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14. FEN EĞĠTĠMĠ, BĠLĠMSEL SÜREÇ BECERĠLERĠ VE KAVRAM

2.4. SES PROJESĠNĠN DEĞERLENDĠRĠLMESĠ

2.4.1. Ses Projesi Uygulamaları Sonunda Alınan Öğrenci GörüĢlerine

No início de 2013, a OIT divulgou um relatório acerca dos estudos sobre trabalhadores domésticos que foi elaborado posteriormente à adoção da Convenção 189, em 2011. As conclusões do relatório servem como ponto de referência para medir os progressos da extensão da proteção legal.

O estudo, que ainda não tem versão em português, é dividido em oito capítulos:

- Capítulo 1: Introdução;

- Capítulo 2: Definições, fontes e metodologia;

- Capítulo 4: Legislação laboral nacional e trabalhadores domésticos;

- Capítulo 5: Jornada de trabalho;

- Capítulo 6: Salário mínimo e pagamento em utilidades;

- Capítulo 7: Proteção à maternidade;

- Capítulo 8: Conclusões.

Ao final, há apêndices, quadros, gráficos e figuras que ilustram com maior clareza os dados que foram apresentados.

O prefácio é aberto com um texto que merece destaque:

Enhancing our knowledge on domestic work lays a solid basis for action that can make a difference in the lives of domestic workers. For too long, this group – a large majority of whom are women – has remained outside the realm of policy-making on social and labour issues, and has largely been confined to the informal economy. Since they work behind the closed doors of private households, domestic workers are shielded from public view and attention, and are often hard to reach by conventional policy tools. However, this should not be used as a convenient excuse for inaction.33

No capítulo 1, que faz a introdução do tema, lê-se que a primeira vez em que o tópico relativo ao trabalho doméstico ganhou destaque no cenário internacional foi com a edição da Convenção 52, em 1936, que tratava de férias remuneradas. Tal Convenção excluiu

33 “Aumentar nosso conhecimento sobre trabalho doméstico nos dá bases sólidas para ações que podem fazer a diferença na vida dos trabalhadores domésticos. Por muito tempo, este grupo – em sua grande maioria mulheres – permaneceu à margem das questões tratadas pela política social e laboral, e ficou amplamente confinado na economia informal. Visto que eles trabalham atrás de portas fechadas de casas de famílias, trabalhadores domésticos estão escondidos da visão e atenção públicas, e estão frequentemente fora do alcance das ferramentas políticas convencionais. Entretanto, isso não deve ser utilizado como uma conveniente desculpa

para falta de ação.” (Tradução nossa.) Disponível em:

<http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/doc/trabalhodom%C3%A9sticocompleto_971.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2014.

trabalhadores domésticos do seu rol de proteção e essa questão foi colocada na agenda para discussão numa próxima sessão. Posteriormente, concluiu-se na 20ª Conferência da OIT que:

[...] domestic servants (...) are wage earners, and therefore entitled to protection in the same way as other wage-earners.34

Mais de 75 anos depois, finalmente, a OIT reconheceu de forma ampla os direitos dessa crescente categoria através da Convenção 189 e da Recomendação 201, na sua 100ª sessão.

Com essa pesquisa, a OIT consegue obter melhores referências quanto ao trabalho doméstico ao redor do mundo, já partindo do pressuposto de que são cerca de 52,6 milhões de homens e mulheres desempenhando esse tipo de tarefa atualmente.

Essa parte introdutória enaltece que os trabalhadores domésticos são particularmente vulneráveis à exploração e estão entre os trabalhadores mais mal remunerados do mercado, porém, ironicamente, estão frequentemente menos protegidos, excluídos da mínima proteção. Um exemplo claro é o fato de que em muitos países os trabalhadores domésticos, dos quais mais de 80% são mulheres, são excluídos das regras de proteção à maternidade.

A partir desse breve panorama, inicia-se o relatório da pesquisa elaborada pela OIT.

O capítulo 2 trata das definições, fontes e metodologia da pesquisa. Ao tratar do primeiro assunto, já alerta que os trabalhadores domésticos consistem num grupo extremamente heterogêneo, o que dificulta a coleta de dados. A atividade varia de país para país, bem como pode mudar constantemente.

