3. SPOR MÜSABAKALARINDA YARALAMANIN FAİLİ VE
3.1. Faili
3.1.3. Seyirciler
O princípio da capacidade contributiva é, de um lado, uma forma de tornar mais objetivo o sobreprincípio da isonomia em matéria tributária e, de outro lado, uma norma ainda dotada de muita subjetividade, capaz de gerar enormes desafios aos entes competentes para inserir normas no sistema de direito positivo em conformidade com a Constituição de 1988. Isto porque, a
capacidade contributiva está enunciada no artigo 145, parágrafo 1o, com a
seguinte disposição:
63
§1o Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte64.
Inicialmente no dispositivo citado identifica-se que se trata de uma norma direcionada ao legislador enquanto autoridade competente à instituição de tributos no território nacional. Nesse sentido, compete ao legislador a identificação dos signos presuntivos de riqueza capazes de suportar a exação nos moldes de sua capacidade econômico-financeira. A partir desses signos, a instituição da regra-matriz de incidência, sempre que possível, deverá observar essa capacidade contributiva que faz com que os sujeitos passivos que tenham maior concentração de patrimônio e renda sejam responsáveis por uma parcela maior na arrecadação fiscal em termos proporcionais. Utilizando um exemplo nas normas de incentivos fiscais, o próprio regime jurídico concedido especialmente às microempresas e empresas de pequeno porte graduaram o encargo da tributação única conforme a capacidade contributiva desse setor econômico. Assim, o signo presuntivo de riqueza que garante a graduação legítima da tributação é a própria receita bruta, utilizada como base de cálculo para a incidência das alíquotas diferenciadas. Quanto maior a receita bruta da microempresa ou empresa de pequeno porte, maior a alíquota incidente sobre ela no regime do Simples Nacional. Além disso, foram estabelecidas diferenças tributárias em virtude da capacidade contributiva de acordo com a atividade desempenhada pela microempresa ou empresa de pequeno porte. Dessa vez, o signo presuntivo de riqueza é uma análise mercadológica sobre custos operacionais que garante que a margem de lucro de empresas prestadoras de serviços é maior do que aquelas destinadas ao comércio de mercadorias. Com isso, a tributação no Simples Nacional varia não apenas conforme a receita bruta do sujeito passivo mas também conforme a atividade por ele desenvolvida.
64
Voltando ao enunciado constitucional que institui o princípio da capacidade contributiva, várias são as significações atribuídas ao termo “sempre que possível” pelos juristas, algumas no sentido de que o legislador constituinte permite ao legislador ordinário a observância desse princípio e outras no sentido de que se trata de uma obrigatoriedade da qual o legislador não pode escapar sem cometer uma inconstitucionalidade. Essa segunda linha de pensar, que se entende mais adequada à prescrição constitucional, o princípio da capacidade contributiva deve ser necessariamente observado
sempre que a regra-matriz de incidência do tributo permitir65.
Com efeito, vários tributos se valem de signos presuntivos de riqueza que permitem a observância do princípio da capacidade contributiva. Daí nasce a progressividade dos tributos como nos casos do imposto sobre a renda ou do imposto sobre a propriedade predial urbana. Quanto maior a riqueza representada maior será a carga tributária suportada pelo sujeito passivo.
Informado o princípio da capacidade contributiva perante o legislador ordinário pergunta-se: qual a relevância específica dessa norma para a disciplina das normas concessivas de incentivos fiscais? A resposta não é algo tão simples se o entendimento considerado correto for de que a capacidade contributiva é uma determinação direcionada tanto ao legislador ordinário quanto ao aplicador do direito. Com efeito, algumas normas concessivas de incentivos fiscais enaltecem outros valores constitucionais que, individualmente consideradas, serão contrárias ao princípio da capacidade contributiva.
Exemplifica-se com o incentivo fiscal para a inovação tecnológica no
Brasil. A Lei n. 11.196, de 21 de novembro de 2005 (“Lei do bem”)66
possibilitou uma série de abatimentos na base de cálculo do imposto sobre a
65
CARRAZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. 19 ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 90.
66
renda da pessoa jurídica que promovesse investimentos em projetos tecnologicamente inovadores. Esses abatimentos, por consequência, implicaram uma carga tributária reduzida em relação às empresas que não optaram pelo incentivo. Com isso, a tributação pelo imposto de renda não leva em conta tão somente a capacidade econômica do sujeito passivo para determinar a carga tributária por ele suportada. Embora haja progressão de alíquotas em virtude da lucratividade da empresa, a norma de incentivo fiscal, quando adotada, pode superar a progressividade proposta na regra-matriz de incidência ordinária do tributo. Nesse sentido é que a norma concessiva de incentivos fiscais também deve obediência ao princípio da capacidade contributiva. Diante da unidade do sistema do direito positivo não se pode defender que o princípio seja aplicável tão somente ao legislador ordinário quando da instituição propriamente dita do tributo. A norma deve ser observada tanto pelo legislador que institui o tributo quanto por aquele outro que concede incentivos fiscais. E como conceder incentivos fiscais que obedeçam o princípio da capacidade contributiva e promovam os valores constitucionais adequados ao mesmo tempo? A proposta desse trabalho é no sentido de que as normas concessivas de incentivos fiscais tenham limites nas renúncias fiscais até os limites das faixas anteriores de tributação na progressividade do tributo. Ou seja, se o imposto de renda das pessoas jurídicas trabalha com alíquotas progressivas de 15% e 25% (sobre a base adicional), entende-se que observar o princípio da capacidade contributiva na concessão de incentivos fiscais significa reduzir a carga tributária da pessoa jurídica normalmente sujeita aos 25% até o limite de 15%. Desse modo, não apenas há proteção da inovação tecnológica no país mas também ficarão resguardados os princípios da capacidade contributiva, da livre inciativa e da concorrência leal.