BÖLÜM 3: SFYC VE SIRP MİLLİYETÇİLİĞİ
3.3. SFYC’nin Dağılması ve Sırp Milliyetçiliği
A respeito da consolidação de um mercado para o grupo minoritário homossexual, França (2006:2) sustenta que a década de 1990 foi o momento em que o gueto passou a constituir efetivamente um nicho de mercado mais sólido, fenômeno que teve por desdobramento uma expansão de iniciativas que visavam habilitar a oferta de serviços e produtos para atendimento da demanda dessa parcela da população.
São exemplos desse processo de especialização, segundo essa autora, a criação de festivais de cinema, casas noturnas, agências de turismo, livrarias, lojas de roupas, além do lançamento de numerosos produtos de mídia, tais como programas e canais de televisão a cabo, inúmeras páginas na internet, entre diversos outros. Data também dessa época a criação da sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), utilizada como rótulo para esse nicho de mercado.
Foi também nesse período que a imprensa voltada a homossexuais deixa, em contexto brasileiro, de ter caráter de imprensa alternativa, de circulação restrita, e passa a ser assimilada por um mercado mais amplo, através de publicações editadas e impressas por empresas do setor de comunicação.
É importante que seja definido, neste ponto, o que se entende por “imprensa alternativa”. Kucinski (1991:XIII) propõe quatro diferentes sentidos para a palavra “alternativa”, os quais não são excludentes entre si e que, combinados, possibilitam compreender a natureza dessa modalidade de produtos midiáticos. São eles:
1) o de algo que não está ligado a políticas dominantes;
2) o de uma opção entre duas coisas reciprocamente excludentes;
3) o de única saída para uma situação difícil;
4) o do desejo das gerações dos anos 60 e 70 de protagonizar as transformações sociais que pregavam.
O surgimento de uma imprensa homossexual alternativa nesses moldes está ligado, em larga medida, à existência de um regime militar
acentuadamente repressivo e fortemente marcado pela prática de censura dos meios de comunicação. Os itens da definição anterior permitem observar que a idéia de produzir publicações que não se conformavam ao que era preconizado pelos grupos detentores de poder político embutia em si uma intenção de romper com o que estava estabelecido em termos de possibilidades de expressão e liberdade política e de comportamento em época marcada pelo autoritarismo. No dizer de Gonçalves (2010:04), esse
[...] é um período de crise da mídia em virtude da limitação da liberdade de imprensa e dos golpes que os jornais impressos sofrem ao concorrer com a TV e o rádio. [...] O jornalismo alternativo nasce da articulação entre o desejo das esquerdas de protagonizar transformações sociais e da necessidade de oposição ao regime militar.
De acordo com Lima (s/d:01), a imprensa alternativa estava fortemente vinculada à idéia de ruptura social, e seus idealizadores “investiam principalmente contra o autoritarismo na esfera dos costumes e no alegado moralismo da classe média”. As publicações pertencentes a essa modalidade de mídia têm por característica uma relativa independência com relação à lógica de mercado, isto é, ainda que sejam idealizadas para atender a um público leitor, normalmente não contam com uma estrutura empresarial e não têm no lucro seu principal objetivo. Para Kucinski (1991:XVI),
a imprensa alternativa surgiu da articulação de duas forças igualmente compulsivas: o desejo das esquerdas de protagonizar as transformações institucionais que propunham e a busca, por jornalistas e intelectuais, de espaços alternativos à grande imprensa e à universidade. É na dupla oposição ao sistema representado pelo regime militar e às limitações à produção intelectual-jornalística sob o autoritarismo, que se encontra o nexo dessa articulação entre jornalistas, intelectuais e ativistas políticos. Compartilhavam, em grande parte, um mesmo imaginário social, ou seja, um mesmo conjunto de crenças, significações e desejos (...) À medida que se modificava o imaginário social e com ele o tipo de articulação entre os jornalistas, intelectuais e ativistas políticos, instituíam-se novas modalidades de jornais alternativos.
Destaca-se, entre as publicações dessa época, O Lampião, um jornal em tamanho de tablóide em que eram publicadas cartas de leitores e notícias
sobre atos preconceituosos, além de reportagens com celebridades (não necessariamente homossexuais), contos, críticas literárias, de teatro e cinema etc. Entre seus criadores, destacam-se os escritores Aguinaldo Silva e João Silvério Trevisan. Segundo Lima (id. ibid.), “O Lampião marcou a imprensa brasileira pelo seu vanguardismo nas posições defendidas”, mas, assim como outros exemplares de imprensa alternativa, acabou encerrando logo suas atividades. Foram trinta e uma edições publicadas entre 1978 e junho de 1981. Em seus últimos números, é possível observar uma modificação importante em seu projeto editorial original: a reprodução de imagens pornográficas, prática que era evitada no princípio de suas atividades. A disseminação da pornografia n’O Lampião não corresponde, entretanto, a uma prática isolada e ligada apenas a esse jornal, mas ilustra uma tendência mais geral da imprensa tanto homossexual quanto heterossexual nesse momento.
Para Lima (s/d:04), a popularização do conteúdo pornográfico no Brasil é decorrente da distensão política, do fim da censura formal e de uma demanda reprimida por pornografia. Segundo esse autor,
a partir daí, a imprensa homossexual brasileira foi tomada pelo pornográfico. Dezenas de publicações surgiram explorando o nu masculino. Primeiramente, disfarçadas em revistas como Naturismo, que pregava a vida saudável e o fisiculturismo; aprimorou-se, depois, em publicações específicas, especialmente em São Paulo. Surgiram as revistas Gato, Alone Gay, Young
Pornogay, entre outros títulos.
Com a descoberta do potencial mercadológico do nicho homossexual, na década de 1990, começaram a surgir as primeiras publicações de natureza não alternativa que se dirigiam a esse público, fenômeno que foi acompanhado pelo paulatino escasseamento de títulos alternativos.
a insistência numa distribuição nacional antieconômica, a incapacidade de formar grandes bases de leitores-assinantes e certo triunfalismo em relação aos efeitos da censura contribuíram para fazer da imprensa alternativa não uma formação permanente, mas sim, algo provisório, frágil e vulnerável não só aos ataques de fora como às suas próprias contradições.
A primeira revista dessa nova geração foi a Sui Generis, publicada pela primeira vez em 1995. Paralelamente, houve também um aumento da preocupação de jornais e revistas de maior alcance de contemplar o público homossexual. O jornal Folha de São Paulo, por exemplo, passou a publicar semanalmente uma coluna estritamente para homossexuais. No dizer de Fernandes (1987:11), “os grandes jornais resolveram fazer profissionalmente o que era feito de forma amadora”, o que contribuiria para o aniquilamento da imprensa alternativa.
A Sui Generis abriu caminho para diversos outros títulos, entre eles, a Junior e a G Magazine, publicação lançada em 1998 que ganhou notoriedade por trazer, em suas páginas, fotos de nudez frontal de pessoas conhecidas pelo grande público, tais como atores, cantores, jogadores de futebol e modelos famosos.
Na seção a seguir, procedemos à descrição da revista Junior, fornecendo detalhes acerca de seu projeto editorial e do público-leitor ao qual se dirigem.