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SERMAYE TRANSFERLER İ

Belgede ANALİTİK BÜTÇE SINIFLANDIRMASI (sayfa 183-186)

ANAL İTİK BÜTÇE SINIFLANDIRMASI DÖRDÜNCÜ DÜZEY GİDER KODLARI

KURUMLARINA DEVLET PR İMİ GİDERLERİ:

07. SERMAYE TRANSFERLER İ

A evolução tecnológica teve seu processo intensificado nos últimos vinte anos, em paralelo à minha trajetória profissional. Meu primeiro trabalho formal, com registro em carteira, foi no antigo Banco Bamerindus do Brasil S.A., como escriturária. Participei de um concurso em minha cidade e passei junto com o meu irmão. Completei dezoito anos no mês de janeiro e em fevereiro fui contratada. Isso me trouxe muita alegria porque assim não precisaria ser professora. Era minha nova obrigação porque tinha concluído o 3º Ano Pedagógico no ano anterior e já estava em busca de trabalho nas escolas locais e já era adulta.

O trabalho por obrigação não era novidade porque desde os doze anos de idade já usava o tempo em que não estava na escola para ganhar algum dinheiro por meio de trabalhos manuais. Uma espécie de trabalho infantil com intuitos pedagógicos. Eram atividades desenvolvidas com a permissão de minha mãe que tinha em mente muito mais a ocupação do que a remuneração, dentro do princípio de que “mente desocupada é escritório de diabo”. Meus pais eram bem mais velhos que eu, com uma diferença de quase cinqüenta anos, tendo minha mãe a saúde debilitada. Isso os impelia a agir para que eu aprendesse a trabalhar e aprendesse a sobreviver sozinha. A idéia de se ter um marido como garantia de sobrevivência já não era mais tão segura. As meninas de minha adolescência, as meninas comuns da década de 1980, precisavam aprender a ser emancipadas e financeiramente independentes.

O trabalho no Banco foi um marco importante na minha vida, mas me tirou o foco do sonho de ir logo para a cidade grande fazer faculdade. Era uma aspiração que me frustraria porque não teria condições práticas nem financeiras de realizá-lo naquele momento. Ficaria por dois anos e meio trabalhando nesse estabelecimento bancário onde começaria a me encantar pelo trabalho menos usual para mulheres.

Os bancos servem como exemplo de instituições que, no Brasil, requerem tecnologias mais avançadas. As grandes corporações bancárias criaram indústrias próprias de informática para atender às demandas, como é o caso do Banco Itaú S.A. Hoje acessamos os nossos extratos bancários sem a intervenção de funcionários em várias pequenas máquinas espalhadas pela cidade. Em 1982, quando comecei a trabalhar no Banco, nas agências do interior, o extrato bancário fazia juz ao próprio nome. Cada correntista tinha uma ficha de duas páginas em que eram datilografados os débitos, créditos e saldo. Entre essas duas páginas existia uma terceira folha com carbono em que era duplicada a movimentação. Quando o cliente solicitava ter em seu poder o registro da sua conta, era essa página do meio que era entregue retirada de sua ficha. Nas agências da capital, onde eram processados, as

operações eram diferenciadas, pelo volume de correntistas. No entanto, eu não conseguia sequer idealizar a velocidade e os formatos de comunicação virtual que temos hoje, não aparecendo sequer nos filmes de ficção científica.

Toda a movimentação era datilografada em formulários próprios e enviada diariamente por malote para a cidade de Fortaleza para que tudo fosse “processado”. Isso significava que os dados seriam inseridos nos computadores do Banco. Os profissionais que trabalhavam com isso se formavam nos cursos superiores de Processamento de Dados ou faziam cursos técnicos na área. Eram consideradas pessoas mais inteligentes que as outras pelo senso comum. Lembro dos alunos ostentando as capas de livros como o de “Dbase II” um programa para microcomputadores que requeria conhecimentos específicos para ser manipulado. Era um conhecimento inacessível mesmo com a leitura de livros e manuais.

Meu segundo emprego seria numa empresa de computação, considerado o quinto “bureau de processamento de dados” do país. Chamava-se SECREL S.A., modificada para ser provedora de internet com a alcunha de SECREL NET, uma adaptação ao mundo atual. A mudança para a cidade grande, a idéia de abrir mão de um emprego seguro para ir em busca de um sonho, me fez entender o sofrimento que a família sempre quis evitar, não me permitindo ser sonhadora. A dureza do dia-a-dia, a falta da família e a remuneração insuficiente para as despesas básicas me fez adiar a faculdade e a quase aceitar o fato de que não valia a pena desejar coisas fora da minha classe social. Havia deixado de ser bancária poucos meses antes do Plano Cruzado I17, do Ministro Bresser Pereira. Até então, ser bancário

significava ter convites para festas e ser atendido pelo gerente nas lojas. Quando me demiti do Banco, abri mão dessa condição e me transformei numa operária semi-qualificada. O fato de ser bancária facilitou a minha contratação no novo emprego, numa empresa que trabalhava com computadores. Eu era alguém que fazia os trabalhos menos específicos, algo que me tirou a vontade de sonhar com um curso superior. Seria apenas uma auxiliar de escritório. Mas não seria professora.

Conheci meu atual marido nessa empresa, dois meses depois. Alguém que me trouxe de volta ao mundo dos estudos. Entrei na Faculdade de Educação da UFC em 1991, grávida

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O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômicas, lançado pelo governo brasileiro em 28 de fevereiro de 1986, com base no decreto-lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, sendo José Sarney o presidente da República e Dilson Funaro o ministro da Fazenda.

de cinco meses. Por escolha, no curso de Pedagogia. O trabalho frio com o dinheiro, com a computação e a percepção da dureza com que eram tratadas as pessoas que não se formavam na universidade me fizeram rever as próprias idéias e de ter vontade não só de me formar como de ajudar as pessoas em seus estudos. Desejei ser professora. Formei-me professora.

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