mais adotado por nossas universidades. Soube também que esse livro está fazendo mais sucesso de vendas do que o texto consagrado contendo os problemas. Comparo o autor dessa "façanha" ao traficante de drogas. Talvez ele não perceba de imediato o mal que está causando, corrompendo o processo de aprendizagem,
mas sem dúvida ele é um predador.
Nos escritos de Fasolo, reside nitidamente sua epistemologia, é evidente a repulsa ao professor autoritário que está amarrado ao conteúdo. Seu texto é provocativo e não há nenhum cuidado em suavizar a crítica. Seu registro é marcado pela autenticidade e coerência. Autêntico na medida em que se assume contrário a esse paradigma ainda dominante, que não preconiza o aprender com sentido. E a coerência evidencia-se na estreita relação entre o relato, os escritos e as ações de Fasolo, prática essa possível de ser conhecida pela sua narrativa e, sobretudo, pelos depoimentos de seus ex-alunos.
Preocupado com a auto-estima dos acadêmicos, Fasolo relata que, a cada novo semestre, inicia sempre com suas turmas fazendo uma crítica a esse sistema vigente e alerta que eles não têm culpa disso. “De alguma forma eu mostro que eles foram vítimas de uma estrutura que os deixou numa expectativa que não é conveniente para eles”.
A esse aspecto, Fasolo relaciona sua visão atual a respeito da epistemologia. “Há muito tempo eu assumi aquela ‘quase certeza’ de que o conhecimento é uma criação de quem aprende”. Segue explicando que se esse aprendiz não se valer dos recursos de que dispõe, que muitas vezes é o próprio professor, em outras vezes é a rede ou a biblioteca, ou ainda os laboratórios, poderá não fazer bem sua formação. No entanto, usufruindo desses direitos, poderá fazer uma formação de qualidade, ocupando seu lugar de estudante questionador, ciente de seus compromissos nesse processo.
O aluno é aquele que cumpre o regimento, assiste às aulas e, caso venha a faltar, prontamente apresenta um atestado médico. O aluno é aquele que faz as "provas", que vive contando os pontos que faltam para alcançar a nota mínima de aprovação. Não se manifesta em aula. Só procura o professor para questionar sua avaliação. De estudante ele
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tem apenas a "carteirinha". O estudante freqüenta a biblioteca e a Internet, tanto ou mais do que a sala de aula. Quando busca o professor é para discutir a solução de um problema ou para sugerir uma possível atividade complementar às programadas. Comparece aos laboratórios, mesmo fora dos horários obrigatórios. Participa das aulas buscando sempre um diálogo com o professor. Diz o que pensa e ouve os que se manifestam. Participa com gosto de discussões e desafios.
Conforma-se ao referir que, nessa lógica, a universidade já titulou pessoas que se saíram muito bem porque se formaram em uma proposta qualificada e aproveitaram isso. Acredita que não é a universidade que forma o indivíduo, é o indivíduo que se forma nela e, normalmente, o aluno pensa que a universidade tem a obrigação de formá-lo; já o estudante sabe que ele poderá vir a se formar na universidade e, para se formar bem, depende dele.
Um dos grandes desafios a ser enfrentado pela universidade é o de transformar seus alunos em estudantes. Para tanto, não existe uma única providência, mas todas elas certamente implicarão em ações que irão aumentar as exigências sobre os alunos, diminuindo as concessões. Os futuros profissionais irão agradecer.
Apesar de, em todos os momentos de sua fala, Fasolo apresentar um posicionamento crítico e essencialmente reflexivo, percebo um otimismo, um toque de esperança freireana na busca de um direcionamento diferente. Posso definir como uma espécie de indignação que tolera as diferenças, os ritmos, a pluralidade de olhares, essa característica o afasta de um posicionamento radical, dogmático.