Menciona, então, a definição de trabalhador doméstico presente no artigo 1º da Convenção 189 da OIT (o qual já foi abordado anteriormente).

34 “Trabalhadores domésticos [...] são assalariados e portanto têm direito à proteção da mesma forma que outros

assalariados.” (Tradução nossa.) Disponível em:

<http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/doc/trabalhodom%C3%A9sticocompleto_971.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2014.

Artigo 1

Para o propósito desta Convenção:

(a) o termo “trabalhador doméstico” designa o trabalho executado em ou para um domicílio ou domicílios;

(b) o termo “trabalhadores domésticos” designa toda pessoa, do sexo feminino ou masculino, que realiza um trabalho doméstico no marco de uma relação de trabalho;

(c) uma pessoa que executa o trabalho doméstico apenas ocasionalmente ou esporadicamente, sem que este trabalho seja uma ocupação profissional, não é considerada trabalhador doméstico

Contudo, a abordagem no momento da pesquisa não alcança respostas tão categóricas, o que acaba por gerar resultados com uma razoável margem de erro.

Um quadro inserido no capítulo identifica as abordagens utilizadas na tentativa de identificar os trabalhadores domésticos.

Primeiramente o task-based approach, o qual podemos traduzir como “abordagem baseada nas tarefas”, que busca identificar os profissionais através de informações sobre suas ocupações no ambiente de trabalho.

A segunda é o status in employment approach, ou “abordagem por estado na profissão”, na qual apenas se tenta discriminar os trabalhadores domésticos dos demais. Nesse tópico, o estudo destaca que a pesquisa feita no Brasil em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) definiu trabalhadores domésticos como “pessoas que trabalham prestando serviços domésticos, pagas em dinheiro em um ou mais domicílios”.

A terceira é o household-roster approach, que busca definir a natureza do trabalho por meio da análise do local onde vivem os trabalhadores. O questionário aplicado pergunta se o trabalhador vive no domicílio no qual presta serviços, buscando através dessa abordagem enquadrá-lo ou não como doméstico.

Por fim, a quarta abordagem, chamada industry-based approach, traça uma característica comum a todos os trabalhadores domésticos: o fato de que eles trabalham numa casa de família ou para uma casa de família.

É importante destacar o fato de que o estudo abrange apenas pessoas cuja idade já lhes permita o trabalho remunerado, o que exclui consequentemente as crianças exploradas no ambiente doméstico dos números divulgados. Outro grupo excluído dos dados é o das pessoas que exercem o trabalho doméstico de forma esporádica ou ocasional.

Na sequência, o capítulo 2 trata das fontes de dados. Atesta que foram estudados, no total, 117 países e territórios para produzir as estatísticas globais e regionais. No caso da China, foi necessário fazer uma combinação de algumas fontes oficiais para se chegar a uma tentativa de estimativa. Sabe-se que o estudo tem uma forte tendência a ter números subestimados em virtude da dificuldade de encontrar fontes que consigam captar o número exato de trabalhadores domésticos. Um exemplo típico é o caso da Índia, no qual a mídia e as ONGs apontam frequentemente que há cerca de 90 milhões de trabalhadores domésticos no país, no entanto, um estudo realizado no país afirmou que o contingente real representa um valor aproximado de 2,5 milhões. Esse tipo de discrepância não é exclusividade da Índia e pode viciar os dados de uma série de países. Segue que:

[...] these data limitations imply that the estimates presented in this report are a lower bound for the true number of domestic workers.35

O documento preocupa-se em esclarecer que dois grandes desafios foram encarados na sua elaboração. O primeiro deles foi o fato de que as estimativas apresentadas referem-se ao ano de 2010, porém muitos dos dados foram coletados anteriormente, sendo a maioria do final da década de 2000. O segundo desafio reside na inexistência de dados estatísticos de todos os países, por mais que a OIT abranja uma ampla cobertura das informações.

35“[...] essas limitações de dados implicam no fato de que as estimativas apresentadas nesta pesquisa sejam inferiores ao real número de trabalhadores domésticos.” Disponível em: <http://www.oit.org.br/sites/default/files/topic/gender/doc/trabalhodom%C3%A9sticocompleto_971.pdf>. Acesso em: 14 fev. 2014.

Inicia-se o capítulo 3 relatando que, de acordo com as novas estimativas, o ano de 2010 contava com pelo menos 52,6 milhões de homens e mulheres trabalhando no âmbito doméstico ao redor do mundo. Em seguida, expõe a interessante informação de que se todos os trabalhadores domésticos trabalhassem num mesmo país, ele seria o décimo maior empregador do mundo.

Esse setor possui uma importância peculiar nas regiões em desenvolvimento, como a América Latina e o Caribe, em que 11,9% de todos os empregados são empregados domésticos, ou o Oriente Médio, onde tal cifra chega a 8%.

No que tange às informações relativas a gênero, tem-se um total de 43.628.00 mulheres trabalhando como domésticas, enquanto os homens são 8.925.000. Assim, estima-se globalmente que uma em cada 13 mulheres trabalhadoras seja trabalhadora doméstica.

Há também, no capítulo, um quadro relativo ao trabalho infantil doméstico, com dados coletados em 2008. Dele, projeta-se que haja um total de 15.525.000 de crianças de 5 a 17 anos trabalhando nesse ramo. Vale destacar que tal número é quase o dobro do contingente de homens que são trabalhadores domésticos na atualidade. Infere, ainda, que desse total 11.331.000 são meninas.

Os números expressivos de trabalhadores domésticos no mundo têm uma íntima ligação com a migração internacional. Deve-se lembrar que mais de três quartos dos trabalhadores domésticos do mundo estão em apenas duas regiões: Ásia/Pacífico e América Latina/Caribe. Foi, inclusive, no Brasil e no México que houve o mais substancial crescimento do trabalho doméstico nos últimos anos.

Tudo o que diz respeito ao trabalho doméstico na América Latina e no Caribe merece uma atenção especial. Tratam-se, certamente, das regiões com os mais extraordinários níveis de desigualdade de renda, o que faz com que os empregadores domésticos que estão no topo da pirâmide de renda tenham condições de contratar diversos empregados, que são aqueles que estão em sua parte mais inferior. Estes, muitas vezes, acabam por aceitar a baixa remuneração e a pequena extensão de proteção social.

Mediante o cenário descrito, o Brasil possui uma importância de destaque no tema por ser, de longe, o país onde mais se utiliza a mão de obra doméstica. Entre 1995 e 2009 o número de trabalhadores domésticos subiu de 5,1 milhões para 7,2 milhões. Os dados também revelam que 93% desses trabalhadores são mulheres e que apenas 13% deles se declaram “não negros”.

Já o México conta com os dados relativos ao ano de 2008, que informam um montante de 1,9 milhões de trabalhadores domésticos. É importante ressaltar que esse número praticamente dobrou entre 1990 e 2008.

Na Argentina a situação é um pouco distinta. Ao longo dos anos 1990, o peso argentino era uma moeda forte, o que atraiu milhares de migrantes da América Latina. De acordo com pesquisas realizadas em 2001, mulheres migrantes representavam 50% de todas as empregadas domésticas de Buenos Aires. Porém, com a crise econômica argentina o número de trabalhadores domésticos despencou cerca de 10% em apenas dois anos, o que lhe confere um perfil atual extremamente distinto do Brasil e do México.

Prosseguindo na leitura do documento, passa-se então à análise das questões relativas à Ásia e ao Pacífico. Um primeiro dado registra que há, na região, cerca de 21,5 milhões de pessoas trabalhando atualmente no âmbito doméstico. No ano de 1995 eram 13,8 milhões, o que demonstra um aumento nos mesmos moldes do Brasil e do México. O trabalho doméstico é responsável por mais de 3% de todos dos trabalhadores da região e por aproximadamente 7,8% de todas as mulheres empregadas.

Os países que de onde mais mulheres saem em busca de empregos na esfera residencial em países vizinhos são Filipinas, Sri Lanka e Indonésia; as que deixam a Indonésia costumam ir trabalhar na Arábia Saudita, Malásia e, em menor escala, em Cingapura. No caso das Filipinas o principal destino é Hong Kong e os países do Golfo, como Kuwait, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

A Tailândia e a Malásia são outros grandes polos exploradores da mão de obra doméstica, com aproximadamente 250 mil trabalhadores cada uma. No caso da Tailândia, há a agravante de que uma grande parte desses trabalhadores ingressa no país de forma irregular, através de países vizinhos.

Em relação ao Oriente Médio, estima-se que haja 2,1 milhões de trabalhadores domésticos. Tal número é praticamente o dobro do índice de 1995, que era de 1,1 milhão. Ao todo, o ramo representa 5,6% dos empregos totais da região.

O contraste interessante existente na região reside no fato de que cerca de um terço dos trabalhadores domésticos do Oriente Médio são do gênero masculino, dado que não se verifica em proporção tão alta em nenhuma das demais regiões analisadas.

Em termos absolutos, a Arábia Saudita é o maior empregador local, contando com aproximadamente 784.500 trabalhadores no âmbito doméstico. Quase 50% das mulheres empregadas no país ocupam posto de domésticas.

Na sequência são relatados os dados da África, que é o terceiro maior empregador nessa área. São cerca de 5,2 milhões de trabalhadores domésticos, dos quais 3,8 milhões são mulheres e 1,4 milhão são homens. Os países que mais exploram esses serviços são: Botsuana, Lesoto, Namíbia, Zimbábue e África do Sul. Esta última é a que contempla o maior número de trabalhadores domésticos na região.

Quanto aos países desenvolvidos, o tema é analisado em referência aos países do

Leste Europeu e da CEI (Comunidade dos Estados Independentes). Em meados de 2010,

havia cerca de 3,6 milhões de trabalhadores domésticos vivendo em países desenvolvidos e aproximadamente 595 mil no Leste Europeu e nos países da CEI.

Na Europa, os três países em que mais há utilização do trabalho doméstico são Espanha, França e Itália. Nos três países, a mão de obra é preponderantemente estrangeira.

No caso da Espanha, as trabalhadoras migrantes costumam ser de origem latino- americana, especialmente dos países de língua hispânica. Na Itália, 61% das domésticas vêm do Leste Europeu, 18% da Ásia (particularmente das Filipinas) e 10% da América da Sul. Já no caso da França, os migrantes são oriundos dos países africanos colonizados pela França, especialmente Argélia, Marrocos e Tunísia.

No que concerne ao restante da Europa, destaca-se que a Alemanha possui cerca de 203 mil domésticos; o Reino Unido, 138 mil; a Dinamarca, 3.900; a Finlândia, 8.200; a Noruega, 2 mil; a Polônia, 11 mil; a Romênia, 28.900; a Turquia, 182 mil, e a Rússia, 43 mil.

Nos Estados Unidos, de acordo com dados levantados no ano de 2010, havia 667 mil trabalhadores domésticos. Os hispânicos/latinos representam 39,5% desse total e os afro- americanos, 8,7%. Já o Canadá, segundo os últimos dados, conta com aproximadamente 73 mil trabalhadores domésticos.

Em conformidade com os levantamentos expostos, verifica-se, após a análise de todos os dados, que houve, em geral, um crescimento do setor entre os anos de 1995 e 2010, o que só aumenta a relevância do estudo elaborado pela OIT.

O capítulo 4 trata de legislação laboral nacional e trabalhadores domésticos. Dessa forma, começa sustentando que estender o alcance do Direito do Trabalho significa trazer os trabalhadores domésticos para a economia formal e para a corrente principal da Agenda para o trabalho decente.

Adiante, pontua que historicamente a relação entre os trabalhadores domésticos e seus empregadores seguia de modo frequente um modelo paternalista. No entanto, os próprios trabalhadores rejeitam a ideia de que são “parte de família”, percebendo claramente a hierarquia existente entre eles e os reais membros da família.

O capítulo também destaca que atualmente os trabalhadores domésticos configuram o grupo de trabalhadores menos protegidos pelas legislações laborais dos países, tendo avanços muito lentos, e que mesmo onde tais trabalhadores são protegidos, os trabalhadores domésticos migrantes costumam ser excluídos do rol de proteção.

Em resumo: apenas um décimo de todos os trabalhadores domésticos está protegido na mesma medida que os outros trabalhadores, e apenas 70% podem usufruir de alguma proteção, ainda que em menor grau.

O capítulo 5 versa sobre a jornada de trabalho. Inicia, objetivamente, esclarecendo que o número de horas trabalhadas, a organização do tempo de trabalho e o tempo destinado ao descanso têm efeitos significativos na qualidade do trabalho e da vida de um modo geral.

Acresce que tal tema adquire importância ainda maior quando se trata de mulheres grávidas e de jovens trabalhadores. Além disso, aqueles que trabalham sob pressão ou que não têm controle sobre suas horas de trabalho relatam mais frequentemente que o trabalho impacta negativamente em sua saúde.

Ainda sobre o tema, o artigo 10 da Convenção 189 ocupa-se de maneira relevante. A Convenção reconhece que o trabalho doméstico possui características peculiares que devem ser levadas em conta na análise dessa problemática.

Para exemplificar essa questão, o estudo relata a situação no Nepal, onde em 2008 a média de horas trabalhadas pelos empregados comuns era de 39 por semana, enquanto a média dos trabalhadores domésticos era de 52 horas semanais. Do mesmo modo, situação semelhante ocorria na Indonésia, Malásia, Filipinas, Tailândia, Namíbia, Tanzânia, entre outros.

É interessante observar que numa tabela presente nesse capítulo consta que a média de horas trabalhadas pelos domésticos no Brasil, em 2007, era de 36,8. Ainda assim, trata-se de informação questionável, uma vez que no país é raro encontrar trabalhadores que laborem menos de 44 horas por semana, sobretudo no âmbito doméstico.

De modo geral, pode-se afirmar que os trabalhadores domésticos trabalham mais do que os demais, especialmente pelo fato de que muitos empregadores têm a expectativa de que o empregado doméstico esteja disponível o tempo todo. E os períodos livres devem ser efetivamente livres, e não à espera de um chamado, como bem afirma a Convenção 189 da OIT. Um exemplo disso é a utilização frequente do argumento de que o trabalho doméstico possui uma natureza especial como justificativa para exigir longas jornadas desses trabalhadores, o que não pode mais ser tolerado.

Ademais, o estudo passa então a analisar a jornada semanal dos trabalhadores domésticos. Nesse sentido, indica que a maior parte dos países limita a jornada semanal entre

40 e 48 horas. Há três países nos quais inexiste limitação, são eles: Hong Kong, Alemanha e Dinamarca. No primeiro porque tal norma ainda está em estudo, e nos demais porque há sistemas alternativos de controle de jornada.

Em que pese haver limitação de trabalho semanal na maior parte dos países do mundo, constantemente exceções são feitas no que diz respeito aos trabalhadores domésticos que, em muitos países, trabalham muitas horas além daquelas previstas para os outros trabalhadores.

Sobre o repouso semanal, verifica-se que a Convenção 189 seguiu a linha das convenções 14 e 106, que tratam do descanso semanal na indústria e no comércio, aduzindo que os trabalhadores domésticos devem gozar de no mínimo 24 horas consecutivas de repouso por semana. Contudo, estima-se que 44,9% dos trabalhadores domésticos (ou, ainda, 23,6 milhões de indivíduos) não usufruam desse direito básico.

Por fim, o documento trata das férias anuais remuneradas. Pontua, enfaticamente, que não se trata apenas de uma questão de direito, mas de uma questão de liberdade pessoal. A Convenção 132 estabeleceu o direito mínimo de três semanas por ano de férias remuneradas para todos os trabalhadores, inclusive domésticos, o que foi reiterado pela Convenção 189.

O capítulo 6 trata do salário-mínimo e dos pagamentos em utilidades. Assim, inicia afirmando que o principal elemento que diferencia os trabalhadores domésticos dos demais é o quão mais baixa é sua remuneração. Diante da constatação, estudos mostram que os trabalhadores domésticos ganham apenas 40% da média salarial dos países.

Tal situação deve-se especialmente à mentalidade de que as tarefas domésticas são tipicamente femininas. Para muitos, tarefas como limpar, cozinhar, lavar, cuidar das crianças e dos idosos são atividades que as mulheres deveriam desempenhar sem qualquer tipo de pagamento. Isso gera a desvalorização do trabalho doméstico, sobretudo quando comparado com trabalhos cuja performance é tipicamente masculina.

Vale lembrar que a OIT, desde 1951, através da Convenção 100, dispensa uma atenção especial à questão da igualdade de remuneração entre homem e mulher para trabalhos de igual valor.

Os problemas de ordem salarial se agravam em locais como a África do Sul, onde as trabalhadoras domésticas são mulheres e negras, ou como no Uruguai, onde são mulheres de